terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Biografia de Maria, a Judia

Maria, a Judia, por Michael
Maier, 1617.
Maria, a Judia ou Maria, a Profetisa, é uma antiga filósofa grega e famosa alquimista que viveu no Egito por volta do ano 273 a.C.. Alguns a situam na época de Aristóteles (384–322 a.C.), uma vez que a concepção aristotélica dos quatro elementos formadores do mundo (o fogo, o ar, a terra e a água) condiz bastante com as ideias alquimistas de Maria, como o Axioma de Maria: “o Um torna-se Dois, o Dois torna-se Três, e do terceiro nasce o Um como Quatro”. Segundo Aristóteles, o enxofre era considerado a expressão do elemento fogo, e Maria o tomou como base para os principais processos que estudou. Ela menciona o enxofre em frases sempre misteriosas, como “uma pedra que não é pedra” e “tão comum que ninguém a consegue identificar”. Maria conta que Deus lhe revelou uma maneira de calcinar cobre com enxofre para produzir ouro. Esse enxofre era obtido do disulfeto de arsênico, que é achado em minas de ouro. Talvez tenha sido essa a origem da lenda da transformação de metais menos nobres em ouro. Dentre as invenções de Maria estão o kerotakis, uma espécie de barril fechado e o banho de vapor: para um aquecimento lento e gradual dos experimentos, em vez de manipular as substâncias diretamente no fogo, ela descobriu que era possível controlar melhor a temperatura se fosse por meio da água - que até hoje chamamos de banho-maria. Para além disso dois equipamentos de destilação (alambique), com duas ou três saídas para destilados — o dibikos e o tribikos — e um aparelho para sublimação, sendo-lhe ainda atribuída a descoberta do ácido clorídrico. A maior parte das suas escrituras foram conservadas por Zósimo de Panópolis (300 d.C.).

Fontes

Não existem elementos concretos sobre o tempo e lugar de sua vida. Ela é mencionada pelos primeiros alquimistas da história, sempre como uma autoridade e respeito extremo. Os alquimistas do passado acreditava que ela era Miriã, irmã de Moisés e Arão, o profeta, mas a evidências que apoiam que esta reivindicação é falsa. A menção mais concreta de Maria, a Judia no contexto da alquimia é por Zósimo de Panópolis, que escreveu no século IV os livros alquimistas mais antigos conhecidos.  Zósimo descreve vários de seus experimentos e instrumentos. Em seus escritos, Maria é quase sempre citada como tendo vivido no passado e citou-a como uma das "sábias". Jorge Sincelo, um cronista bizantino do século VIII, apresenta Maria como uma professora de Demócrito de Abdera, a quem ela conheceu em Memphis, Egito na época de Péricles. No século X, “Kitab al-Fihrist” de Ibn al-Nadim cita-a como uma das cinquenta e duas mais famosas alquimistas, sabendo da preparação do caput mortuum (expressão latina cujo significado literal é "cabeça morta" ou "restos ", usada em alquimia. Também dá nome a um tipo de pigmento, conhecido popularmente como roxo cardeal). O filósofo romano Morieno chamou de “Maria, a profetisa” e os árabes a conheciam como a “Filha de Platão, um nome que em ocidentais textos alquímicos foi reservada para o enxofre branco. No livro de Alexandre (2 ª parte) do poeta persa Nizami, Maria, uma princesa síria, visita o Tribunal de Alexandre, o Grande, e aprende a partir de Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), entre outras coisas, a arte de fazer ouro.

Trabalhos

Escrituras

Sabe-se que Maria escreveu vários textos sobre alquimia. Embora nenhum de seus escritos ter sobrevivido em sua forma original, os seus ensinamentos foram amplamente citados por autores posteriores herméticos. Seu trabalho principal sobrevivente é um extrato feito por um anônimo filósofo cristão, chamado O Diálogo de Maria e Aros sobre o Magistério de Hermes, em que são descritas e nomeadas operações que seriam mais tarde a base da Alquimia, leucose (branqueamento) e xanthosis (amarelecimento). Uma foi feita por moagem e do outro por calcinação. Este trabalho descreve pela primeira vez um sal de ácido e outros ácidos que podem ser identificados com ácido acético. Há também várias receitas para fazer ouro, até mesmo de vegetais de raiz como a mandrágora. Vários enigmáticos preceitos alquímicos têm sido atribuídas a Maria. Ela supostamente disse da união dos opostos: “Junta-te à um macho e uma fêmea e encontrarás o que buscas”. Esta outra vem do Axioma de Maria: “Um se torna dois. Dois se torna três. E por fora do terceiro vem aquele que se torna quarto”.

Invenções

Maria era uma trabalhadora respeitada, que inventou aparelhos complicados de laboratório para a destilação e sublimação de materiais químicos. Maria disse ter descoberto o ácido clorídrico, embora isso não seja aceito pela maioria dos textos científicos. Também são atribuídas a ela a invenção dos aparelhos de alquimia conhecidos como tribikos, kerotakis e o banho-maria.

Tribikos

Maria aperfeiçoou a câmara de destilação de três braços. O tribikos era uma espécie de alambique com três braços que foi utilizado para obter as substâncias purificadas por destilação. Ninguém sabe ao certo se Maria, a Judia foi sua inventora, mas Zósimo credita que a primeira descrição deste instrumento para ela. Em seus escritos (citado por Zósimo), ela recomenda que o cobre ou bronze utilizados para criar os tubos sejam da espessura de uma frigideira, e a junção entre estes tubos deve ainda ser selada com farinha de colar na cabeça.

Kerotakis

O kerotakis é a invenção mais importante de Maria, a Judia, um dispositivo usado para aquecer substâncias utilizadas na alquimia e recolher os vapores. É um recipiente hermético com uma folha de cobre suspensa no topo. Quando funciona corretamente, todas as articulações são no vácuo apertado. O uso de tais recipientes fechados nas artes herméticas levaram ao termo "hermeticamente fechada". Maria judia e seus colegas acreditavam que a reação que teve lugar no kerotakis mística era uma reconstituição do processo de formação do ouro que acontecia nas entranhas da terra. Mais tarde, este instrumento foi modificado pelo alemão Franz von Soxhlet em 1879 para criar o extrator que leva seu nome, Soxhlet.

Axioma de Maria Profetisa

- "O Um torna-se Dois, o Dois torna-se Três, o Três torna-se Quatro, que novamente torna-se Um, assim os Dois são apenas Um...Inventa a natureza e encontrarás o que procuras, Una o macho e a fêmea e encontrarás o que é procurado…".
- "Quando estamos apenas com os nossos pensamentos, somos "Um" . Somente nos tornamos "Dois" quando nos enxergamos no próximo. Quando olhamos para ele e nos vemos começamos a compreender, a perdoar e a amar.
- O "Dois" torna-se "Três", quando enxergamos a Divindade através do próximo, pois Deus está em cada um, porém só enxergaremos isso quando tomarmos ciência de que todos somos Um.
- O "Três" torna-se "Quatro", quando essa consciência de Divindade que habita em nós e nos outros nos atinge, estamos prontos para sermos Unos com os Elementos.
- O "Quatro" é novamente "Um", quando o conhecimento Divino-Elemental é nossa própria essência, e estamos prontos para um novo grau na escala da evolução. Somos "Um" novamente, porém num nível acima do anterior, rumo a uma evolução contínua que nos levará de volta para a Fonte, e assim perceberemos que as varias fases de nossa vida não passam de estágios do mesmo propósito".

Banho-maria

Banho-maria é um método científico utilizado tanto
Um alquímico balneum Mariae, ou
banho de Maria, do Coelum philosophorum,
Philip Ulstad, 1528, Chemical Heritage Foundation.
em laboratórios químicos e na indústria (culinária, farmacêutica, cosmética, conservas, etc.) para aquecer lenta e uniformemente qualquer substância líquida ou sólida num recipiente, submergindo-o noutro, onde existe água a ferver ou quase. O processo recebe o nome em honra à famosa alquimista, Maria, a Judia, a quem atribui-se a invenção do processo. As substâncias nunca são submetidas a uma temperatura superior a 100 °C, no caso de utilização de água, pois a temperatura de ebulição em condições normais de temperatura e pressão é de mais ou menos 100 °C. Temperaturas elevadas podem ser atingidas usando azeite.

Outros usos

Este procedimento é utilizado no laboratório em provas sorológicas, outros procedimentos que necessitem de incubação, aglutinação, inativação, em farmácia e também na indústria. O uso mais comum do meio que aquece o material é a água, mas pode também ser utilizado azeite. Utilizado em laboratórios para aquecer substâncias líquidas e sólidas que não podem ser expostas diretamente no fogo e que precisam ser aquecidas lenta e uniformemente.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria,_a_Judia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Banho-maria
APSF

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