sábado, 16 de janeiro de 2016

Biografia de Jean-Baptiste-Siméon Chardin

Chardin (auto-retrato, 17750.
Jean-Baptiste-Siméon Chardin. Nasceu em Paris, a 2 de Novembro de 1699, e faleceu, também em Paris, a 6 de Dezembro de 1779. Jean-Baptiste-Siméon Chardin  foi um dos mais célebres pintores do barroco francês. Foi assistente e pupilo de Noël-Nicolas Coypel e, prontamente, de Jean-Baptiste van Loo. Em 1724 tornou-se membro da Academia de São Lucas e, quatro anos mais tarde, foi aceite na Academia de Paris. Tornou-se então célebre pelas suas naturezas-mortas, representações de frutos e animais. Embora não fosse um pintor de cenas históricas, anos mais tarde, formou parte do Conselho e, em 1755, tornou-se tesoureiro da Academia. Com as “cenas de cozinha” ou “cenas domésticas”, Chardin deu continuidade à tradição provinda da pintura holandesa do século XVII. Porém, representou-as sem grande excelência. Preferia as “cenas burguesas”; gostava de representar cenas da vida da burguesia francesa, que se tornava cada vez mais influente. Nestas pinturas a tranquilidade e a concentração de tons mais vivos foram combinados com uma muito refinada técnica de concepção. Foi memorável a sua exibição, de 1761, de pinturas selecionadas, concebidas pelos membros da Academia. Muitas delas foram trasladadas postumamente para as galerias do Louvre. Faleceu, quase cego, em 1779, na cidade de Paris.

Vida e obra

Primeiras obras

Filho de um artesão marceneiro fabricante de mesas
Le Buffet
de bilhar, Jean Siméon Chardin nasceu em Paris a 2 de Novembro de 1699. Não se sabe muito sobre sua educação antes de 6 de Fevereiro de 1724. Sabe-se que foi aluno de Pierre-Jacques Cazes (pintor de paisagens históricas) e que seguiu os conselhos de Noël Nicolas Coypel. Em 6 de Fevereiro de 1724 foi admitido na Academia de Saint-Luc com o título de Mestre, o qual renunciou em 1729. De acordo com os irmãos Goncourt (Edmond e Jules), Coypel lhe pediu que pintasse um rifle em um quadro de caça, apaixonando-o por naturezas mortas. É provável que em 1728 dois membros da Academia Real de Pintura e Escultura, Louis Boullongne e Nicolas de Largillière, se fixaram em dois dos quadros que foram apresentados na Exposição da Juventude (apresentações livres ao ar livre em torno da praça Dauphine e que se realizavam no dia de Corpus Christi): Natureza morta com gato e arraia (La Raie) e Le Buffet são estas duas  grandes obras  que lhe deram o título de acadêmico em 25 de Setembro de 1728, “na técnica dos animais e das
La Raie
frutas”, ou seja, o nível mais baixo da hierarquia de gêneros (históricos, retratos, paisagens, marinas, flores e frutos) que regia a Academia Real Francesa. La Raie foi objeto de admiração e fascinação desde o século XVIII. Le Buffet é uma das primeiras obras datadas de Chardin. Henri Matisse fez cópias destas duas obras em 1896. Em ambas pinturas, representou um animal vivo, o que constitui um modelo muito raro para Chardin, pois pintava muito devagar, corrigindo continuamente o realizado, o que não é conveniente para a pintura de animais vivos. É provável, também, que temia a comparação com os dois mestres “na técnica dos animais” da época: Alexandre-François Desportes (1661-1743) e Jean-Baptiste Oudry (1661-1755). Oudry havia precedido Chardin na Academia Saint-Luc (1708) e na Academia Real (1717). Em 1731 Jean Siméon se casou com Margarita Saintard, sete anos após ter firmado um contrato de matrimônio com ela. Seu pai faleceu pouco depois e seu filho Jean Pierre nasceu em Novembro. Nesse mesmo ano, sob a direção de Jean-Baptiste van Loo (1684-1745) participou da restauração dos afrescos da galeria Francisco I de França do Palácio de Fontainebleau. Quatro anos mais tarde faleceria sua esposa Margarita.

Cenas de gênero

As primeiras cenas de gênero de Chardin foram
Mulher descascando batatas.
pintadas em 1733. Chardin percebeu que não poderia vender eternamente natureza-morta. Precisava exercer em outra arte. Mariette, um contemporâneo de Chardin, conta em seu Abecedário que Chardin teria comentado a um de seus amigos, Joseph Aved (1702–1766), que um salário, mesmo pequeno, era sempre apreciado por um retrato, embora o artista não fosse muito conhecido, Aved teria respondido: “Sim, se um retrato fosse tão fácil de fazer como uma salsicha”. Chardin se lançou num desafio, teria que pintar outra coisa além de naturezas-mortas. Mas, não era esta a única razão para mudar de “técnica”. Segundo Mariette: “A frase o impressionou e, tomando-a como uma piada do que como uma verdade, analisou sua arte e quanto mais a examinava, mais se convenceu de que nunca tiraria proveito. Temia, com razão, que pintando apenas objetos inanimados e pouco interessantes, se cansariam de suas produções e que pintando animais vivos, continuaria muito abaixo de Desportes e Oudry, dois competidores temíveis cuja reputação já estava estabelecida”. Chardin começou nas "cenas de gênero" (pintura representando cenas domésticas), o que não foi fácil para ele. Os clientes da pintura do século XVIII queriam sobretudo imaginação, que era a faculdade que mais faltava em Chardin. Tinha dificuldades para compor seus quadros, o que se explica, em parte, porque quando, após longas e pacientes investigações, uma estrutura que lhe era adequada, a reutilizava em várias outras obras. Este período da vida de Chardin abriu com duas obras-primas:

- Senhora selando uma carta (146 x 147 cm, Berlim, Stiftung Preußischer Kulturbesitz) representa uma jovem pessoa que espera com impaciência que lhe aproximem luz para poder selar uma carta. Foi exposto pela primeira vez em 1734 na praça Dauphine.
- A cisterna de cobre (38 x 43 cm, Museu Nacional, Estocolmo) representa uma mulher agachada colhendo água numa cisterna de cobre. Como na obra precedente, uma porta na parede do fundo mostra uma cena secundária. Mas as aberturas são raras nas obras de Chardin, os interiores fechados impedem qualquer comparação com os quadros holandeses.
- Na Menina com raquete e peteca o artista não tentou em nenhum momento dar sensação de movimento. A menina completamente imóvel, o olhar fixo, posa para o artista refletindo com sua atitude a vigilância permanente da qual é objeto. Esta omissão foi, contudo, utilizada admiravelmente em O Castelo de Cartas e realizou até outras quatro obras com poucas variações sobre o tema.

Desta época data Retrato de Auguste Gabriel Godefroy (Jeune Ecolier qui Joue au Toton) (1738) exposta no Museu do Louvre.

Chardin foi apresentado em 1740 a Luís XV de França em Versalhes por Philibert Orry, superintendente dos edifícios do rei (Surintendant des Bâtiments du Roi, equivalente a um ministro de cultura atual) e interventor geral de finanças. Chardin, para a ocasião, ofereceu dois quadros para o rei, La
Femme occupée à cacheter une lettre
bendición e La madre trabajadora. Foi a única vez que Simeón Chardin encontrou com Luís XV.
Le bénédicité (49,5 x 38,5 cm, París, Louvre) e La madre trabajadora (49,5 x 38,5 cm, Paris, Louvre) foram esquecidos dez anos após a morte de Luís XV e redescobertos em 1845, revalorizados pelos gostos da burguesia do século XIX, que apreciou a representação das virtudes burguesas (honra, ordem, economia) em contraposição a suposta libertinagem geral da nobreza. Em 1744, aos 45 anos, casou-se com Françoise Marguerie Pouget (1707–1791), que tinha 37. Logo depois, foi protegido por um personagem importante, o marquês de Vandières, futuro marquês de Marigny e diretor dos edifícios do rei entre 1751 e 1773. Com a posição de Diretor dos Edifícios, Artes, Academias, Jardins e Manufaturas do Rei era irmão de Madame de Pompadour. Como sua irmã, apreciava muito o talento de Chardin, do qual possuía algumas obras. Foi ele quem ajudou Chardin a obter uma pensão de 500 libras. Seu filho Jean-Pierre, após a obtenção em 1754 do primeiro prêmio da Academia, viajou para Roma para continuar seus estudos. Sequestrado por alguns corsários em 1762 frente as costas de Gênova, morreu após a sua libertação em 1767. Chardin foi nomeado tesoureiro da Academia em 1755 e dois anos mais tarde Luís XV lhe concedeu um apartamento oficial nas galerias do Louvre, a instancias do marquês de Marigny, como ele mesmo se encarregou de anotar: “Te comunico com prazer, Senhor, que o Rei lhe concede uma moradia desocupada das Galerias do Louvre após o falecimento do S. Marteau, seus talentos lhe alcançaram a esperança desta graça do Rei, estou muito feliz de haver podido contribuir ao que lhe fôra cedido. Sou, Senhor, seu humilde e obediente servidor”. Carta de 13 de Março de 1757, ortografia e pontuação da época. O inventário dos bens de Chardin após a sua morte revela que esta moradia era composta de quatro quartos, sala de jantar, cozinha, corredor, porão e um sótão sob as escadas.

Naturezas-mortas

Muito ocupado por suas funções de tesoureiro e pela
Bouquet
responsabilidade de organizar a instalação dos quadros para o Salão da Academia, ofício chamado “tapissier” (tapeceiro) que lhe causará vários distúrbios com Oudry, Chardin retornou ao seu primeiro ofício a partir de 1748 e pintou cada vez mais naturezas-mortas. Expôs algumas cenas de gênero, mas havia deixado de compô-las; eram apenas cópias de obras anteriores ou variantes destas. Chardin (segundo Pierre Rosenberg, Catalogue de l'Exposition de 1979, p. 296) mudou pouco a pouco de estilo. Entre 1755 e 1757, realizou obras nas quais multiplicava e miniaturizava os objetos, tentando organizar composições mais ambiciosas nas quais dará más importância às transparências; cada vez mais se preocupa com o aspecto do conjunto, fazendo surgir de uma penumbra misteriosa objetos e frutos. Em 1765, foi aceito por unanimidade como associado livre na Academia de Ciências e Belas Letras de Ruan. Desta época são algumas naturezas-mortas (Nature morte avec des attributs des Arts). Em 1769 Chardin recebe una renda vitalícia de 2000 libras que aumentou no ano seguinte. Em 1772 Chardin adoeceu. Sofria provavelmente de cálculo renal (pedra nos rins). Em 1779, devido à sua idade e à sua enfermidade, renunciou ao cargo de tesoureiro da Academia.

O pastel

A técnica de pintura a pastel, que já foi praticada por Leonardo da Vinci e Hans Holbein, decolou no Século
Retrato de Madame Chardin
XVIII graças, entre outros autores, aos retratos da família real realizados por Maurice Quentin de La Tour, amigo de Chardin. Em 1760, Quentin de la Tour pintou um retrato de Chardin com esta técnica e o ofereceu em 1774 à Academia para que esta festejasse Chardin após demiti-lo de suas funções como tesoureiro da Academia. O retrato foi pendurado na sala de sessões em 17 de Janeiro de 1775 na presença de Jean Siméon Chardin. O ano de 1774 marca outro ponto de inflexión na vida de Chardin, após a substituição do marquês de Marigny como Diretor dos Edifícios do Rei pelo conde de Angevilliers à morte de Luís XV. As relações entre Chardin e o conde de Angevilliers eram muito distintas daquelas que tinha com o irmão da Madame de Pompadour. É provável que Chardin tivera que enfrentar um desdém hostil, sofrendo vários menosprezos por parte do conde. Paralelamente, depois da morte de François Boucher (1703-1770), Primeiro Pintor do Rei, o conde fez demitir Charles Nicolas Cochin (1715-1790) (outro protegido de Marigny e amigo de Chardin) de seu cargo de Secretário da Academia e nomeou em seu lugar Jean-Baptiste Marie Pierre (1714-1789) ao mesmo tempo Primeiro Pintor do Rei e Secretário da Academia. Jean Siméon Chardin dedicou-se realmente a esta técnica a partir de 1770. Explicou esta mudança por problemas de saúde em uma carta ao conde a 21 de Junho de 1778 na qual pedia continuar recebendo a renda da função de tesoureiro da Academia, que havia deixado quatro anos antes. Em sua resposta de 21 de Julho de 1774, o conde lhe diz que já cobrava muito mais do que outros "funcionários" da Academia, mesmo sendo mestre de um gênero menor. Neste contexto, e apesar de seus inimigos, Chardin se impôs como retratista com seus pastéis. Entre 1771 e 1779 expôs nos Salões distintos auto-retratos, retratos de sua esposa, vários quadros "de expressão" e uma cópia de Rembrandt. Em 25 de Agosto de 1779, Chardin expôs seus últimos pastéis. Uma das filhas de Luís XV que apreciavam suas obras comprou um Jacquet (nome genérico para o retrato de um jovem lacaio). A 6 de Dezembro de 1779, às nove horas da manhã, Jean Siméon faleceu em sua residência no Louvre. O conde de Angevilliers negou a concessão de uma pensão à viúva. Madame Chardin faleceu a 15 de Maio de 1791 na casa de um familiar.

Difusão das suas obras

Desde o final do século XIV, a gravura, além de técnica essencial para grandes artistas como Rembrandt, foi o método mais importante para a reprodução e difusão dos quadros. Durante o século XVIII os "colecionadores" se deleitavam na adquisição de estampas que reproduziam suas obras com poemas relacionados. Chardin é um dos autores mais copiados neste sentido, o autor tornou-se moda graças às suas obras de gênero. Os originais en cambio eram possuídos por poucos admiradores contemporâneos, entre os quais se encontram nomes como Catarina II de Rússia (5 obras), Frederico II o Grande (3 obras), Luís XV de França (2 obras) o Luísa Ulrica de Prússia, rainha da Suécia (pelo menos 10 quadros).

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jean-Baptiste-Siméon_Chardin
https://es.wikipedia.org/wiki/Jean_Siméon_Chardin

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