quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Biografia de Enedina Alves Marques

Enedina Alves Marques
Enedina Alves Marques. Nasceu em Curitiba, Paraná, a 13 de Janeiro de 1913, e faleceu, também em Curitiba, em 1981. Enedina foi uma engenheira brasileira. Formou-se em Engenharia Civil em 1945 pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), entrando para a história como a primeira mulher a se formar em engenharia no Estado e a primeira engenheira negra do Brasil.

Biografia

Os pais de Enedina, Paulo Marques e Virgília Alves Marques, chegam a Curitiba nos anos 1910, de procedência desconhecida. Fontes indicam que a família teria se radicado no Ahú ou no Portão, bairro onde Dona Duca, como a mãe de Enedina era chamada, ganhava a vida como lavadeira. Em 1913, Enedina nasce em Curitiba, no dia 13 de janeiro. Nos anos 1920, Dona Duca trabalhou para a família do delegado e major Domingos Nascimento Sobrinho, radicado na Rua Vital Brasil, esquina com a Rápida, no bairro Portão. A casa da família – um exemplar de madeira, com varandas e lambrequins – foi desmontada e transferida para o Juvevê e, hoje, abriga a sede regional do Instituto Histórico Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Domingos Nascimento, que tinha uma filha de mesma idade, Isabel, mais conhecida como Bebeca, pagou a educação de Enedina em colégios particulares, para que ela fizesse companhia a sua filha. Então, entre 1925 e 1926, Enedina é alfabetizada na Escola Particular da Professora Luiza, tocada pela professora Luiza Dorfmund. No ano seguinte, ingressa na Escola Normal, onde permanece até 1931. Entre 1932 e 1935, formou-se no curso Normal. Junto com Isabel, Enedina passa a trabalhar como professora no interior do Estado. Atua em cidades como Rio Negro, São Mateus do Sul, Cerro Azul, Campo Largo. Entre 1935 e 1937, volta a Curitiba para cursar o Madureza no Novo Ateneu (curso intermediário que, na época, era exigido para o magistério). No mesmo período, vai viver com a família do construtor Mathias e com sua esposa Iracema Caron, no bairro do Juvevê. Durante este período dá aulas no próprio bairro, ganhando classe na Escola de Linha de Tiro. O amigo Jota Caron, parente do casal, é quem garante a permanência da professora na residência. Depois dos Nascimento, os Caron se tornam os novos benfeitores de Enedina. Mesmo sem ser formalmente empregada da casa, pagava os préstimos com serviços domésticos. Ainda em 1935, aluga uma casa em frente do Colégio Nossa Senhora Menina, no Juvevê, e monta classes seriadas de alfabetização. Em 1938, faz curso complementar em pré-engenharia no Ginásio Paranaense, hoje Estadual do Paraná, no período noturno, enquanto estava na casa dos Caron. Em 1940, ingressa na Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná. De acordo com Jorge Santana, o valor da mensalidade equivaleria hoje a um salário mínimo. Em 1945, Enedina Alves Marques se gradua em Engenharia Civil na mesma instituição, tornando-se a primeira mulher engenheira do Paraná e a primeira engenheira negra do Brasil. Tinha 32 anos. A formatura se deu no Palácio Avenida, tendo como paraninfo o professor João Moreira Garcez. Antes dela, dois negros se formaram em Engenharia na instituição – Otávio Alencar (1918) e Nelson José da Rocha (1938). Em 1946, é exonerada da Escola da Linha de Tiro, no Juvevê, e torna-se auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas. No ano seguinte, é descoberta pelo governador Moisés Lupion, que a desloca para o Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica. Trabalha no Plano Hidrelétrico do Estado e atua no aproveitamento das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu. Para muitos, a Usina Capivari-Cachoeira foi seu maior feito como engenheira. De acordo com matéria na Gazeta do Povo, apesar de vaidosa, Enedina usava macacão nas obras da usina e levava uma arma na cintura, disparando tiros para o alto para se fazer respeitar entre os homens da construção. Dentre outras obras, destacam-se o Colégio Estadual do Paraná e a CEU – Casa do Estudante Universitário de Curitiba. Uma vez
Colégio Estadual do Paraná, Curitiba.
(pic.: DAR7 e Eloy Olindo Setti).
estabelecida no governo, dedica-se a viajar, entre as décadas de 1950 e 1960. Em 1958, o major Domingos Nascimento Sobrinho morreu, deixando Enedina como uma de suas beneficiárias em seu testamento. Em 1961, o sociólogo Octávio Ianni entrevista Enedina Marques para a pesquisa "Metamorfoses do Escravo", financiada pela Unesco. Em 1962, aposenta-se no governo do Estado e recebe o reconhecimento do governador Ney Braga, que por decreto admite os feitos da engenheira e lhe garante proventos equivalentes ao salário de um juiz. Em 1981, Enedina é encontrada morta no Edifício Lido, no centro de Curitiba, vítima de ataque cardíaco. Morreu sem família imediata e seu corpo demorou a ser encontrado. O Diário Popular, tabloide da época, a retratou de camisola levantada, como se fosse uma mera desconhecida, o que causou a indignação de membros do Instituto de Engenharia do Paraná. Após o caso, vários artigos ressaltando seus feitos pela engenharia foram publicados pela imprensa. Em 1988, uma rua é batizada em seu nome na Vila Oficinas, no bairro Cajuru e Enedina recebe uma inscrição no Memorial à Mulher Pioneira, local construído pelas Soroptimistas – organização internacional voltada aos direitos humanos, da qual participou. Em 2006, é fundado o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maringá (Estado do Paraná). Em 2014, o historiador baiano Jorge Luiz Santana defende, na Universidade Federal do Paraná, monografia sobre a vida e obra de Enedina Marques, sob orientação da pesquisadora Roseli Boschilia. No mesmo ano, uma campanha pela internet pedia que o Edifício Teixeira Soares, ex-RFFSA, adquirido pela UFPR, fosse renomeado em sua homenagem. Ao mesmo tempo, o historiador Sandro Luís Fernandes e o cineasta Paulo Munhoz iniciaram uma pesquisa para a confecção de um documentário sobre a vida de Enedina, projeto chamado “A Engenheira”, que, até 2015, estava estacionado por falta de investimento.

Referências

https://pt.wikipedia.org/wiki/Enedina_Alves_Marques

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