terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Biografia de Giorgio Vasari

Giorgio Vasari (auto-retrato)
Giorgio Vasari. Nasceu em Arezzo, a 30 de Julho de 1511, e, faleceu em Florença, a 27 de Junho de 1574. Giorgio Vasari foi um pintor e arquiteto italiano conhecido principalmente por suas biografias de artistas italianos.

Juventude

Ainda muito jovem, tornou-se discípulo de Guglielmo da Marsiglia, um pintor de grande talento especializado em vitrais. Fora recomendado a Marsiglia por um parente, Luca Signorelli. Aos 16 anos, o cardeal Silvio Passerini o enviou para estudar em Florença, no círculo de Andrea del Sarto e seus pupilos, Rosso Fiorentino (Giovan Battista di Jacopo) e Jacopo Pontormo. Sua educação humanista foi-lhe de grande serventia, e durante seus estudos, conheceu Michelangelo, cuja arte influenciou bastante o estilo de Vasari. Em 1529, visitou Roma e estudou os trabalhos de Rafael Sanzio e outros artistas do Alto Renascimento romano e que pertenciam à geração anterior à de Vasari. Produziu pinturas maneiristas que foram mais admiradas durante sua vida do que postumamente. Seus serviços eram regularmente utilizados pela família dos Médici tanto em Florença como em Roma, mas trabalhou também em locais como Nápoles e Arezzo. Dentre seus trabalhos mais importantes, podem-se citar: a parede e o teto da sala principal do Palazzo Vecchio, em Florença, e os afrescos incompletos, no Domo de Santa Maria del Fiore, a catedral de Florença. Teve maior êxito como arquiteto, podendo-se citar a loggia do Palazzo degli Uffizi, ao lado do Arno: o planejamento urbanístico do longo e estreito jardim que funciona como praça pública (piazza) e a longa passagem que o conecta ao Palácio Pitti através da Ponte Vecchio. Trabalhou com Giacomo Vignola e Bartolomeo Ammanati na mansão do Papa Júlio II (a Villa Giulia), em Roma. Por outro lado, sua atividade prejudicou bastante as igrejas medievais de Santa Maria Novella e da Basilica di Santa Croce, em Florença, pois delas ele retirou várias partes que viriam a integrar seus trabalhos, além de ter-lhes modificado a estética conforme o estilo maneirista de seu próprio tempo. Em vida, Vasari contou com alta reputação e fez fortuna. Em 1547, construiu para si uma mansão em Arezzo (que hoje é museu em sua homenagem) e passou incontáveis dias dedicando-se a decorá-la com obras-de-arte. Foi eleito para o Conselho Municipal (priori) de sua cidade natal, tendo alcançado, mais tarde, o cargo supremo de Gonfaloneiro (função muito prestigiada nas comunas da Itália renascentista e medieval, principalmente na República Florentina). Em 1563, fundou a Accademia del Disegno em Florença. O grão-duque local e Michelangelo tornaram-se líderes da instituição e trinta e seis artistas foram escolhidos para tornarem-se membros.

Galeria Uffizi

O duque Cosme I de Médici encomendou, ao
O Profeta Eleazar (Vasari, ca. 1566).
famoso arquiteto Vasari, em 1560, uma edificação para reunir, em um só local, os escritórios (uffici) dos treze principais magistrados da cidade, então espalhados por diversos locais de Florença. Nessa nova edificação, o duque poderia, então, controlar os magistrados diretamente a partir do velho e contíguo Palazzo della Signoria, que havia sido transformado numa nova sede do governo, de acordo com o status de potência que a cidade alcançou após a conquista de Siena. Vasari, então, projetou um prédio em forma de U com: um braço longo a leste, que deveria incorporar a antiga igreja românica de "São Pedro Scheraggio"; um tramo curto assentado na margem do rio Arno; e outro braço curto a oeste, englobando a Zecca Vecchia, sede do correio por muito tempo e, após o restauro de 1988, incorporado ao museu. Os três andares da construção começam com um térreo em loggiato delimitado por pilastras com nichos (só decorados com estátuas a partir de 1842); um segundo andar com janelas; e o terceiro destinado ao uso exclusivo do príncipe. Foi construído com pedra do vale de Mensola, adotando a ordem dórica. Algum tempo depois, Cosmo decide unir o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti, nova residência da família Médici por um caminho particular e elevado, também executado por Vasari, o chamado "Corredor de Vasari", que usava a galeria, a Ponte Vecchio sobre o Arno e uma passarela coberta sobre a rua.

Vite (obra)

Vasari ficou conhecido como o primeiro historiador
Capa de "As Vidas dos Artistas".
da arte, através de seu livro Vite ou Le vite de' più eccellenti pittori, scultori e architettori, onde registrou a biografia dos principais artistas do Renascimento. O termo Gótico foi pela primeira vez impresso em seu livro. Publicado pela primeira vez em 1550, incluía, além das biografias, um valioso tratado das técnicas empregadas. Teve uma revisão em 1568, acrescida de retratos dos biografados. Por bairrismos e jogo político, o livro favorecia os florentinos, em detrimento de outros artistas, como os venezianos. Ticiano (Tiziano Vecellio), por exemplo, só foi incluído na segunda edição, após Vasari visitar Veneza. Apesar dessas falhas, e mesmo não utilizando uma pesquisa rigorosa, é uma das únicas fontes coetâneas para a história da arte da época.

Importância e conteúdo

O livro foi dedicado ao grão-duque Cosme de Médici e inclui na primeira parte um valioso tratado sobre materiais e técnicas empregados nas artes enfocadas. Em 1568 apareceu uma versão ampliada e ilustrada com retratos em xilogravura dos artistas, alguns deles conjeturais, uma vez que diversos biografados já eram mortos. É considerado um dos livros sobre arte da literatura antiga mais célebres e lidos no ocidente, uma das obras renascentistas sobre arte mais influentes, e um dos textos fundadores da moderna historiografia artística. O texto é tendencioso no sentido em que faz uma apologia dos artistas florentinos e os considera como os responsáveis por todas as principais conquistas da arte renascentista. A primeira edição virtualmente ignora a arte veneziana, mas a segunda traz acréscimos sobre ela. Críticos modernos acusam o autor de ter prestado pouca atenção a respeito da exatidão de datas e lugares, e muitas vezes suas afirmações são errôneas, como as pesquisas recentes já apontaram e corrigiram, já que suas informações não provieram de fontes documentais rigorosas, mas principalmente de relatos de artistas contemporâneos seus. Mesmo assim continua sendo considerado um clássico da literatura, um fator determinante na inclinação da crítica posterior sobre o Renascimento e uma das fontes básicas para o conhecimento da arte renascentista italiana. O autor incluiu no final um ensaio biográfico sobre sua própria vida. O texto também é importante como um dos primeiros estudos sobre evolução estilística.

A Última Ceia

Em 1966, o Rio Arno transbordou e causou grandes danos a Florença e à obra A Última Ceia de Vasari, que estava exposta no museu da Igreja de Santa Cruz. Esta obra, de 6 metros de comprimento e 2,40 metros de altura, ficou submersa na água lamacenta e oleosa por ao menos 12 horas. Quando resgatada, seus painéis de choupo-branco estavam encharcados e a tinta que os cobria estava descascando. Em 2010, a Getty Foundation investiu US$ 400 mil para restaurar a pintura. O restauro ainda está inacabado.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Giorgio_Vasari
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gonfaloneiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/Le_vite_de'_più_eccellenti_pittori,_scultori_e_architettori

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