segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Biografia de Selma Lagerlöf

Selma Lagerlöf
Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf. Nasceu em Mårbacka, Östra Ämtervik, a 20 de Novembro de 1858, e faleceu, também em Mårbacka, a 16 de Março de 1940. Selma Lagerlöf foi uma escritora sueca, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1909. Selma foi a primeira mulher a ser membro da Academia Sueca, em 1914.

Biografia

Selma Lagerlöf nasceu na paróquia de Östra Ämtervik, província de Värmland, oeste da Suécia, numa propriedade chamada Mårbacka, que seus pais administravam. A região em que estava situada a fazenda era repleta de mitos, lendas e histórias de fantasmas. Seu pai, o tenente Erik Gustaf Lagerlöf, era um homem alegre, original e divertido, e sua mãe, Luísa Wallroth, filha de um rico industrial da região. Selma nasceu com um defeito articular na perna esquerda e, aos três anos de idade, viu-se subitamente impedida de andar, com as pernas inertes, passando a infância sem brincar muito, a ouvir as histórias e lendas contadas por sua babá, Kaysa. Em determinado verão, viajou com a família para uma estação de águas, em Strömstad, onde conheceu a esposa do capitão do navio Jacob. Ao ser convidada a conhecer o navio, Selma viu uma ave-do-paraíso e, sendo uma criança com imaginação, achou-a capaz de fazer milagres, fato que a fez, repentinamente, voltar a andar, apesar de continuar claudicando, por causa das dores que sentia na perna esquerda. Aos 15 anos, depois de ter dedicado toda a infância à leitura, Selma decidiu que seria escritora e passou a escrever milhares de versos. Por volta de 1880, a situação financeira da família entrou em declínio, e começou a fazer pequenos trabalhos para se manter. Em 1882, com a ajuda financeira de um empréstimo feito por seu irmão Johan, Selma entrou para a Kungliga höga lärarinneseminariet, escola que formava professoras e que se preocupava com a causa feminista, incentivando a independência e o progresso social da mulher. Aos 27 anos, concluídos os estudos, foi nomeada professora de História em Landskrona, cidade à margem do Öresund. Em certa ocasião cortou os cabelos que sempre usara em tranças, num gesto que na época era escandaloso e visto como sinal de emancipação feminina.

Academia Sueca

Selma Lagerlöf ocupou a cadeira 7 da Academia Sueca, para a qual foi eleita em 1914.

Carreira Literária

Selma Lagerlöf por Carl Larsson
Em 1885, a família de Selma, mediante a doença do pai e as dívidas do irmão Johan, perdeu Mårbacka. Secretamente, Selma desejava trabalhar o suficiente para recuperar a propriedade da família. Foi auxiliada pela baronesa Sophie Lejonhufvud Adlersparre (Esselde), que a incentivou a publicar seus versos em Dagny, a revista literária feminista fundada por ela. Em 1890, participou de um concurso de contos com alguns capítulos de um romance que estava escrevendo, e ganhou seu primeiro prêmio em dinheiro. Em 1891, publicava o romance completo, A Saga de Gösta Berling. Após o sucesso, vieram Os Laços Invisíveis, em 1894, uma coleção de contos. Desses, o mais popular foi A Penugem. Nessa ocasião, em Estocolmo, Selma conhece Sofia Elkan, escritora de romances históricos, com a qual manterá correspondência e amizade pelo resto da vida. A partir dessa época escreveu Os Milagres do Anticristo, em 1897, na Itália, considerado uma crítica ao socialismo siciliano, e Lenda de uma Quinta Senhorial, em 1898, concebido sobre o tema de A Bela e a Fera. Entre 1900 e 1902, publicou os dois volumes de Jerusalém, após uma viagem ao Egito e à Palestina, e posteriormente Escudos do Senhor Arne, As Lendas de Jesus Cristo e O Livro das Lendas. Já então era considerada uma das maiores escritoras suecas. Alfred Dalin, diretor da escola de Husqvarna, fez-lhe a proposta de um livro para crianças das escolas primárias, que ensinasse a história e a geografia de seu país. Selma aceitou, elaborando extensa pesquisa e viagens de estudo, concluindo entre 1906 e 1907 a obra A maravilhosa Viagem de Nils Holgersson Através da Suécia, alcançando tamanho sucesso que pôde realizar seu sonho: comprar novamente Mårbacka, em 1910. Em 1904, recebera a medalha de ouro da Academia Sueca; em 1907, fora nomeada doutora honoris causa da Universidade de Uppsala; em 1909, recebera o Nobel de Literatura. Em 1914, entrou para a Academia Sueca, mas conservou sua vida de fazendeira, criando gado e beneficiando farinha de aveia, e continuou escrevendo: A Casa de Liljekrona, em 1911, O Carroceiro da Morte, em 1912, e um compêndio de lendas escritas de 1915 a 1921, reunidas em Gnomos e Homens. Depois publicou O Imperador de Portugal, em 1914, O Exilado, em 1918, a trilogia dos Löwensköld, de 1925 a 1928, entre eles seu último romance, Anna Svärd. Na velhice, publicou apenas volumes de lembranças, e morreu na Mårbacka que tanto amava, sendo enterrada no cemitério de Östra Ämtervik. Desde 1992, seu retrato tem sido destaque na nota de 20 coroas suecas.

Características Literárias

No fim do século XIX, a literatura sueca era dominada pelo realismo naturalista. Selma Lagerlöf, com sua obra mesclada de gnomos, duendes e fantasmas, ao recriar a atmosfera ficcional das lendas e relatos populares, significou uma volta ao romantismo. Era vista, popularmente, como uma narradora que encarnava a arte dos contos populares. Claes Annerstedt, que fez o discurso de recepção para Selma por ocasião da entrega do Nobel de Literatura, em Dezembro de 1909, diria: “Para ela a natureza, mesmo inanimada, possui vida própria, invisível e contudo real”.

A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson Através da Suécia (obra)

A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson Através da Suécia - em sueco Nils Holgerssons underbara resa genom Sverige - é um romance de Selma Lagerlöf, publicado em dois volumes, entre os anos de 1906 e 1907.

Histórico

Alfred Dalin, diretor de uma escola de Husqvarna, fez à Selma Lagerlöf a proposta de um livro para crianças das escolas primárias, que ensinasse a história e a geografia de seu país. Selma aceitou, elaborando extensa pesquisa e viagens de estudo, concluindo entre 1906 e 1907 essa obra, alcançando tamanho sucesso que pôde realizar seu sonho: comprar novamente sua casa, Mårbacka, em 1910. Sobre tal obra diria, ironicamente, Oscar Wilde: “Não, uma mulher não é capaz de escrever assim. O livro escreveu-se nela”.

Características

A autora soube combinar sua experiência pedagógica com seu talento de narradora. Utiliza fantasias sobre o tema do "Mapa da Suécia", de Snoilsky: Öland é uma borboleta petrificada de asas arrancadas, Blekinge uma escada de três degraus, Hälsingland uma folha com nervuras, Estocolmo a cidade que flutua sobre as águas. O livro propõe uma lição de moral: a exaltação do trabalho, da boa vontade e da caridade, e passa valores tais como o respeito à natureza, a importância do trabalho em grupo e a integridade.

Sumário

Nils, um menino preguiçoso e desobediente que se diverte em maltratar os animais, num domingo em que os pais haviam ido à igreja, aprisiona um duende e, como castigo, é transformado também em duende. Ao subir nas costas de Mårten, um dos gansos de sua propriedade, a ave resolve, num impulso, seguir os gansos selvagens na primavera, e Nils segue viagem com eles. Inicialmente assustado, depois mais confiante, atravessa a Suécia nas costas do ganso, participando de várias aventuras no mundo dos animais. Entre essas aventuras conhece os lapões, quase salva uma cidade que só aparece a cada cem anos, e se torna amigo de vários animais. Sete meses depois, tendo aprendido muito e se tornado uma pessoa melhor, volta à casa de seus pais e à forma humana novamente, mostrando aos poucos que é capaz de sacrificar a própria felicidade à dos outros.

Melhores livros

Em 1999, a empresa francesa de distribuição de bens culturais Fnac e o jornal parisiense Le Monde fizeram uma sondagem para descobrir os 100 melhores livros do século XX, quando 17 000 franceses responderam à pergunta “Quais livros ficaram na sua memória?” (Quels livres sont restés dans votre mémoire?). “A maravilhosa Viagem de Nils Holgersson Através da Suécia” ficou entre esses 100 melhores livros.

Obras principais

  • Gösta Berlings saga (1891) (trad. A saga de Gösta Berlings - 2007)
  • Osynliga länkar (1894) (trad. Os Laços Invisíveis)
  • Antikrists mirakler (1897) (trad. Os Milagres do Anticristo)
  • Drottningar i Kungahälla (1899) (trad. As Rainhas de Kungahälla)
  • En herrgårdssägen (1899) (trad. A Lenda da Quinta Senhorial)
  • Jerusalém (del 1-2, 1901-02)
  • Bok av Legender (1902) (trad. O Livro das Lendas, por Pepíta de Leão)
  • Herr Arnes penningar (1904) (trad. O Tesouro (2007), Os Escudos do Sr. Arne)
  • Kristuslegender (1904) (trad. Lendas de Jesus Cristo)
  • Nils Holgerssons underbara resa genom Sverige (trad. portuguesa: A Viagem Maravilhosa de Nils Holgersson através da Suécia) (del 1-2, 1906-07)
  • En saga om en saga och andra sagor (1908) (trad. De Saga em Saga)
  • Liljecronas hem (1911) (trad. A Casa de Liljecrona)
  • Körkarlen (1912) (trad. O Carroceiro da Morte)
  • Tösen fran Stormyrtorpet (1913) (trad. A Rapariga do Brejo Grande)
  • Kejsarn av Portugallien (1914) (trad. O Imperador de Portugal)
  • Troll och människor (del 1-2, 1915-21) (trad. Gnomos e Homens)
  • Bannlyst (1918) (trad. O Exilado)
  • Zachris Topelius (1920)
  • Mårbacka (1922)
  • Löwensköldska ringen (1925) (trad. O Anel dos Löwensköld)
  • Charlotte Löwensköld (1925)
  • Anna Svärd (1928)
  • Ett barns memoarer (1930) (trad. Memórias de uma Criança)
  • Dagbok för Selma Ottilia Lovisa Lagerlöf (1932)
  • Höst (1933) (trad. Outono)
  • Meli (1934)
  • Från skilda tider (del 1-2, 1943-45, obra póstuma)

Referências

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