terça-feira, 20 de outubro de 2015

Biografia de Friedrich Schiller

Friedrich Schiller
Johann Christoph Friedrich von Schiller. Nasceu em Marbach am Neckar, a 10 de Novembro de 1759, e, faleceu em Weimar, a 9 de Maio de 1805. Mais conhecido como Friedrich Schiller, foi um poeta, filósofo e historiador alemão. Schiller foi um dos grandes homens de letras da Alemanha do século XVIII, e juntamente com Johann Wolfgang von Goethe, Christoph Martin Wieland e Johann Gottfried von Herder é representante do Romantismo alemão e do Classicismo de Weimar. Sua amizade com Goethe rendeu uma longa troca de cartas que se tornou famosa na literatura alemã.

Vida

Infância e primeiros estudos

Filho de um cirurgião militar das tropas de Württemberg (na época, sob o comando de Carlos Eugênio, Duque de Württemberg), Johann Kaspar Schiller (1723-1796) e de Elisabeth Dorothea Schiller, nascida Kodweiß (1732-1902), Friedrich Schiller nasceu em 1759, em Marbach am Neckar, onde viveu seus primeiros anos de vida. Em 1762 seu pai é promovido a capitão e passa a exercer funções de oficial-recrutador na cidade livre de Schwäbisch Gmünd. Em 1763 a família Schiller fixa residência na localidade de Lorch, onde Schiller aprende as primeiras letras. Aos cinco anos inicia seus estudos de grego e latim, sob a orientação do pastor Ulrich Moser.

Academia Militar

Em 1767, um nova nomeação de Johann Kaspar Schiller leva a família a se instalar em Ludwigsburg, onde seu filho freqüenta a escola de latim. A intenção da família é de preparar o menino para ser pastor, mas em 1773, contra a vontade da família e do próprio garoto, ele ingressa na Karlsschule, academia militar instalada no castelo Solitude, em Stuttgart, fundada e pessoalmente supervisionada por Carlos Eugênio com a finalidade essencial de treinar oficiais e funcionários para servi-lo. O jovem Schiller opta pelo curso de Direito, que posteriormente abandonará. A rigidez da disciplina militar da academia causa-lhe profunda impressão e lhe dá inspiração para sua primeira grande obra, “Os Bandoleiros”.

Escola de Medicina

Com a transferência da academia, do castelo Solitude para o centro de Stuttgart, Schiller muda de carreira, trocando o curso de Direito e pelo de Medicina, em 1775. Durante esse período alimenta sua paixão pela literatura, lendo clássicos como Plutarco e Shakespeare, os poemas do crítico literário Friedrich Gottlieb Klopstock, além de Goethe, Gotthold Ephraim Lessing, Kant e dos iluministas Voltaire e Jean-Jacques Rousseau. Também nessa época Schiller se fascina com o movimento Sturm und Drang, do qual será representante, tal como seu amigo Goethe. É durante esse período na Faculdade de Medicina que Schiller escreve sua peça Os Bandoleiros (Die Räuber).

Os Bandoleiros e fuga de Estugarda

Em Dezembro de 1780 Schiller forma-se em Medicina e deixa a Karlsschule, sendo designado como médico do exército de Württemberg. Em 1781 publica Os Bandoleiros, seu primeiro grande sucesso nos palcos. Por intermédio do empresário Wolfgang Heribert von Dalberg, a peça é representada pela primeira vez em 1782 no Teatro de Mannheim, causando grande comoção no público, principalmente os jovens. Schiller tinha viajado para Mannheim sem a autorização de Carlos Eugênio. Por essa razão, Schiller foi punido com 14 dias de detenção e foi proibido de continuar a escrever peças teatrais. Para escapar a essa situação intolerável, numa noite de Setembro de 1782, Schiller foge de Stuttgart junto com seu amigo e primeiro biógrafo Andreas Streicher, sem dinheiro, e com destino a Mannheim, onde esperava contar com o apoio do barão Heriberto de Dalberg, diretor do teatro onde sua primeira peça havia estreado.

Anos incertos

Em 1782 Schiller publica, com dinheiro próprio, A
Estátua em Stuttgart (photo: Enslin).
Conjura de Fiesco - a obra não rende muito lucro inicialmente. Em 1783 o empresário von Dalberg propõe a Schiller o emprego de dramaturgo no Teatro de Mannheim (Theaterdichter em alemão). Porém Schiller adoece de Malária (doença então comum nos charcos às margens do Reno) e não consegue cumprir com o contrato por problemas de saúde: 3 peças por ano. Nessa época Schiller já inicia os trabalhos nas peças Intriga e Amor (até então com o título Luise Millerin), que viria a ser encenada em Abril de 1784, e Don Carlos. Seus problemas financeiros com o fim do trabalho como dramaturgo aumentam, e Schiller quase chega a ser preso na chamada Schuldturm, ou Torre dos Devedores. O poeta se desenvencilha das dificuldades econômicas com um gesto audacioso: confia seus problemas a um grupo de desconhecidos que lhe haviam escrito manifestando sua admiração e oferecendo-lhe hospitalidade em Leipzig. O grupo é composto pelos futuros grandes amigos de Schiller: Gottfried Körner e Ferdinand Huber e suas respectivas noivas. O ambiente é de empolgante amizade, e ali compõe o poema "Ode à Alegria" (Ode an die Freude), que seria imortalizada na Nona Sinfonia de Beethoven. Em seguida mudam-se para as imediações de Dresden (especificamente o vilarejo Tharandt), e em 1787 Schiller finaliza a peça Don Carlos, onde trata a Guerra dos Oitenta Anos entre a Espanha e os Países Baixos.

Mudança para Weimar

Em 1787 Schiller viaja para Weimar, e lá trava conhecimento com Wieland, Herder, Carl Leonard Reinhold e Goethe. Num passeio pelo vilarejo de Rudolstadt Schiller conhece as irmãs Charlotte e Caroline von Lengefeld, com as quais tenciona ter uma ligação amorosa (apesar de Caroline ser já casada), intenção revelada por Schiller em uma carta às duas irmãs.

Cadeira de História em Iena

Em Dezembro de 1788, Schiller, que também sempre mantivera um grande e profundo interesse por História, é indicado, a ser professor de Filosofia e História na Universidade de Iena, após indicação de Goethe. Essa vaga era, no início, sem salário, mas com perspectivas de ganho futuro. Schiller porém não se sente à vontade nesse cargo, e pensa até em abandoná-lo, tanto por um sentimento de inadequação com a comunidade acadêmica quanto pelo seu estado de saúde constantemente debilitado.

Casamento com Charlotte Lengefeld

Em 22 de Fevereiro de 1790 Schiller se casa com Charlotte, que lhe dará dois filhos e duas filhas. Esse casamento eliminou a possibilidade do triângulo amoroso com Charlotte e Caroline, que o impetuoso Schiller almejava. O casamento lhe trouxe, porém, satisfação e calma. No mesmo ano seu estado de saúde se agrava, não vindo a se restabelecer até sua morte. Schiller sofre ataques e frequentes desmaios, decorrentes provavelmente de grave tuberculose. Seus hábitos de beber e fumar, associados à vida intensa típica de um romântico, não poderiam lhe auferir outros resultados. É interessante notar, porém, que mesmo com tal debilidade física Schiller foi um incansável escritor e pensador, e se viveu até os 45 anos é porque uma grande força de vontade se alojava em seu peito. Nos anos seguintes Schiller se dedica à cátedra na Universidade, à Filosofia e à Estética. Em 1791, depois de notícias sobre sua péssima saúde, recebe ajuda financeira (1000 Taler anuais por 5 anos) do Príncipe de Augustenburg e do Conde Ernst von Schimmelmann. Esse mecenato rendeu diversos textos e estudos importantes, como As Cartas Sobre Educação Estética, Sobre Graça e Dignidade, a "História da Guerra dos Trinta Anos", entre outros.

Amizade com Goethe

Em 1794 floresce uma forte amizade com Goethe,
Schiller e Goethe (photo: Andreas Trepte).
que se iniciou na verdade em 1788, quando este retorna de sua viagem à Itália. No início ambos não sentiram grande entusiasmo um com o outro, porém com o tempo iniciaram uma cooperação que se tornou icônica do Romantismo alemão. As cartas que trocaram se tornaram históricas, e são prova da amizade sincera que existiu entre os dois e que sempre foi temperada com uma dose de competição. Goethe se sentia incomodado com o sucesso de seu "concorrente mais jovem", sentimento que era compartilhado por Wieland, e não suportava o vício de Schiller pelo tabaco e pelo jogo. Apesar disso, os dois tiveram uma fértil produção, como o poema Xênias (1796), baseado no livro homônimo de Marco Valério Marcial. A cooperação com Goethe faz Schiller exercer sua criatividade ao máximo, com uma produção de numerosas baladas, de poemas como A Luva, O Anel de Polícrates, etc e de peças de teatro. Schiller também edita a revista As Horas. Em 1796, ano em que Goethe retoma seu Fausto, Schiller começa a escrever Wallenstein, sua peça de maior destaque. Em Weimar há um monumento aos dois grandes poetas do idioma alemão.

Weimar

Em 1799 Schiller deixa Iena e fixa residência em Weimar, onde recebe um título de nobreza - podendo se chamar a partir de então Friedrich von Schiller. É quando produz a peça de maior sucesso de toda sua obra: em 1799 Wallenstein é representada pela primeira vez. Em 1800, publica Maria Stuart, peça que trata da rainha da Escócia e de seus conflitos com a realeza britânica. Em 1801 é finalizada a peça A Donzela de Orleans, representada pela primeira vez em Leipzig. Em 1803, publica a A Noiva de Messina e, em 1804, a peça Guilherme Tell, cujo personagem principal, à la Robin Hood, era um anti-herói que roubava de ricos para dar aos pobres, e foi tanto amado (tornou-se herói nacional da Suíça) quanto odiado (durante a era do Nacional-Socialismo).

Morte em 1805

A extrema dedicação de Schiller à criação abalara profundamente seu estado de saúde, que já era grave. Uma grave infecção causada pela tuberculose o derruba definitivamente em cama, e após sua morte constata-se que seu corpo estava já terrivelmente comprometido: rins e pulmões destruídos, músculo cardíaco atrofiado e vesícula e baço inchados. Uma forte crise o acomete, vindo a falecer em 9 de Maio de 1805, deixando em sua escrivaninha a peça Demetrius (iniciada em 1804) inacabada. Encontra-se sepultado no Cemitério Histórico, Weimar, Turíngia na Alemanha ao lado de Goethe.

Influência de Schiller

A produção teatral e filosófica de Schiller teve grande influência na constituição do Romantismo. Em suas obras transparecem valores iluministas, como o Humanismo, a Razão e um enaltecimento da então emergente classe burguesa. Suas peças foram traduzidas para diversas línguas e foram recebidas em diversos países. Na Inglaterra, por exemplo, a peça "Os Bandoleiros" (primeira tradução de A.F.Tyler em 1792) foi recebida com entusiasmo pelo público, que identificou no personagem Karl Moor conflitos como os de Hamlet de Shakespeare e de Lúcifer de John Milton.

Schiller e o Brasil: Gonçalves Dias

Na literatura brasileira e portuguesa Schiller também exerceu influência, inicialmente no poeta romântico brasileiro Gonçalves Dias, que viria a ser o primeiro grande divulgador da obra de Schiller no Brasil. Durante seus estudos em Coimbra, quando interagiu com poetas românticos lusitanos como Alexandre Herculano e Antonio Feliciano de Castilho, Gonçalves Dias iniciou seus estudos de língua alemã e entrou em contato com a tradição literária da Alemanha. A obra teatral de Gonçalves Dias foi grandemente influenciada pela linguagem teatral e temática schillerianas, como pode ser visto na obra Patkull, de 1843. A obra narra a história de Patkull (personagem baseado em Johann Reinhold Patkul), um herói "sensível e apaixonado, que se torna alvo de inveja e traições". A crítica à vida palaciana, às intrigas que ali tomam lugar, o "conflito entre paixões e dever", valores humanistas como a confiança na amizade e no amor, temas típicos do teatro de Schiller, estão presentes em Patkull e na produção teatral gonçalviana (Beatriz Cenci, Leonor de Mendonça e Boabdil). Gonçalves Dias também se inspirou nos escritos historiográficos de Schiller ao escrever suas "Reflexões sobre os Anais históricos do Maranhão por Berredo", em que exalta a ideia schilleriana e romântica de humanidade. A admiração de Gonçalves Dias por Schiller foi coroada por sua tentativa de traduzir A Noiva de Messina, infelizmente inacabada devido à morte do poeta num naufrágio, no qual provavelmente a versão final se perdeu.

Cartas sobre a formação Estética

Uma obra fundamental de Schiller foi Série de cartas sobre a educação estética do homem (Über die ästhetische Erziehung des Menschen em einer Reihe von Briefen), publicada pela primeira vez em 1794, que foram inspiradas pelo grande desencanto que Schiller sentiu pela Revolução Francesa, sua degeneração em violência e do fracasso de sucessivos governos em colocar seus ideais em prática. Schiller escreveu que "um grande momento encontrou um povo pequeno", ele escreveu as Cartas como uma investigação filosófica sobre o que tinha dado errado, e como evitar tais tragédias no futuro. Nas Cartas ele afirma que é possível elevar o caráter moral de um povo, primeiro tocando suas almas com a beleza, uma ideia que também é encontrada em seu poema Die Künstler (The Artists ): Somente através da beleza da manhã é possível penetrar a terra do conhecimento.

Obras

Teatro

Os Bandoleiros (1781)
A Conjura de Fiesco (1782)
Intriga e Amor (1783)
Don Carlos (1787/88)
Wallenstein(1799)
Maria Stuart (Schiller) (1800)
Turandot (1801)
A Donzela de Orleáns (1801)
A Noiva de Messina (1803)
Guilherm Tell (1803/04)
Demetrius (inacabada[1805])

Prosa

O Visionário (fragmentos)
Poesia
Os Artistas (1788)
Deuses da Grécia (1788)
Ode à Alegria (1785)
O Ideal e a Vida (1795)
Xénias (com Goethe) (1797)
A Luva (1797)
O Canto do Sino(1799)
A Canção da Campana(1800) 

Filosofia

Cartas Filosóficas (1786)
Da Arte Trágica (1792)
Cartas de Augustenburg (1793)
Sobre Graça e Dignidade (1793)
Do Patético (1793)
Do Sublime (1793)
Kallias ou Sobre a Beleza (publicado postumamente, 1847)
Cartas Sobre a Educação Estética do Homem (1795)
Poesia Ingênua e Sentimental (1796)

História

História da Separação dos Países Baixos (1788)
História da Guerra dos Trinta Anos (incompleta)(1791-1793)

Referências
https://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Schiller

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