quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Biografia de Demóstenes

Demóstenes (Imagem: Sting).
Demóstenes. (em grego, Δημοσθένης, Dēmosthénēs; 384 a.C. — 322 a.C.). Demóstenes foi um preeminente orador e político grego de Atenas. Sua oratória constitui uma importante expressão da capacidade intelectual da Atenas antiga e providenciam um olhar sobre a política e a cultura da Grécia antiga durante o século IV a.C. Demóstenes aprendeu retórica estudando os discursos dos grandes oradores antigos.

Biografia

Aos sete anos de idade, Demóstenes perdeu o pai e teve sua herança roubada por seus tutores. Posteriormente, abriu processo para recuperar os bens roubados. Ganhou o processo mas não recuperou todos os bens que lhe pertenciam. Com vinte e sete anos iniciou sua carreira de orador e logo conseguiu destaque. Garoto ainda, Demóstenes assistiu a um julgamento no qual um orador chamado Calístrato teve um desempenho brilhante e, com sua verve, mudou um veredicto que parecia selado. Demóstenes invejou a glória de Calístrato ao ver a multidão escoltá-lo e felicitá-lo, mas ficou ainda mais impressionado com o poder da palavra, que parecia capaz de levar tudo de vencida. Assim, alimentou a esperança de se tornar um grande orador - sonho que parecia impossível devido à sua gagueira. Conta-se que Demóstenes, à força de perseverança, ultrapassou o problema da gaguez declamando poemas enquanto corria na praia contra o vento e também, sendo esse o facto mais conhecido, forçando-se a falar com seixos na boca. Após treinamento que demandou enorme esforço, Demóstenes venceu a gagueira e se tornou o maior orador da Grécia. Sua vida como orador e político foi dedicada à defesa de Atenas que se via ameaçada por Filipe II da Macedônia. Contra o líder macedônio, Demóstenes escreveu inúmeros discursos que ficaram conhecidos como Filípicas. O objetivo era conclamar os cidadãos atenienses e arregimentar forças contra a Macedônia antes que fosse tarde demais. Em 338 a.C., Demóstenes participou da batalha de Queroneia — na qual Atenas foi derrotada pela Macedônia e marcou o início do domínio de Filipe e depois de Alexandre, o Grande, sobre a Grécia. Após 335 a.C., Demóstenes vê decair tanto sua reputação quanto influência. Chegou mesmo a ser condenado por ter se deixado comprar por um ministro de Alexandre e facilitar sua fuga de Atenas. Foi preso mas conseguiu fugir, exilando-se de Atenas por longo período. Após a morte de Alexandre, em 323 a.C., Demóstenes é chamado de volta e retoma suas atividades. Alia-se, então, à revolta contra Antípatro. Tendo falhado tal revolta, Antípatro exige a entrega dos chefes revoltosos. Demóstenes foge para o templo de Poseidon na ilha grega de Calauria. Quando percebe que está cercado pelos soldados de Antípatro, suicida-se com veneno.

Obras

Além de algumas cartas, cerca de 60 discursos atribuídos a Demóstenes. Dentre esses, os mais conhecidos são:

Filípicas (três ao todo), de 351, 344, 341 a.C.
A Favor dos ródios, de 351 a.C.
A Favor de Fórmion, de 350 a.C.
Olínticas, de 349 a.C.
Contra Mídias, de 347
Sobre a Embaixada, de 343 a.C.
Sobre as Questões da Quersoneso, de 341 a.C.
Oração da Coroa, de 330 a.C.

Filípicas (obra)

Filípicas são um conjunto de discursos proferidos por Demóstenes contra Felipe II da Macedônia, conclamando os atenienses a lutar contra ele, já que representava uma ameaça à Grécia. Chamava-o de bárbaro pelos feitos contra seus demais inimigos. Cícero, na Roma antiga escreveu também uma oração que, inspirada neste modelo, designou de Filípica, quando Marco Antônio ocupou o lugar de Júlio César.

Sobre a Embaixada (obra)

Dois discursos tem o mesmo nome: O ataque proferido por Demóstenes e a defesa de Ésquines, ambos em Atenas no ano 343 a.C.

Contexto político

Ésquines fora enviado em embaixada para Megalópolis, na Arcádia para preparar uma liga pan-helênica contra a Macedônia. O projeto fracassou, e Ésquines percebeu que Atenas ficaria isolada. Em vista disso, Ésquines procurou uma política de concessões. Em 346 a.C. foi encarregado de negociar a paz com os macedônios. Em 345 a.C., Demóstenes e Timarco acusaram Ésquines de ter sido corrompido por Filipe. Através de brilhante oratória, no discurso Contra Timarco, Ésquines contra-argumentou que Timarco não tinha direito a voz devido à sua depravação. O argumento foi aceito e Timarco perdeu seus direitos políticos (atimia). Em 343 a.C., Demóstenes novamente atacou Ésquines no discurso Sobre a Embaixada. Ésquines retrucou com outro discurso com o mesmo nome, e, novamente, foi absolvido.

Menções antigas

Demóstenes, De Corona e De Falsa Legatione
Ésquines Aeschines, De Falsa Legations e In Ctesiphentem
Plutarco, Filostratus e Libânio, Vidas
Syrianus, Commentarium in Hermogenis librum περὶ στάσεων (30-31p.)
Apolônio, Exegese

Edições

Gustav Eduard Benseler (1855-1860) (tradução e notas)
Andreas Weidner (1872)
Friedrich Blass (Teubner, 1896)
Thomas Leland (1722-1785), Andreas Weidner (1872), (1878), G. A. Simcox e W. H. Simcox (1866), Drake (1872), Richardson (1889), G. Watkin e Evelyn S. Shuckburgh (1890).
Teubner in Orationes: 1997, editado por Mervin R. Dilts. ISBN 3-8154-1009-6


Referências

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