terça-feira, 9 de junho de 2015

Biografia de Tucídides

Tucídides
Tucídides. (em grego Θουκυδίδης, transliteração: Thukydídēs). Nasceu em Atenas, cerca de 460 a.C., e, faleceu também em Atenas, cerca de 400 a.C.. Tucídides foi um historiador da Grécia Antiga. Filho de uma família rica ateniense, em 424 a.C., foi nomeado estratego, encarregado de defender as costas da Trácia. Após ser derrotado em uma batalha, acuram-no de traição e o condenaram a vinte anos de exílio. Compôs, então, a sua “História da Guerra do Peloponeso” (publicada no Brasil com a tradução da Editora Universidade de Brasília). João Cândido Galvão escreve: “A Guerra do Peloponeso não revela apenas o Tucídides fiel narrador dos fatos. Com ele convive o Tucídides analista – primeiro pensador do Ocidente a elevar a política à categoria de ciência. E notável é que o Tucídides analista nunca é dominado pelo soldado fiel aos interesses de Atenas. Pelo contrário, não apenas ele se permite fazer críticas ásperas à sua cidade, mas consegue extrair lições que valem até hoje. Mostra, por exemplo, de que forma o expansionismo de Atenas representava uma grave ameaça à sua democracia interna. Para Tucídides estava claro que a derrota de Atenas significava o fim de uma época e a precisão com que ele analisa a situação dá ao livro uma atualidade devastadora e comovente”. Escreveu a “História da Guerra do Peloponeso”, da qual foi testemunha e participante, em que, em oito volumes, conta a guerra entre Esparta e Atenas ocorrida no século V a.C.. Preocupado com a imparcialidade, ele relata os fatos com concisão e procura explicar-lhes as causas. Tucídides escreveu essa obra pois pensava a Guerra do Peloponeso como um acontecimento de grande relevância para a história da Grécia, mais do que qualquer outra guerra anterior. Esta sua obra é vista no mundo inteiro como um clássico, e representa a primeira obra de seu estilo. A obra de Tucídides foi revalorizada no ocidente devido à tradução da História da Guerra do Peloponeso para o inglês, por Thomas Hobbes. Tucídides também foi um dos primeiros a notar que as pessoas que sobreviviam às epidemias de peste em Atenas eram poupadas durante os surtos posteriores da mesma doença, conhecimento importante que num futuro remoto seria a base da vacinação. Pelo foco no problema da guerra e devido à análise dos conflitos entre as Cidades-Estado da Grécia Antiga, a corrente de pensamento teórico realista das Relações Internacionais, no século XX, passou a considerar Tucídides como o "avô do próprio realismo”.


Citações
  • "Não pensem que um ser humano possa ser muito diferente de outro. A verdade é que fica com vantagem quem tiver sido formado na escola mais rude."
- Fonte: A Guerra do Peloponeso
  • Ponham a felicidade na liberdade e a liberdade na bravura
- Fonte: A Guerra do Peloponeso
  • O homem, por natureza, é levado a desprezar quem o bajula e a admirar quem não se mostra condescendente
- Fonte: A Guerra do Peloponeso
  • De espírito forte devem ser considerados, e com razão, os que, mesmo conhecendo claramente as dificuldades da situação e apreciando os prazeres da vida, justamente por isso não se retiram diante dos perigos
- Fonte: A Guerra do Peloponeso
  • Entre nós é vergonhoso reconhecer a própria pobreza; mas pior do que isso é não esforçar-se para escapar dela
- Fonte: A Guerra do Peloponeso
  • A minha história foi composta como uma aquisição para a eternidade, não para ser ouvida por ocasião do triunfo na competição de um dia
- Fonte: A Guerra do Peloponeso

Sobre

  • "Um modelo. — O que amo eu em Tucídides, o que faz que o tenha em mais elevado apreço do que Platão? Ele tem o mais amplo e despreocupado deleite em tudo o que é típico de ser humano e dos eventos, e acha que a cada tipo correspondente um quantum de bom senso; é este que ele procura descobrir. Ele tem mais justiça prática do que Platão; não é um denegridor e diminuidor dos homens que não lhe agradam ou que o magoaram na vida. Pelo contrário: vê ou acrescenta algo de grande em todas as coisas e pessoas, ao enxergar apenas tipos; pois o que teria a fazer a posterioridade, com o que não fosse típico? De modo que nele, o pensador dos homens atingiu a última, magnífica florescência aquela cultura do mais desassombrado conhecimento do mundo, que teve em Sófocles seu poeta, em Péricles seu estadista, em Hipócrates seu médico, em Demócrito seu cientista: aquela cultura que merece ser batizada com o nome de seus mestres, os sofistas, e que, desde o instante do batismo, infelizmente começa a tornar-se pálida e inapreensível para nós — pois suspeitamos que tenha sido uma cultura muito imoral, essa que foi combatida por Platão e todas as escolas socráticas! A verdade é que aqui tão emaranhada e retorcida, que relutamos em desenredá-la: que o velho erro (error veritate simplicior [ o erro é mais simples que a verdade]) prossiga seu velho caminho!"
- Friedrich Nietzsche, Aurora, § 168; tradução de Paulo César de Souza - São Paulo: Companhia das Letras, 2004
- “Ein Vorbild.— Was liebe ich an Thukydides, was macht, dass ich ihn höher ehre, als Plato? Er hat die umfänglichste und unbefangenste Freude an allem Typischen des Menschen und der Ereignisse und findet, dass zu jedem Typus ein Quantum guter Vernunft gehört: diese sucht er zu entdecken. Er hat eine grössere praktische Gerechtigkeit, als Plato; er ist kein Verlästerer und Verkleinerer der Menschen, die ihm nicht gefallen oder die ihm im Leben wehe gethan haben. Im Gegentheil: er sieht etwas Grosses in alle Dinge und Personen hinein und zu ihnen hinzu, indem er nur Typen sieht; was hätte auch die ganze Nachwelt, der er sein Werk weiht, mit dem zu schaffen, was nicht typisch wäre! So kommt in ihm, dem Menschen-Denker, jene Cultur der unbefangensten Weltkenntniss zu einem letzten herrlichen Ausblühen, welche in Sophokles ihren Dichter, in Perikles ihren Staatsmann, in Hippokrates ihren Arzt, in Demokrit ihren Naturforscher hatte: jene Cultur, welche auf den Namen ihrer Lehrer, der Sophisten, getauft zu werden verdient und leider von diesem Augenblicke der Taufe an uns auf einmal blass und unfassbar zu werden beginnt,— denn nun argwöhnen wir, es müsse eine sehr unsittliche Cultur gewesen sein, gegen welche ein Plato mit allen sokratischen Schulen kämpfte! Die Wahrheit ist hier so verzwickt und verhäkelt, dass es Widerwillen macht, sie aufzudröseln: so laufe der alte Irrthum (error veritate simplicior) seinen alten Weg!”
- Friedrich Nietzsche, Morgenröthe, § 168

Referências
ASF

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