quinta-feira, 14 de maio de 2015

Biografia de Xenófanes


Xenófanes. (cerca de 1655).
Xenófanes de Cólofon. (em grego antigo: Ξενοφάνης ὁ Κολοφώνιος). Filósofo grego nascido em Cólofon, Jônia (atual costa ocidental da Turquia), por volta de 570 a.C., e, morto em 475 a.C.. Cedo deixou sua cidade para levar vida errante na qualidade de rapsodo (em grego clássico ραψῳδός / rhapsôidós; é o nome dado a um artista popular ou cantor que, na antiga Grécia, ia de cidade em cidade recitando poemas, principalmente epopéias). Acredita-se que tenha passado algum tempo na Sicília e também em Eleia. Segundo a tradição, Xenófanes teria sido mestre de Parmênides de Eleia. Escreveu unicamente em versos em oposição aos filósofos jônios como Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto e Anaxímenes de Mileto. É a primeira pessoa conhecida a utilizar a observação de fósseis como evidência para a teoria da história da Terra. Ele verificou a existência de fósseis de peixes e conchas em terras secas, chegando a conclusão que tais locais em outras épocas estavam embaixo da água. Da sua obra restaram uma centena de versos. A sua concepção filosófica destaca-se pelo combate ao antropomorfismo, afirmando que se os animais tivessem o dom da pintura, representariam os seus deuses em forma de animais, ou seja, à sua própria imagem. As suas críticas à religião não tinham como objetivo um ataque pleno à dita mas, “dar ao divino uma pura e elevada ideia: o verdadeiro deus é único, com poder absoluto, clarividência perfeita, justiça infalível, majestade imóvel; que em pouco se assemelha aos deuses homéricos sempre a deambular pelo mundo sob o império das paixões”, ou seja: só existe um deus único, em nada semelhante aos homens, que é eterno, não-gerado, imóvel e puro.



Dados biográficos



Filósofo, poeta, sábio e pensador religioso. Fundador da escola de Eleia. Adversário do antropomorfismo dos poetas, dedicou-se a demonstrar a unidade e a perfeição de Deus. Sua doutrina é um panteísmo idealista que vê uma unidade em toda a matéria. Xenófanes foi provavelmente exilado da Grécia pelos persas que conquistaram Cólofon por volta de 546 a.C.. Depois de viver algum tempo na Sicília e de levar uma vida errante através do Mediterrâneo, ele se estabeleceu em Eleia, no sul da Itália. Como poeta nômade, tornou-se através de suas viagens um homem muito instruído, que sabia interrogar e narrar. A aceitar a veracidade de seus versos, Xenófanes viveu noventa e dois anos, como ele mesmo transcreve nesse trecho: “Já sessenta e sete anos se passaram; Fazendo vagar meu pensamento pela terra da Hélade; De meu nascimento até então vinte e cinco a mais; Se é que eu sei falar com verdade sobre isso”.



Xenófanes e a mitologia grega



Expressando-se quase sempre através de poemas, os quais recitava ao longo de suas andanças, Xenófanes mostrava seu desprezo pelos deuses-antropomorfos que eram adorados em sua época e pela aceitação popular da mitologia de Homero e de Hesíodo. “Tudo aos deuses atribuíram Homero e Hesíodo, Tudo quanto entre os homens merece repulsa e censura, Roubo, adultério e fraude mútua”. Xenófanes atacava a imoralidade dos deuses e deusas da mitologia grega, ridicularizava a crença na transmigração da alma e condenava a luxúria. Defendia a sabedoria e os prazeres sociais sem excesso. “É de louvar-se o homem que, bebendo, revela atos nobres; Como a memória que tem e o desejo de virtude. Sem nada falar de Titãs, nem de Gigantes, Nem de Centauros, ficções criadas pelos antigos. Ou de lutas civis violentas, nas quais nada há de útil. Ter sempre veneração pelos deuses, isto é bom”.



A Teologia de Xenófanes



Xenófanes é considerado pela maioria como sendo mais um reformador religioso do que um filósofo. Diferentemente de Anaximandro, que criou o conceito do apeiron (ilimitado, indefinido), mas buscava na natureza intrínseca da matéria a causa para todas as transformações, Xenófanes dizia que o ser absoluto, essência de todas as coisas, era o Um. E de acordo com Teofrasto, uma das fórmulas contidas nos ensinamentos de Xenófanes era: “Tudo é o Um e o Um é Deus”. Aristóteles em seu livro “Metafísica”, nos relata: “Pois Parmênides parece referir-se ao Um segundo o conceito, e Melisso de Samos ao Um segundo a matéria. Por isso aquele diz que o Um é limitado, e este, que é ilimitado. Xenófanes, o primeiro a postular a unidade, nada esclareceu, nem parece que vislumbrou nenhuma dessas duas naturezas, mas, dirigindo o olhar a todo o céu, diz que o Um é o Deus”. Consequentemente, o conceito Deus é então criado por Xenófanes como sendo um ser mais alto, com uma identidade abstrata, e não possui nenhum atributo conhecido pelos homens, e tão pouco é semelhante a estes - nem quanto à figura, nem quanto ao espírito. A respeito disso, Clemente de Alexandria, em sua obra “Tapeçarias”, reproduz essa estrofe também atribuída a Xenófanes: “Mas se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões; E pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens; Os cavalos semelhantes aos cavalos, os bois semelhantes aos bois; Desenhariam as formas dos deuses e os corpos fariam tais quais eles próprios têm”.



Citações



  • É preciso um sábio para reconhecer um sábio”.

- take a wise man to recognise a wise man.
- resposta de Xenófanes a Empédocles, que teria dito "O homem sábio não pode ser encontrado" citado em "The First Philosophers Of Greece" - página 78, Arthur Fairbanks, 1898.

  • Se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões, e se pudessem com as mãos pintar ou produzir obras de arte, como se homens fossem, então pintariam os cavalos, semelhantes a cavalos, e os bois, semelhantes aos bois, as figuras dos deuses, e esculpiriam os corpos deles, cada um em conformidade com o próprio aspecto”.

- citado em "Revista brasileira de filosofia", Volume 4 - página 118, Instituto Brasileiro de Filosofia, 1954.

Referências



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