terça-feira, 12 de maio de 2015

Biografia de Aristófanes


Aristófanes
Aristófanes. (em grego antigo: Ἀριστοφάνης, ca. 447 a.C. — ca. 385 a.C.). Aristófanes foi um dramaturgo grego. É considerado o maior representante da comédia antiga. Nasceu em Atenas e, embora sua vida seja pouco conhecida, sua obra permite deduzir que teve uma formação requintada. Aristófanes viveu toda a sua juventude sob o esplendor do Século de Péricles. Aristófanes foi testemunha também do início do fim daquela grande Atenas. Ele viu o início da Guerra do Peloponeso, que arruinou a hélade. Ele, da mesma forma, viu de perto o papel nocivo dos demagogos na destruição econômica, militar e cultural de sua cidade-estado. À sua volta, à volta da acrópole de Atenas, florescia a sofística -a arte da persuasão-, que subvertia os conceitos religiosos, políticos, sociais e culturais da sua civilização. Conta-se que teve dois filhos, que também seguiram a carreira do pai.

Obras
Escreveu mais de quarenta peças, das quais apenas onze são conhecidas. Conservador, revela hostilidade às inovações sociais e políticas e aos deuses e homens responsáveis por elas. Seus heróis defendem o passado de Atenas, os valores democráticos tradicionais, as virtudes cívicas e a solidariedade social. Violentamente satírico, critica a pomposidade, a impostura, os desmandos e a corrupção na sociedade em que viveu. Seu alvo são as personalidades influentes: políticos, poetas, filósofos e cientistas, velhos ou jovens, ricos ou pobres. Comenta em diálogos mordazes e inteligentes todos os temas importantes da época – a Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, os métodos de educação, as discussões filosóficas, o papel da mulher na sociedade, o surgimento da classe média. Em "Lisístrata" ou "A Greve do Sexo" (411 a.C.), as mulheres faziam greve de sexo para forçar atenienses e espartanos a estabelecerem a paz. Em "As Vespas" (422 a.C.), discute a importância da verdade e seus benefícios, revelando sua preocupação com a ética. Na peça "As Nuvens" (423 a.C.), compara Sócrates aos sofistas, mestres da retórica, e acusa o filósofo grego de exercer uma influência nefasta sobre a sociedade. Na comédia "Os Acarnianos" ou "Acarnenses", representada no ano 425 a.C., ele ridiculariza os partidários da guerra com Esparta. Suas outras obras são Os cavaleiros (424 a.C.), A paz (421 a.C.), As Aves (414 a.C.), As Tesmoforiantes ou As mulheres que celebram as Tesmofórias (411 a.C.), As rãs (405 a.C.), As mulheres na assembléia ou Assembléia de mulheres (392 a.C.) e Pluto ou "Um Deus Chamado Dinheiro" (388 a.C.).


Lisístrata (obra)

Lisístrata é o nome de uma comédia antiguerra escrita por Aristófanes em 411 a.C. Na época em que foi escrita, Atenas atravessava um período difícil de sua história. Abandonados por seus aliados, os atenienses tinham ao redor das muralhas de suas cidades as tropas de Esparta. Essa luta fratricida enfraquecia a Grécia, pondo-a à mercê dos Persas. A peça de Aristófanes, faz uma crítica severa a essa guerra, envolvendo as mulheres das cidades gregas na Guerra do Peloponeso, lideradas pela ateniense Lisístrata, que decidem instituir uma greve de sexo até que seus maridos parem a luta e estabeleçam a paz. No final, graças às mulheres, as duas cidades celebram a paz.

As Vespas (obra)

As Vespas (em grego: Σφῆκες, transl. Sphēkes) foi uma peça do autor grego Aristófanes, encenada no ano de 422 a.C.. Na peça o autor tem como alvo principal os juízes atenienses, os quais o comediógrafo já havia satirizado em pequenas passagens de outras peças, como, por exemplo, em As Nuvens (423 a.C.).A peça retrata o filho de um dicasta (um juiz comparando com os nossos tempos) mostrando para seu pai que está sendo enganado por cleon (mais importante dos lideres), rouba se dinheiro e de todos os outros conseguindo leva-los pelas suas belas palavras. O nome da peça foi dado por As Vespas, se comparando a picada e uma vespa, que de imediato não se sente nada, porém apos um tempo há uma dor do nada, sendo o começo da peça um sartica de um juiz burro que é enganado, e no final da peça demonstra que os burros enganados é a plateia (os próprios juízes).


As Nuvens (obra)

As Nuvens é uma peça do autor grego Aristófanes, encenada no ano de 423 a.C. A comédia é dirigida contra os sofistas, que o comediógrafo confunde com Sócrates (por ser o filósofo de maior destaque naquela época). O autor revolta-se contra as propostas pedagógicas e éticas dos sofistas, pretendendo evidenciar as fatais consequências desta educação nova. Aristófanes critica esses pensadores principalmente por seus princípios éticos e pedagógicos, além de acusá-los de ateísmo. O comediógrafo aponta os sofistas como imorais e sem ética, já que a sua retórica tinha dois argumentos, o Justo e o Injusto, sendo que o argumento Injusto é vencedor no confronto dos dois. Além disso, ele critica o fato destes educadores serem remunerados, o que para ele não passa de um estelionato, e a predileção dos sofistas pela retórica. Outra crítica encontrada em As Nuvens, é a feita a uma nova elite ateniense, personificada por Fidípides, perdulária e avessa a valores tradicionais, como o trabalho, que se faz presente na figura de Estrepsíades.


Os Cavaleiros

Os Cavaleiros (em grego antigo: Ἱππεῖς, transl. Hippeîs; grego ático: Ἱππῆς) foi a quarta peça escrita pelo autor grego Aristófanes, mestre da antiga forma de drama conhecida como Comédia Antiga. A peça é uma sátira da vida social e política da Atenas clássica durante a Guerra do Peloponeso, e neste ponto tem o perfil típico de todas as primeiras peças do autor. É única, no entanto, por ter um número relativamente pequeno de personagens, concentrando sua ação principalmente num só homem, o populista pró-guerra Cléon. Cléon havia processado Aristófanes por caluniar a pólis numa peça anterior, Os Babilônios (de 426 a.C.), o que fez o jovem dramaturgo jurar vingança em Os Acarnianos (425 a.C.). A vingança veio no ano seguinte, com Os Cavaleiros; a peça, muito fundamentada pela alegoria, e considerada por pelo menos um estudioso moderno como 'um fracasso constrangedor' era uma crítica desenfreada a Cléon, um dos homens mais poderosos da Atenas antiga. Conquistou o primeiro prêmio no festival das Leneias.


A Paz

A peça A Paz é uma das comédias de Aristófanes. Foi apresentada nas Grandes Dionísias de 421 a.C., a um público de atenienses e não-atenienses, apenas alguns meses antes da assinatura da Paz de Nícias, entre atenienses e Lacedemônios. O contexto era, assim, o da Guerra do Peloponeso, na iminência do fechamento de um tratado de paz.

Resumo da comédia

Trigeu, lavrador ateniense que vivia em um lugarejo da Ática do cultivo de suas vinhas, resolve subir ao céu, montado num escaravelho, para perguntar aos deuses a causa dos males que afligiam a Grécia, às voltas com interminável guerra fratricida entre os helenos. No Olimpo ele encontra apenas Hermes; os demais deuses haviam-se retirado para regiões ainda mais altas do firmamento, resolvidos a não mais presenciar a discórdia que levava os gregos ao extermínio. Hermes, a princípio relutante, resolve responder às perguntas de Trigeu, que explora a gula do deus remanescente; mostra-lhe a Guerra personificada, disposta a pulverizar as cidades gregas em um imenso pilão, enquanto a Paz permanece prisioneira no fundo de uma caverna, cuja entrada está obstruída por grandes pedras. Trigeu quer libertar a prisioneira a todo custo. Por isso convoca os trabalhadores de todas as regiões da Grécia, gente do campo, os mais sacrificados com a guerra. Depois de muitos esforços conseguem libertar a prisioneira e com ela voltam aos gregos a abundância e a alegria. Somente os fabricantes de armamentos não compartilham do contentamento geral, pois o fim da guerra os arruína. A peça termina com o casamento de Trigeu e da Abundância, companheira da Paz.

A guerra por trás da peça

Na presente peça de Aristófanes percebe-se facilmente a partir da leitura da mesma, uma essência, digamos, crítica. Não apenas em A Paz, mas em suas obras no geral. O comediógrafo ateniense trabalhava através de cada uma, variados temas no âmbito sócio-político de sua contemporaneidade com certo tom irônico. Estarei aqui analisando a forma de abordagem do autor para com a Guerra do Peloponeso e o que esta significa no âmago da comédia trabalhada. Para Aristófanes era necessária tanto a presença das elites na astý quanto a do campesinato na khóra para garantir a sobrevivência da pólis. Ele defendia a existência da mesma, pois para o autor era o único modelo político que parecia ser funcional. Com o receio de que Atenas entrasse em completa ruína devido aos longos anos de conflito ele resolve problematizar então a Guerra na peça. Vale ressaltar que existem outras obras dele nas quais também aborda o mesmo tema e em todas ele adjetivava a guerra com nomes sempre negativos. Como iria ele persuadir o povo (os espectadores presentes no ato da interpretação em especial) de que a guerra estava abalando as estruturas da cidade? Os urbanos se beneficiavam com os embates e quem saía perdendo era a população rural, que abandonava as lavouras e a calmaria do campo para ir para o conturbado convívio social do espaço urbano. Aristófanes opta por criar um herói diferente, um simples camponês, e associa todos os prazeres da época (banquetes, manutenção do espaço e da vida agrícola, prazeres sexuais e etc.) à presença da paz, hostilizando aqueles que da guerra se beneficiavam. Como o comediógrafo queria estabelecer a paz, enaltecendo as divergências dos dois espaços da região da ática? Entendo eu que ele acreditava que o povo estando conscientizado de que com a paz eles poderiam retomar suas vidas como eram antes, usufruir dos prazeres mundanos da época e voltar à khóra, assim tomariam partido de sua causa, e por ela enfrentariam os "senhores da guerra" que por consequência tenderiam a cadenciar os conflitos para não criar perturbações internas também. Durante toda a comédia Aristófanes segue enaltecendo os benefícios que a paz traria ao povo de Atenas, reforçando a idéia pelo menos a cada duas páginas do livro e relacionado-a sempre ao espaço rural. Tamanha ênfase só pode ser entendida da seguinte forma: sua intenção era conscientizar o campesinato de que eles podiam fazer alguma coisa para estabelecer uma trégua, que eles tinham sim algum poder, e aborda tudo isso com a característica que lhe é peculiar, a sátira. O comediógrafo grego era um assíduo defensor do modelo políade. Para ele deveria existir um balanço entre os meios urbano e rural, deveriam existir pobres e ricos, portanto não o vejo tão humanista como muitos historiadores pregam. Fazia uso do riso para explicitar os problemas que a sociedade vivia e tentar com isso estabelecer tal equilíbrio. Nos primeiros anos da Guerra, no período chamado de Guerra de Arquidamos, a população rural pouco afetada foi. De acordo com dados da pesquisa do professor André Leonardo Chevitarese (CHEVITARESE, A.L.. "o espaço rural da pólis grega, 2000) podemos ver que quase sempre após os conflitos as famílias retornavam às suas terras. Isso pode ser evidenciado pelos números de abastecimento de grãos na ática. Atenas já não tinha produção suficiente para se abastecer antes mesmo da guerra e precisava importar os cereais de outros lugares pagando impostos por isso. Sendo assim a pólis adota um modelo imperial que tem como objetivo tomar os campos produtores de outras regiões ao invés de continuar importando. É criado um conselho para fazer a fiscalização da quantidade de grãos que vinham de fora. Foi aí que se percebeu que não houve queda de produção e sim na importação devido aos constantes conflitos com as regiões vizinhas. Pouca destruição era constatada e a meu ver Aristófanes hiperdimensiona os problemas ocorridos na khóra durante a Guerra de modo à "chocar" os espectadores do teatro. Concluo, portanto, a problemática da Guerra da seguinte maneira: ele defendia a pólis, não os urbanos nem os rurais, a guerra abalava as estruturas da pólis em geral. Ele faz uso de personagens simples porque era uma forma de tocar a maioria do público que era por conseguinte proveniente do espaço rural. Faz uso das festas, pois elas eram um grande atrativo á população daquela época, e a própria peça pode ser vista como um banquete pois os espectadores compartilhavam as farturas que os protagonistas usufruíam. Em suma, ele parcialmente conseguira alcançar seu objetivo, que era a paz com os Lacedemônios e com os gregos, através de tréguas que se sucederam, mas seu desejo era impossível enquanto Atenas continuasse com a sua supremacia sobre as demais cidades. Seu ideal de paz, como regresso à vida que todos levavam antes da guerra, era utópico. Com as consequências de dez anos de conflitos marcados as pessoas não conseguiriam levar a mesma vida do passado, sendo assim, não demorou muito para que o retorno dos conflitos se concretizasse.

Referências

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