quinta-feira, 30 de abril de 2015

Obras de Vincent van Gogh


Algumas obras de Vincent van Gogh
Os Comedores de Batatas
De Aardappeleters. (1885)
Os Camponeses comendo batatas (Aardappeleters em neerlandês) é um quadro do pintor Vincent van Gogh, terminado em Abril de 1885. Este quadro pertence à primeira fase da pintura do artista, desenvolvido nos Países Baixos, sob influência do realista francês Jean-François Millet. Van Gogh fez releitura de Millet, e também estudou desenho, anatomia e perspectiva em Bruxelas, complementando sua formação com leituras sobre o uso e o comportamento das cores. Nessa época, desenhou e pintou muitas paisagens neerlandesas, cenas de aldeia. Em Nuenen, pequena cidade neerlandesa onde morava sua família, realizou cerca de 250 desenhos, principalmente sobre a vida de camponeses e tecelões. Os Comedores de Batata resume esse período. Assim como os pintores realistas, ele falou sobre a miséria e retratou a desesperança dessa gente humilde. Ele dizia que os camponeses deviam ser pintados com suas características rudes, sem embelezamento, ponto em que criticou e se diferenciou de Millet. Van Gogh salientou os traços grosseiros das mãos e das faces dos trabalhadores da terra. Em busca de intensidade dramática, explorou a potencialidade expressiva dos tons escuros, da luminosidade barroca e do pincel nervoso. Tais características seriam transformadas radicalmente a partir de sua ida a Paris, no mesmo ano. Ele viveu lá por alguns anos. Van Gogh era estilista nas horas vagas e fazia vestidos para Paris, depois os pintava em forma de quadros. Hoje esses quadros estão expostos no museu Arts In Coming (Bélgica). Van Gogh se diferenciou de Millet de forma tão abrupta que acabou originando uma obra naturalista, ou seja, o radicalismo do naturalismo imposto por Millet.
Natureza Morta com Absinto
Glas absint en een karaf
"Natureza Morta com Absinto" (ho:"Glas absint en een karaf"; en: "Glass of Absinthe and a Carafe") é um óleo sobre tela, pintado por Vincent van Gogh em 1887, quando este morou em Paris. A tela retrata uma cena comum da Belle Époque em um café parisiense: uma taça com absinto, bebida mítica no final do século XIX, e uma garrafa d'água que muitas vezes acompanhava a bebida. Neste quadro a cor esverdeada da bebida é ressaltada pelo fundo escuro da madeira na parede de fachada do café. Nesta natureza morta, van Gogh adiciona um pouco do exterior do café, onde se nota algumas pessoas caminhando na rua. Este acréscimo de um fundo cotidiano faz com que o observador da tela se sinta como sentado à mesa na posição do pintor.

Retrato de Père Tanguy

Portret van père Tanguy
Retrato de Père Tanguy é uma obra de van Gogh, pintada em 1887/1888. O Retrato de Père Tanguy foi pintado em três versões, no final do período parisiense de van Gogh. Julien Tanguy era um comerciante de tintas, conhecido como Père Tanguy. Tanguy era um socialista respeitado pelos artistas, havia participado da Comuna de Paris e além de vender material de pintura a preços muito baixos e a crédito, possuía uma pequena galeria ao lado de sua loja. Tanguy foi uma das figuras-chave do modernismo, pois sua galeria, ainda que desconhecida do grande público, reuniu obras artistas como van Gogh, Seurat, Gauguin e Cézanne, considerados os precursores do do século XX.

A Casa Amarela
La Maison jaune of Het gele huis
A Casa Amarela é uma pintura a óleo do pintor de van Gogh, de Setembro de 1888.
A pintura
Uma das pinturas noturnas de van Gogh, retrata uma das casas em que o pintor morou, na Place Lamartine, em Arles, França, cuja cor amarela da fachada foi escolhida pelo próprio pintor. Um dos cômodos da casa foi retratado em uma de suas mais conhecidas pinturas: Quarto em Arles. Na moradia van Gogh alugou quatro cômodos em Maio, dois no térreo que lhe serviam de atelier e cozinha e no superior os outros dois cômodos com vista para a Place Lamartine. No entanto por falta de recursos para mobiliá-la, van Gogh somente passou a ocupá-la somente em Setembro de 1888. Nesta casa van Gogh recebeu Paul Gauguin, que viveu e trabalhou com van Gogh de Outubro até Dezembro de 1888.
O edifício
O edifício sofreu diversas reconstruções antes de ser gravemente danificado por bombardeio em 25 de Junho de 1944. Posteriormente a casa foi demolida.

O Vinhedo Vermelho
Die Rooi Wingerd
A Vinha Encarnada (Neerlandês: Die Rooi Wingerd) é um quadro de van Gogh, concluído no início de Novembro de 1888. Esta foi a única peça vendida pelo artista em vida. O quadro foi adquirido em Bruxelas por 400 Francos, por Anna Boch. Van Gogh ficou sabendo do negócio por intermédio de seu irmão e mecenas Theo van Gogh, em Fevereiro de 1890.
Procedência
A Vinha Encarnada foi exibida pela primeira vez na mostra de Les XX, 1890 em Bruxelas e vendido por 400 Francos (equivalente a cerca de US$1,000-1,050 hoje) para Anna Boch, uma pintora impressionista da Bélgica, membra do Les XX e colecionadora de arte; Anna era irmã de Eugène Boch, também pintor impressionista e amigo de van Gogh, que havia pintado o retrato de Boch (Le Peintre aux Étoiles) em Arles, no outono de 1888. Assim como o Terraço do Café à Noite, foi adquirida pelo colecionador russo Sergei Shchukin, foi nacionalizado pelos bolcheviques com o resto de suas coleção, que eventualmente foi para o Museu Pushkin de Belas Artes em Moscou.

Terraço do Café à Noite
Caféterras bij nacht
Terraço do Café à Noite, cujo nome completo é O Terraço do Café na Place du Forum, Arles, à Noite, é uma das mais famosas obras de van Gogh. A tela foi finalizada em Setembro de 1888, sete meses após a chegada de Vincent à cidade de Arles, no sul da França, vindo de Paris. Como o próprio pintor observou em uma carta dirigida à sua irmã Wilhemina, embora se trate de uma paisagem noturna, caracteriza-se pelo uso de cores mais vivas. Podem ser encontradas semelhanças, principalmente em relação à perspectiva e ao uso das cores, com Avenida Clichy: Cinco Horas da Tarde, obra de 1887 do francês Louis Anquetin. De fato, os dois artistas conviveram durante um tempo em Paris, onde travaram amizade e influenciaram-se mutuamente no desenvolvimento de diferentes técnicas de pintura. A tela costuma ser comparada com outras duas de van Gogh que também retratam um céu estrelado: Noite Estrelada Sobre o Ródano (1888) e A Noite Estrelada (1889). O mesmo vale, também, para o seu Retrato de Eugene Boch (1888). Ainda hoje o café da pintura pode ser encontrado no mesmo local, sob o nome de “Café Van Gogh”. No início dos anos 90, sua fachada foi pintada em tons de verde e amarelo, aproximando-a da forma com que é vista no quadro.

A Cadeira de Van Gogh com Cachimbo
A Cadeira de Van Gogh com Cachimbo
A Cadeira de Van Gogh com Cachimbo é uma obra de 1888 de Van Gogh. A cadeira de van Gogh foi pintada em contraponto à obra A Cadeira de Gauguin. Através desta van Gogh tenta exprimir as diferenças de personalidade e sociais entre ele e Gauguin. Ao contrário da cadeira de Gauguin, a de van Gogh é uma cadeira simples, sem braços, onde se apoiam seu companheiro inseparável o cachimbo junto ao saquinho de tabaco, o revestimento do piso também é mais simples, lajotas, e iluminação diurna, enquanto a de Gauguin, está sobre um tapete e iluminada por velas.

A Cadeira de Gauguin

A Cadeira de Gauguin
A Cadeira de Gauguin é uma obra de 1888 de van Gogh. A cadeira de Gauguin é um contraponto à obra A Cadeira de Van Gogh com Cachimbo. As duas pinturas exprimem as diferenças de personalidade e sociais que van Gogh imaginava entre ele e Gauguin. A cadeira de Gauguin se apresenta mais sofisticada que a de van Gogh, ao possuir braços, forro em tecido, estar iluminada por uma vela e apoiada sobre um tapete. Ao contrário da cadeira de Gauguin, a de van Gogh é uma cadeira simples, sem braços, onde se apoiam seu cachimbo e o saco de tabaco, o revestimento do piso também é mais simples, lajotas, e iluminação diurna.

A Noite Estrelada

De sterrennacht
A Noite Estrelada (em neerlandês: De sterrennacht) é uma das mais conhecidas pinturas do artista. Foi criada por van Gogh aos 37 anos, enquanto esteve em um asilo em Saint-Rémy-de-Provence (1889-1890). A obra atualmente encontra-se na coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York. Ao contrário de muitas outras de suas obras, A Noite Estrelada foi pintada de memória e não a partir da vista correspondente de uma paisagem, como de costume. Durante sua estadia no asilo, van Gogh se dedicou a pintar sobre todas as paisagens da região de Provence. É nesse período que o artista rompe com o que se poderia chamar de fase impressionista, desenvolvendo um estilo muito particular, no qual prevalecem fortes cores primárias, tais como o amarelo, para as quais van Gogh atribuía significados próprios.
Gênesis
Em Setembro de 1889, quando van Gogh estava em Arles, executou uma pintura que ficou conhecida como "Noite Estrelada sobre o Rhone" e mais tarde, ele incorporou um desenho em pena de Reed num conjunto de uma dúzia de pinturas recentes. Van Gogh tinha uma "terrível necessidade de religião" quando pintou "Noite Estrelada sobre o Rhone". Em meados de Setembro de 1889, na sequência de uma grande crise que durou de meados de Julho até aos últimos dias de Agosto, ele pensou para incluir este "Study of the Night" no próximo lote de obras a serem enviados para seu irmão, Theo, em Paris. A fim de reduzir os custos do transporte, ele escondeu três dos estudos (“Papoilas” - “Night Effect” - “Nascer da Lua”). Estes três foram para Paris no envio seguinte. Como Theo não comunicou imediatamente a chegada, Vincent perguntou de novo, e finalmente recebeu o comentário de Theo sobre seu trabalho mais recente.
Matérias
A parte central apresenta a aldeia de Saint-Rémy, sob um céu enrolado, numa visão do asilo para o norte. Os Alpilles longe para o lado direito. O cipreste à esquerda foi adicionado à composição. Digno de nota é o fato de que van Gogh já havia, durante sua estadia em Arles, reposicionado a Ursa Maior do norte para o sul no seu quadro "Noite Estrelada sobre o Rhone".
Referências culturais
A pintura foi a inspiração para a canção de Don McLean, “Vincent”, que é também conhecida como Starry, Starry Night ("Estrelada, Noite Estrelada"). O primeiro pôster divulgado do filme “Meia-noite em Paris” de Woody Allen faz alusão à obra ao fazer uma fusão de parte da pintura à cidade de Paris.

Auto-retrato com a Orelha Cortada
Autorretrato com a Orelha Enfaixada
Autorretrato com a Orelha Enfaixada ou Autorretrato com a Orelha Cortada é uma obra tracejada de van Gogh, que retrata parte de sua loucura. Em 23 de Dezembro de 1888, véspera de Natal, após uma discussão com Gauguin, Vincent cortou um pedaço do lóbulo da sua orelha esquerda e fez dois auto-retratos (olhando pelo espelho, e aí tem-se a impressão de ter sido a orelha direita). Depois, embrulhou o pedaço da orelha em um lenço e o levou para uma prostituta de Arles - com a qual ele mantinha relações - com um bilhete que dizia: “Guarde com cuidado”. Após sair do hospital, em 6 de Janeiro de 1889, o pintor concebeu este auto-retrato. Ao fundo, à direita, pode-se enxergar um quadro com japonesas à frente do Monte Fuji e a parte superior de um cavalete com uma tela em branco à esquerda. A inscrição que acompanha a obra no museu em que está exposto, o Instituto Courtauld de Arte, diz que a justaposição de imagens pode sugerir sua perda de poder criativo e artístico. Supõe ainda que van Gogh tenha recebido influência da pintura japonesa, por ostentar uma obra daquele país em sua casa e retratá-la em um quadro seu. Van Gogh pintou trinta e cinco auto-retratos entre os anos 1886 e 1889.

Retrato de Dr. Gachet
Retrato de Dr. Gachet
Retrato de Dr. Gachet é uma obra de 1890 de van Gogh. O nome refere-se a duas versões autênticas da obra. Ambas mostram o Dr. Gachet sentado à mesa, com a cabeça apoiada no braço direito e com uma erva medicinal (digitalis) que o caracteriza enquanto médico. Apesar da semelhança na forma, são facilmente diferenciáveis pelo seu estilo. As cores utilizadas nas duas versões não são as mesmas, mas é sobretudo na "pincelada" que diferem - a primeira revela traços mais evidentes que a segunda. Vendido em 15 de Maio de 1990 por US$ 82,5 milhões.

Sorrow
Sorrow
"Sorrow" é uma litografia de van Gogh, datada de 11 de Novembro de 1882. A mulher grávida que serve de modelo à obra, Clasina Maria Hoornik (mais conhecida como Sien), foi uma prostituta com quem van Gogh viveu entre os anos de 1882 e 1883. A obra é um dos dez trabalhos gráficos feitos por van Gogh (nove litografias e uma água-forte), e pode ser encontrada em três impressões: duas no Museu Van Gogh em Amsterdã e uma no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.

Caveira com Cigarro Aceso
Caveira com Cigarro Aceso
Caveira com Cigarro Aceso é uma pintura a óleo sobre tela de Vincent van Gogh. Supõe-se que tenha sido finalizada entre os anos de 1885 e 1886.

A Italiana

A Italiana
A Italiana é uma pintura a óleo de Vincent van Gogh, de 1887. O quadro foi pintado em homenagem à sua amiga Agostina Segatori, antiga modelo e proprietária do Café du Tambourin, no boulevard de Clichy, com a qual van Gogh teve um relacionamento meses antes de pintar o quadro. O quadro está no Museu de Orsay, na França.

Auto-retrato com Chapéu de Palha

Zelfportret met vilthoed
"Autorretrato com Chapéu de Palha" (en: "Self portrait with Felt Hat") é um óleo sobre tela, pintado por Vincent van Gogh em 1888. Van Gogh pintou esta tela no inverno europeu de 1887-1888, quando viveu em Paris por dois anos. Ao chegar a Paris, em 1886, o impressionismo era uma corrente já ultrapassada, Manet já havia morrido e neo-impressionistas como Georges Seurat, despontavam. Van Gogh dedicou-se ao estudo da técnica pontilhista (criada por Seurat), mas adaptando-a ao seu próprio estilo de pintura. Com pinceladas em várias direções, van Gogh criou um auto-retrato que parece formar um halo em torno de sua cabeça. Esta nova dinâmica na pintura é uma das marcas que van Gogh.

A Arlesiana
A Arlesiana
A Arlesiana, ou o Retrato de Madame Ginoux é uma pintura a óleo sobre tela de 91,4 x 73,7 centímetros feita em 1888 pelo pintor Vincent Van Gogh que se encontra no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque. A senhora Ginoux (Marie Jullian (ou Julien)) nasceu em Arles em 8 de Junho de 1848 e morreu em 2 de Agosto de 1911. Casou-se com Joseph-Michel Ginoux, em 1866. O casal era proprietário do Café de la Gare, em Arles, onde van Gogh morou entre Maio e Setembro de 1888. As cores são características do período em que van Gogh viveu em Arles. No início de Novembro de 1888, vestindo o traje regional, a Senhora Ginoux posou para Paul Gauguin e para van Gogh. Van Gogh realizou então uma primeira versão do retrato, que se encontra no Museu de Orsay, em Paris. Posteriormente (1888-1889) realizou a versão mais elaborada, que se encontra no Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque.

O Café à Noite na Place Lamartine
O Café à Noite na Place Lamartine
O Café à Noite na Place Lamartine ou O Café à Noite (francês: Le Café de nuit) é um óleo sobre tela pintado por Vincent van Gogh em Arles, em Setembro de 1888. O título "Le café de nuit" pode ser visto no canto inferior direito da tela, abaixo da assinatura do pintor. A obra retrata o interior do café de la Gare, situado à Place Lamartine, de propriedade de Joseph-Michel Ginoux e sua esposa Marie Ginoux, que em Novembro de 1888 posaria para os quadros A Arlesiana de van Gogh e Gauguin. Joseph Ginoux também seria retratado pelos pintores um pouco depois.
Sobre
Van Gogh fala ao irmão sobre o início desta pintura em sua 518ª carta a Theo, em 6 de Agosto de 1888: “Hoje provavelmente eu irei começar o interior de um café onde possuo um cômodo, à noite, sob iluminação a gás. É o chamado “café de nuit” (muito freqüentes aqui), e que fica aberto toda a noite. Notívagos podem se refugiar quando não tem recursos para pagar pelo pernoite ou estão bêbados demais para serem aceitos”.


No meu quadro do Café à Noite, tentei expressar que o café é um lugar onde alguém pode se arruinar, enlouquecer ou cometer um crime. Pelos contrastes das tonalidades de um rosa delicado e vermelho-sangue e vermelho-escuro, de um verde suave Luís XV e verde veronês contra um amarelo-esverdeado e azul-esverdeado forte - tudo isso numa atmosfera do rubro de fogo infernal e um amarelo baço de enxofre - quis exprimir o poder tenebroso de uma taberna”.Vincent van Gogh.


O Escolar

O Escolar
O Escolar, também denominada O Filho do Carteiro ou ainda Gamin au Képi, é uma pintura a óleo sobre tela de Vincent van Gogh, usualmente datada de 1888. O modelo do retrato é muito provavelmente Camille Roulin, filho do carteiro Joseph Roulin, fiel amigo do pintor durante sua atormentada passagem por Arles, quando sucumbiu à sua primeira crise mental. Van Gogh pintou ao todo 22 retratos de membros da família Roulin, uma típica representante das famílias da classe operária francesa da segunda metade do século XIX. Toda a série de retratos demonstra a influência dos estudos de van Gogh acerca da estampa japonesa e a consolidação de sua estética expressionista. No retrato de Camille nota-se a tendência um tanto brutal na aplicação das amplas superfícies de cores puras, a firmeza das linhas de contorno e o contraste de tons quentes e frios. Encontra-se conservada no Museu de Arte de São Paulo desde 1952, sendo considerada uma das mais valiosas obras da coleção.

Contexto geral
A família Roulin
O carteiro Roulin, por van Gogh.
Após uma estadia de dois anos em Paris, onde entrou em contato os pintores impressionistas, van Gogh partiu para Arles, no sul da França, onde se estabeleceu em Fevereiro de 1888. Incentivado pela idéia de aprofundar os seus estudos no campo da estampa japonesa, o artista acreditava que a luminosidade da região da Provença e seu contraste de cores lhe permitiriam ter uma idéia “mais verdadeira do modo como os japoneses sentem e desenham”. Van Gogh também tinha a intenção de estabelecer em Arles uma comunidade de artistas, com a ajuda do amigo Paul Gauguin. Na “casa amarela”, como era chamada a residência onde se fixaram, os dois pintores travaram uma breve e conturbada convivência, que acabaria por desencadear a primeira crise mental de van Gogh, levando-o à auto-mutilação. Da chegada a Arles até a sua mudança voluntária para Saint-Rémy-de-Provence – onde se internaria no manicômio de Saint-Paul de Masole, em Maio de 1889 – van Gogh contou com o apoio e a amizade da família Roulin. O pintor, que se utilizava frequentemente dos serviços postais de Arles, em sua rotineira troca de correspondências com o irmão, Theo, foi introduzido ao círculo da família por meio do carteiro Joseph Roulin (1841-1903). Os dois logo se tornariam grandes amigos e o carteiro se converteria no personagem que van Gogh mais retratou durante sua estadia em Arles, depois de si mesmo. Van Gogh admirava o espírito anárquico, os ideais políticos e a integridade moral de Joseph. Em suas palavras, Joseph era “um homem tão revolucionário como o velho Tanguy. Provavelmente pode ser considerado um bom revolucionário porque detesta cordialmente [...] a república de que estamos gozando”. Foi Joseph quem tirou van Gogh do bordel onde viveu com a amiga Rachel – a quem deu o lóbulo cortado de sua orelha, após o primeiro surto. O pintor o retrataria em seis oportunidades em um intervalo de nove meses. Além do carteiro, van Gogh retratou toda sua família, exemplar da classe operária francesa de meados do século XIX: a esposa, Augustine-Alex Pellicot (1851-1930), o filho mais velho do casal, Armand (1871-1945), o filho do meio, Camille (1877-1922), provável modelo do retrato em pauta, e a filha caçula, Marcelle (1888-?), retratada pouco após o seu nascimento. Ao todo, van Gogh executaria 22 retratos dos membros da família Roulin, entre Agosto de 1888 e o princípios de 1889. Embora tenham sido os modelos mais requisitados pelo pintor em seu período arlesiano, os membros da família jamais cobraram pelas sessões.

O retrato

Identificação do modelo e datação

A identificação do modelo como Camille Roulin e a datação da obra no ano de 1888, embora predominantes na literatura contemporânea, não são consensuais. Para Willem Scherjon e Willem Josyah de Gruyter, o modelo seria um dos funcionários do mencionado sanatório de Saint-Rémy-de-Provence. Com base nessa hipótese, o retrato do MASP seria aquele a qual van Gogh se refere em uma carta endereçada a Theo, escrita em 4 de Janeiro de 1890, dizendo ter a intenção de enviar a obra à mãe do menino. Essa hipótese, bem como a datação de 1890, foram aceitas por historiadores como Paolo Lecaldano e Müller. Ettore Camesasca e Ronald Pickvance, no entanto, identificam o modelo como Camille Roulin (Lambesc, 10 de Julho de 1877 - Arles, 4 de Junho de 1922), filho do carteiro Joseph. A evidência para isso está na comparação da fisionomia do menino com outro retrato ligeiramente posterior de Camille feito pelo artista (conservado no Museu van Gogh, em Amsterdã). Desta forma, a tela teria sido executada entre Novembro e Dezembro de 1888, conforme atesta o pintor em uma carta enviada a Theo nesse período: “Pintei os retratos de toda a família do carteiro... o homem, a mulher, a criança, o menino, o filho de 16 anos, todos característicos e muito franceses, embora o primeiro possua as feições de um russo”.
Descrição e análise
Retratado em meia figura, sentado sobre uma cadeira, o modelo tem o corpo e o rosto voltados à sua direita, com o braço direito repousando no encosto superior do assento. O código indumentário, como em tantos outros retratos de camponeses executados por van Gogh no período, tem função essencial para a devida contextualização do meio da personagem. A simplória camisa azul e o boné marrom-escuro evidenciam sua condição de "cidadão-comum", de classe social baixa. O segundo plano é composto por duas faixas, uma laranja e outra vermelha, que contrastam com o azul da camisa e com o marrom-escuro do boné. O rosto, as mãos e a cadeira configuram-se em uma profusão de cores quentes, em que sobressaem os tons amarelados. A simultaneidade de contrastes provenientes da interação entre cores primárias e complementares, quentes e frias, gera tensão, como nota Giulio Carlo Argan, ao dizer que a matéria pictórica adquire “uma existência autônoma, exasperada, quase insuportável”. A tensão gerada pela interação de cores quentes e frias parece ecoar ainda no contraste existente entre a vivacidade conferida à obra pela iluminação intensa e a postura acanhada do menino, cujos olhos baixos insinuam tristeza ou melancolia. Para alguns autores, a mão "deformada" do modelo, entendida como representação da dor, seria uma indicação da presença simbólica do pintor na obra - segundo a própria definição de van Gogh, “uma obra, de forma representativa ou não, é sempre um auto-retrato de seu autor”. Ettore Camesasca nota que o mesmo tratamento dado ao fundo e a mesma composição dividida em duas faixas de cores reaparece, invertido apenas, no Auto-retrato com a Orelha Cortada, pintado pouco tempo depois, em Janeiro de 1889 (coleção particular, Chicago). A força estrutural de O Escolar, com suas amplas superfícies de cores puras e contrastantes, e a enérgica diagramação externa, expressa pelas grossas linhas de contorno, demonstram não apenas a influência das gravuras japonesas na pintura de van Gogh, mas também seu afastamento definitivo da estética impressionista. De fato, é em seu período arlesiano que o pintor abandonará o emprego de tonalidades naturalistas em favor de pinceladas bem marcadas e cores fortes que caracterizam seu retorno inevitável ao expressionismo. Há, no entanto, diferenças técnicas consideráveis entre o retrato de Camille Roulin e as demais obras executadas no mesmo período, o que seria explicável, segundo Pickvance, pelo fato do modelo ter sido incapaz de manter a pose.
Proveniência
A obra integrou o acervo da Galeria Tannhäuser de Munique, passando, em seguida para a coleção H. Guttler, Reichenstein, e para a coleção de Max Meirowsky, Berlim. Posta à venda na Galeria Wildenstein de Nova Iorque, foi adquirida pelo Museu de Arte de São Paulo, em 1952, com recursos providos por vários doadores (Geremia Lunardelli, Guilherme Guinle, Francisco Pignatari, Souza Cruz, Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira, etc.).
Exposições
Após sua aquisição pelo Museu de Arte de São Paulo em 1952, O Escolar foi escolhido para estampar o cartaz promocional da mostra Chefs-d'Ouvres de São Paulo, realizada no Musée de l'Orangerie de Paris, em 1953. Tornou-se, desde então, um dos ícones da coleção do museu. Entre 1953 e 1957, foi exposta no Palácio de Belas Artes de Bruxelas, no Centraal Museum de Utrecht, no Kunstmuseum de Berna, na Tate Gallery de Londres, no Kunsthalle de Düsseldorf, no Palácio Real de Milão, no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque, no Museu de Arte de Toledo, Ohio, e no Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Voltou a ser exposta no Metropolitan Museum em 1984 e integrou novo ciclo de exposições européias, nas cidades de Milão (1987), Martigny e Mannheim (1988). Foi exposta no Museu van Gogh de Amsterdã em 1989.

Os Girassóis
Doze girassóis
Doze girassóis numa jarra é considerada uma das melhores e mais famosas obras do pintor holandês Vincent van Gogh. Após a sua chegada ao sul de França, estabelecendo-se em Arles, van Gogh "descobre" o sentido da cor e da luz. Doze Girassóis numa Jarra pode ser considerado o culminar de todo este efeito em sua obra. Acabado em Agosto de 1888, o quadro está hoje exposto na Neue Pinakothek, em Munique. Atualmente, esta é uma das telas mais famosas do mundo. Tal sucesso e reconhecimento contrastam com a vida do seu autor, que sempre viveu à margem da sociedade. Ele só foi conhecido mundialmente depois de sua morte.
Outras telas de girassóis
Ao todo, van Gogh pintou sete telas de girassóis quando de sua estadia na cidade de Arles, ao sul da França.

Quarto em Arles
Quarto em Arles
Quarto em Arles é uma série de três quadros de van Gogh, pintados entre Outubro de 1888 e Setembro de 1889. A obra é uma das mais conhecidas do artista, e até mesmo da sua aldeia. O famoso quadro retrata o quarto que Vincent van Gogh alugou na "casa amarela", na cidade de Arles, na França, país onde trabalhou durante quase toda a sua existência. Pintou a obra mais de duas vezes, cerca de um ano depois, enquanto estava internado no hospício de Saint-Rémy-de-Provence. Hoje a primeira obra está exposta no Museu do Jorge.

Primeira versão

Van Gogh começou a primeira versão em Outubro de 1888 quando estava em Arles. Através das cartas que enviava ao seu irmão Theo, pode-se conhecer as suas pretensões com o quadro e os meios ao seu alcance: “Desta vez simplesmente reproduzo meu quarto; apenas a cor tem que faze-lo todo, dando um estilo grandioso aos objetos com sua simplificação, chegando a sugerir um certo descanso ao sono. Bem, penso que ao ver a composição deixamos de pensar e imaginar. Pintei as paredes de violeta claro. O piso com o material axadrezado. A cama de madeira e as cadeiras, amarelas como manteiga fresca; o lençol e as almofadas, de verde limão claro. A colcha, de cor escarlate. A janela, verde. O lavabo, alaranjado; a cisterna, azul. A portas, lilás. E, isso é tudo. Não há nada mais neste quarto de persianas fechadas. As peças do mobiliário devem expressar um descanso firme; também, os retratos na parede, o espelho, o jarro, e algumas roupas. A cor branca não se aplica ao quadro, assim que sua moldura será branca, com a pretensão de conseguir o descanso obrigatório que me recomendam. Não representei nenhum tipo de sombra; apenas apliquei simples cores planas, como os das panquecas”. Van Gogh incluiu esboços da composição nesta carta assim como em uma carta a Gauguin, escrita pouco depois. Esta versão tem sobre a parede da direita miniaturas de retratos de van Gogh e de seus amigos o poeta Eugène Boch e o soldado Paul-Eugène Milliet. Os originais destes quadros de van Gogh se encontram no Museu van Gogh (Amsterdã) e no Museu de Orsay (Paris), respectivamente. As brilhantes emendas de cores puras que contrastam entre si constituem um dos traços mais marcantes deste quadro. Van Gogh pretende transmitir a idéia de descanso e sono, a partir, sobretudo, do uso de tons verdes e azulados, que sugerem “o descanso e o sono em geral”. Reforça esta idéia a figuração pictórica que se encontra sobre a cama e a escassez de objetos do quarto, ordenado e limpo. Utilizou três pares de cores complementares: vermelho e verde, amarelo e violeta, azul e laranja. Apesar de van Gogh pretender dar “uma sensação de solidez, de permanência, de tranquilidade”, o resultado é bem mais um sentimento de angústia devido a espessura das linhas que contornam os objetos, as cores puras e privadas de sombras, e as paredes inclinadas, reforçando a estranha perspectiva. Van Gogh considerava que era a melhor obra que ele realizou durante a sua estada em Arles. A tela nunca abandonou o patrimônio de van Gogh e está em posse da Fundação van Gogh, em exposição permanente no Museu van Gogh de Amsterdã.
Segunda versão
Em Abril de 1889, van Gogh enviou a versão inicial para seu irmão lamentando que ficou danificada pela inundação do Ródano, enquanto ele estava internado no hospital de Arles. Theo lhe propôs devolve-lo para que o copiasse antes de restaura-lo, o que demonstrava a admiração de Theo por este quadro. Esta repetição à escala original (o termo de van Gogh é “repetição”) foi executada em Setembro de 1889. Ambas pinturas foram devolvidas, então, para Theo. Desde 1926 tem estado em poder do Instituto de Arte de Chicago.
Terceira versão
Quando van Gogh, finalmente, no verão de 1889, decidiu refazer algumas de suas “melhores” composições em tamanho menor (o termo que usou foi reduções) para sua mãe e sua irmã Wil, O Quarto se encontrava entre os quais ele escolheu. Estas reduções, terminadas no final de Setembro de 1889, não são cópias exatas. Em “O Quarto” o retrato em miniatura da esquerda recorda o auto-retrato de van Gogh “Camponês de Zundert”. O da direita não pode ser associado de maneira convincente a nenhuma pintura existente de van Gogh, embora o da direita pudesse ser seu amigo Paul Gauguin ou seu pai, ou ainda o colocou, talvez, apenas para adornar o quadro. Esta terceira versão, previamente en poder da irmã de van Gogh, Willemien e mais tarde adquirida pelo Príncipe Matsukata, entrou nas coleções nacionais francesas em 1959, depois do acordo de paz franco-japonês, e faz parte da exposição permanente do Museu de Orsay em Paris.

L`Enfant à l`Orange
L`Enfant à l`Orange
L`Enfant à l`Orange é uma obra de van Gogh concluída em Julho de 1890. Na pintura está representada uma criança loura de aspecto angélico. A criança é Raoul Levert, filho de um carpinteiro de Auvers-sur-Oise. Tinha apenas dois anos quando van Gogh o pintou no albergue Ravoux. A obra foi adquirida em 1916 à família do casal suíço Arthur e Hedy Hahnloser, fundadores da coleção de arte “Villa Flora”, de Winterthur (Suíça). A pintura foi posta à venda em Março de 2008 na feira de arte de Maastricht (Países Baixos) por um preço superior a 30 milhões de dólares (19,7 milhões de euros).

A Igreja de Auvers
A Igreja de Auvers
A Igreja de Auvers é uma obra de van Gogh concluída em 5 de Junho de 1890. Depois que van Gogh deixa o hospital de Saint-Rémy-de-Provence em 16 de Maio de 1890, abandona o sul da França e dirige-se ao norte. Faz uma visita ao irmão Theo van Gogh em Paris e depois ruma a Auvers-sur-Oise, a conselho de seu amigo Camille Pissarro, a fim de tratar-se com o médico e pintor amador Paul Gachet. Em Auvers van Gogh passou as suas últimas dez semanas de vida e onde produziu intensamente.
Descrição do autor
Resultou também em um grande quadro da igreja da aldeia, no qual aparece o edifício violeta, em frenta a um céu liso, azul profundo de puro colorido; os vitrais em cor são como manchas de ultramarino, o telhado é violeta e em parte laranja. No primeiro plano algo de verde viçoso e areia em tom rosa batida pelo sol. É quase como os estudos que fiz em Nuenen da velha torre e cemitério, só que a cor agora é mais expressiva e rica”.

Vincent van Gogh


Referências

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