sábado, 8 de novembro de 2014

Biografia de Michel de Montaigne


Michel de Montaigne.
Michel de Montaigne. (Michel Eyquem de Montaigne). Nasceu em Saint-Michel-de-Montaigne, a 28 de Fevereiro de 1533, e, faleceu também em Saint-Michel-de-Montaigne, a 13 de Setembro de 1592. Michel de Montaigne foi um político, filósofo, pedagogista, escritor e cético francês, considerado como o inventor do ensaio pessoal. Nas suas obras e, mais especificamente nos seus “Ensaios”, analisou as instituições, as opiniões e os costumes, debruçando-se sobre os dogmas da sua época e tomando a generalidade da humanidade como objecto de estudo. É considerado um céptico e humanista. Ele criticou a educação livresca e mnemônica, propondo um ensino voltado para a experiência e para a ação. Acreditava que a educação livresca exigiria muito tempo e esforço, o que afastaria os jovens dos assuntos mais urgentes da vida. Para ele, a educação deveria formar indivíduos aptos ao julgamento, ao discernimento moral e à vida prática.

- “Seu pai era um rico comerciante de vinhos, tendo proporcionado educação esmerada ao filho, que aos 13 anos de idade sabia mais latim do que francês. Estudou leis e em 1856, elegeu-se prefeito de Bordeaux. Publicara em 1580, os dois primeiros livros dos seus famosos “Ensaios”, cujo terceiro livro saiu em 1588. segundo a crítica: “Montaigne é um naturalista sem pretensão, que se compraz nas observações de cada dia. Quanto mais estuda, mais o individualismo lhe parece ser o fundo de todas as coisas. Guarda-se sobretudo de idealizar o homem. Não lhe perdoa nenhuma das suas inconsequências ou lacunas. Ensina-o a ignorar. Longe de ser um estado doloroso da alma, a dúvida é, para ele, o seu estado ordinário, uma espécie de crepúsculo psicológico repleto de uma forma indecisa, e que gosta de prolongar porque se sente à vontade, independente e desligado. Mostrar aos homens que o mistério nada tem de terrível, e, que se pode olhar o desconhecido sem medo, resignando-se a não o compreender, é, pois, tirara-lhes a causa das angústias mais vãs e mais quiméricas”. Do ponto de vista religioso, mostrou-se sempre mais céptico do que crente, “cepticismo intelectual, feito sobretudo de moderação e de bom senso. É a dúvida prudente de alguém que leu muito e a quem assusta a enorme segurança que vê em torno de si. Se o filósofo suspende o juízo, não é para desanimar as boas vontades: reserva sua opinião , porque não tem pressa alguma de se pronunciar, e não lhe custa ficar na incerteza, continuando o seu inquérito. Sua dúvida é a afirmação de que, neste mundo, em que domina o relativo, é preciso não se acreditar o único e infalível detentor da verdade; convém mostrar-se indulgente e tratável”.


Vida e obra

Montaigne nasceu no Castelo de Montaigne, em Saint-Michel-de-Montaigne, após seu nascimento, o pai entregou-o a uma enfermeira de uma aldeia vizinha e veio com três anos de volta para a família. Seu pai lhe deu um tutor alemão que lhe falava apenas somente em latim. Assim, o latim era quase a língua materna de Montaigne. Este tinha um espírito por um lado vigilante e metódico e por outro, aberto às novidades. Após estes estudos enveredou pelo direito. Exerceu a função de magistrado primeiro em Périgueux (de 1554 a 1570) depois em Bordéus onde travou profunda amizade com Étienne de La Boétie. Retirou-se para o seu Castelo de Montaigne quando tinha 34 anos para se dedicar ao estudo e à reflexão. Levou nove anos para redigir os dois primeiros livros dos Essais”. Depois viajou pela primeira vez por Alemanha, Suíça e Itália durante dois anos (1580-1581). Faz o relato desta viagem no livro “Journal de Voyage”, que só foi publicado pela primeira vez em 1774. Foi presidente da Câmara de Bordéus durante quatro anos. Regressou ao seu castelo e continuou a corrigir e a escrever os “Essais”, tendo em vista o estilo parisiense de exposição doutrinária. Os seus Ensaios compreendem três volumes (três livros) e vieram a público em três versões: Os dois primeiros em 1580 e 1588. Na edição de 1588, aparece o terceiro volume. Em 1595, publica-se uma edição póstuma destes três livros com novos acrescentos. Seus “Essais” são principalmente auto-retratos de um homem, mais do que o auto-retrato do filósofo. Montaigne apresenta-se-nos em toda a sua complexidade e variedade humanas. Procura também encontrar em si o que é singular. Mas ao fazer esse estudo de auto-observação acabou por observar também o Homem no seu todo. Por isso, não nos é de espantar que neles ocorram reflexões tanto sobre os temas mais clássicos e elevados ao lado de pensamentos sobre a flatulência. Montaigne é assim um livre pensador, um pensador sobre o humano, sobre as suas inconsistências, diversidades e características. E é um pensador que se dedica aos temas que mais lhe apetecem, vai pensando ao sabor dos seus interesses e caprichos. Se por um lado se interessa sobremaneira pela Antiguidade Clássica, esta não é totalmente passadista ou saudosista. O que lhe interessa nos autores antigos, especialmente os latinos mas também gregos, é encontrar máximas e reflexões, que o ajudem na sua vida diária e na sua auto-descoberta. Montaigne tenta assim compreender-se, através da introspecção, e tenta assim compreender os homens. Montaigne não tem um sistema. Não é um moralista, nem um doutrinador. Mas não sendo moralista, não tendo um sistema de conduta, uma moral com princípios rígidos, é um pensador ético. Procura indagar o que está certo ou errado na conduta humana. Propõe-se mais estudar pelos seus ensaios certos assuntos do que dar respostas. No fundo, Montaigne está naquele grupo de pensadores que estão a perguntar em vez de responder, e é na sua incerteza em dar respostas, que surge um certo cepticismo em Montaigne. Como não está interessado em dar respostas apriorístico tem uma certa reserva em relação a misticismos e crenças. É de notar um certo alheamento em relação ao Cristianismo e às lutas de religião que se viviam em França na época. Embora não deixe de refletir em assuntos como a destruição das novas índias pelos espanhóis. Ou seja, as suas reflexões visam os clássicos e a sua própria contemporaneidade. Tanto fala de um episódio de Cipião (o Africano) como fala de algum acontecimento do seu século como fala de um qualquer seu episódio doméstico. O fato de ter introduzido uma outra forma de pensar através de ensaios, fez com que o próprio pensamento humano encontrasse uma forma mais legítima de abordar o real. A verdade absoluta deixa de estar ao alcance do homem, sendo doravante, possível tão-somente uma verdade (?) por aproximações. Registre-se que Michel de Montaigne foi tio pelo lado materno de Santa Joana de Lestonnac.


Citações

  • "Viver é o meu trabalho e a minha arte".

- Mon métier et mon art, c'est vivre
- Essais - Página 212, Michel de Montaigne - Périsse Frères, 1847 - 526 páginas
  • "A palavra é a metade de quem a pronuncia, metade de quem escuta".

- (Ensaios, Livro III, Capítulo XIII - "Da experiência")
  • "Ensinar os homens a morrer é ensiná-los a viver".

- (Ensaios, Livro I, Capítulo XX - "De como filosofar é aprender a morrer")
  • "Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir; nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda sujeição e coação".

- (Ensaios, Livro I, "De como filosofar é aprender a morrer)
  • "Cada qual considera bárbaro o que não se pratica em sua terra".

- (Ensaios, Livro I, "Dos canibais")
  • "Nunca houve no mundo duas opiniões iguais, nem dois fios de cabelo ou grãos. A qualidade mais universal é a diversidade".

- Et ne feut iamais au monde deux opinions pareilles, non plus que deux poils, ou deux grains: leur plus universelle qualité , c'est la diversité.
- Essais: avec des sommaires analytiques, et les notes de tous les commentateurs; precedes de la preface de Mademoiselle de Gournay et d'un pr℗ecis de la vie de Montaigne‎ - Página 330, Michel Eyquem de Montaigne, Marie de Jars de Gournay - Tardieu-Denesle, 1828 - 391 páginas
  • "A covardia é a mãe da crueldade".

- la couardise est mere de la cruauté
- Les Essais: ensemble la vie de l'autheur et 2 tables‎ - Página 509, Michel Eyquem de Montaigne - 1652
  • "Existem derrotas mais triunfantes que as vitórias".

- aussi y a-il des pertes triomphantes à l'envi des victoires.
- Les Essais: Donnez Sur Les Plus Anciennes Et Les Plus Correctes Editions: ... Avec des Notes, & de nouvelles Tables Des Matieres beaucoup plus utiles que celles qui avoient paru jusqu'ici, Volume 1 - página 214, Michel Eyquem de Montaigne, Pierre Coste, Editora Societe, 1725, 362 páginas
  • Todas as outras ciências são nocivas para quem não possui a ciência da bondade”.

- Toute autre science est dommageable à celui qui n'a la science de la bonté.
- Œuvres de Michel de Montaigne: avec une notice biographique - Página xxxviii, Michel de Montaigne, Jean Alexandre C. Buchon, Jean-François Payen - A. Desrez, 1837 - 806 páginas
  • "A crença na bondade alheia não é um testemunho claro da própria bondade".

- La fiance de la bonté d'autrui est un non léger témoignage de la bonté propre.
- Bibliothèque universelle des dames: Morale - Tomo 12, Página 222, Michel Eyquem de Montaigne - 1788
  • "As leis da consciência, que se afirma terem vindo da natureza, vêm, na verdade, do costume".

- Les lois de la conscience que nous disons naître de nature, naissent de la coutume
- Œuvres de Michel de Montaigne: avec une notice biographique - página 798, Michel de Montaigne, ‎Jean Alexandre C. Buchon, ‎Jean-François Payen - A. Desrez, 1837
  • "Se fosse para buscar os favores do mundo, teria me enfeitado de belezas emprestadas. Quero que me vejam aqui em meu modo simples, natural e corrente, sem pose nem artifício: pois é a mim que retrato".

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Ao leitor, p. 37, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Não é uma alma que se forma, não é um corpo que se forma, é um homem. Não se deve separa-los".

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. I, Cap. XXV, p. 113, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "O verdadeiro espelho de nossos discursos é o curso de nossas vidas."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. I, Cap. XXV, p. 117, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Quero que as coisas dominem e encham a imaginação de quem escuta, de tal modo que o ouvinte não tenha nenhuma lembrança das palavras."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. I Cap. XXV, p. 122, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Os apressados que têm um desejo frenético de encontrar a cura se deixam levar por todo tipo de conselho."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. I, Cap. XXV, p. 126, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Quanto mais vazia a alma, e sem contrapeso, mais facilmente se verga sobre a carga da primeira persuasão."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. I, Cap. XXVI, p. 132, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Quantas coisas pouco verossímeis existem, testemunhadas por pessoas de fé; se não podemos convencermos, ao menos devemos deixa-las em suspenso; pois condena-las como impossíveis é pretender conhecer, por uma temerária presunção até onde vai a possibilidade."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. I, Cap. XXVI, p. 135, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "O que deveis procurar não é mais do que o mundo fala de vós, mais como deves falar de vós mesmo."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. 1 Cap. XXXVIII, p. 178, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "A posição de um homem que mistura a devoção com uma vida execrável parace ser bem mais condenável que a de um homem coerente com sigo mesmo e inteiramente dissoluto."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. I, Cap. LVI, p. 182, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Fastidiosa enfermidade, a de se crer tão forte a ponto de persuadir-se de que não é possível acreditar no contrário."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. I, Cap. LVI, p. 184, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Mesmo se pudesse me fazer temido, gostaria mais ainda de me fazer amado."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. II, Cap. VIII, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Quando se julga uma ação particular é preciso considerar várias circunstâncias, e o homem por inteiro que a produziu, antes de batiza-la."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. II, Cap. XI, p. 269, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Parece a cada homem que ele é a melhor forma da natureza humana: todos os outros devem ser regulados de acordo com ele."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. II, Cap. XXXII, p. 289, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Todas as tendencias que nascem em nós sem razão são viciantes: é uma espécie de doença que se deve combater."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. II, Cap. XXXVII, pp. 312-13, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "É o temor da morte e da dor, a impaciência com o mal, uma furiosa e irreprimível sede de cura que nos cegam assim: é pura covardia o que torna nossa crença tão frouxa e manipulável."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. II, Cap. XXXVII, p. 334, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Não detesto as opiniões contrárias as minhas. Estou muito distante de me assustar ao ver discordâncias entre meus julgamentos e os dos outros e não me torna incompátivel com a sociedade por terem outra opinião e partido que não o meu."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. II, Cap. XXXVII, p. 341, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Os outros formam o homem, e eu o relato."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. II, p. 346, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Se o mundo se queixa de que falo de mais de mim, queixome de que ele não pensa se quer em si mesmo."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. II, p. 347, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Tenho minhas leis e meu tribunal para julgar a mim mesmo, e a eles me dirijo mais que a outro lugar. Restrinjo minhas ações em função dos outros, mas só as entendo em função de mim. Só vós é que sabeis se sois covarde e cruel, ou leal e devotado: os outros não nos veem, advinham-vos por conjecturas incertas; vem não tanto vossa natureza como vossa arte. Por isso, não confiais em sua sentença, confiais na vossa."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. II, p. 350, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Prefiro ter menos fama. E só me jogo ao mundo pela parte que dele tiro. Quando eu partir, ele estará quite comigo."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. II, p. 352, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Prezo pouco minhas opiniões, mas prezo igualmente a dos outros."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. II, p. 359, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Se me coubesse formar-me do meu jeito, não haveria nenhum feitio tão bom em que desejasse me fixar a ponto de não poder me desprender dele."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. III, p. 365, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Prefiro formar a minha alma a mobila-la."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. III, p. 366, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "A leitura me serve eme special para despertar, por objetos diversos, minha reflexão, para fazer trabalhar meu julgamento, não minha memória."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III Cap. III p. 366, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "A doutrina que não conseguiu chegar-lhes à alma ficou-lhes na língua."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III Cap. III p. 370, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Hão de se contentar em valorizar as riquezas próprias e naturais. Escondem e encobrem suas belezas sobre belezas estrangeiras: é uma grande asneira abafar a própria claridade, para brilhar com uma luz emprestada".

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. III, p. 370, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Quando jovem estudava por ostentação; depois, um pouco para tornar-me sábio; agora para me divertir, nunca pelo proveito."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. III, p. 380, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "A pior de minhas ações ou qualidades não me parece tão feita como acho feio e covarde não poder confessa-la."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. V, p.390, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Para eles, não há explicação mais convincente do que suas conclusões."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv.III, Cap. XI, p.503, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Do que digo não garanto outra certeza se não que é o que naquele momento o que eu tinha no pensamento."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. XI, p. 506, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "[Sobre os prazeres] não devemos persegui-los nem fugir deles, devemos aceita-los."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. XIII, p. 569, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.
  • "Não há nada tão belo e legítimo quanto agir como um homem deve agir, nem ciência tão árdua como saber viver esta vida. E de nossas doenças, a mais selvagem é desprezar nosso ser."

- Montaigne, Os Ensaios, Uma Seleção (2010), Liv. III, Cap. XIII, p. 574, Org. M. A. Screech, Trad. Rosa Freire D'aguiar.

Atribuídas

  • "Dai-lhes bons vinhos e eles vos darão boas leis".

- versez-leur du bon vin, ils feront de bonnes lois.
- Montaigne citado em L'Événement du jeudi - Edições 309-312 - Página 14, S.A. L'Evénement du jeudi, 1990
  • "O que o teme sofre, sofre já de seu medo".

- Qui craint de souffrir, souffre déjà ce qu'il craint.
- citado em "Dictionnaire universel de la langue française, avec le latin et les étymologies [...]: suivi d'un complément Manuel encyclopédique et de grammaire, d'orthographe, de vieux langage, de néologie" - Página 240, Pierre Claude Victor Boiste - Verdières, 1823 - 924 páginas
  • "Eu sei bem do que eu estou fugindo, mas não o que eu estou buscando".

- je sais bien ce que je fuis, mais non pas ce que je cherche
- Montaigne citado em "Le conservateur", Volume 3 - página 182, François-René de Chateaubriand, Editora Le Normant fils, 1819

  • "Os homens tendem a acreditar, sobretudo, naquilo que menos compreendem".
  • "Não me encontro onde procuro, mas de repente, quando menos espero".
  • "Apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. Por isso, aquele que quebra a sua palavra atraiçoa toda a sociedade humana".
  • "Nós podemos chegar a ser cultos com conhecimento de outros homens, mas nós não podemos ser sábios com sabedoria de outros homens".
  • "Eu não recolhi um ramo de flores de outros homens, mas a linha que os liga é meu própria".
  • "A menos que um homem sente que tem uma memória bastante boa, ele nunca deve arriscar-se encontrar-se."
  • "Eu entendo que os prazeres devem ser evitados se as dores forem a grande conseqüência, mas se as dores forem cobiçadas, elas terminarão em prazeres mais grandes".
  • "É uma presunção perigosa e fútil, além de uma absurda temeridade, ter desprezo pelo que nós não compreendemos".
  • "O que sou eu sou para mim mesmo importa mais do que eu significo para os outros".
  • "Só os loucos têm certeza e não mudam de opinião."
  • "Os príncipes me dão muito quando não me tiram nada e me fazem bem bastante quando não me fazem mal; é tudo o que lhes peço."
  • "O lucro de um é prejuízo de outro".
  • "Quando me fosse possível tornar-me temido, preferiria fazer-me amar."
  • "A arte mascara e oculta."
  • "Belas almas são as universais, abertas e prontas para tudo."
  • "Amai vosso amigo como se tivésseis que vir a odiá-lo."
  • "Mesmo quando não devo seguir o caminho reto porque é reto, opto por segui-lo porque descobri por experiência própria que, quando tudo é dito e feito, em geral é o caminho mais feliz e mais útil."
  • "Quem aplica um castigo quando está irritado, não corrige, vinga-se."
  • "Os homens têm tal apego à própria miserável vida que aceitam as mais duras condições para conservá-la."
  • "Existem derrotas mais triunfantes que as vitórias.
  • "Nenhum governo está isento de legislar asneiras. O problema é quando tais asneiras são levadas a sério."
  • "Os folguedos das crianças não são folguedos. Pelo contrário, é preciso julgá-los como ações mais sérias."
  • "Os homens tendem a acreditar, sobretudo, naquilo que menos compreendem."
  • "O homem não é tão ferido pelo que acontece, e sim por sua opinião sobre o que acontece."
  • "O comer é um dos quatro escopos da vida humana: mas quais sejam os outros três nunca o pude saber."
  • "A sabedoria é uma construção sólida e única, na qual cada parte tem seu lugar e deixa sua marca."
  • "Tenho mais empenho em forjar a minha alma do que mobiliá-la."
  • "Não me encontro onde procuro, mas de repente, quando menos espero."
  • "O rigor das mulheres amadas é aborrecido; mas a liberdade e a fraqueza são, em verdade, ainda mais enfadonhas."
  • "Se o mal-estar precedesse a embriaguez, nós nos guardaríamos de beber em excesso. Mas o prazer, para enganar-nos, vai na frente e nos oculta seu séquito".
  • "Apenas pelas palavras o ser humano alcança a compreensão mútua. Por isso, aquele que quebra sua palavra atraiçoa toda sociedade humana."
  • "O inverso da verdade tem dez mil formas e um campo ilimitado."
  • "Os homens só consideram útil o que oferece dificuldade. A facilidade enche-os de suspeitas."


Obras em Português

  • Ensaios, São Paulo: Martins Fontes, 2000/2001, trad. Rosemary Costhek Abílio. Em três volumes.
  • Ensaios, madri: Abril Cultural, 1942, tradução de Sérgio Milliet, publicada também pela Editora da UnB/Hucitec, 2. ed. 1987.
  • Ensaios, Michel de Montaigne, vols. 1 e 2, coleção Os Pensadores, Ed. Nova Cultural
  • A Educação das Crianças, Michel de Montaigne, Ed. Martins Fontes.

Livros e artigos em português sobre Montaigne

  • Saul Frampton, Rio de Janeiro, Ed Difel, 2013, Quando brinco com minha gata, como sei que ela não está brincando comigo?, Montaigne e o estar em contato com a vida,l, trad. Marina Slade.
  • Newton Bignotto, Montaigne Renascentista. Kriterion, Rev. do Departamento de Filosofia da UFMG, Belo Horizonte, XXXIII, 86, ago/dez, 1992, p.29-41.
  • Peter Burke. Montaigne, São Paulo: Edições Loyola, 2006, trad. Jaimir Conte.
  • R. W. Emerson, Homens Representativos. Trad. Alfredo Gomes. Rio de Janeiro, Tecnoprint, 1967.
  • Luiz Antonio Alves Eva, O Fideísmo cético de Montaigne, Kriterion, Belo Horizonte, ano 33, n. 86, 8/12, 1992, p.42-59.
  • Luiz Antonio Alves Eva, A vaidade de Montaigne. In: Discurso, 23, 1994, p.25-52.
  • Luiz Antonio Alves Eva, A Vaidade de Montaigne. Discurso editorial: São Paulo, 2003.
  • Luiz Antonio Alves Eva, Montaigne contra a vaidade: um estudo sobre o ceticismo na Apologia de Raimond Sebond, São Paulo: Humanitas, 2004.
  • Luiz Antonio Alves Eva, A figura do filósofo: ceticismo e subjetividade em Montaigne, São Paulo: Edições Loyola, 2007.
  • Jean Lacouture, Montaigne a Cavalo, Rio de Janeiro: Record, Trad. F. Rangel, 1998.
  • Jean Starobinski, Montaigne em Movimento, São Paulo: Companhia das Letras, Trad. Maria Lúcia Machado, 1993.
  • Luiz Costa Lima, Limites da Voz: Montaigne, Schlegel. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.
  • Marcelo Coelho, Montaigne. São Paulo. Publifolha, 2001. (Col. Folha Explica).
  • Pierre Moreau, O homem e a obra’. In Ensaios de Montaigne, Brasília, UnB/Hucitec, 2. ed. 1987, Vol. I, p.3-93.
  • P. J. Smith. Ceticismo Filosófico. São Paulo/Curitiba: EPU/Editora da UFPR, 2000.
  • PierreVilley, Os Ensaios de Montaigne, In: Ensaios de Montaigne, Brasília. UnB/Hucitec, 2. ed. 1987, vol. II, p.3-90.
  • MauriceWeiler. Para conhecer o pensamento de Montaigne, In Ensaios de Montaigne, UnB/Hucitec, Brasília, 2. ed. Vol. III, 1987, p.3-135.
  • Luiz Guilherme Marques, "Reflexões de Montaigne para a Vida Diária I", Rio de Janeiro: Editora AMCGuedes, 2011.
  • Luiz Guilherme Marques, "Reflexões de Montaigne para a Vida Diária II", Rio de Janeiro: Editora AMCGuedes, 2011.
  • Luiz Guilherme Marques, "Reflexões de Montaigne para a Vida Diária III", Rio de Janeiro: Editora AMCGuedes, 2011.

 

Referências

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