domingo, 5 de outubro de 2014

Biografia de Jonathan Swift


Jonathan Swift, por Charles Jervas.
Jonathan Swift. Escritor irlandês. Nasceu em Dublin, a 30 de Novembro de 1667, e faleceu, também em Dublin, 19 de Outubro de 1745. *Foi secretário de Sir William Temple, que o educou. Ordenando-se pastor, quando da morte do seu protetor (1699), veio a ser, graças a Lord Berkeley, titular da Paróquia de Laracov, no Condado de Meath. Deão de Saint Patrick, em Dublin, morreu após uma longa enfermidade de dez anos. Deixou numerosos escritos, “todos anônimos ou pseudônimos, menos um. Todos tratam de matéria política, religiosa ou social; são sátiras engenhosas, virulentas, pessimistas e cínicas”. Notabilizou-se, contudo, com sua obra-prima, “As Viagens de Gulliver”, publicada em 1726, sátira implacável não só da sociedade inglesa do seu tempo, mas de todo o mundo civilizado.





Biografia e trajetória



Busto em St Patrick's Cathedral.
(Imagem: Wknight94).
Órfão de pai, com um ano de idade, é levado secretamente por sua ama para a Inglaterra e, após dois anos em solo inglês, volta para a Irlanda em virtude dos problemas políticos que ocorriam no país. É entregue então ao seu tio Godwin que o manda estudar na escola Kilkenny, em Dublin em 1673. O tio ensina-lhe boas maneiras, mas não lhe dá amor e carinho, limitando-se a medicá-lo quando tinha crises de surdez, mal que o ameaçou pelo resto da vida. Em 1681 Swift matricula-se no Trinity College de Dublin, onde só se distingue pelas punições. Em 1688 recebe o diploma da congregação e, com a morte de seu tio neste mesmo ano, Swift vai para Leicester viver junto de sua mãe. Como ela não dispunha de muito dinheiro para ajudá-lo, é obrigado a procurar um emprego e sustentar-se. Em 1689 vai para Moor Park, Surrey (Inglaterra), e torna-se secretário de Sir William Temple (1628-1699), estadista e escritor de grande prestígio. Swift amadurece intelectualmente entre os livros de Temple e conhece uma menina de oito anos chamada Esther Johnson que, segundo diziam, era filha de William Temple com uma ama da casa. Swift chama-a carinhosamente de Stella e lhe dedica alguns de seus mais belos poemas. A diferença de idade entre os dois não serviu de barreiras para que desabrochasse um grande afeto entre eles. A presença de Stella era um bálsamo para Swift, mas não o suficiente para retê-lo como empregado de Sir Temple. Swift tinha ambições e compreendia que, para realizá-las, precisava de um diploma. Em 1693 doutorou-se em Teologia pela Universidade de Oxford e, em 1695, assume o posto de Cônego em Kilbroot, na Irlanda. Ainda em 1695 volta para Moor Place e encontra Sir Temple escrevendo um panfleto altamente conservador sobre a “Batalha dos Livros”, pelo qual foi muito atacado. Swift, promovido por ele a secretário, viu-se obrigado a defendê-lo e redigiu em 1697 A Batalha dos Livros. Por trás da defesa ironizava sutilmente tanto os conservadores quanto os liberais. Com a morte de Sir Temple em 1699, Swift, desempregado, pleiteia o cargo de deão (coordenador de um grupo de párocos) de Serry, mas as autoridades eclesiásticas consideravam o posto elevado demais para um pastor tão jovem e o nomeiam Cônego de Dublin, na Irlanda. A nomeação não lhe agradou muito, mas Swift não teve alternativa senão aceitá-la. Pede então que Stella vá viver ali perto. A proximidade da menina dá-lhe ânimo para continuar escrevendo e em 1701 publica anonimamente o “Discurso sobre as Dissensões entre os Nobres e Comuns em Atenas e Roma”. Nessa obra, a alusão aos partidos ingleses é clara, como também é nítida a sua posição ao lado dos Whigs (liberais). Por isso, Tories (conservadores) passam a atacá-lo. No entanto, passa a ser admirado por estadistas como John Somers (1651-1716) e George Halifax (1633-1695), de elevado prestígio junto ao governo. Vislumbrando a possibilidade de ascender-se na Igreja anglicana e com ajuda dos políticos, Swift começa a viajar frequentemente para Londres. Consegue então editores para “A Batalha dos Livros” e “O Conto de Tonel”. Além disso, apoiado por escritores satíricos Alexander Pope (1688-1744), Richard Steele (1672-1729) e Joseph Addison (1672-1719), ganha popularidade. Em 1708 escreve um panfleto para desmascarar o astrólogo John Partridge (1644-1714), tido por ele como charlatão. Sob o pseudônimo de Isaac Bickestaff profetizava, no estilo de adivinho, a morte de Patridge. A luta entre os dois acirra-se em 1709 e Swift escreve o artigo “A Vingança de Isaac Bickertaff”, na qual resume satiricamente a disputa. A ambição e as amizades fazem com que Swift permaneça em Londres, mas, sempre pensando em Stella, lhe escreve numerosas cartas. Em seu “Diário”, falava de tudo: de encontros com aristocratas e políticos; das impressões suscitadas; das intrigas da corte; do fumo do Brasil; da invasão do Rio de Janeiro pelos franceses (1710); dos sonhos; das aversões, etc. Ao falar de assuntos íntimos, se expressa numa linguagem cifrada, compreensível somente para ele e Stella; mais tarde, essa experiência deu frutos em “Viagens de Gulliver”. Em 1713 torna-se deão da catedral de Saint Patrick em Dublin. Sua acolhida nesse local foi fria, pois desconfiavam que suas atividades políticas não eram compatíveis com as funções religiosas. Ao saber de seus problemas, Stella vai juntar-se a ele em Dublin. Pouco depois outra mulher o procura: ela é Esther Vamhomrigh, filha de um rico mercador alemão. Swift dedicou a ela o poema “Cadenus e Vanessa” em 1726. Vanessa fica sabendo da sua ligação com Stella e, não suportando a hipótese de amá-lo só no espírito sufocando os ímpetos da carne, escreve à rival uma carta falando de seus laços com Swift. Furioso, Swift procura Vanessa e, sem dizer nem uma palavra, atira-lhe aos pés uma carta de despedida. Nunca mais a viu. Semanas depois a moça morreu de tristeza. 

Máscara mortuária de Swift.
(Imagem: Daniel Hass).
Em 1725 começa escrever “Viagens de Gulliver” onde pretendia agredir o mundo, não diverti-lo. A Enciclopédia Barsa assim se refere a essa obra. Em 1728 Stella morre de um mal desconhecido. No ano de 1731 Swift faz da sua própria morte um objeto da sátira ao escrever um poema sobre a morte do Dr. Swift. Sua última obra foi escrita em 1738, um ensaio destinado a despojar a conversação inglesa das banalidades e incorreções que o levam ao ridículo. Com o título de “A Conversação Polida” a qual representava o resultado de vinte anos de observação e pesquisa. Em 19 de Outubro de 1745 Jonathan Swift, surdo e louco, morre em Dublin. Ele é enterrado na Catedral de São Patrício. Em sua lápide, o epitáfio em latim, escrito por ele mesmo: “Aqui jaz o corpo de Jonathan Swift, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue, passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade”.


 

Obra


  • História de um Tonel (1704) Sátira em prosa.
  • A Batalha dos Livros (1704) Sátira em prosa.
  • Argumento contra a Abolição do Cristianismo (1708) Panfleto.
  • Diário para Stella (1710-1713) Cartas.
  • The Conduct of the Allies (1711) Panfleto político.
  • As Viagens de Gulliver (1726) Romance.
  • Modesta Proposição (1729) Sátira política.
  • A Conversação Polida (1738) Resultado de 20 anos de pesquisa.
  • Versos sobre a Morte do Doutor Swift (1739) Poema.




As Viagens de Gulliver (obra)



Primeira edição de Viagens de Gulliver.
Gulliver's Travels (1726, alterado em 1735), oficialmente Travels into Several Remote Nations of the World. In Four Parts. By Lemuel Gulliver, First a Surgeon, and then a Captain of Several Ships e traduzido para o português como “As Viagens de Gulliver”, é um romance satírico de Jonathan Swift. É o trabalho mais conhecido de Swift, e também um clássico da literatura inglesa.



Resumo

A narrativa inicia-se com o naufrágio do navio onde Gulliver seguia. Após o naufrágio ele foi arrastado para uma ilha chamada Lilliput. Os habitantes desta ilha, que eram extremamente pequenos, estavam constantemente em guerra por futilidades. Foi através dos lilliputianos que Swift demonstrou a realidade inglesa e francesa da época. Na segunda parte, Gulliver conheceu Brobdingnag. Em contraposição a Liliput, na terra de Gigantes é que Gulliver percebe a Dimensão da mediocridade da sociedade inglesa diante da “grandeza” dos habitantes. Já na terceira parte, na ilha flutuante de Laputa, Swift criticou a Royal Society, a administração inglesa na Irlanda e a imortalidade, através da descrição dos habitantes dos países por onde Gulliver passou, com alienados cientistas, é uma feroz crítica ao pensamento cientifico que não traz benefícios para a humanidade. Na última viagem Gulliver encontrou os Houyhnhm, uma raça de cavalos que possuía muita inteligência, que representavam os ideais iluministas da verdade e da razão. Os Houyhnhm temiam que alguém dos yahoos (uma raça imperfeita de um tipo de “humanos”) movidas por instintos primitivos, se tornasse culto, satirizando a raça humana. Gulliver vê a humanidade como yahoos e toma nojo do ser humano. Por fim Gulliver regressou a Inglaterra para ensinar aos outros as virtudes que aprendera com os Houyhnhm.



Filme, Televisão e Rádio


Gulliver's Travels foi adaptado várias vezes para filmes, televisão e rádio:

  • Le Voyage de Gulliver à Lilliput et chez les géants: Um curta mudo francês, dirigido por Georges Méliès.

  • Gulliver's Travels (1939): produzido pela Fleischer Studios e Paramount Pictures. Com a expiração de seus direitos autorais, este filme entrou em domínio público e pode ser descarregado a partir do Prelinger Archive.

  • The Three Worlds of Gulliver (1960).

  • The Adventures of Gulliver (1968): Série animada dirigida por William Hanna e Joseph Barbera.

  • Gulliver's Travels (1977).

  • Gulliver's Travels (1979): Desenho animado feito na Austrália.

  • Gulliver in Lilliput (1982): Minissérie de televisão estrelada por Frank Finlay e Elisabeth Sladen.

  • Gulliver's Travels (1992): Série de televisão animada.

  • Gulliver's Travels (1996): Minissérie de televisão estrelada por Ted Danson e Mary Steenburgen.

  • Gulliver's Travels (1999): Drama de rádio das aventuras de Gulliver em Lilliput, produzida pela série Radio Tales para a National Public Radio.

  • Albhutha Dweepu (2005): Um filme malasiano baseado nas viagens de Gulliver, estrelando Prithviraj e Mallika Kapoor.

  • Gulliver's Travels (2010) Versão planejada para as aventuras de Gulliver em Lilliput, estrelando Jack Black, Billy Connolly, James Corden, Amanda Peet, Chris O'Dowd.




Citações


  • Nada há de constante neste mundo, exceto a inconstância”.

- "Modesta Proposta‎" - página 57, de Jonathan Swift, UNESP, 2002, ISBN 8571395977, 9788571395978.

  • No homem, o desejo gera o amor; na mulher o amor gera o desejo”.

- in men, desire begets love, and in women, love begets desire.
- citando Fitzharding, em carta de 28 de outubro de 1712 in "The works of Jonathan Swift: containing additional letters, tracts, and poems not hitherto published; with notes, and a life of the author"‎ - Volume 3, Página 61, Jonathan Swift, Sir Walter Scott - Printed for Archibald Constable and co., 1824.

  • Muitos poucos são os que vivem no presente: a maioria se preocupa para viver mais tarde”.

- citado em "Tesouro de pensamentos‎" - Página 240, I. Costa Cotrim - Edições de Ouro, 1968 - 255 páginas.

  • Nós temos a religião suficiente para nos odiarmos, mas não a que baste para nos amarmos uns aos outros”.

- We have just enough religion to make us hate, but not enough to make us love, one another.
- "Miscellanies, by dr. Swift, dr. Arbuthnot, mr. Pope, and mr. Gay‎" - Página 257, Jonathan Swift, Alexander Pope - 1742, 4a. ed.

  • Leis são como teias de aranha: boas para capturar mosquitos, mas os insetos maiores rompem sua trama e escapam”.

- Laws are like Cobwebs which may catch small Flies, but let Wasps and Hornets break through.
- "Miscellanies in prose and verse" - página 257, Jonathan Swift, Printed for John Morphew, 1711, 416 páginas.

  • Quando um verdadeiro gênio aparece no mundo é logo reconhecido por este sinal: os tolos ligam-se todos contra ele”.

- When a true genius appears in the world, you may know him by this sign, that the dunces are all in confederacy against him.
-Miscellanies [by J. Swift and others]. Vol.1-[3, called the last vol.]. - Página 296, Jonathan Swift – 1731.



Jonathan Swift

Um comentário:

  1. Caro Eziel.
    Como é rica esta biografia e, exatamente por isso, extremamente interessante. Não há pontos do seu texto a salientar. Todos são salientes. Só o ouvido acostumado poderá ouvir a profundidade da vida deste grande Autor.
    Deixo-lhe um grande abraço e os parabéns pelo excelente trabalho, Eziel!

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