quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Curupira (mitologia)


Curupira
Curupira ou Currupira é uma figura do folclore brasileiro. Ele é uma entidade das matas, um moleque de cabelos compridos e vermelhos, cuja característica principal são os pés virados para trás. *É o protetor das árvores e da caça, senhor dos animais que habitam a floresta. Antes das grandes tempestades percorre a floresta percutindo os troncos das árvores a fim de se assegurar da sua resistência. Personifica o rumor da floresta e as incertezas de quem se aventura mata adentro. Não é um gênio bom, é antes enganador e mesmo assassino: os seus pés virados deixam falsos rastros no chão, iludindo os perseguidores. Engana viajantes e caçadores, transviando-os dentro da mata com assobios e sinais falsos. É chamado por Marcgrave de numem mendatium - “gênio da mentira”. Pode, contudo, ter contatos amistosos com alguns caçadores, dando-lhes armas e transmitindo certos segredos que, quando revelados, são fatalmente punidos. Isto é feito em troca de comida. O curupira se apresenta como um dos mitos mais antigos no Brasil. Anchieta a ele se refere em carta de 30 de Maio de 1560, escrita de São Vicente, São Paulo. “É coisa sabida e pela boca de todos corre que há certos demônios a quem os brasis chamam Corupira, que acometem aos índios muitas vezes, no mato, dão-lhes de açoites, machucam-nos e matam-nos. São testemunhas disto alguns dos nossos irmão que viram, algumas vezes, os mortos por eles. Por isto, costumam os índios deixar em certo caminho, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras coisas semelhantes, como uma espécie de oblação, rogando fervorosamente aos curupiras que não lhes façam mal”. É um dos poucos casos de oferenda propiciatória que se verifica entre os índios brasileiros. A criação de mito semelhante se verifica em quase todas as culturas antigas. O curupira se assemelha em suas atribuições à bela Diana dos romanos e à caçadora Ártemis dos gregos, protetoras dos bosques e da caça.
 

Etimologia


"Curupira" e "currupira" procedem do tupi kuru'pir, que significa "o coberto de pústulas". Segundo Stradelli, procedem de curu, contração de corumi, "menino", e pira, "corpo", significando, então, "corpo de menino".


História


José de Anchieta
Um dos mais populares e espantosos entes fantásticos das matas brasileiras. O curupira é representado por um anão, cabeleira rubra, pés ao inverso, calcanhares para a frente. A mais antiga menção de seu nome fê-la o venerável José de Anchieta, em São Vicente, em 30 de Maio de 1560: “É coisa sabida e pela boca de todos corre que há certos demônios e que os brasis chamam Curupira, que acometem aos índios muitas vezes no mato, dão-lhe açoites, machucam-nos e matam-nos. São testemunhos disso os nossos irmãos, que viram algumas vezes os mortos por eles. Por isso, costumam os índios deixar em certo caminho, que por ásperas brenhas vai ter ao interior das terras, no cume da mais alta montanha, quando por cá passam, penas de aves, abanadores, flechas e outras coisas semelhantes, como uma espécie de oferenda, rogando fervorosamente aos Curupiras que não lhes façam mal”. Nenhum outro fantasma brasileiro colonial determinou oferenda propiciatória. Demônio da floresta, explicador dos rumores misteriosos, do desaparecimento de caçadores, do esquecimento de caminhos, de pavores súbitos, inexplicáveis, foi lentamente o Curupira recebendo atributos e formas físicas que pertenciam a outros entes ameaçadores e perdidos na antiguidade clássica. Sempre com os pés voltados para trás e de prodigiosa força física, engana caçadores e viajantes, fazendo-os perder o rumo certo, transviando-os dentro da floresta, com assobios e sinais falsos. Do Maranhão para o sul até o Espírito Santo, o seu apelido constante é Caipora. Eduardo Galvão informa: “Curupira é um gênio da floresta. Na cidade ou nas capoeiras de sua vizinhança imediata não existem currupiras. Habitam mais para longe, muito dentro da mata. A gente da cidade acredita em sua existência, mas ela não é motivo de preocupação porque os currupiras não gostam de locais muito habitados. Gostam imensamente de fumo e de pinga. Seringueiros e roceiros deixam esses presentes nas trilhas que atravessam, de modo a agradá-los ou pelo menos distraí-los. Na mata, os gritos longos e estridentes dos Currupiras são muitas vezes ouvidos pelo caboclo. Também imitam a voz humana, num grito de chamada, para atrair vítimas. O inocente que ouve os gritos e não se apercebe que é um Currupira e dele se aproxima perde inteiramente a noção de rumo”. O estado de São Paulo, pela lei de 11 de Setembro de 1970, assinada pelo governador Roberto Costa de Abreu Sodré, “institui o Curupira como símbolo estadual do guardião das florestas e dos animais que nela vivem”. No município de Olímpia, nesse estado, por mais trinta anos consecutivos não são assinados quaisquer documentos oficiais durante a semana em que ocorre o Festival de Folclore, no mês de agosto, período em que a autoridade municipal é representada pelo Curupira, que exerce o seu poder protegendo a população local e os visitantes que ali comparecem, pássaros, matas, etc. No Horto Florestal da capital paulista há um monumento ao Curupira, inaugurado no Dia da Árvore, 21 de Setembro.

Referências


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