quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Butroto (Albânia).


Butroto - Albânia (imagem: Kevinalbania).
Butroto. (em albanês: Butrint ou Butrinti; em grego clássico: Βουθρωτόν; transl.: Bouthrōtón ou em grego: Βουθρώτιος; transl.: Bouthrōtio; em latim: Buthrotum) foi uma cidade da Grécia Antiga, posteriormente romana, e é atualmente um sítio arqueológico na Albânia, perto da fronteira grega. Inicialmente uma localidade ilíria na antiga região do Épiro, foi conquistada pela República Romana no ano 167 a.C. Passou mais tarde para o Império Bizantino e para a República debutroto Veneza, antes de ser abandonado no final da Idade Média. As ruínas, escavadas após a Segunda Guerra Mundial, incluem um anfiteatro, banhos públicos romanos, uma capela do século V, uma basílica do século VI, uma porta da cidade (chamada "Porta do Leão"), e um castelo medieval veneziano do século XIV, hoje usado como museu. Butroto é acessível a partir de Saranda (Sarandë) por uma estrada construída em 1959 aquando da visita do líder soviético Nikita Khrushchov. Está a tornar-se cada vez mais popular como passeio de um dia para turistas vindos da ilha grega de Corfu.

Localização

A cidade está localizada na costa meridional albanesa, em uma península entre uma lagoa (Lago de Butroto) e o Mar Jônico, em frente à ilha de Corfu. A cidade albanesa mais próxima é Sarandë.

Turismo

Butroto é facilmente acessível a partir da vizinha ilha grega de Corfu, que possui uma longa tradição turística. Nos últimos anos tornou-se habitual a realização de excursões de um dia entre Corfu e Butroto. A viagem pode ser feita em hydrofoil (30 minutos) ou ferry (90 minutos), que une Corfu com a cidade albanesa de Saranda. Butroto também é acessível a partir de Saranda através da estrada construída em 1959. Existe uma linha regular de ônibus que liga o porto de Saranda com Butroto. Em 2005, estima-se que cerca de 55.000 turistas visitaram Butroto.
Butroto (imagem: Joonas Lytinen).

Origem mitológica

Segundo a “Eneida” de Virgílio, Butroto foi uma cidade fundada pelo príncipe troiano Heleno, filho do rei Príamo, irmão de Páris e Heitor e irmão gêmeo de Cassandra. Heleno haveria fugido da Guerra de Troia para o oeste, instalando-se na região de Épiro e fundando Butroto. Seguindo o relato de Virgílio, o herói troiano Eneas (ou Eneias), fugindo da destruição de Troia, buscou refúgio em Butroto, onde se encontrou com seu compatriota Heleno, que casado com Andrômaca reinava sobre o Épiro. Eneas abandonaria posteriormente Butroto e prosseguiria sua viagem, encontrando finalmente asilo na região italiana do Lácio, onde seus descendentes fundariam a cidade de Roma. O historiador Dionísio de Halicarnasso também conta da visita do herói troiano à cidade de Butroto após sua fuga da devastada Troia. Outra versão da lenda atribui à Eneas a fundação da cidade. Eneas se deteve em seu caminho, próximo à Corfu e decidiu fazer uma oferenda aos deuses para agradecer-lhes a sua fuga bem sucedida de Troia. Tentou sacrificar um touro, mas após lançá-lo este saltou ao mar, atravessou uma lagoa nadando e morreu do outro lado da margem. Isto foi entendido como um sinal dos deuses para que fosse fundada uma cidade naquele lugar. A cidade ali fundada recebeu o nome de Butroto, que significaria algo parecido como o touro ferido.


História

As primeiras evidências arqueológicas de Butroto remontam à época entre os séculos VIII e X a.C. Butroto nasceu como uma vila ligada à vizinha colônia grega de Córcira (Corfu), fundada por volta da mesma época da ilha situada à sua frente. Os restos arqueológicos mais antigos da cidade remontam ao século VIII a.C. Originalmente Butroto seria um assentamento rural dedicado ao abastecimento de alimentos à Corfu. Desde o século VI a.C. Butroto possui uma fortificação e para o século IV a.C. tem crescido em importância, possui um teatro, um santuário dedicado à Esculápio e uma ágora. A população original de Butroto era formada por epirotas. Há certa controvérsia sobre se originalmente os epirotas eram um povo de estirpe ilíria (possivelmente aparentados com os modernos albaneses) ou se eram um povo relacionado com os gregos. Esta controvérsia é sustentada atualmente pelas disputas nacionais entre albaneses e gregos, já que a antiga região do Épiro está atualmente dividida entre estas duas nações. De qualquer forma, devido a sua proximidade com a Grécia e pela instalação de colônias gregas na região (como no caso de Corfu), com o passar dos séculos Épiro foi assimilado culturalmente de forma parcial pela Grécia, tal como ocorreu com a Macedônia. Butroto não foi contrário à este processo e pode ser considerado uma cidade greco-epirota, culturalmente mestiça. No século IV Butroto era a principal cidade no território da tribo dos caônios, uma das três grandes tribos em que se dividiam os epirotas na Antiguidade. Por isso, então, era a cidade líder da dita confederação tribal. Posteriormente fez parte do Reino de Épiro e durante o reinado de Alexandre I de Épiro (350-331 a.C.), quem estabeleceu sua capital em Butroto. Após o declínio do reino epirota, no ano 228 a.C., Butroto tornou-se protetorado romano, junto com a vizinha ilha de Corfu. O domínio romano aumentou a partir de 167 a.C. quando a cidade foi anexada definitivamente à Roma. Durante o século seguinte, Butroto passou a fazer parte da província romana de Ilírico. No ano 49 a.C. Júlio César (Caius ou Gaius Iulius Caesar) visitou a cidade durante sua campanha contra Pompeu (Cnaeus Pompeius Magnus) e posteriormente a designou como colônia para os soldados veteranos que venceram aos pompeianos na Batalha de Farsalos. O escritor romano Tito Pompónio Ático havia construído uma casa requintada chamada Villa Amaltea nas cercanias de Butroto.

Galeria de imagens (click nas imagens para ampliar).
(Imagem: Elias Bizannes).

(Imagem: Elias Bizannes).


(Imagem: Elias Bizannes).

(Imagem: Elias Bizannes).



Graças à intercessão de Tito Pomponio frente à seu amigo Cícero (Marcus Tullius Cicero), este logrou suspender no Senado os planos de Júlio César de tornar Butroto em uma colônia militar. Finalmente se estabeleceram na cidade apenas alguns veteranos. No ano 31 a.C., o imperador Augusto (Gaius Iulius Caesar Octavianus Augustus) restabeleceu o velho plano de Júlio César em tornar Butroto em uma colônia de veteranos. Chegaram à cidade novos residentes, na sua maioria veteranos da Batalha de Áccio na qual Augusto havia vencido os seus rivais Marco Antônio e Cleópatra. A cidade se expandiu e surgiram novas construções, como um aqueduto, banhos romanos, um fórum e um ninfeu. As muralhas da clássica Butroto cercavam uma superfície de 16 hectares. No século III, um terremoto destruiu grande parte da cidade, arrasando os edifícios dos subúrbios na planície de Vrina e os do fórum do centro da cidade. Escavações têm revelado que a cidade já estava em declínio até então, e estava se tornando num centro manufatureiro. No entanto, o assentamento sobreviveu durante a Antiguidade Tardia, tornando-se em um dos principais portos da província do Antigo Épiro. A cidade da antiguidade tardia inclui o grande Palacio de Triconch, a casa de um notável local que foi construída em 425. A divisão do Império deixou Butroto no Império romano do Oriente. No início do século VI, Butroto viveu uma nova idade de ouro ao tornar-se uma sede episcopal. Realizaram-se novas construções, como um grande batistério, um dos maiores batistérios paleocristão e uma basílica. O imperador Justiniano I reforçou as muralhas da cidade. Isso não evitou, no entanto, que no ano 550 os ostrogodos do rei Totila saqueassem a cidade.
(Imagem: wstuppert).

(Imagem: Images by Gina).



(Imagem: PawełMM).



As escavações arqueológicas mostram que a cidade importava bens de luxo, vinho e azeite do Mediterrâneo Oriental; e que este comércio continuou até os primeiros anos do século VII, quando o Império bizantino perdeu o controle sobre a área. Durante os séculos VI e VII, seguindo um padrão comum a outras cidades da região dos Bálcãs, Butroto diminuiu de tamanho e tornou-se pouco mais do que um pequeno posto fortificado. As incursões de tribos eslavas e búlgaras nos séculos seguintes deixaram a cidade momentaneamente sob o seu poder. No século IX, o Império bizantino recuperou o controle de Butroto. Os normandos do sul da Itália tentaram várias vezes obter o controle da cidadela ao longo do século XI. Em 1204, o Império Bizantino sucumbiu ante a Quarta Cruzada e Butroto passou a ser controlado por um dos estados sucessores, o Despotado de Épiro (Principado do Épiro). Nos séculos seguintes foi motivo de disputas entre bizantinos, os angevinos do Sul da Itália e os venezianos, trocando a cidade de mãos por várias vezes. No ano de 1267, Carlos I de Anjou (Carlos I da Sicília) assumiu o controle sobre Butroto e Corfu, renovando as muralhas e a basílica. A República de Veneza comprou a área a los angevinos em 1386, mas os venezianos estavam mais interessados em Corfu, de tal maneira que Butroto foi deixada de lado e seguiu sua decadência que passou a ser definitiva. Em 1490, os venezianos construíram uma torre e um pequeno forte, últimas construções de certa relevância em Butroto, para proteger um dos flancos do Estreito de Corfu e permitir a navegação de seus barcos. No entanto, além daquele forte, a área de Butroto já estava praticamente desabitada. O carácter pantanoso da área e a malária mantiveram a população distante do local nos séculos posteriores. Os venezianos mantiveram o controle do Castelo de Butroto de forma intermitente até 1797, já que durante certos períodos este esteve em poder do Império Otomano, que durante séculos controlava a região circundante do Épiro. Em 1797, Butroto passou a ser controlada pela França, quando Veneza a cedeu à Napoleão Bonaparte como parte do Tratado de Campoformio. Em 1799, o governador otomano local, Ali Pasha Tepelena conquistou-a novamente e construiu uma pequena fortificação da qual se conservam ainda algumas ruínas. Em 1912, Butroto passou a fazer parte da Albânia após a independência deste país do Império Otomano. Em 1928, o arqueólogo italiano Luigi Maria Ugolini redescobriu as ruínas de Butroto. Em 1959, por motivo de uma visita do premier soviético Nikita Jrushchov à Albânia, o governo albanês construiu uma estrada de acesso ao sítio arqueológico de Butroto. No ano de 1992 a Unesco declarou as Ruínas da cidade e seus arredores Patrimônio Mundial da Humanidade.

Referências

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