terça-feira, 5 de agosto de 2014

Biografia de Stéphane Mallarmé


Stéphane Mallarmé
Stéphane Mallarmé. (Étienne Mallarmé), Nasceu em Paris, a 18 de Março de 1842, e, faleceu em Valvins, comuna de Vulaines-sur-Seine, Seine-et-Marne, a 9 de Setembro de 1898. Stéphane Mallarmé foi um poeta e crítico literário francês. Autor de uma obra poética ambiciosa e difícil, Mallarmé promoveu uma renovação da poesia na segunda metade do século XIX, e sua influência ainda é sentida nos poetas contemporâneos como Yves Bonnefoy.



O Início



Mallarmé começou a publicar seus poemas na revista O Parnaso Contemporâneo (Le Parnasse contemporain), editada na capital francesa na década de 1860, quando ele se mudou para o interior da França com o objetivo de ensinar inglês nas escolas da região. Dos 21 aos 28 anos o poeta viveu com a família em três cidades: Tournon, Besançon (terra de Victor Hugo) e Avinhão. Anos depois, Mallarmé conheceria os poetas Jean-Nicolas Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. Entre Setembro e Dezembro de 1874, Mallarmé dirigiu e escreveu La Dernière Mode. Gazette du Monde et de la Famille, uma revista feminina. Sob os pseudônimos de Marguerite de Ponty, Miss Satin, Zizy ou Olympe la négresse, entre outros, escrevia sobre moda, culinária e educação de crianças.



A Obra



Retrato de Stéphane Mallarmé
pintado por Édouard Manet
.
Mallarmé se utilizava dos símbolos para expressar a verdade através da sugestão, mais que da narração. Sua poesia e sua prosa se caracterizam pela musicalidade, a experimentação gramatical e um pensamento refinado e repleto de alusões que pode resultar em um texto às vezes obscuro. Seus poemas mais conhecidos são L'après-midi d'un faune (1876), que inspirou Prélude à l'après-midi d'un Faune, do compositor Claude Debussy, e Herodias (1869). Outras obras importantes de Mallarmé são a antologia Verso e Prosa (1893) e o volume de ensaios em prosa Divagações (1897). Mallarmé destacou-se por uma literatura que se mostra ao mesmo tempo lúcida e obscura. É por isso considerado um poeta difícil e hermético. Nas famosas tertúlias literárias, em sua casa, em Paris, rue de Rome, reunia-se a elite intelectual da época para sessões de leitura e conversas sobre arte e literatura. Entre os convidados, André Gide e Oscar Wilde. Seus comentários críticos sobre literatura, arte e música estimularam enormemente os escritores simbolistas franceses, assim como aos artistas e compositores da escola impressionista, que ao final do século XIX desenvolveram uma arte espontânea em oposição ao formalismo da composição. Um Jogo de Dados (Un coup de dés) (1897) é um longo poema de versos livres e tipografia revolucionária que constitui a declaração trágica da impossibilidade de atingir o estabelecido no livro. Também escreveu penetrantes artigos sobre a moda feminina de seu tempo. Mallarmé desempenhou um papel fundamental na evolução da literatura no século XX, especialmente nas tendências futuristas e dadaístas. Está entre os precursores da poesia concreta, ao lado de Guillaume Apollinaire (1880-1918) e do escritor americano Ezra Pound (1885-1972).



A Morte



Stéphane Mallarmé morreu em 1898, em Paris, sem ter chegado a concluir a grande obra de sua vida. A Grande Obra, com letra maiúscula, é um projeto que ele revela em cartas a amigos. Mallarmé pretende atribuir ao poeta a missão de escrever a obra que, por ser a explicação órfica da terra, submeterá ao domínio do espírito humano o acaso, símbolo da imperfeição desse espírito. Três anos antes de sua morte, ele escreve ainda um poema falando deste sonho de constituir uma Grande Obra, no sentido quase que alquímico da palavra - um livro em vários volumes que totalizasse o mistério órfico da terra. Mallarmé morreu angustiado, sem atingir seu objetivo, mas deixou admiradores em todo o mundo e suas obras continuam a ser reeditadas, mais de 100 anos após a sua morte. A Grande Obra, para ele, seria um livro com a estrutura de uma obra arquitetônica, ligada numa espécie de sintonia com o universo. Não significava reunir todos os seus escritos, mas escrever uma nova obra, o que, para a sua grande frustração, morreu sem realizar. Um dia antes de morrer, Mallarmé pressentiu a chegada da morte. Pediu à mulher Marie e à filha Geneviève que queimassem boa parte de seus escritos, como fizeram Franz Kafka e o poeta Virgílio. Ele morreu asfixiado no dia seguinte.



L'après-midi d'un faune (poema)



Stéphane Mallarmé como um fauno,
na revista literária Les hommes d'aujourd'hui.
L'après-midi d'un faune (A tarde de um fauno, ou, como prefere Dante Milano, a sesta de um fauno) é um poema do autor francês Stéphane Mallarmé (a que classificou de écloga), mais conhecido por ser um marco na história do simbolismo na literatura francesa. Paul Valéry considerou-o como o maior poema da literatura da França. Versões iniciais do poema foram escritas entre 1865 (a primeira menção ao poema é feita numa carta escrita por Mellarmé para Henri Cazalis em Junho de 1865) e 1867, e o texto final foi publicado em 1876. Descreve ali as experiências sensuais de um fauno que acaba justamente de acordar após a sesta e discorre sobre seus encontros com várias ninfas durante a manhã, como num monólogo onírico. O poema de Mallarmé serviu de inspiração para a composição para orquestra Prélude à l'après-midi d'un faune, de Claude Debussy e daí para o balé L'après-midi d'un faune de Vaslav Nijinsky; estes dois trabalhos foram de grande significado para o desenvolvimento do modernismo nas artes.


O Poema (excertos)


Toda poesia sofre bastante com a tradução; este poema apresenta especial dificuldade, em parte porque muitas palavras e frases estão cheias de lirismo que perdem sua precisão. A tradução abaixo foi feita pelo professor José Lourenço de Oliveira, em 1959 e "achada ruim", pelo mesmo.


"Estas ninfas quero eu perpetuar. Tão puro, o seu claro rubor, que volteia no duro ar pesando a sopor. Foi um sonho o que amei? Massa de velha noite, essa dúvida,sei, muito ramo subtil estendendo, provava meu engano infeliz, que enganado tomava por triunfo,afinal um pecado de rosas. Reflitamos. (…) Frauta maligna, órgão de fugas, sem ledice, vai, fístula, florir no lago e ali me aguarda. Eu, cheio de rumor altivo, já me tarda falar de deusas; por idólatras pinturas, de suas sombras irei tomar-lhes as cinturas. Assim, quando ao racimo extraio-lhe a substância /sorvo e contra a mágoa apuro a minha vigilância, e rindo soergo no ar o já vazio cacho e, na pele de luz assoprando, eu me acho -ébrio- capaz de então a tarde toda o olhar".

Citações

  • "Um poema é um mistério cuja chave deve ser procurada pelo leitor".


- poème comme un mystère dont le lecteur doit chercher la clef.
- Correspondance‎ - vol. 6, Página 50, de Stéphane Mallarmé, Henri Mondor, Lloyd James Austin - Publicado por Gallimard, 1959



Bibliografia

  • L'Après-midi d'un Faune (1876)
  • Le Vathek de Bekford (1876)
  • Petite Philologie, les Mots Anglais (1878)
  • Les Dieux Antiques (1879)
  • Album de Vers et de Prose (1887)
  • Pages (1891)
  • Oxford, Cambridge, la Musique et les Lettres (1895)
  • Divagations (1897)
  • Un Coup de dés Jamais n'abolira le Hasard (1897)
  • Poésies (1899)
  • Vers de Circonstance (1920)
  • Igitur (1925)
  • Contes Indiens (1927)

 

Traduções Realizadas


    • Le Corbeau de Edgar Allan Poe (1875)
    • L'Étoile des Fées de W. C. Elphinstone Hope (1881)
    • Poèmes de Edgar Allan Poe (1888)
    • Le Ten O'Clock de James Whistler (1888)

 

Referências




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