sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Biografia de Hermann von Ihering

Hermann von Ihering
Hermann von Ihering. (Hermann Friedrich Albrecht von Ihering). Nasceu em Kiel, Alemanha, a 9 de Outubro de 1850, e, faleceu em Gießen, Alemanha, a 24 de Fevereiro de 1930. Hermann von Ihering foi um médico, professor e ornitólogo teuto-brasileiro.

Biografia
É o filho mais velho do jurisfilósofo Caspar Rudolf von Ihering. Aos 18 anos mudou-se para Viena com a família. Ao estourar a guerra de 1870 alistou-se no Regimento de Mosqueteiros de Darmstadt. Formado em medicina pelas Universidades de Berlim e Göttingen, passou a estudar zoologia e geologia, recebendo o título de doutor em 1876. Era professor de zoologia em Leipzig quando veio para o Brasil em 1880, para se dedicar às pesquisas patrocinadas pelo governo imperial. No Brasil casou-se com a jovem viúva Anna Maria Clarz Belzer, com quem teve dois filhos, Clara von Ihering e Rodolpho Theodor Wilhelm Gaspar von Ihering. Residiu inicialmente em Taquara (1880-1883), depois passou por Guaíba (1883-1884). Do Brasil enviou material para diversas pessoas e instituições: aves para o Museu Britânico e para o conde Hans von Berlepsch, ovos para Adolph Nehrkorn e aranhas para o conde Alexander von Keyserling. Além disso praticou medicina e escreveu para um jornal em Porto Alegre. Em 1883 foi nomeado naturalista viajante do Museu Nacional, estacionado no Rio Grande do Sul. Morou em Rio Grande (1884-1885), São Lourenço do Sul (1885) e viveu 7 anos numa ilha na foz do Rio Camaquã, a Ilha do Doutor, onde construiu uma ampla casa que descreveu em suas memórias não-publicadas Lebenserinnerungen. Naturalizado brasileiro em 1885, em 1892 mudou-se para São Paulo a fim de fundar o Museu Paulista, dedicado à história natural, do qual foi diretor por 25 anos. Foi também o criador do Jardim Botânico e autor do livro As Aves do Rio Grande do Sul publicado em 1907 em São Paulo. Afastado do cargo de diretor do museu durante a Primeira Guerra Mundial, por causa de sua origem alemã, retirou-se para Blumenau ou Florianópolis, onde dirigiu um museu por quatro anos. Conhecido e respeitado por cientistas do mundo todo logo recebeu convites de museus e universidades, indo primeiro para o Chile e depois para o Museu de La Plata, na Argentina. Lá lecionou zoologia na Universidade de Córdoba, continuando suas pesquisas de arqueologia e antropologia. Ao retornar à Alemanha, em 1924, a convite da Universidade de Gießen, doou à universidade de Córdoba sua coleção de moluscos fósseis. Ao celebrar seus 70 anos era membro honorário ou correspondente de 30 sociedades e academias, seu nome tinha sido dado a 5 genera e mais de 100 espécies de animais e plantas. Seu filho, Rodolpho von Ihering, seguiu os passos do pai, tendo sido destacado cientista e introdutor da Limnologia no Brasil.


Ihering e a etnografia do Brasil meridional

Ihering publicou também vários estudos antropológicos e arqueológicos, sobretudo sobre o sul do Brasil - um aspecto menos conhecido de sua carreira. Nessa área, Ihering é particularmente lembrado por sua posição polêmica no debate sobre a questão indígena no começo do século XX, chegando a sugerir, sobre os Kaingáng de São Paulo, que seriam "um empecilho para a colonização das regiões do sertão que habitam", não havendo "outro meio, de que se possa lançar mão, senão o seu extermínio".

Referências


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