terça-feira, 5 de agosto de 2014

Biografia de Edgar Allan Poe


Edgar Allan Poe
Edgar Allan Poe. (Edgar Poe). Nasceu em Boston, a 19 de Janeiro de 1809, e, faleceu em Baltimore, a 7 de Outubro de 1849. Edgar Allan Poe foi um autor, poeta, editor e crítico literário americano, fez parte do movimento romântico americano. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores americanos de contos sendo considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido a tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difícil. Ele nasceu como Edgar Poe, em Boston, Massachusetts; quando jovem, ficou órfão de mãe, que morreu pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, de Richmond, Virginia, mas nunca foi formalmente adotado. Ele freqüentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado, depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlane and Other Poems (1827). Poe mudou seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu próprio estilo de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a se mudar para diversas cidades, incluindo Baltimore, Filadélfia e Nova York. Em Baltimore, em 1835, casou-se com Virginia Clemm, sua prima de 13 anos de idade. Em Janeiro de 1845, Poe publicou seu poema The Raven, foi um sucesso instantâneo. Sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planejar a criação de seu próprio jornal, The Penn (posteriormente renomeado para The Stylus), porém morreu antes que pudesse ser produzido. Em 7 de Outubro de 1849, aos 40 anos, Poe morreu em Baltimore; a causa de sua morte é desconhecida e foi por diversas vezes atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças do coração, raiva, suicídio, tuberculose entre outros agentes. Poe e suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. Várias de suas casas são dedicadas como museus atualmente.



História



Elizabeth Arnold Hopkins Poe,
a mãe de Edgar Allan Poe.
Edgar Allan Poe nasceu no seio de uma família escocesa-irlandesa, filho do ator David Poe Jr., que abandonou a família em 1810, e da atriz Elizabeth Arnold Hopkins Poe, que morreu após o nascimento de Rosalie, a irmã mais nova de Poe, em 1811. Depois da morte da mãe, Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, um mercador de tabaco bem sucedido de Richmond, que nunca o adotou legalmente, mas lhe deu o seu sobrenome (muitas vezes erroneamente escrito "Allen"). Depois de frequentar a escola de Misses Duborg em Londres, e a Manor School em Stoke Newington, Poe regressou com a família Allan a Richmond em 1820, e registrou-se na Universidade da Virgínia, em 1826, que viria a frequentar durante um ano apenas. Desta viria a ser expulso graças ao seu estilo aventureiro e boêmio. Na sequência de desentendimentos com o seu padrasto, relacionados com as dívidas de jogo, Poe alistou-se nas forças armadas, sob o nome Edgar A. Perry, em 1827. Nesse mesmo ano, Poe publicou o seu primeiro livro, Tamerlane and Other Poems. Depois de dois anos de serviço militar, acabaria por ser dispensado. Em 1829, a sua madrasta faleceu, ele publicou o seu segundo livro, Al Aaraf, e reconciliou-se com o seu padrasto, que o auxiliou a entrar na Academia Militar de West Point. Em virtude da sua, supostamente propositada, desobediência a ordens, ele acabou por ser expulso desta academia, em 1831, fato pelo qual o seu padrasto o repudiou até a sua morte, em 1834. Poe mudou-se, em seguida, para Baltimore, para a casa da sua tia viúva, Maria Clemm, e da sua filha, Virgínia Clemm. Durante esta época, Poe usou a escrita de ficção como meio de subsistência e, no final de 1835, tornou-se editor do jornal Southern
Virgínia Clemm
Literary Messenger
em Richmond, tendo trabalhado nesta posição até 1837. Neste intervalo de tempo, Poe acabaria por casar, em segredo, com a sua prima Virgínia, de treze anos, em 1836. Em 1837, Poe mudou-se para Nova Iorque, onde passaria quinze meses aparentemente improdutivos, antes de se mudar para Filadélfia, e pouco depois publicar The Narrative of Arthur Gordon Pym. No verão de 1839, tornou-se editor assistente da Burton's Gentleman's Magazine, onde publicou um grande número de artigos, histórias e críticas. Nesse mesmo ano, foi publicada, em dois volumes, a sua coleção Tales of the Grotesque and Arabesque (traduzido para o francês por Charles-Pierre Baudelaire como "Histoires Extraordinaires" e para o português como Histórias Extraordinárias), que, apesar do insucesso financeiro, é apontada como um marco da literatura norte-americana. Durante este período, Virgínia Clemm soube sofrer de tuberculose, que a tornaria inválida e acabaria por levá-la à morte. A doença da mulher acabou por levar Poe ao consumo excessivo de álcool e, algum tempo depois, este deixou a Burton's Gentleman's Magazine para procurar um novo emprego. Regressou a Nova Iorque, onde trabalhou brevemente no Evening Mirror, antes de se tornar editor do Broadway Journal. No início de 1845, foi publicado, no jornal Evening Mirror, o seu popular poema The Raven (em português "O Corvo"). Em 1846, o Broadway Journal faliu, e Poe mudou-se para uma casa no Bronx, hoje conhecida como Poe Cottage e aberta ao público, onde Virgínia morreu no ano seguinte. Cada vez mais instável, após a morte da mulher, Poe tentou cortejar a poeta Sarah Helen Whitman. No entanto, o seu noivado com ela acabaria por falhar, alegadamente em virtude do comportamento errático e alcoólico de Poe, mas bastante provavelmente também devido à intromissão da mãe de Miss Whiteman. Nesta época, segundo ele mesmo relatou, Poe tentou o suicídio por sobredosagem de láudano, e acabou por regressar a Richmond, onde retomou a relação com uma paixão de infância, Sarah Elmira Royster, então já viúva. Diferentemente da maioria dos autores de contos de terror, Poe usa uma espécie de terror psicológico em suas obras, seus personagens oscilam entre a lucidez e a loucura, quase sempre cometendo atos infames ou sofrendo de alguma doença. Seus contos são sempre narrados na primeira pessoa.



Morte



Túmulo de Poe (imagem: KRichter).
No dia 3 de Outubro de 1849, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, com roupas que não eram as suas, em estado de delirium tremens (o delirium tremens - é uma psicose causada pela abstinência e ou suspensão do uso de drogas ou medicamentos freqüentemente associada ao alcoolismo mas que também pode ocorrer devido ao uso prolongado ou abusivo de benzodiazepínicos ou barbitúricos), e levado para o Washington College Hospital, onde veio a morrer apenas quatro dias depois. Poe nunca conseguiu estabelecer um discurso suficientemente coerente, de modo a explicar como tinha chegado à situação na qual foi encontrado. As suas últimas palavras teriam sido, de acordo com determinadas fontes, "Lord, please, help my poor soul", em português, "Senhor, por favor, ajude minha pobre alma". Nunca foram apuradas as causas precisas da morte de Poe, sendo bastante comum, apesar de incomprovada, a ideia de a causa do seu estado ter sido embriaguez. Por outro lado, muitas outras teorias têm sido propostas ao longo dos anos, de entre as quais: diabetes, sífilis, raiva, e doenças cerebrais raras.



Estilo literário e temas

Gêneros

As obras mais conhecidas de Poe são góticas, um gênero que ele seguiu para satisfazer o gosto do público. Seus temas mais recorrentes lidam com questões da morte, incluindo sinais físicos dela, os efeitos da decomposição, interesses por pessoas enterradas vivas, a reanimação dos mortos e o luto. Muitas das suas obras são geralmente consideradas partes do gênero do romantismo sombrio, uma reação literária ao transcendentalismo, do qual Poe fortemente não gostava. Além do horror, Poe também escreveu sátiras, contos de humor e hoaxes. Para efeito cômico, ele usou a ironia e a extravagância do ridículo, muitas vezes na tentativa de liberar o leitor da conformidade cultural. De fato, "Metzengerstein", a primeira história que Poe publicou, e sua primeira incursão em terror, foi originalmente concebida como uma paródia satirizando o gênero popular. Poe também reinventou a ficção científica, respondendo na sua escrita às tecnologias emergentes como balões de ar quente em "The Balloon-Hoax". Poe escreveu muito de seu trabalho usando temas especificamente oferecidos para os gostos do mercado em massa. Para esse fim, sua ficção incluiu muitas vezes elementos da popular pseudociência, como frenologia e fisiognomia.



Teoria literária



A escrita de Poe reflete suas teorias literárias, que ele apresentou em sua crítica e também em peças literárias como "The Poetic Principle". Ele não gostava de didatismo e alegoria, pois acreditava que os significados na literatura deveriam ser uma subcorrente sob a superfície. Trabalhos com significados óbvios, ele escreveu, deixam de ser arte. Acreditava que o trabalho de qualidade deveria ser breve e concentrar-se em um efeito específico e único. Para isso, acreditava que o escritor deveria calcular cuidadosamente todos sentimentos e ideias. Em "The Philosophy of Composition", uma peça na qual Poe descreve seu método de escrita em "The Raven", ele afirma ter seguido estritamente este método. Porém, foi questionado se ele realmente seguiu esse sistema. Thomas Stearns Eliot disse: "É difícil para nós lermos esta peça sem pensar se Poe escreveu seu poema com tanto cálculo, ele poderia ter pego um pouco mais de dores sobre isto: o resultado dificilmente tem crédito ao método". O biógrafo Joseph Wood Krutch descreveu a peça como "um exercício um tanto engenhoso na arte de racionalização".



O Corvo (obra)



O Corvo, por Gustave Doré
The Raven ("O Corvo") é um poema do escritor e poeta norte-americano Edgar Allan Poe. Ele foi publicado pela primeira vez em 29 de Janeiro de 1845, no New York Evening Mirror. É um poema notável por sua musicalidade, língua estilizada e atmosfera sobrenatural provenientes tanto da métrica exata, permeada de rimas internas e jogos fonéticos, quanto do talento singular de Poe, um dos maiores expoentes tanto do romantismo quanto da própria literatura americana. Neste poema, que apresenta uma temática típica do romantismo (ou, mais especificamente, do Ultrarromantismo), a figura do misterioso corvo que pousa sobre o busto de Pallas (ou Atena, na maioria das traduções feitas para o português como a de Fernando Pessoa) representa a inexorabilidade da morte e seu impacto sobre o personagem, o qual, no seu papel de arquétipo correspondente às tendências da geração literária de Poe, lamenta e sofre profundamente com a perda de sua amada Leonora (Lenore, no original). No final do poema, o corvo, o qual representa, como dito acima, a inexorabilidade da morte, repousa sobre o busto de Pallas simbolizando o pesar eterno que se abateu sobre a alma do protagonista.


O poema e suas traduções


O poema teve várias traduções, sendo as duas primeiras para o francês, feitas por, respectivamente, Charles Baudelaire e Stéphane Mallarmé. Também foi vertido para o português, sendo as versões mais conhecidas a de Machado de Assis e Fernando Pessoa. O maior problema encontrado na tradução de O Corvo é preservar os intrincados mecanismos métricos e fonéticos que conferem ao poema sua tão reconhecida musicalidade que, combinada com o ar soturno do próprio poema (aspecto inerente ao próprio zeitgeist, em termos literários), fizeram esta obra famosa mesmo entre os que não conhecem Poe ou a corrente a qual o autor pertenceu.



Morte



Mausoléu onde jaz o corpo de Poe.
(Imagem: AndrewHorne).
A morte de Edgar Allan Poe ocorreu no dia 7 de Outubro de 1849, quando o escritor tinha quarenta anos de idade. Cercada de mistério, sua causa ainda é discutida. Quatro dias antes de falecer, Poe foi encontrado nas ruas de Baltimore, Maryland, em um estado delirante. Segundo Joseph W. Walker, a pessoa que o encontrou, o escritor estava "muito angustiado, e (...) precisava de ajuda imediata". Poe foi levado ao hospital da Universidade Washington (Washington College Hospital), onde morreu num domingo, às 5 horas de 7 de Outubro. Em nenhum momento o escritor contou com a lucidez necessária para explicar de forma coerente como havia chegado àquele estado. Grande parte da informação existente sobre os últimos dias de sua vida provém do médico John Joseph Moran, que o tratou no hospital. Depois de um pequeno funeral, Poe foi enterrado no cemitério anexo à igreja de Westminster (Westminster Hall and Burying Ground) mas, anos mais tarde, em 1875, seus restos mortais foram transferidos para um monumento maior. Este último marca também o lugar de enterro de sua esposa, Virginia Eliza Clemm Poe, e o de sua sogra, Maria Clemm. As teorias sobre as causas da morte do escritor incluem suicídio, assassinato, cólera, raiva, sífilis e ter sido capturado por agentes eleitorais que o teriam forçado a beber para fazê-lo votar e abandonaram-no, já em estado de embriaguez, à sua sorte. Contudo, a evidência a respeito da influência do álcool é incerta. Dois dias depois da morte de Poe, apareceu um obituário assinado por "Ludwig", que logo se revelou sendo, na verdade, o crítico e antologista Rufus Wilmot Griswold, que mais tarde se converteu no executor literário efetivo das obras de Poe, apesar de ter sido um de seus rivais, e que posteriormente publicou a sua primeira biografia completa, retratando-o como um depravado, bêbado e louco tomado pelas drogas, chegando inclusive a falsificar cartas do poeta como prova disso.6 Acredita-se que grande parte das evidências utilizadas para construir essa imagem foram forjadas por Griswold e, apesar de muitos amigos de Poe terem denunciado o biógrafo, foi a interpretação que teve um impacto mais duradouro no meio popular.



Contexto prévio



Depois da quebra de sua publicação, o Broadway Journal, em 1846, Poe se refugiou do público, junto a sua esposa que então estava doente, Virginia, em busca de ar puro em um chalé (o famoso cottage) situado na seção Fordham do Bronx, Nova Iorque. Lá, em 30 de Janeiro de 1847, Virgínia faleceu em decorrência de uma tuberculose que perdurava por cinco anos. Seus biógrafos e críticos sugerem que o assunto, frequente na obra de Poe, da "morte de uma bela mulher" tem origem na repetida perda de suas mulheres ao longo de sua vida, incluindo a sua esposa. Instável após a morte de sua esposa, Poe tentou cortejar a poetisa Sarah Helen Whitman, que havia ficado viúva recentemente e vivia em Providence, Rhode Island. Nessa época, ele também conheceu Annie Richmond, outro objeto de seu amor. Poe voltou por um tempo a Richmond, e foi lá onde se reencontrou com uma noiva de sua juventude, Sarah Elmira Royster, que também havia enviuvado pouco tempo atrás. Atraído por Sarah Whitman, Poe retornou para o norte e lhe propôs o casamento; enquanto esperava a resposta, ficou na casa de Annie Richmond. Foi ao deixar Richmond que o escritor cometeu uma suposta tentativa de suicídio com láudano, que acabou vomitando antes que surtisse efeito. Uma vez na casa de Helen, ela aceitou o noivado, sob promessa expressa de que Edgar abandonaria todo tipo de droga ou estimulante. Posteriormente, Poe voltou a Fordham para visitar Maria Clemm. Na véspera do casamento, Helen soube de suas visitas a Annie Richmond e de todos os rumores existentes sobre sua relação, além de uma suposta saída com amigos na qual havia bebido, sem chegar, no entanto, a se embriagar. Isso significou supostamente o fim do compromisso; contudo, há provas contundentes que demonstram que a mãe de Whitman interveio para separá-los. Poe ficou recluso de janeiro a junho de 1849 em Fordham junto de sua tia e sogra. Lá, tentou distanciar-se dos rumores que o tinham nauseado, tratando de publicar e editar. Em Julho e sem que se saiba a razão, Poe abandonou Nova Iorque e voltou para Richmond, onde retomou sua relação com Elmira. Eles assumiram compromisso em setembro e marcaram seu casamento para o mês seguinte. O escritor ainda decidiu regressar para o norte, em busca de Maria Clemm, para que ela assistisse ao casório. A partir desse momento, não houve mais informações suas, até a sua repentina aparição em Baltimore.



Últimas cartas e obras



O chalé onde morreu Virginia e onde Poe
passou seus últimos meses, recluso. (imagem:
Nicolaus.schmidt).
Quanto a seu trabalho literário de 1849, nos seus últimos poemas o sentimento dominante é de uma intensa melancolia, às vezes visionária, como observado em To my mother, Annabel Lee, The Bells. Seus relatos parecem, alguns, fruto do desespero e do derrotismo mundanos (Hop-Frog) e outros simplesmente da aspiração de paz e beleza definitivas, como em El cottage de Landor (seus últimos versos). Dentro da obra epistolar de Poe, intensa durante toda sua vida, é particularmente chocante a leitura daquela de seus últimos meses. Nessas cartas o poeta dava provas contínuas de seu deplorável estado de saúde física e mental.



"Cheguei aqui com dois dólares, dos quais te mando um. Oh, Deus, minha mãe! Nos veremos outra vez? Oh, VEM se podes! Minhas roupas estão em um estado tão horrível e me sinto tão mal..."
A Maria Clemm, recém chegado a Richmond.



Em uma carta também de seus últimos meses (para Maria Clemm, em Richmond, 19 de Julho de 1849), reconhece haver sofrido um delirium tremens:



"Durante mais de dez dias estive totalmente transtornado, fora de mim, ainda que não tenha bebido uma só gota [de álcool]; durante esse lapso, imaginei as calamidades mais atrozes. Foram somente alucinações, consequência de um ataque como jamais havia experimentado em minhas carnes, um ataque de mania-à-potu [delirium tremens]".



O pressentimento de seu iminente final aparece em uma carta a sua noiva Annie Richmond (Abril ou Maio de 1849).

"Tais considerações meramente mundanas carecem do poder de me deprimir... Não, minha tristeza é inexplicável, e isto me entristece mais ainda. Estou repleto de tenebrosos pressentimentos. Nada me anima, nada me consola. Minha vida parece feita para se perder; o futuro me parece um terreno baldio pavoroso, mas penso em seguir lutando por ter 'esperança contra toda esperança'".



Em uma de suas últimas cartas a Maria Clemm Poe expressa diretamente seu desejo de morrer pedindo, inclusive, à sua tia, o único ser vivo com o qual tinha uma afetividade terna, que morresse ao seu lado:



"Não nos resta senão morrer juntos. Agora já de nada serve argumentar comigo; não posso mais, tenho que morrer. Desde que publiquei Eureka, não tenho desejos de seguir com vida. Não posso terminar nada mais. Pelo teu amor era doce a vida, mas temos de morrer juntos (...) Desde que me encontro aqui estive uma vez na prisão por embriaguez, mas naquela vez eu não estava bêbado. Foi por Virginia."
A Maria Clemm, 07/07/1849


Na última, entretanto, escrita três semanas antes de seu falecimento, mostra um aspecto contrário:



"Os jornais têm me elogiado; em todas as partes me recebem com entusiasmo".

 

Cronologia

 


Em 27 de Setembro de 1849, Poe partiu de Richmond, Virginia, para se dirigir à sua casa em Nova Iorque. Não existem provas fiáveis sobre seu paradeiro até que, uma semana depois, em 3 de Outubro, foi encontrado delirando nas ruas de Baltimore, em frente à Ryan's Tavern ("Taverna de Ryan"), também chamada de Gunner's Hall ("Salão do atirador"). Um impressor chamado Joseph W. Walker enviou uma carta para o Dr. Joseph E. Snodgrass, conhecido de Poe, pedindo ajuda: “Estimado senhor - Há um cavalheiro, muito mal vestido, no 4º distrito de Ryan, que se chama Edgar A. Poe e que aparenta estar muito angustiado e ele que ele é conhecido seu, e eu lhe asseguro, ele está necessitando de assistência imediata. Apressadamente, Jos. W. Walker. Depois de ler a carta, Snodgrass se apressou em se dirigir à taverna, cruzando a cidade sob uma chuva outonal de Outubro. Posteriormente ele declarou que a carta dizia que Poe se encontrava "em um estado de intoxicação bestial", mas isso não é confirmado, já que a original dizia meramente "afligido". Em sua declaração, Snodgrass descreveu o estado de Poe como "repulsivo", relatando que tinha seu cabelo despenteado, gasto, sua cara sem lavar e olhos "vazios e sem brilho". Sua roupa consistia em uma camisa suja sem terno e sapatos não lustrados, estava gasta, e não era do seu tamanho. Posteriormente, Snodgrass decidiu levá-lo ao hospital da Universidade Washington, onde foi atendido e tratado pelo médico de plantão, o Dr. John Joseph Moran. Moran dá uma descrição detalhada sobre a aparência de Poe naquele dia, que concorda com a dada por Snodgrass: "uma velha e manchada jaqueta, calças em um estado similar, um par de sapatos gastos com as solas gastas, e um velho chapéu de palha". Poe nunca esteve suficientemente coerente para explicar como chegara a se encontrar em situação tão desesperada, e se crê que as roupas que vestia não eram suas, especialmente porque ele não estava acostumado a usar vestimentas gastas. Contudo, em uma carta escrita precisamente ao final de sua vida, o poeta parece contradizer esta última afirmação: "Têm-me convidado muito a sair, mas raras vezes aceito, devido a que careço de um traje adequado". Moran cuidou de Poe no hospital da Universidade Washington, em Broadway e na rua Fayette. Vendo que era um cavalheiro, o alojou em uma casa próxima a seus aposentos, e sua esposa, Mary, costumava visitá-lo, e quando escutou que Poe se encontrava agonizando, foi receber suas últimas instruções, no caso de que ele tivesse algum bem tangível. Foi então que Poe lhe perguntou se restava alguma esperança. Ela lhe respondeu que seu esposo acreditava que ele estava muito doente, e Poe retificou: "Não quero dizer isso. Quero saber se há esperança para um miserável como eu mais após esta vida". Ao escritor foram negadas visitas e ele foi confinado em uma habitação similar a uma prisão, com janelas com barras em uma seção do edifício reservada para alcoólatras. Diz-se que, na sua agonia, Poe chamou repetidas vezes um tal "Reynolds" na noite antes de sua morte, mas ninguém foi capaz de identificar a pessoa à qual ele se referia. Uma possibilidade, segundo recorda, entre outros, Julio Cortázar, é que ele tenha relembrado seu encontro com Jeremiah Reynolds, um editor de jornal e explorador que poderia haver inspirado a novela O Relato de Arthur Gordon Pym. Outra possibilidade é que o escritor chamasse por Henry R. Reynolds, um dos juízes que supervisionavam a votação do 4º distrito na "Taverna de Ryan", que poderia ter conhecido Poe no dia da eleição. Também é possível que estivesse chamando por "Herring", já que tinha um tio político em Baltimore chamado Henry Herring. De fato, em testemunhos posteriores, Moran evitou referir-se a Reynolds, mas mencionou uma visita de uma tal "senhorita Herring". Também sustenta ter tentado animá-lo em uma das poucas ocasiões em que Poe acordou, dizendo-lhe que logo desfrutaria da companhia de seus amigos, ao que Poe supostamente respondeu: "O melhor que seu amigo pode fazer é estourar os miolos com uma pistola". No estado de angústia de Poe, ele fez referência a uma esposa sua em Richmond. Estas palavras poderiam ser fruto de uma alucinação em que sua esposa Virginia vivia, ou poderiam se referências a Sarah Elmira Royster, a quem Poe havia proposto casamento recentemente. Não se sabia o que havia ocorrido com seus pertences; posteriormente, foi constatado que haviam sido esquecidos na Swan Tavern, em Richmond. Moran declarou que as palavras finais de Poe foram "Lord, help my poor soul" ("Senhor, ajuda a minha pobre alma"), antes de morrer em 7 de Outubro de 1849.



Credibilidade de Moran



Já que Poe não teve visitas, Moran foi provavelmente a última pessoa que o viu nesses dias. Ainda assim, sua credibilidade tem sido questionada repetidamente, além de a história que ele conta ser considerada em seu conjunto como não fidedigna. Posteriormente à morte de Poe, e através dos anos, sua narrativa variava a cada vez que escrevia ou falava sobre o tema. Por exemplo, em 1875, e novamente em 1885, declarou ter contatado a tia e sogra de Poe, Maria Clemm, imediatamente depois de sua morte para informar-lhe do ocorrido; na verdade, ele somente lhe escreveu após ela ter solicitado, em 9 de Novembro, mais de um mês após a morte de Edgar. Também afirmou que Poe havia dito, quase poeticamente, enquanto se preparava para lançar seu último suspiro: "Os arqueados céus me rodeiam, e Deus tem seu decreto escrito legivelmente sobre as frontes de todo ser humano criado, e os demônios encarnados, seu objetivo será embravecer as ondas de vazio desespero". O editor do New York Herald, que publicou essa versão da história de Moran, admitiu: "Não podemos imaginar Poe, inclusive enquanto delirava, construindo [essas frases]". As declarações de Moran também trocam as datas. Em diferentes momentos, ele afirmou que Poe foi levado ao hospital em 3 de Outubro às 17 horas, ou em 6 de Outubro às 9 horas, ou em 7 de Outubro (o dia em que morreu) às "10 em ponto da noite". Para cada uma das declarações publicadas, afirmava ter os registros do hospital como referência. Uma busca dos ditos registros, realizada um século mais tarde, que buscava especificamente um certificado de óbito oficial, não conseguiu encontrar nenhum documento. Alguns críticos atribuem as inconsistências e erros de Moran a um lapso de memória, a um inocente desejo de idealizar, e inclusive à senilidade. Ele tinha 65 anos na data de escrita e publicação de sua última declaração, em 1885.



Causa da morte



Foram já perdidos todos os registros e documentos médicos, incluindo o atestado de óbito de Poe, se é que alguma vez existiram. A causa precisa da morte de Poe, portanto, é discutida, e existem várias teorias. A versão do escritor argentino Julio Cortázar, uma autoridade sobre o autor em espanhol, tradutor e exégeta de toda sua obra em prosa, afirma o seguinte: “Foi dito que Poe, nos períodos de depressão derivados de uma evidente debilidade cardíaca, acudia ao álcool como um estimulante imprescindível. Apenas bebia e seu cérebro pagava as consequências. Este círculo vicioso fechou-se outra vez durante a viagem a Baltimore. Os médicos haviam lhe assegurado em Richmond que outra recaída seria fatal, e não se equivocavam”. Outros muitos biógrafos têm tocado o tema e chegado a diferentes conclusões, que variam desde a asserção de Jeffrey Meyers de que foi por hipoglicemia, até a teoria de John Evangelist Walsh de uma conspiração para assassiná-lo. Também foi sugerido que a morte de Poe foi o resultado de suicídio relacionado com a depressão. Em 1848, ele quase morreu de uma overdose de láudano, que então era disponível como sedativo e analgésico. Apesar de não se saber seguramente se realmente foi uma tentativa de suicídio ou somente um erro de cálculo por parte de Poe, é claro que isso não foi o que levou à sua morte um ano mais tarde. Snodgrass, partidário do movimento de abstinência de álcool, estava convencido de que Poe morrera por decorrência do alcoolismo e buscou popularizar essa ideia, já que encontrou no falecido um exemplo útil para a sua campanha. Entretanto, o escrito por ele a respeito do tema tem sido provado como não fidedigno. Moran contradisse Snodgrass ao afirmar em sua declaração de 1885 que Poe não morreu sob os efeitos de nenhuma intoxicação, e que "não tinha o menor cheiro de licor em seu hálito ou em sua pessoa". Ainda assim, alguns jornais da época informaram que a morte de Poe se deu devido a uma "congestão do cérebro" ou a uma "inflamação cerebral", eufemismos para as mortes de causas como o alcoolismo. Em um estudo sobre Poe, um psicólogo sugeriu que ele tinha dipsomania, uma condição que causou frequentes ataques que o conduziam a excessos, frequentemente alcoólicos, durante os quais a vítima não podia recordar o que havia ocorrido. Contudo, a caracterização de Poe como alcoólatra incontrolável encontra-se em disputa. Seu companheiro de bebidas, Thomas Mayne Reid, admitiu que ambos entravam em selvagens "correrias", mas que Poe "nunca ia mais além do inocente júbilo a que todos nos damos o gosto... Enquanto posso reconhecer isso como uma de suas falhas, posso dizer sinceramente que não lhe era habitual".Alguns crêem que Poe era extremadamente sensível ao álcool e que se punha ébrio depois de beber um simples copo de vinho. Bebia somente durante períodos difíceis de sua vida, e às vezes passava vários meses seguidos sem álcool. O que acrescentou maior confusão à suposta frequência de bebida foi que ele era membro dos Filhos da Moderação (Sons of Temperance) no momento de sua morte. William Glenn, que supervisionava o compromisso de Poe, anos depois disse que a comunidade de moderação não tinha razões para crer que ele havia violado sua promessa durante sua estadia em Richmond. As sugestões a respeito de uma overdose de drogas também foram refutadas. Apesar disso, elas seguem sendo formuladas com frequência. Thomas Dunn English, experiente médico e inimigo declarado de Poe, insistiu no fato de que o escritor não era consumidor de drogas. Escreveu: "Se Poe houvesse tido o hábito do ópio quando o conheci (antes de 1846), tanto como médico como homem de observação, eu teria descoberto durante suas frequentes visitas a meus aposentos, minhas visitas a sua casa, e todos nossos encontros em qualquer lugar. (...) Não vi sinal algum disso e acredito que a acusação seja uma calúnia sem base alguma". Ao longo dos anos, foram propostas numerosas outras causas, que incluem várias formas de raras doenças do cérebro ou um tumor cerebral, diabetes, vários tipos de deficiências enzimáticas, sífilis, apoplexia, delirium tremens, cardiopatias, epilepsia e meningite. Um teste com os cabelos de Poe, realizado em 2006, refutou a possibilidade de saturnismo, envenenamento por mercúrio e intoxicações similares devidas à exposição a metais pesados. Também foi sugerida cólera, já que Poe havia passado pela Filadélfia no inverno de 1849, durante uma epidemia da doença. Durante a sua estadia, ficou doente e escreveu uma carta a sua tia, Maria Clemm, dizendo-lhe que poderia "haver tido a cólera, ou espasmos iguais". Já que Poe foi encontrado em um dia de eleição, tem sido sugerido, desde 1872 que o escritor foi usado para esse motivo. Tratava-se de um golpe no qual as vítimas eram sequestradas, drogadas e usadas como peões para votar a favor um mesmo partido político em vários lugares. Esta foi a explicação mais comum da morte de Poe na maioria de suas biografias durante décadas, apesar de que seu status em Baltimore o houvesse feito muito reconhecível para que o golpe realmente funcionasse. Mais recentemente, foi apresentada uma prova crível de que a morte do escritor foi causada por raiva.



Funeral



O funeral de Poe ocorreu em 8 de Outubro de 1849, uma segunda-feira, às 16 horas. Foi uma cerimônia simples à qual assistiram poucas pessoas. Henry Herring, o tio de Edgar, providenciou um caixão simples de mogno, e um primo, Neilson Poe, o carro fúnebre. A esposa de Moran forneceu o sudário. O funeral foi presidido pelo reverendo W. T. D. Clemm, primo de Virginia, esposa de Poe. Também foram ao funeral o Dr. Snodgrass, advogado de Baltimore e antigo amigo da Universidade de Virginia, Collins Lee, primo de Poe, Elizabeth Herring e seu marido, e Joseph Clarke, um antigo amigo de escola. A cerimônia inteira durou somente três minutos. A tarde era fria e úmida. O reverendo Clemm decidiu que não valia a pena pronunciar um sermão devido ao pouco público. O George W. Spence descreveu o tempo que fazia da seguinte forma: "Era um dia escuro e sombrio, sem chuva, mas um tipo bruto e ameaçador". Poe foi enterrado em um esquife barato a que faltavam alças. Tinha uma placa e era forrado com pano, com uma almofada para a sua cabeça.



Enterro e reenterro



Poe está enterrado nos campos do cemitério de Westminster (Westminster Hall and Burying Ground), que atualmente é parte da Universidade de Leis de Maryland, em Baltimore. Poe foi enterrado originalmente, sem lápide alguma, nas proximidades da parte de trás da igreja, perto de seu avô, David Poe. Neilson Poe, primo de Edgar, havia comprado uma lápide de mármore italiano, mas ela foi destruída antes que chegasse à tumba quando um trem descarrilhou e se chocou contra o depósito onde ela estava guardada. Por esse motivo, a tumba foi marcada com um bloco de arenito em que se lia "No. 80". Em 1873, o poeta do sul Paul Hamilton Hayne visitou a tumba e publicou um artigo, descrevendo a sua pobre condição e sugerindo um monumento mais apropriado. Sara Sigourney Rice, professora de escolas públicas de Baltimore, aproveitou o renovado interesse pela tumba de Poe e arrecadou fundos pessoalmente. Alguns de seus alunos de elocução fizeram apresentações públicas para arrecadar dinheiro. Muitas pessoas de Baltimore e de todo os Estados Unidos contribuíram; os últimos 650 dólares provieram do editor e filantropo George William Childs. O novo monumento foi desenhado pelo arquiteto George A. Frederick e construído pelo Coronel Hugh Sisson, e incluía um emblema com a efígie de Poe, obra de Valck, uma artista. O custo total do monumento, com o emblema, chegou a pouco mais de 1.500 dólares. Em uma cerimônia realizada em 1875, os restos mortais de Poe foram levados a um novo local, em uma esquina do cemitério, juntamente com o corpo de sua tia. O lugar original do enterro foi marcado com uma grande lápide doada por Orin C. Painter, mas originalmente, foi colocada em um lugar incorreto. Entre os presentes estavam Neilson Poe (que pronunciou algumas palavras, chamando seu primo de "um dos homens de melhor coração que já viveu"), e também Nathan C. Brooks, John Snodgrass, e John Hill Hewitt. Apesar de vários prominentes poetas terem sido convidados à cerimônia, o único que compareceu pessoalmente foi Walt Whitman. Alfred Tennyson contribuiu com um poema que foi lido durante a cerimônia:



Destino que uma vez o negaste,
E inveja que uma vez o depreciaste,
E malicia que o desmentiste,
Agora cenotáfio de sua fama.



Em 1864, as lápides de todas as tumbas, que anteriormente estavam voltadas para este, foram giradas para que ficassem voltadas para o portão oeste, o que provavelmente desconheciam as pessoas que o exumaram. Isso lhes causou dificuldades para encontrar o corpo correto: primeiramente exumaram um soldado de sobrenome Mosher. Quando finalmente encontraram os restos de Poe, abriram seu caixão, e uma das testemunhas notou que "o crânio estava em excelentes condições - a forma da face, uma das características mais impactantes de Poe, se discernia facilmente". Poucos anos depois, os restos de sua esposa Virginia também foram colocados nesse local. Em 1875, o cemitério em que seu corpo estava foi destruído, e não houve nenhum parente que reclamasse seus restos mortais. William Gill, um dos primeiros biógrafos de Poe, juntou seus ossos e os guardou em uma caixa escondida sob a sua cama. Seus restos finalmente foram enterrados junto aos de seu esposo em 19 de Janeiro de 1885, o 76º aniversário do nascimento de Edgar; quase dez anos depois o monumento atual foi construído. George W. Spence, o homem que serviu como ajudante no enterro original de Poe, assim como em sua exumação e reenterro, assistiu aos ritos que levaram seu corpo para junto ao de Virginia e da mãe dela, Maria Clemm.



Difamação



Dois dias após a morte de Poe, apareceu um obituário, assinado por "Ludwig". Posteriormente se supôs que o autor havia sido o escritor e editor Rufus Wilmot Griswold, que chamava Poe de uma estrela "brilhante, mas errática". Griswold havia tentado difamá-lo para fazer Poe universalmente odiado, inclusive antes de sua morte, e depois dela continuou com seus intentos. No obituário, Griswold declara que Poe era conhecido por caminhar delirante pelas ruas, falando sozinho. Também disse que Poe era excessivamente arrogante, que assumia que todos os homens eram vilões, e que se enojava facilmente. Grande parte dessa caracterização foi tomada quase textualmente da do fictício Francis Vivian em The Caxtons de Edward Bulwer-Lytton. Impresso pela primeira vez no New York Tribune, o obituário de Ludwig logo se converteu na caracterização clássica de Poe. Griswold havia sido agente de muitos escritores estado-unidenses, mas não está claro se Poe o designou como seu executor literário ou se Griswold tomou o cargo por meio de um engano ou um erro da tia e sogra de Poe, Maria. Em todo caso, ele apresentou uma coleção de as obras de Poe que incluía um artigo biográfico intitulado "Memórias do autor" ("Memoir of the Author"), no qual mostrava Edgar como um depravado, um bêbado e um louco perturbado pelas drogas. Acredita-se que a maior parte do artigo foi inventado por Griswold, já que foi denunciado por aqueles que conheceram Poe, entre eles Sarah Helen Whitman, Charles Frederick Briggs e George Rex Graham. Contudo, o relato de Griswold alcançou muita popularidade, em parte porque era a única biografia completa disponível, e em parte porque foi amplamente re-impressa. Seguiu sendo popular por muito tempo porque muitos leitores assumiram que Poe como pessoa havia sido similar a seus personagens fictícios ou simplesmente estavam encantados de ler a obra de um homem "mau". Não houve uma biografia fiável de Poe até a aparição da de John Ingram, em 1875. Em 1941, Arthur Hobson Quinn apresentou evidências de que Griswold havia falsificado e reescrito uma série de cartas de Poe que estavam incluídas nas suas Memórias do Autor. Por então, a descrição feita por Griswold de Poe já se havia consolidado na mente do público, não somente nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Essa imagem distorcida se converteu em parte da lenda de Poe, apesar das numerosas tentativas de corrigi-la.



Representação cultural



A morte de Poe foi objeto de uma série de obras, tanto fictícias quanto representações de sua biografia. Já em 1915 foi lançado o filme The Raven, um cinebiografia retratando os delírios de Poe em seus últimos dias. Em 2002, o romance gráfico The Shadow of Edgar Allan Poe, relata as descobertas de Sterling Tuttle, um fictício entusiasta do autor, ao encontrar um diário que Poe teria escrito em seu leito de morte, detalhando encontros sobrenaturais. A partir daí, Tuttle começa a se questionar se o trabalho do escritor teria sido influenciado por perturbações sobrenaturais ao invés de mentais.





Citações



  • "Nenhum homem que tenha vivido conhece mais sobre a vida após a morte, Barton, que eu ou você; e toda religião, meu amigo, simplesmente evoluiu a partir da trapaça, medo, ganância, imaginação e poesia".

- No man who ever lived knows any more about the hereafter, Barton, than you and I; and all religion, my friend, is simply evolved out of chicanery, fear, greed, imagination and poetry.
- citado em "Views of religion", parte 1, compilado por Rufus King Noyes, Editora L. K. Washburn, 1906, 1906 - 783 páginas

  • "Para ser feliz, até certo ponto, devemos ter sofrido na mesma proporção".

- Historias extraordinarias - Página 160, Edgar Allan Poe, tradução de Clarice Lispector - Ediouro Publicações, 2005, ISBN 8500015985, 9788500015984 - 179 páginas

  • "Tudo o que vemos ou parecemos / não passa de um sonho dentro de um sonho".

- citado em "Romance negro, Feliz ano novo e outros contos" - Página 41, Rubem Fonseca, Maura Sardinha - Ediouro Publicações, 1996, ISBN 8500000597, 9788500000591 - 110 páginas
All that we see or seem is but a dream within a dream
- A Dream Within a Dream (1849) (vide texto integral no wikisource)

  • "Quem sonha de dia tem consciência de muitas coisas que escapam a quem sonha só de noite".

- They who dream by day are cognizant of many things which escape those who dream only by night.
- Eleonora (1842)

  • "A vida real do ser humano consiste em ser feliz, principalmente por estar sempre na esperança de sê-lo muito em breve".

- Man's real life is happy, chiefly because he is ever expecting that it soon will be so.
- Marginalia, XCIX in: The Works of the Late Edgar Allan Poe: The literati - Página 528, Edgar Allan Poe, Rufus Wilmot Griswold, Nathaniel Parker Willis - Redfield, 1850

  • "A enorme multiplicação de livros, de todos os ramos do conhecimento, é um dos maiores males de nossa época".

- The enormous multiplication of books in every branch of knowledge one of the greatest evils of this age
- Marginalia, CLXXX, in: The works of Edgar Allan Poe: Volume 3 - Página 565, Edgar Allan Poe - Widdleton, 1849

  • "Todas as obras de arte devem começar pelo final".

- at the end, where all works of art should begin
- The Philosophy of Composition (1846)

  • "Quando um louco parece completamente sensato, já é o momento de pôr-lhe a camisa de força".

- When a madman appears thoroughly sane, indeed, it is high time to put him in a strait- jacket.
- The System of Doctor Tarr and Professor Fether (1844)

  • "Os cabelos brancos são arquivos do passado".

- his gray hairs are records of the past
- MS. Found in a Bottle (1833)

  • "Todas as coisas criadas são pensamentos de Deus".

- All created things are but the thoughts of God.
- Tales (Poe)/Mesmeric Revelation

  • "O homem não se entrega aos anjos, nem se rende inteiramente à morte, senão pela fraqueza de sua débil vontade".

- Man doth not yield him to the angels, nor unto death utterly, save only through the weakness of his feeble will.
- Ligeia (1838)

  • "Não há beleza rara sem algo de estranho nas proporções".

- There is no exquisite beauty [...] without some strangeness in the proportion.
- Ligeia (1838)

  • "A indefinição é um elemento da verdadeira música (poesia) - quero dizer, da verdadeira expressão musical... - indefinição sugestiva do significado com vistas a produzir a definitude de um efeito vago e, portanto, espiritual".

- I know that indefinitiveness is an element of the true music–I mean of the true musical expression. [...]
- If the author did not deliberately propose to himself a suggestive indefinitiveness of meaning with the view of bringing about a definitiveness of vague and therefore of spiritual effect
- Marginalia (1844)

  • "Não é na ciência que está a felicidade, mas na aquisição da ciência".

- not in knowledge is happiness, but in the acquisition of knowledge
- The Power of Words

 

Atribuídos




  • "E nenhum poema será tão grande, tão nobre, tão verdadeiramente digno do nome de poesia quanto aquele que foi escrito tão só e apenas pelo prazer de escrever um poema".

- no poem will be so great, so noble, so truly worthy of the name of a poem, as that which has been written solely for the pleasure of writing a poem.
- citado em "Current opinion": Volume 54, Current Literature Pub. Co., 1913

  • "Lord help my poor soul".

- Tradução: "Senhor, ajude minha pobre alma".
- Edgar Allan Poe em suas últimas palavras



Obras


  • A Dream (1827)
  • A Dream Within a Dream (1827)
  • Dreams (1827)
  • Tamerlane (1827)
  • Al Aaraaf (1829)
  • Alone (1830)
  • To Helen (1831)
  • Israfel (1831)
  • The City in the Sea (1831)
  • To One in Paradise (1834)
  • The Conqueror Worm (1837)
  • The Narrative of Arthur Gordon Pym (1838)
  • Silence (1840)
  • A Descent Into the Maelstrom (1841)
  • Tell Tale Heart (1843)
  • Lenore (1843)
  • O Gato Preto (1843)
  • Dreamland (1844)
  • The Purloined Letter (1844)
  • The Divine Right of Kings (1845)
  • The Raven (1845)
  • The Philosophy of Composition
  • Ulalume (1847)
  • Eureka (1848)
  • Annabel Lee (1849)
  • The Bells (1849)
  • Eldorado (1849)
  • Eulalie (1850)
  • The Valley Of The Unrest
  • Bridal Ballad
  • The Sleeper
  • The Coliseum
  • Sonnet:To Zante
  • To One in Paradise
  • The Haunted Palace
  • Romance
  • FairyLand
  • Song
  • To F-
  • To -
  • To F-s S.O-d
  • To The River-
  • The Lake.To-
  • The Bells
  • A Valentine
  • An Enigma
  • To --
  • To M.L.S.-
  • To My Mother
  • For Annie
  • The pit and the pendulum (1842)
  • William Wilson (1839)
  • Berenice (conto)
  • Morella (conto)
  • The Oblong Box (conto)
  • The Man of The Crowd (conto)
  • The Assignation (conto)
  • The Oval Portrait (conto)
  • The King Pest (conto)
  • The Gold-Bug (conto)
  • Ms.Found In a Bottle (conto)
  • The Balloon Hoax (conto)
  • Metzengerstein
  • Ligeia (conto)
  • "Thou Art the Man" (conto)
  • The Spectacles (conto)
  • The Premature Burial (conto)
  • A Tale of the Ragged Mountains (conto)
  • The Island of the Fay (conto)
  • The Colloquy of Monos and Una (conto)
  • The Conversation of Eiros and Charmion (conto)
  • A Queda da Casa de Husher (conto) (1839)
  • Os Assassinatos da Rua Morgue (conto) (1841)
  • A Máscara da Morte Rubra (conto) (1842)
  • O Mistério de Marie Rogêt (conto) (1842)
  • O Poder das Palavras (conto) (1845)
  • O Demônio da Perversidade (conto) (1845)
  • The System of Doctor Tarr and Professor Fether (conto) (1845)
  • Os Fatos que Envolveram o Caso Mr.Valdemar (conto) (1845)
  • A Esfinge (conto) (1846)
  • The Cask of Amontillado (conto) (1846)
  • The Domain of Arnheim (conto) (1847)
  • Mellonta Tauta (conto) (1849)
  • Hop-Frog ou Os Oito Orangotangos Acorrentados (conto) (1849)
  • Von Kempelen and His Discovery (conto) (1849)
  • X-ing a Paragrab (conto) (1849)
  • A Cabana de Landor (conto) (1849)
       

    Edgar Allan Poe

    Referências

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe
    http://pt.wikiquote.org/wiki/Edgar_Allan_Poe
    http://pt.wikipedia.org/wiki/The_Raven
     

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