quarta-feira, 16 de julho de 2014

Zigurate


Fachada reconstruída do zigurate; as ruínas da estrutura neobabilônica podem ser vistas no topo da estrutura. (imagem: en:User:Hardnfast).

Zigurate é uma forma de templo, criada pelos sumérios e comum para os babilônios e assírios, pertinente à época do antigo vale da Mesopotâmia e construído na forma de pirâmides terraplanadas. O formato era o de vários andares construídos um sobre o outro, com o diferencial de cada andar possuir área menor que a plataforma inferior sobre a qual foi construído — as plataformas poderiam ser retangulares, ovais ou quadradas, e seu número variava de dois a sete. O centro do zigurate era feito de tijolos queimados, muito mais resistentes, enquanto o exterior da construção mostrava adornos de tijolos cozidos ao Sol, mais fáceis de serem produzidos, porém menos resistentes. Os adornos normalmente eram envidraçados em cores diferentes, possivelmente contendo significação cosmológica. O acesso ao templo, situado no topo do zigurate, se fazia por uma série de rampas construídas no flanco da construção ou por uma rampa espiralada que se estendia desde a base até
Dur-Untash, ou Choqa,
Zanbil
, construído no século
XIII a.C. por Untash Napirisha e
localizado perto de Susa, Irã é
um dos mais preservados
zigurates do mundo. (imagem: en:User:Zereshk.)
.
o cume do edifício. Os exemplos mais antigos de zigurates datam do final do terceiro milênio a.C., enquanto os mais recentes, do século VI a.C., e alguns dos exemplos mais notáveis dessas estruturas incluem as ruínas na cidade de Ur e de Khorsabad na Mesopotâmia. Com a descrição supracitada pode-se formular uma imagem, ainda que básica, de com que se parece um zigurate. A idéia que se tem de que serviam como lugar de idolatria ou cerimônias públicas, contudo, não é correta. Na Mesopotâmia acreditava-se que eram a morada dos deuses. Através dos zigurates as divindades colocariam-se perto da humanidade, razão pela qual cada cidade adorava seu próprio deus ou deusa. Além disso, apenas aos sacerdotes era permitida a entrada ao zigurate, e era deles a responsabilidade de cuidar da adoração aos deuses e fazer com que atendessem as necessidades da comunidade. Naturalmente os sacerdotes gozavam de uma reputação especial na sociedade suméria. Além disso, os zigurates serviam de depósito de cereais,moradia de governantes, biblioteca e servia para a observação do céu e das estrelas e dos níveis das enchentes dos rios (Tigre e Eufrates). Um exemplo de zigurate mais simples é o do Templo Branco de Uruk, na antiga Suméria, que deve ter sido construído por volta de 400-300 a.C.. O próprio zigurate é a base sobre o qual o Templo Branco repousa, e sua função é trazer o templo mais próximo aos céus, de forma que pudesse prover acesso desde o solo até lá, por meio de degraus — a estrutura teria a função, portanto, de uma ponte entre os dois mundos. Por isso acredita-se que o templo dos sumérios seria um eixo cósmico, uma conexão vertical entre o céu e a terra, e entre a terra o submundo; e uma conexão horizontal entre as terras. Construído em sete níveis, ou camadas, o
Zigurate na Califórnia. (imagem: J.smith).
zigurate representaria os sete céus, ou planos de existência, os sete planetas e os sete metais a eles associados e suas cores correspondentes. Um exemplo de zigurate sólido e abrangente é o de Marduque, ou Torre de Babel, situado na antiga Babilônia. Infelizmente não sobrou nem mesmo a base daquela poderosa estrutura, mas de acordo com achados arqueológicos e fontes históricas, a torre colocava-se sobreposta a sete camadas multicoloridas, em cujo topo achava-se um templo de proporções singulares. Acerca desse templo, acredita-se haver sido pintado e preservado em cor anil, combinando com o cimo das camadas. É sabido que havia três escadarias que levavam ao templo, e diz-se que duas delas ascendiam apenas até a metade da altura do zigurate. O nome sumério para a estrutura era Etemenanki, palavra que significa "A Fundação do Céu e da Terra." Provavelmente construído sob as ordens de Hamurabi, averiguou-se que o centro do zigurate de Marduque continha restos de outros zigurates e estruturas mais antigas. O estágio final consistia dum encaixamento de 15 metros de tijolos reforçados construído pelo monarca Nabucodonosor.



Zigurate de Ur



O Zigurate de Ur (também conhecido como Grande Zigurate de Ur; em sumério: E-temen-nigur(u), É.TEMEN.NÍ.GÙR(U).(RU), na escrita cuneiforme ��������(��) significando "casa cujo alicerce cria terror") é um zigurate neo-sumério que se localizava na cidade de Ur, próximo à localidade moderna de Nasiriyah, na província de Dhi Qar, no Iraque. A estrutura de meados da Idade do Bronze (século XXI a.C.) ruiu no período neo-babilônio (século VI a.C.), e o zigurate foi restaurado sob ordens do rei Nebonido. Suas ruínas foram escavadas nas décadas de 1920 e 1930 por Sir Leonard Woolley. As mesmas ruínas foram envoltas por uma reconstrução parcial da fachada e da escadaria monumental, feita pelo ditador iraquiano Saddam Hussein durante a década de 1980.



Zigurate sumério



O zigurate foi construído por Ur-Nammu para ajudar
Zigurate em Budapeste, Hungria. (imagem: Peter Moricz).
a reconstruir a economia local, por volta do século XXI a.C. (cronologia curta), durante a Terceira Dinastia de Ur. A gigantesca pirâmide em degraus media 64 metros de comprimento, 46 de largura e mais de 30 de altura; estes números, no entanto, são especulações, já que apenas os alicerces do zigurate sumério sobreviveram até os dias de hoje. O zigurate era parte de um complexo de templos que servia como centro administrativo da cidade, e era um santuário do deus lunar Sin, padroeiro de Ur. A construção do zigurate foi concluída no século XXI a.C., pelo rei Shulgi, que havia se proclamado um deus, visando estabelecer seu controle sobre as cidades da região. Durante seu reinado de 48 anos, a cidade de Ur se tornou a capital de um Estado que controlava boa parte da Mesopotâmia.



Referências:





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