quinta-feira, 3 de julho de 2014

Thorramatur (culinária islandesa)


Þorramatur (imagem: The blanz).
Thorramatur (Þorramatur: significando "comida do þorri") é um repasto tradicional da Islândia. É considerado como o prato nacional do país. Atualmente, o þorramatur é sobretudo consumido no mês þorri do antigo calendário nórdico, em Janeiro e Fevereiro, em particular no banquete de meados do Inverno, denominado Þorrablót (ou Thorrablot), em honra da antiga cultura.



Pratos

O Þorramatur é, na realidade, constituído por diversos pratos diferentes, incluindo:

  • Lifrarpylsa: salsicha de fígado de ovelha.
    (imagem: Salvor Gissurardottir).
    Kæstur hákarl, tubarão podre
  • Súrsaðir hrútspungar, escroto de ovelha curado, incluindo testículos
  • Svið, cabeças de ovelha
  • Sviðasulta, uma conserva de svið
  • Lifrarpylsa, salsicha de fígado de ovelha, feita com Vísceras (também conhecida como slátur, que significa matança)
  • Blóðmör, gordura de sangue, uma espécie de sarrabulho
  • Harðfiskur, peixe seco (bacalhau e arinca, entre outros), servido com manteiga
  • Rúgbrauð (pão de centeio), um pão de centeio tradicional da Islândia
  • Hangikjot, (carne pendurada), normalmente borrego fumado
  • Harðfiskur: peixe seco.
    (imagem: Richard Eriksson).
    Lundabaggi, gordura de borrego
  • Selshreifar, barbatana de foca (ocasionalmente: apenas se as focas forem caçadas pelos anfitriões)



Durante o mês de þorri, são bastante populares as refeições de þorrimatur na Islândia. Em Reiquiavique e noutras cidades, muitos restaurantes servem-no durante todo o período, quase sempre em travessas de madeira, chamadas trog. Nestas reuniões, a bebida islandesa Brennivín é frequentemente consumida em abundância.



Hákarl



Hákarl pronto para ser consumido.
(imagem: Xfigpower).
Hákarl ou kæstur hákarl (significando tubarão e tubarão podre, em Islandês) é uma iguaria tradicional da culinária da Islândia. Faz parte do Þorramatur, o prato nacional do país.



Consumo



O tubarão utilizado, o tubarão-da-groenlândia, é, em si, venenoso, quando se encontra fresco, produzindo efeitos semelhantes a uma embriaguez extrema, devido a uma concentração elevada de ácido úrico. Mas, pode ser consumido após cozedura em várias águas ou após ser enterrado para putrefacção durante vários meses, sendo exposto a vários ciclos de congelação e descongelação. Possui um cheiro intenso de amoníaco, não muito diferente de muitos produtos de limpeza. É normalmente servido em cubos com um palito e consumido acompanhado por cálices da aguardente local, denominada brennivín. O consumo de hákarl é frequentemente associado a robustez e força. Trata-se em parte de um alimento de gosto adquirido, que necessita de algum tempo para a habituação. Aconselha-se aos principiantes que tapem o nariz ao tentarem ingerir o primeiro pedaço, de forma a evitarem o surgimento de vômitos, devido ao odor intenso. Pode possuir uma cor avermelhada ou branca. O hákarl, em especial a variedade vermelha, é considerado de digestão fácil para pessoas com úlceras.



Preparação



A preparação tradicional do hákarl começa com o corte em pedaços da carne do tubarão. Em seguida, a carne é enterrada com pedras, para apodrecer entre 6 a 12 semanas, dependendo da estação, para depois ser pendurada a secar numa cabana, durante 2 a 4 meses. Durante a secagem, o tubarão desenvolve uma crosta acastanhada, que é removida antes de servir. O método moderno consiste em comprimir a carne do tubarão num contentor de plástico de grandes dimensões.



Brennivín



Brennivín
Brennivín é a aguardente da Islândia, considerada a bebida alcoólica por excelência do país. É feita com polpa de batata fermentada e cominhos. Por vezes, é chamada svarti dauði (“morte negra”). É, com frequência, bebida ao mesmo tempo que se come "hákarl", o tubarão putrefacto típico da Islândia, para, de certa forma, esconder o sabor deste. A palavra brennivín significa literalmente "vinho ardente" e tem a mesma raiz que brande. Apesar do seu estatuto não oficial de bebida nacional da Islândia, muito islandeses não bebem brennivín e, muitos dos que o fazem, fazem-no quando se sentem patriotas ou quando tentam impressionar os visitantes estrangeiros. Esta falta de apreço pela bebida pode ser parcialmente atribuída ao seu sabor forte e ao seu teor alcoólico elevado (37.5%) e parcialmente à sua reputação. Apesar de o governo islandês aplicar impostos elevadíssimos à maior parte das bebidas alcoólicas, o brennivín é, na realidade, uma das bebidas com o preço mais moderado nas lojas de álcool do país, denominadas Vínbúð, sendo associado frequentemente aos alcoólicos. O brennivín é semelhante ao Aquavit dinamarquês, chamado brændevin. Em Sueco, é chamado brännvin. Foi lançado no mercado pela primeira vez em 1935. O rótulo é preto e foi inicialmente concebido dessa cor para desencorajar as pessoas de beberem a bebida. Antigamente, continha as letras ÁTVR dentro do círculo, mas estas acabaram por ser substituídas pela linha de costa da Islândia.



Referências culturais

  • Após Heba Þórisdóttir ter apresentado o Brennivín a Quentin Tarantino, este decidiu que a personagem Budd, no filme Kill Bill, deveria beber esta bebida. Esta personagem aparece no filme bebendo brennivín.
  • O brennivín é mencionado numa canção da banda Foo Fighters, chamada "Skin and Bones", no verso "brennivín and cigarettes".
  • Na Islândia, é consumido no Þorláksmessa ("dia de São Þorlákur Þórhallsson"), que se celebra a 23 de Dezembro. Na parte ocidental do país, era costume comer-se raia curada neste dia. Esse costume espalhou-lhe para toda a Islândia. A raia é normalmente servida com batata cozida ou em puré, acompanhada por um cálice de brennivín.



Referências




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