terça-feira, 29 de julho de 2014

Palmeira (Paraná - Brasil)


Antiga Coletoria da cidade Palmeira. (imagem: Guilmann).
Palmeira é um município brasileiro do Estado do Paraná. Localiza-se na Microrregião de Ponta Grossa, a uma latitude 25º25'46" sul e a uma longitude 50º00'23" oeste, estando a uma altitude de 865 metros. Sua população estimada em 2010 é de 32.125 habitantes. Possui uma área de 1465,1km². Foi neste município que se situou a célebre Colônia Cecília. Com a Construção do Caminho de Viamão, no século XVIII, muitos povoados foram surgindo na
A Bandeira da cidade.
região dos Campos Gerais. Com o povoamento definido chegam os imigrantes. Os russos-alemães em 1878, os poloneses em 1888 e os italianos em 1890 liderados por Giovani Rossi, sendo que estes últimos, formaram a primeira colônia anarquista da América, a Colônia Cecília. E, em 1951, chegaram os alemães menonitas que fundaram a Colônia Witmarsum e a Cooperativa Mista Agropecuária Witmarsum Ltda. produtora de leite e derivados, e de frangos com a marca Cancela. Criado através da Lei Estadual nº 238, de 9 de Novembro de 1897, e instalado na mesma data, foi desmembrado de Ponta Grossa. Os habitantes naturais do município de Palmeira são denominados palmeirense. Está localizada na Mesorregião do Centro Oriental Paranaense, mais precisamente na Microrregião de Ponta Grossa, estando a uma distância de 70km da capital do Estado, Curitiba.

Etimologia


A denominação deve-se ao fato de ter sido a cidade localizada e fundada em um capão (bosque em meio de um descampado) já anteriormente denominado Capão da Palmeira. Certamente pela existência de palmeiras na região.


História

 

Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição.
(imagem: Guilmann).
O núcleo que deu origem ao atual município de Palmeira surgiu nas margens do histórico Caminho de Sorocaba-Viamão, no final do século XVIII. “Assim o Curral das Vacas, no sítio abandonado de Santa Cruz do Sutil, onde Antônio Bicudo Camacho lavrara ouro nos anos de 1694 a 1699, se foi formando um insignificante povoado”. - David Carneiro. Este lugar era primitivamente local de pouso e curral de gado, utilizado por tropeiros que demandavam do Rio Grande a São Paulo. Inicialmente denominada Freguesia Nova, foi oficialmente elevada à categoria de freguesia em 1833, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição, sendo que sua história é intimamente ligada à Freguesia Colada de Tamanduá (da qual atualmente só existem ruínas), que situava-se nas vizinhanças. Esta freguesia, Colada de Tamanduá, possuía área de meia légua, doada pelo coronel Antonio Luíz "Tigre", que faleceu sem deixar herdeiros de seu vasto patrimônio, que ficou nas mãos do Convento do Carmo, de São Paulo. Moisés Marcondes de Oliveira e Sá em seu livro "Pai e Patrono", faz interessante e rica descrição sobre os primórdios desta localidade: “...a Freguesia Colada de Nossa Senhora da Conceição do Tamanduá estava com seus dias contados. Em condições assim desfavoráveis, acrescidas das de ordem religiosa, visto como povoadores, internando-se nos Campos Gerais, em busca de melhores condições, iam cada vez mais se distanciando da capela que, ali fora construída pelos padres carmelitas, no ano de de 1709, operou-se a transferência da freguesia para Palmeira, denominação por que era conhecido o "capão" que lhe o nome e também à Fazenda dos avós maternos de Jesuíno Marcondes, tenente Manoel José de Araújo e sua mulher D. Ana Maria da Conceição e Sá, doadores, por Ato de 7 de Abril de 1819, do terreno onde deveria se instalar a nova freguesia, cujo patrimônio foi também enriquecido pelos terrenos doados por escritura pública pelo Barão do Tibagi e por D. Josefa Joaquina de França, conforme se verifica da Lei nº 337, de 19 de Abril de 1872, que incorporou os mencionados terrenos aos bens municipais". - Moisés Marcondes. Por outro lado, muito concorreu para essa mudança, segundo se depreende do relatório de 1854 de Zacarias de Góis e Vasconcelos, a luta que manteve o vigário Antônio Duarte dos Passos com o guardião do Convento do Carmo de São Paulo, a qual primeiro a estabelecer a igreja no terreno onde hoje se encontra a Matriz de Palmeira. Com a transferência da sede da Freguesia de Tamanduá para Palmeira, naturalmente foi se transferindo a população para o novo povoado onde se construíra a nova capela, transferida para ali em busca de melhores condições de vida. A corrente de povoamento foi mais tarde aumentada com a chegada de colonos russos e alemães, que se estabeleceram nos Campos Gerais a partir de 1878. Pode-se dizer que a evolução social de Palmeira se processou sob os melhores auspícios, tanto pela formação da nova freguesia, com famílias ilustres, quanto pela comunidade da Freguesia de Tamanduá, que se mudou em peso para a nova localidade. Pela Lei Provincial nº 184, de 3 de Maio de 1869, a Freguesia de Palmeira foi elevada à categoria de vila e município, com território desmembrado de Ponta Grossa. A instalação oficial ocorreu no dia 15 de Fevereiro de 1870. Pela Lei nº 238, de 9 de Novembro de 1877, Palmeira recebeu foros de cidade, sendo que através da Lei nº 952, de 23 de Outubro de 1889 foi elevada à categoria de Comarca.
Vista lateral da Igreja Matriz da cidade. (imagem: Guilmann).
A instalação ocorreu a 1º de Março de 1890, em solenidade presidida pelo seu primeiro Juiz de Direito, Dr. Tristão Cardoso de Menezes. Palmeira abrigou em seu território inúmeras colônias de imigrantes, dentre as quais: Sinimbu, Marcondes, Nossa Senhora do Lago, Santa Quitéria, Alegrete, Hartmann, Papagaios Novos (todos com alemães vindos do Volga em 1878), e mais Santa Bárbara com Cantagalo com os núcleos Puga, Quero-Quero e Capão da Anta (mais ou menos prósperos, segundo Romário Martins), Kittolandia (ingleses liderados por Charles William Kitto) e a Colônia que foi formada em 1889 por italianos. A Colônia Cecília é uma página a parte na historiografia regional. Idealizada ainda no regime imperial, sob permissão do Imperador Pedro II, foi organizada por Giovanni Rossi e constitui-se em uma "experiência anarquista" em pleno final do século XIX. Com Rossi vieram entre cem e duzentas pessoas, dentre os quais alguns intelectuais que se dispuseram a pôr em prática seus ideais anarquistas. A colônia ficava entre Palmeira, Porto Amazonas e Lapa, próximo de um lugar denominado Serrinha, sendo que atualmente existem apenas estábulos envelhecidos e poucos descendentes de anarquistas. Plantavam e viviam em comunidade, respeitando a natureza, no entanto a experiência durou apenas de 1889 a 1895. Houve dispersão comunitária, em busca de maior civilidade, mas os ideais anarquistas proliferaram.
Delegacia policial da cidade, inaugurada em 4 de Junho de 1950 pelo secretário de Segurança do Estado, Pedro Scherer Sobrinho. (imagem: Guilmann).
Giovanni Rossi perdeu dois filhos na Colônia Cecília, sendo um dos últimos a se retirar do lugar. Em 2 de Janeiro de 1892, pelo Decreto nº 7, foi criado o Distrito de Papagaios Novos (sede de antigo núcleo colonial alemão), sendo extinto em 1910, assim como o de Diamantina. A Lei nº 1.164, de 30 de Março de 1912, restabeleceu os foros destes distritos, foram novamente extintos em 1920, pela Lei nº 1965. Em 1940 o município de Entre Rios foi anexado, como simples distrito, ao município de Palmeira. Em 1921 foi restabelecido o distrito de Papagaios Novos, que permanece até os dias de hoje jurisdicionada ao município de Palmeira.


Patrimônios históricos

O município possui como patrimônio histórico do Estado do Paraná, a Ponte dos Papagaios e a arquibancada de madeira do Ypiranga Futebol Clube, o time local da cidade, além da Casa Fazenda Cancela, que é um museu e edifício histórico localizada dentro da Colônia Witmarsum.

Personalidades

Palmeira foi o berço de personagens famosos que com seu espírito público, humano e exemplo de laborioso trabalho, ajudaram a construir o Paraná e o Brasil. Homens e mulheres como:
  • Barão do Tibaji (José Caetano de Oliveira) e Viscondessa do Tibaji.
  • Jesuíno Marcondes de Oliveira e Sá que participou do Ministério de D. Pedro II durante o Império (Ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas), além de ter sido o último presidente da Província do Paraná, até 1888.
  • Heitor Stockler de França, príncipe dos Poetas do Paraná.
  • Alfredo Bertoldo Klas, pracinha da FEB, recebeu várias condecorações por bravura na Segunda Guerra Mundial, escritor, prefeito de Palmeira
  • Newton Stadler de Sousa, grande jornalista do Paraná
  • João Chede, deputado estadual e prefeito de Palmeira por várias vezes
  • Arthur Orlando Klas, dentista, escritor e amante e estudioso da história de Palmeira
  • Assad Kustandi Kardush, comerciante e professor de Inglês, nascido em Nazareth na Palestina chegando em 1950 em Palmeira onde viveu até falecer em 1986. Poliglota e pessoa de grande cultura e muito conhecido na cidade.
  • Metry Bacila, cientista de renome internacional.
  • Jorge Amin Bacila, magnífico médico, clinicou na cidade por 30 anos e hoje vive em Curitiba, a capital do Estado, com 86 anos. Desde os 4 anos de idade sem nenhuma audição, conquistou seu espaço na medicina. Nascido em 1 de Dezembro de 1920, ainda atuando na profissão.
  • Astrogildo de Freitas, grande historiador e primeiro diretor dos Correios do Paraná. Escreveu três livros sobre a história de Palmeira e dos Correios do Paraná
  • Dom Alberto Gonçalves.
    Dom Alberto José Gonçalves, primeiro paranaense a ser consagrado bispo.
  • Oscar Teixeira de Oliveira, escritor de crônicas e artigos para jornais.
  • Maria Edite Lederer, poetisa com 4 livros editados.
  • Ivo Arzua Pereira, político e escritor, foi prefeito de Curitiba e ministro da Agricultura do Brasil.
  • Francisco Sinke Ferreira, médico humanitário. Pela competência profissional, retidão de caráter e bondade tornou-se um homem muito querido da população da Palmeira, onde recebeu, em vida, inúmeras homenagens.
  • Dr. Moisés Marcondes, médico, romancista e cronista.
  • Coronel Antônio de Sá Camargo, um dos fundadores da cidade de Guarapuava.
  • Claudio Lenine Anderman, nasceu em Urubici e chegou na cidade por volta dos anos 80 e cresceu na indústria ecológica, levando em frente o projeto de um viveiro de plantas, que se tornou o maior do país. Hoje em dia seu filho Leonel Carlos Anderman trabalha com ele em prol de uma cidade com uma boa arborização e bela qualidade de vida. Tocam hoje o Viveiro Porto Amazônas.
  • Pedro Scherer Sobrinho, oficial do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar do Paraná que teve ativa participação política no Estado.
  • Angelo Sampaio, oficial do Exército Brasileiro. Nasceu em 1 de Outubro de 1875. Ingressou na Escola Militar, quando eclodiu a Revolta da Armada. Como alferes comissionado tomou parte dos combates na Praia de Santa Luzia, Arsenal da Marinha. Servia no 39° Batalhão de Infantaria, em Curitiba, quando foi enviado para combater da Guerra de Canudos, onde foi morto em 1 de Outubro de 1897.
  • Clã Ferreira Maciel, composto por Pedro Ferreira Maciel, Luís Ferreira Maciel, Ottoni Ferreira Maciel, além de Domingos Ferreira Maciel.
  • Berço também de heróis anônimos da Guerra do Paraguai, da Segunda Guerra Mundial como por exemplo Vicente Zaleski e outros heróis que, com seu trabalho no movimento tropeirista ou na acolhida a estes, prestaram sua colaboração
  • Manuel Demétrio de Oliveira - Herói da Guerra do Paraguai.
  • Sérgio Krzywy - "Dom Sergio Krzywy" Bispo atualmente atuando no interior de São Paulo.
  • Arnoldo Monteiro Bach - membro da Academia de Letras dos Campos Gerais, professor e jornalista; autor de vários livros, mantém no sítio Minguinho um museu dedicado a retratar e memorizar ambientes do cotidiano da cidade de Palmeira e região.



Imigrações


A região já era povoada por ricos fazendeiros portugueses, antigos bandeirantes paulistas que se fixaram na região, caboclos e negros descendentes de escravos. A partir de 1878, por iniciativa dos governos provincial e imperial começam a se fixar na região outras colônias de imigrantes:
  • Russos-alemães: começaram a chegar em 1878 e formaram sete núcleos ou colônias de povoação. Se dividiam em católicos e luteranos. Muitos abandonaram a atividade agrícola e passaram a se dedicar ao serviço de transporte de mercadorias com carroções. Outros passaram a trabalhar em obras públicas e outras ainda em atividades urbanas.
  • Polacos: chegaram a partir de 1888. Agricultores por excelência, se espalharam pelo município formando várias colônias.
  • Italianos - Anarquistas: chegaram em 1890, motivados por Giovani Rossi para implantar a primeira Colônia Anarquista da América, mundialmente conhecida como "Colônia Cecília". A mesma acabou alguns anos depois por motivos internos e externos, os imigrantes italianos se transferiram para várias regiões do Brasil, contribuindo decisivamente para o surgimento do movimento sindical em nosso país. Ficam em Palmeira apenas três famílias.
  • Alemães Menonitas: chegam em 1951 e fundam a Colônia Witmarsum e a Cooperativa Mista Agropecuária Witmarsum Ltda. que é grande produtora de leite e seus derivados e de frango com a marca “Cancela”.
  • Russos Brancos: chegaram em 1958 e se fixaram na localidade de Santa Cruz, entre Ponta Grossa e Palmeira, dedicando-se a atividade agrícola.
  • Sírio-libaneses, palestinos, egípcios e japoneses: chegaram no início do século XX. Os sírio-libaneses se dedicaram ao comércio e os japoneses ao comércio e a agricultura.



Esporte


Estádio João Chede - Clube de futebol Ipiranga. (imagem: Guilmann).
No passado, o Pinheiral Esporte Clube foi vice-campeão paranaense em 1939. Também o Ypiranga participou do Campeonato Paranaense de Futebol.

Colônia Cecília

Clube Palmeirense. (imagem: Guilmann).
A Colônia Cecília foi uma comuna experimental baseada em premissas anarquistas. A Colônia foi fundada em 1890, no município de Palmeira, no estado do Paraná, por um grupo de libertários mobilizados pelo jornalista e agrônomo italiano Giovanni Rossi (1859-1943). A fundação da Colônia Cecília foi a primeira tentativa efetiva de implantação do ideário anarquista no Brasil (1889). Rossi, ideólogo e escritor anarquista, adepto da "acracia", foi instigado pelo músico brasileiro Carlos Gomes a procurar D. Pedro II com o propósito de instaurar uma comunidade capaz de propulsionar um "novo tempo", uma utopia baseada no trabalho, na vida e no amor libertário. Interessado na colonização do Brasil, D. Pedro II atendeu o pedido e escreveu ao Rossi oferecendo as terras a serem ocupadas pelos italianos (300 alqueires na região meridional brasileira). A doação, de fato, não aconteceu: logo depois da oferta pelo Imperador foi instaurada a República brasileira, que não reconheceu concessões de terras outorgadas pelo império deposto a estrangeiros. Rossi não desistiu. Comprou as terras por meio da "Inspetoria de Terras e Colonização". O Brasil recebeu uma grande quantidade de imigrantes, principalmente italianos, no final do século XIX. Se na Itália a condição de vida no campo fundamentou a emigração, aqui, tanto nas fazendas de café como nos núcleos coloniais a realidade não era muito diferente, e era distante de um processo de caráter inovador: o imigrante se inseria no Brasil como proletário em potencial. Foi nesse meio social que o anarquismo se propagou no Brasil.

A vida na Colônia
Os primeiros colonos chegaram em 1890 e construíram um barracão coletivo que instalava, provisoriamente, as famílias para, em seguida, cada uma tratar de construir a sua própria casa. Nessa época, o contingente populacional na Colônia Cecília era de quase trezentas pessoas, inclusive o próprio Rossi. Ao final de 1891, a explosão populacional superava a estrutura disponível: 20 casas de madeira e um barracão comunitário. A lavoura, a pecuária não produziam o suficiente para a subsistência dos colonos, grande parte de origem operária e sem conhecimentos agrícolas para implementar uma produção em maior escala. O primeiro obstáculo enfrentado pelo núcleo anarquista foi o modo de organizar o trabalho. Aos artesãos, foram designadas tarefas semelhantes às que já realizavam. Mas quanto aos lavradores, Giovanni Rossi já pressentira que encontrariam dificuldades em razão da diferença entre o solo brasileiro e o italiano. Ao concluírem a construção das habitações coletivas e individuais e dividirem racionalmente o trabalho entre os 150 colonos, eles se depararam com um fato real: o milho, que era ideal para aquela região, não nasce do dia para a noite. Com o dinheiro que trouxeram conseguiram subsistir, comprar mantimentos, instrumentos para a lavoura e sementes. Contudo, viram-se obrigados a procurar por outras atividades para delas tirar seu sustento até que pudessem viver tão somente de sua lavoura. Alguns se ocupavam da plantação enquanto outros trabalhavam em obras do governo. Os colonos plantaram mais de oitenta alqueires de terra - em área que lhes fora cedida pelo Imperador Pedro II, pouco antes da proclamação da República - e construíram mais de dez quilômetros de estrada, numa época na qual inexistiam máquinas, tratores ou guindastes de transporte de terras. Foram edificados o barracão coletivo, vinte barracões individuais, celeiros, a casa da escola, moinho de fubá, tanque de peixes, o pavilhão coletivo - que também abrigava o consultório médico - viveiro de mudas, poços, valos, pomar de peras, estábulos, além da grande lavoura de milho. Nos quatro anos de existência da colônia (1890-1894), sua população chegou a atingir cerca de 250 pessoas. Realizaram-se duas relações do tipo poligâmico. O próprio Rossi se propôs como exemplo concreto do novo estilo de vida, compartilhando com outro homem a sua ligação amorosa com uma moça da colônia. Em 1892, aconteceu o primeiro revés na Colônia: sete famílias decidiram pelo regresso à Itália - a primeira desagregação que, seguida de outras, reduziu a Colônia a apenas vinte pessoas até o final desse mesmo ano. Os colonos iniciaram a migração para Curitiba: eram médicos, engenheiros, professores, intelectuais e operários, além de camponeses na Itália. Esse grupo fundou na capital paranaense a Sociedade Giuseppe Garibaldi. No ano seguinte (1892), a Colônia recebe novo alento com a chegada de novos colonos. Nesse período (apogeu de sua breve história), teve início a vitivinicultura e a fabricação de sapatos e barricas. Ao final desse ano, a Colônia contava com sessenta e quatro pessoas, dois poços artesianos e uma estrada de acesso. Foi também nesse período que os sapateiros oriundos da Colônia exerceram papel de destaque no movimento operário do Estado.

O fim da colônia
O experimento da Colônia Cecília terminou por vários motivos. O principal foi a pobreza material, chegando mesmo a condições de miséria. Em segundo lugar, a hostilidade da vizinha comunidade polonesa, fortemente católica. O próprio clero e as autoridades locais promoveram o ostracismo dos anarquistas. Enfim, havia as doenças, ligadas à desnutrição, à falta de condições de saneamento adequadas, além dos problemas internos ligados às dificuldades de adaptação ao estilo de convivência anarquista, particularmente no tocante ao amor livre, que, embora teoricamente fosse aprovado por todos, na prática, despertava temores, especialmente entre as camponesas. A Colônia Cecília, desde o final de 1893, entretanto, dá sinais de esgotamento: havia grande demanda por mão de obra nas cidades vizinhas, especialmente Palmeiras, Porto Amazonas, Ponta Grossa, além da capital. Mesmo assim, outras famílias continuaram chegando à Colônia, atraídas pela propaganda difundida pela imprensa socialista europeia que, entretanto, não foi suficiente para a sua manutenção. A Colônia Cecília se extinguiu em 1893.

Colônia Witmarsum

Igreja Menonita de Witmarsum, onde o culto ainda é realizado em língua alemã. (imagem: SamirNosteb).
Situada no município de Palmeira no Estado do Paraná a Colônia Witmarsum foi formada em julho de 1951 por menonitas que reimigraram da cidade de Witmarsum do Estado de Santa Catarina. Os menonitas da Colônia Witmarsum pertencem ao grupo dos menonitas alemães-russos, que tem sua origem na Frísia, no norte da atual Holanda e Alemanha. Através da Prússia eles imigraram para Rússia no século XVIII, de onde fugiram em 1929, quando o comunismo se instalou naquele país. Em 1930 vieram ao Brasil onde, após uma tempo em Santa Catarina, fundaram em 1951 a Colônia Witmarsum no Paraná. Graças a um financiamento conseguido junto aos menonitas da América do Norte, foi possível comprar em 7 de Junho de 1951 a Fazenda Cancela. Ocupa uma área de aproximadamente 7.800 hectares e possui aproximadamente 1.500 habitantes. Compreende cinco núcleos de povoamento, denominados aldeias e numerados de 1 a 5 e, dispostos em torno de um centro administrativo comercial e social situado na sede da antiga Fazenda Cancela (atual museu Casa Fazenda Cancela). Sua base econômica reside na agropecuária, desenvolvida sobretudo no setor da pecuária leiteira. Também há criação de frangos e porcos para o abate e plantações de soja e milho. Na Colônia de Witmarsum ocorrem as Estrias Glaciais de Witmarsum, um registro marcante da grande glaciação que ocorreu do Carbonífero inferior ao Permiano inferior, entre 360 e 270 milhões de anos atrás, quando toda porção sul do antigo supercontinente Gondwana, então parte da atual América do Sul, ficou coberto por espessas camadas de gelo.

Estrias Glaciais de Witmarsum

Afloramento mostrando as estrias glaciais de Witmarsum. (imagem: GeoPotinga).
As Estrias Glaciais de Witmarsum situam-se na Colônia Witmarsum, município de Palmeira, estado do Paraná, Brasil, à cerca de 5,4km da BR-376, entre as cidades de Curitiba e Ponta Grossa e próximo ao Parque Estadual de Vila Velha. Este afloramento é um registro marcante da grande glaciação que ocorreu do Carbonífero inferior ao Permiano inferior, entre 360 e 270 milhões de anos atrás, quando toda
Painel explicativo das Estrias Glaciais de Witmarsum.
(imagem: GeoPotinga).
porção sul do antigo supercontinente Gondwana ficou coberto por espessas camadas de gelo. Esta glaciação é conhecida como Glaciação Karoo. Trata-se de um pavimento polido com estrias e sulcos de extensão métrica, orientados na direção norte-sul, preservado no topo de uma camada de arenitos. O provável sentido de movimento das geleiras era de sul para norte. Acima do pavimento aflora um diamictito, rocha originada da erosão e deposição causada pelo movimento da geleira sobre o substrato e portadora de clastos facetados e eventualmente estriados. O diamictito pertence ao Grupo Itararé da Bacia do Paraná. O afloramento foi tombado pela Secretaria da Cultura do Paraná, sendo todo sinalizado. É um dos sítios geológicos brasileiros, definido pela Comissão Brasileira de Sítios Geológicos e Paleobiológicos.


Ponte dos Papagaios

Antiga ponte sobre o Rio dos Papagaios, às margens da BR 277, construída em 1876 por imigrantes alemães quando da visita de Dom Pedro II ao Paraná. Obra tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural, sendo considerada um monumento da engenharia nacional. (imagem: SamirNosteb).
A Ponte dos Papagaios, também conhecida por Ponte de Dom Pedro, constitui um patrimônio histórico e artístico do estado do Paraná. Sua denominação principal é devido ao rio em que esta localizada: o Rio dos Papagaios. Localizada entre a divisa dos municípios de Palmeira e Balsa Nova, no quilômetro 50 da estrada BR-277, é uma ponte centenária, construída com pedras retiradas da região e tombada pelo Patrimônio do Paraná em 3 de Setembro de 1973.

História
Construídas entre os anos de 1876 e 1877 com autorização do imperador brasileiro D.Pedro II, foi inaugurada, oficialmente, com a presença da comitiva real em 1880. Considerada um monumento de engenharia brasileira do século XIX, foi a primeira desse gênero na província, sendo que o seu projetista foi o capitão do exército Francisco Antônio Monteiro Tourinho, que era engenheiro militar, sob a responsabilidade do presidente (provinciano) Adolfo Lamenha Lins. Sua construção era uma reivindicação do povo de Palmeira para facilitar e encurtar as viagens na antiga Estrada do Mato Grosso, única ligação entre a capital: Curitiba e os municípios situados do planalto dos Campos Gerais do Paraná.

Arquitetura e matéria prima
Construído por imigrantes alemães, obedeceu ao projeto de Francisco Antônio Monteiro Tourinho, que determinava dois arcos em seu vão central e a matéria prima constituída, obrigatoriamente, de pedras da região dos campos gerais. Para a obtenção destas pedras, exigiu-se a não utilização de explosivos e que estas fossem talhadas à mão no formato de blocos de paralelepípedo, com arestas vivas e em faces lisas. Para a fixação destes blocos de pedras, foi utilizada argamassa.

Ponto turístico
Com a construção da BR-277, foi erguida uma nova ponte no local e assim a Ponte dos Papagaios deixou de receber o tráfego intenso de veículo, visando a sua conservação. No local foi idealizado um recanto e local para descanso aos viajantes, constituído de piscinas naturais no Rio dos Papagaios, churrasqueiras e bosque, num total de 15 mil metros quadrados de área. O local ficou conhecido como Recanto dos Papagaios, tornando-se ponto turístico em função da construção histórica pertencente ao local.

Casa sede da Fazenda Cancela

Casa Fazenda Cancela - Museu histórico de Witmarsum. (imagem: SamirNosteb).
A Casa sede da Fazenda Cancela é um museu e edifício histórico localizada dentro da Colônia Witmarsum, nos Campos Gerais do Estado brasileiro do Paraná.

História
Construída na primeira metade do século XX pelo senador Roberto Glaser (senador de 1937 a 1946) para ser sede da Fazenda Cancela. Após a Segunda Guerra Mundial a fazenda foi comprada pelo Menonitas brasileiros que se instalaram na região com a intenção de produzir leite pasteurizado e a antiga sede foi transformada em hospital-maternidade, entre outras utilizações. Em Setembro de 1989 a casa foi tombada pela Secretária da Cultura do Estado do Paraná e logo após se tornou museu histórico da colônia, mantendo um acervo de objetos, móveis, fotos, equipamentos e utensílios das colônias Menonitas de Santa Catarina e da própria Witmarsum, além de peças históricas trazidas pelos primeiros imigrantes menonitas vindo da Rússia.

Arquitetura
Construída em madeira e alvenaria, em estilo europeu-italiano, com um pavimento e sótão habitável, possui 400 m2 de área construída e mantem ornamentos em lambrequins e forte inclinação em sua cobertura.

Referências


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.