quarta-feira, 23 de julho de 2014

Biografia de Sólon

Sólon
Sólon. (grego Σόλων, transliteração: Sólōn). Nasceu em Atenas no ano de 638 a.C., e, faleceu em 558 a.C. Sólon foi um legislador, jurista e poeta grego antigo. Foi considerado pelos antigos como um dos sete sábios da Grécia antiga e, como poeta, compôs elegias morais-filosóficas. Em 594 a.C., iniciou uma reforma das estruturas social, política e econômica da pólis ateniense. Aristocrata de nascimento, inicialmente trabalhava no comércio, passando depois a dedicar-se inteiramente à política. Fez reformas abrangentes, sem conceder aos grupos revolucionários e sem manter os privilégios dos eupátridas. Criou a eclésia (assembléia popular), da qual participavam todos os homens livres atenienses, filhos de pai e mãe atenienses e maiores de 30 anos. Sua obra como legislador ou "árbitro da constituição", como o define Aristóteles, se articula em três pontos principais:

  • Abolição da escravidão por dívidas;
  • Reforma timocrática ou censitária: a participação não era mais por nascimento, mas censitária, através do Conselho de 400 (Bulé).
  • Reforma do sistema ático de pesos e medidas.

De origem nobre, mas sem grandes recursos, dedicou-se ao comércio, viajou muito e regressou rico a Atenas, na idade aproximada de 30 anos. Nomeado arconte em 594, notabilizou-se como grande legislador, "pai da democracia ateniense". Entre outras coisas, dividiu o povo em quatro classes, "cujos direitos eram proporcionais às obrigações: pentacosiomedinos; cavaleiros, zeugitas e tetas. Aumentou os poderes do Aerópago; criou o Senado ou Conselho dos 400, cujos membros foram escolhidos nas três primeiras classes (aos tetas reserva-se apenas o direito ao voto); determinou as atribuições respectivas do Senado e da Assembléia do Povo. Regulou o papel dos diferentes tribunais que foram presididos pelos arcontes ou outros magistrados; instituiu, além disso, um grande tribunal popular, o Helieu, que julgava a maior parte dos processos criminais, e desempenhava o papel de tribunal de apelação nos assuntos civis. Restam fragmentos de suas poesias: elegias políticas ou morais, jambos e hinos de grande beleza. Fixou um limite para a extensão da propriedade para cada cidadão. Membro de uma nobre família arruinada em meio ao contexto de valorização dos bens móveis na pólis ateniense, Sólon se reconstituiu economicamente através da atividade comercial. Profundo conhecedor das leis, foi convocado como legislador pela aristocracia em meio a um contexto de tensão social na pólis, quando os demais grupos sociais viam as reformas de Drácon (ocorridas por volta de 621 a.C.) como algo insuficiente. Na sua reforma, Sólon proibiu a hipoteca da terra e a escravidão por endividamento através da chamada lei Seisachtheia; dividiu a sociedade pelo critério censitário (pela renda anual) e criou o tribunal de justiça. Suas atitudes, no entanto, desagradaram a aristocracia, que não queria perder seus privilégios oligárquicos, e o povo, que desejava mais que uma política censitária, e sim a promoção de uma reforma agrária. Sólon também modificou o código de leis de Drácon, que já não era mais seguido por causa de sua severidade. A punição do roubo, que era a morte, passou a ser uma multa igual ao dobro do valor roubado. Dentre os 6.000 cidadãos, chamados no Tribunal de Heliaia de heliastas, eram escolhidos por votação os julgadores, sempre em número ímpar, quando passavam a ser chamados de dikastas, que atuavam nas sessões de justiça - as chamadas dikasterias. No julgamento de Sócrates houve 801 os dikastas. Por ocasião da entrada de Pisístrato na cena política ateniense, Sólon se retirou em exílio voluntário. “É que as leis em nada diferiam das teias de aranha: se, como estas, estavam aptas a prender os fracos e pequenos que conseguissem apanhar, seriam contudo despedaçadas pelos poderosos e pelos ricos”. Esta frase é muitas vezes equivocadamente atribuída a Sólon, mas foi dita por Anacársis, ao saber que Sólon havia sido designado para elaborar um código de leis para os atenienses, desta forma, Anacársis descreveu a ocupação, com a referida citação.


Eclésia

A Eclésia (em grego: Εκκλησία; transliteração: ekklesia) era a principal assembléia da democracia ateniense na Grécia Antiga. Era uma assembleia popular, aberta a todos os cidadãos do sexo masculino, com mais de dezoito anos que tivessem prestado pelo menos dois anos de serviço militar e que fossem filhos de um pai natural da pólis (a partir do ano de 452 a.C. também a mãe o teria de ser). Atuava no âmbito da política externa e detinha poderes de governação relativos à legislação, judiciais e executivos, como por exemplo, decidindo a destituição de magistrados. Também fiscalizava todos aqueles que cargos de poder, de modo a que não abusassem do mesmo e desempenhassem as suas incumbências o melhor possível. Durante a guerra do Peloponeso foi atribuída uma remuneração ("misthos ecclesiastikós"), aos cidadãos da Assembleia, uma vez que as reuniões se realizavam com alguma frequência (cerca de quatro vezes por mês) e podiam demorar um dia inteiro. Estas reuniões realizaram-se, em Atenas e durante o século V a.C., na colina da Pnix, diante da Acrópole, tendo também ocorrido na Ágora e no Teatro de Dionísio. Neste século era eleito um prítane (prítane era a designação dada aos mais altos magistrados de muitas das cidades da Grécia Antiga) para chefiar cada reunião, denominando-se este cargo de epístata. A tribuna a partir da qual se faziam os discursos denominava-se "bema", e nestas assembleias os prítane (cinquenta membros de cada tribo que pertenciam ao Conselho dos Quinhentos) detinham o poder máximo. Foi criada por Sólon em 594 a.C. A Eclésia abria suas portas para todos os cidadãos para que se nomeassem e votassem magistrados (indiretamente votando para o Areópago) e estrategos, para que se tivesse a decisão final acerca de legislação, guerra e paz; e para que os magistrados respondessem por seus anos no cargo. No século V a.C. Havia 43.000 pessoas participando da Eclésia. Originalmente, se encontrava uma vez a cada mês, mas mais tarde se encontrava três ou quatro vezes por mês. Os assuntos eram estabelecidos pelo Bulé (bulé era uma assembléia restrita de cidadãos encarregados de deliberar sobre os assuntos correntes da cidade). Os votos eram contados pelas mãos.


Etimologia

Antônio Houaiss, no seu dicionário, diz da palavra "Igreja", no sentido mais espiritual que material: gr. ekklésía,as "assembleia por convocação, assembleia do povo ou dos guerreiros, assembléia dos anfictiões, assembleia de fiéis, lugar de reunião ou de uma assembleia, igreja", pelo lat. Ecclésìa, ae "assembléia, reunião, ajuntamento dos primeiros cristãos, a comunhão cristã, igreja, templo", desde cedo com "i" - inicial, embora sofra influência eclesiástica semierudita. Na mudança do -cl- intervocálico pelo -gr-; cumpre ter em conta a posição antetônica e inicial da vogal -i-, que, em toda a cognação, nunca foi ou é tônica (cf. idade e cog.); lembre-se que a grafia egreja, no séc. XVIII, decorre de tendência, às vezes equivocada, de imitar o latim em todas as palavras grafadas com "e" pronunciado "i"; ver eclesi(o); filologia histórica: séc. XIII igreja, séc. XIII egreja, séc. XIII ygreja, séc. XVIII egreja.


No cristianismo

Ecclesia é uma palavra latina, que quer dizer "igreja", atualmente, mas que significou, originalmente, "curral" ou "abrigo de ovelhas". Trata-se de uma palavra muito difundida no Cristianismo, em que os fiéis são chamados de "ovelhas", que são cuidadas pelos "pastores". O conjunto dos cristãos que se reúnem regularmente em uma igreja também é chamado de igreja, assim como o total dos cristãos de uma mesma comunidade. Em alguns denominações cristãs, o termo substitui "igreja", de modo casual, como é o caso do Cristadelfianismo e do Autenticismo.


Citações
  • Um homem rico sem sorte é mais capaz de satisfazer seus desejos e de escapar dos desastres quando aparecem, mas um homem de sorte é melhor do que ele... Ele é o único que merece ser descrito como feliz. Mas até que ele esteja morto, é melhor abster-se de chamá-lo feliz, e apenas chamá-lo sortudo”.
    • Heródoto (trad. Robin Waterfield) The Histories Bk. 1, ch. 32, pp. 15-16.
  • Nenhum idiota consegue ficar em silêncio em uma festa”.
    • Epíteto, Fragmento 71, trad. Thomas Wentworth Higginson.
  • Pense em sua honra, como um cavalheiro, de mais peso do que um juramento”.
    • Diógenes Laércio (trad. fr C. D. Yonge) A Vida e Opiniões dos Filósofos Eminentes (1853), "Sólon", sect. 12, p. 29.
  • Governe, após ter aprendido a ser governado”.
    • Diógenes Laércio (trad. C. D. Yonge) A Vida e Opiniões dos Filósofos Eminentes (1853), "Solon", sect. 12, p. 29.
  • Riqueza eu desejo a ter, mas injustamente obtê-la, não desejo
    Justiça, mesmo que lenta, é certa”.
    • Plutarco Solon, ch. 2; trad. Bernadotte Perrin.

Referências

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