terça-feira, 29 de julho de 2014

Biografia de Pedro Abelardo


Escultura de Abelardo
no Palais du Louvre.
(imagem: Jastrow).
Pedro Abelardo. (Pierre Abélard ou Pierre Abailard ou Pierre Abeilard ou Petrus Abælardus). Nasceu em Le Pallet, próximo de Nantes, Bretanha, em 1079, e, faleceu em Chalons-sur-Saône, a 21 de Abril de 1142. Pedro Abelardo foi um filósofo escolástico francês, um teólogo e grande lógico. É considerado um dos maiores e mais ousados pensadores do século XII. Ficou conhecido do público por sua vida pessoal e o relacionamento com Heloísa de Argenteuil (ou Heloísa de Paráclito), de que fala em sua História das Minhas Calamidades.

Vida, pensamento e obras

Na filosofia ocupa uma posição importante por ter formulado o *conceitualismo (veja: Notas no fim da postagem), posição que não pertence propriamente nem ao idealismo, nem ao materialismo. A obra principal de Abelardo, chamada Dialética, inspirada no pensamento de Boécio (Anício Mânlio Torquato Severino Boécio) foi a obra de lógica mais influente até o final do século XIII em Roma, onde foi usada como manual escolar, já que a lógica era ministrada como parte do **trivium (veja: Notas no fim da postagem), fornecendo aos estudantes os argumentos e armas para às disputas metafísicas e teológicas. A opinião de Abelardo de que a dialética é o único caminho da verdade teve o efeito benéfico, na época, de desfazer preconceitos e encorajar o pensamento livre. Para ele nada, exceto as Escrituras, é infalível; mesmo os apóstolos e os padres são passíveis de errar. Abelardo identificava o real ao particular e considerava o universal como o sentido das palavras (nominum significatio),
Abaelard und seine Schülerin Heloisa,
1882,
obra de Edmund Leighton

(1853–1922).
rejeitando o nominalismo. Dessa forma, o significado dos nomes permitiria esclarecer os conceitos, de forma a emancipar a lógica da metafísica, tornando-a uma disciplina autônoma. Foi o mais ilustre teólogo e filósofo do século XII, nasceu em Pallet, perto de Nantes, França. Destinado à carreira das armas, escolheu, no entanto, a das letras. Foi discípulo de Roscelino de Compiègne e Guilherme de Champeaux, chamou a atenção para a divergência que os separava quanto aos universais. A controvérsia centrava-se na qualidade empírica ou abstrata dos conceitos: os universais têm uma entidade genérica real ou são coisas puramente pensadas? O problema despertava interesse em todo o campo teológico. Enquanto Guilherme os considerava reais e necessários, Roscelino só lhes atribuía o valor de palavras. Abelardo adotou uma posição intermédia: Definia como não sendo meras palavras, mas também não estabelecendo um saber real, visto que, sendo a sua significação subjectiva, o que exprimem são tão só opiniões pessoais sobre o ser (sermones), que, contudo, possibilitam o entendimento entre os homens. As palavras importantes tornam-se universais ao serem aceites como tal, e como tal “usam-se” para exprimirem as verdades necessárias. Enfrentando não poucas dificuldades e lutas, ensinou desde 1108, com grande êxito, na escola de Santa Genovva. De 1113 a 1118 ocupou, finalmente, um lugar na escola catedral de Paris. A agitação doutrinal provocada por Abelardo, repercutiu-se, também, no modo de ensino que sofreu completa revolução. Romperam-se as formas de ensino da velha escola platônica, criando-se o embrião do que viria a ser o ensino universitário, inteiramente diferente do das escolas locais existentes. Mas o conteúdo doutrinário do seu ensino era, também ele, revolucionário. Para
Abelardo e Heloísa.
aprofundar o estudo dos temas, utilizou o método, embora já usado, mas que ele desenvolveu e que consistia em analisar os diferentes pontos de vista contraditórios em relação a uma mesma questão, lançando, assim, as bases da escolástica, em especial, a técnica das disputaciones que culminou na Summa. Este método foi tratado por ele na obra conhecida como (Sim e Não). Original foi também a sua concepção ética: afirmava que a intenção é tão importante como o ato que dela dimana. Abelardo, desde as primeiras dificuldades em Paris, mostrou-se sempre rebelde tendo até sido vítima de uma castração por causa do seu envolvimento amoroso
Les Amours d'Héloïse et d'Abeilard,
by Jean Vignaud (1819).
com Heloísa de Argenteuil, sobrinha do cônego Fulberto. Depois disso, Heloísa entrou para um convento e Abelardo, para um mosteiro. A partir desse período, trocaram cartas regularmente. Do relacionamento entre os dois nasceu um filho, Astrolábio. Abelardo foi condenado duas vezes, uma no Concílio de Soissons no ano de 1121, a que respondeu, como forma de desafio, fundando um oratório dedicado ao Espírito Santo (Oratório do Paracleto), e depois no Concilio de Sens em 1141 devido a pressões de Bernardo de Claraval, com quem se envolvera em polêmica. Poucos meses mais tarde morria no Priorado de Saint-Marcel (Chalons-sur-Saône).

Historia Calamitatum - (obra)

Historia Calamitatum ou Abælardi Ad Amicum Suum Consolatoria (História das Minhas Calamidades) é uma autobiografia escrita em latim pelo famoso escolástico (na verdade, pioneiro da Escolástica) Pedro Abelardo. Trata-se da primeira obra autobiográfica da Europa Ocidental, escrita em forma da carta, é claramente influenciada pelas Confissões de Santo Agostinho. Um dos principais méritos da Historia Calamitatum está em prover ao leitor uma visão do que era a vida intelectual em uma Paris anterior a criação das universidades, um período de grande agitação intelectual, marcado pela presença da Igreja (tanto é que o filósofo mais tarde tornar-se-á monge), e, claro, de seu relacionamento com Heloísa de Argenteuil.

Oratório do Paracleto


A Abadia do Paracleto antes de sua demolição, em uma gravura de 1793. (imagem: Hersendis).
A Abadia do Paracleto (também Abbaye du Paracletu, Latim: Paraclitus) ou Convento do Paráclito, foi um convento perto do rio Ardusson, entre Ferreux-Quincey e Saint-Aubin , no Departamento de Aube, fundado por Pedro Abelardo.


História


Foi fundada entre 1122-1123 por Pedro Abelardo uma ermida com a oratória, que pouco depois foi consagrado com o nome de Paracleto (um nome bíblico para o Espírito Santo). Logo Abelardo se estabeleceu ali com seus alunos, e eles querendo obter informações e aulas do famoso professor de teologia. Depois de 1128, quando Abelardo foi eleito abade do mosteiro de Saint-Gildas-de-Rhuys, ele deixou o Paráclito. Quando o Abade Suger de Saint-Denis expulsou as monjas beneditinas em 1129, as monjas beneditinas de Argenteuil com sua prioresa, Heloísa, Abelardo deu-lhes a propriedade do Paracleto. Abelardo lhe escreveu hinos, sermões e regras religiosas para o novo convento e permaneceu associado como conselheiro espiritual para Heloísa. Heloísa se tornou abadessa do Paráclito e passou o resto de sua vida lá. Ela e Abelardo foram enterrados juntos lá a partir de 1142 (quando Abelardo foi enterrado, em seguida, Heloísa quando ela morreu em 1164) até 1792, quando seus restos mortais foram transferidos para a igreja de Nogent-sur-Seine, que fica nas proximidades. Na época da Revolução Francesa, o convento foi dissolvido. O edifício do convento foi vendido pelo Estado em 14 de Novembro de 1792 e quase completamente removido até 1794.


Após a demolição


Hoje, no local antigo convento há uma mansão chamada "Maison Abbatiale"; no entanto, é um novo edifício do século XIX. Do antigo mosteiro existe apenas a cripta, onde Heloísa e Abelardo foram enterrados. O lugar é decorado com um obelisco, e ao lado dele é uma capela, um memorial recente.

Túmulo de Abelardo e Heloísa no Cemetery Père-Lachaise. (imagem: Patrick T. Power).



Citações


"Questionamento constante e freqüente é a primeira chave para a sabedoria... Através do duvidar que somos levados a inquirir, e pelo inquérito nós percebemos a verdade".

- Prima sapientiae clavis definitur, assidua scilicet seu frequens interrogation... Dubitando enim ad inquisitionem venimus; inquirendo veritatem percipimus.
- Sic et Non , Prologus; translation from Frank Pierrepont Graves A History of Education During the Middle Ages and the Transition to Modern Times ([1918] 2005) p. 53.


Notas:


*Conceitualismo junto com o realismo e o nominalismo propõe uma solução alternativa ao problema da existência dos universais. Para o conceitualismo, os universais são apenas conteúdos de nossa mente, inteligíveis ou conceitos, representações do intelecto que as deriva das coisas (universalia post rem) e dessas guarda alguma semelhança.

**Trivium (do latim tres: três e vía: caminho) era o nome dado na Idade Média ao conjunto de três matérias ensinadas nas universidades no início do percurso educativo: gramática, lógica e retórica. O trivium representa três das sete artes liberais, as restantes quatro formam o quadrivium: aritmética, geometria, astronomia e música. O contraste entre os estudos elementares do trivium face aos mais avançados no quadrivium originou a palavra "trivial", adjetivo para caracterizar algo que é básico, simples ou banal.


Referências

http://pt.wikipedia.org/wiki/Pedro_Abelardo






Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.