sábado, 5 de julho de 2014

Biografia de Manuel Lopes Rodrigues


Dois Véus (data desconhecida).
Manuel Lopes Rodrigues. Nasceu em Salvador, Estado da Bahia, a 31 de Dezembro de 1860, e faleceu, também em Salvador, a 22 de Outubro de 1917. Manuel Lopes Rodrigues foi um pintor brasileiro do realismo.




Formação e ambiente artístico



Fundado em 1872 o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia passou a proporcionar formação acadêmica aos artistas locais e, até, de outros Estados. Filho de João Francisco Lopes Rodrigues, recebeu do pai as primeiras lições artísticas, vindo depois a tê-las de Miguel Navarro Cañizares. Freqüentou o Liceu, vindo nele depois a lecionar. Incipiente, apesar de secular, foi apenas nos governos republicanos que as Belas Artes tiveram maior apoio dos governos baianos, sobretudo Manuel Vitorino e Rodrigues Lima. Mas o maior apoio vinha de D. Pedro II, no Brasil Império, e na forma de pensões, que foram em parte mantidas pela República. Estas eram adquiridas por meio de concursos. Lopes Rodrigues era pensionista do próprio Imperador - regalia que, dado seu talento, foi mantido quando da Proclamação da República. A despeito de seu reconhecimento, a quase totalidade de seus trabalhos eram encomendas de sociedades como o Instituto Histórico e Geográfico, a Igreja e entes públicos - o que lhe tolhia a criação, adstrito ao academicismo das encomendas.

Galeria de Artes

Paisagem da Bretanha (1892).

Orquestra Ambulante (1898).

Procissão na Bretanha (data desconhecida).

Natureza Morta (1890).

Nu Feminino Sentado (data desconhecida).

Sonho de Catarina Paraguaçu (1871).




Magistério



Foi nomeado em 1672 professor do Liceu baiano e, mais tarde, da Escola de Belas Artes. Dentre seus alunos que mais se destacaram, por quem tinha efetivamente predileção e amizade, conta-se Prisciliano Silva, um dos maiores expoentes da pintura baiana na primeira metade do século XX. Também foi seu aluno o não menos notável porém pouco lembrado Alberto Valença. Em 1905, Prisciliano vai estudar em Paris, por sua indicação e recomendações. Sobre ele o mestre registrou, em 1908:

Seguiu um rumo especial escolhido pelo seu talento. Filiou-se à escola nova e voltou impressionista a valer. Seus estudos mostram a preferência pelo ar livre, mas os seus interiores mostram-no ousado dos segredos das paletas ricas em recursos. Seu desenho é vigoroso e certo; as duas qualidades principais do artista”.

O discípulo ingressara no Liceu em 1578, e em 1899 chegou a copiar, escondido, um dos quadros do mestre. Sobre ele, escreveu o mestre, ainda:

Talvez então, o neurastênico que eu sou, orgulhoso de ter descoberto, contente de o ter visto trabalhador e honesto, lhe atire com as flores sinceras do meu aplauso o que a vaidade puder me dar de eloqüência entusiasta do meu amor de Mestre, afirmando-lhe: Não me enganei!”.


Trabalhos



Mudou-se por cerca de três anos, para o Rio de Janeiro (de 1882 a 1885), quando executa, junto ao escritor Vale Cabral, parte da "Exposição Médica Brasileira", escreve em jornais crítica artística e produz ilustrações médicas, fase considerada como "realismo médico". Sua crônica acerca da exposição revelava que não possuía apenas talento artístico plástico, mas considerável erudição, senso crítico e, até, espírito jornalístico. Na Bahia, continua escrevendo, eventualmente, em publicações culturais.

Galeria de Artes


Procissão de Roma (data desconhecida).

O Adeus (data desconhecida).

Sacristia (século XIX).

Sonho de Catarina Paraguaçu (1881).

Rosto de Espanhola com Leque (data desconhecidade).

Natureza-morta (1905).



 
Frustração artística



Apesar de farta produção, ressentiu-se toda a vida do reconhecimento devido. A crônica da época registra que, após sua morte, amigos e discípulos tiveram que organizar uma mostra com cinco dezenas de seus quadros, a fim de auxiliar a família do artista.



Obras



A República (1896).
Muitos de seus quadros e pinturas permanecem na cidade natal do pintor. O Museu de Arte da Bahia (MAB) possui algumas obras do mestre em seu acervo, dentre as quais "Dois Véus", retratando o pranto de duas mulheres, numa sala que leva-lhe o nome.



Ilustrações

Ilustrou as seguintes obras:

  • Atlas de Moléstias da Pele, de Silva Araújo;
  • Atlas de Moléstias das Crianças, de Moncorvo;
  • Atlas da Clínica de Olhos, de Moura Brasil;
  • Atlas da Clínica de Morféticos, de José Lourenço de Magalhães.

Quadros


  • Aquarelas de anatomia, para a Escola de Medicina do Rio de Janeiro.
  • Dois Véus (tela, 1890 – 1,93 x 1,45) – MAB;
  • Paisagem Romana (tela, s/d – 0,78 x 0,98) – MAB;
  • Nu (tela, Paris, 1899 – 0,19 x 0,38) – MAB;
  • O Adeus (considerada sua obra-prima, tela) – MAB;
  • La Boheme (tela, cópia do original de Franz Hals) – MAB;
  • A República (1896, Roma, 2,30 x 1,20) – MAB;
  • Natureza Morta – MAB.


    • No Museu Nacional de Belas Artes – Rio de Janeiro:


  • Cabeça de Cão (tela, 0,340 x 0,260);
  • Natureza Morta (tela, 0,460 x 0,560);
  • Cozinha Bretã (tela, 0,620 x 0,470);
  • Fundo de Quintal;
  • Auto-retrato;
  • Retrato da Vovó;
  • A Forja;
  • Quintal.

Bibliografia



Referências


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