sexta-feira, 4 de julho de 2014

Biografia de Isócrates


Isócrates.
(pic: William Jennings Bryan;
Francis Whiting Halsey).
Isócrates. (grego antigo: Ἰσοκράτης, Isokrátês). Nasceu em Atenas, em 436 a.C., e, faleceu também em Atenas, em 338 a.C.. Isócrates foi um orador, logógrafo (logógrafo era aquele que fazia discursos perante os tribunais de Atenas no Período Clássico), político e educador grego, criador do conceito de pan-helenismo.




Biografia


Nasceu no ano 436 antes de Cristo, no demo (na Grécia Antiga, o demo era uma subdivisão da Ática, região da Grécia em torno de Atenas) de Erquía, na Ática, durante a octogésima sexta Olimpíada, sob o arcontado de Lisímaco de Mirriunte. Era filho de Teodoro e Hedyto, e tinha dois irmãos, Telesipo e Diomnesto, e uma irmã, Ánaco. Seu pai possuía escravos que fabricavam flautas, talvez também outros instrumentos musicais, e este comércio o assegurou uma fortuna que lhe fez pertencer à uma classe média abastada; sabemos disto porque poetas cômicos como Aristófanes lhe recordaram este humilhante ofício. Seus três filhos receberam uma excelente educação graças à sua situação financeira, que ainda lhe permitiu ser corego (corego era o cidadão responsável pelas representações teatrais na Antiga Atenas, Grécia). Isócrates assistiu em Atenas aos debates e discussões de Sócrates e aos cursos de Pródico, Tísias, Terâmenes e, também, Górgias, que esteve em Atenas em 427 a.C. na qualidade de embaixador após uma viagem à Tessália. Também conta entre seus professores Pródico de Ceos e Tísias de Siracusa. Isócrates se tornou um seguidor nos aspectos formais de Górgias e nos ideológicos de Sócrates. Platão o elogiou no Fedro (diálogo). Perdeu a herança paterna na guerra contra Esparta, então não teve escolha a não ser ir para o trabalho na educação. Dirigiu uma escola de oratória na ilha de Quios, e ao retornar à Atenas, por volta de 403 a.C., trabalhou como logógrafo, e escreveu discursos judiciais e políticos; não iniciou uma carreira política, já que era tímido, de compleição pequena e fraca e com pouca voz. No entanto, fundou no ano 392 a.C. uma importante escola de oratória que se tornou muito famosa, não só pela eficácia da sua instrução, mas também pelo fato (emanado da sua formação socrática e platônica) de incluir em seu plano de estudos a educação ética do cidadão, em que se distinguiu claramente de seus principais competidores, os sofistas, cuja falta de padrões éticos atacou. A finalidade desta reforma educativa era, em última análise, propiciar uma regeneração política, pois Isócrates perseguia a unificação da Grécia como única forma de evitar a invasão dos persas (é a ideia central do seu famoso Panegírico, composto no ano 380 a.C.). O ciclo de estudos da sua escola durava entre três e quatro anos e a relação que mantinha com seus alunos era íntima e afetuosa, no qual ajudava o número reduzido (no máximo de nove) para exercer uma influência direta sobre cada um e dedicar todo o tempo possível à sua formação como homens políticos. Seu propósito era recuperar o esplendor da cultura grega criando uma nova juventude através da Educação (Paideia) com a intenção de reformar a cidade-estado por meio dos seus futuros líderes. Estes, como fator multiplicador, atuariam como os guias e educadores do resto da cidadania, pois esta era a única forma de consolidar instituições fortes e politicamente tão saudáveis como os cidadães que as formaram; esta foi a semente do posterior humanismo ocidental. Em um princípio, Isócrates colocou suas esperanças de regeneração no projeto político de Filipo II de Macedônia. Sua escola chegou, no entanto, a contar com cem alunos que pagavam mil dracmas cada um e Plutarco refere que, por exemplo, Nicocles de Chipre lhe pagou a grande quantia de vinte talentos pelos seus discursos πρὸς Νικοκλέα. Desta forma recuperou a sua posição econômica pessoal; foi chamado para exercer a trierarquia (liturgia muito onerosa para quem a exercia) e, por final, embora dispensado em 355 a.C., teve que ocupá-la em 352 a.C. No seu discurso περὶ ἀντιδόσεως πρὸς Λυσίμαχον fez referência a este fato. Durante alguns anos viveu com uma hetera (na sociedade da Grécia Antiga, heteras eram cortesãs e prostitutas sofisticadas, que além de suas prestações sexuais ofereciam companhia e com as quais os clientes frequentemente tinham relacionamentos prolongados) ateniense, mas posteriormente se casou com Platana (Plathane), viúva do orador Hípias de Elis, e adotou seu jovem filho Afareo. Segundo Diógenes Laércio, Aristóteles de Sicília, um retórico grego, escreveu um panegírico sobre ele e sua obra. Seu estilo é fluido, de frase complexa e abundante em antíteses. Educou os oradores Hipérides, Iseu de Atenas e Licurgo (orador); seus ensinamentos também são evidentes em oradores posteriores como o grego Demóstenes ou o romano Cícero (Marco Túlio Cícero). Faleceu vítima de um jejum voluntário em protesto pela perda da independência da Grécia no ano 338 a.C. Se conservam dele 21 discursos e 9 cartas. Os críticos alexandrinos lhe atribuem o quarto lugar entre os oradores gregos, mas foi sem dúvida alguma o mais influente. Isócrates desaprovava a filosofia platônica dizendo: "Eu desaprovo a “Paideia” chegada aos nossos dias, ou seja, a geometria, a astronomia e a discussão de questões litigiosas. A jovem geração encontra nisto um grande prazer. Nos anciões, ninguém se sentirá mais do que algo insuportável".



Obras


A Antiguidade lhe atribuiu cerca de sessenta discursos, dos quais, somente a metade seriam autênticos: Dionísio de Halicarnasso acreditava em 25 e Cecílio, em 28. Tem-se conservado seis compostos da sua atividade de logógrafo, dois elogios, muito característicos do gosto sofístico pelos paradoxos econômicos, e o que poderia se chamar de manifestos políticos. Os discursos próprios de um logógrafo que se tem transmitido com o seu nome são exemplos de casos usados na sua escola para exemplificar seus ensinamentos. São os seguintes:



  • Contra Eutino (403 ó 402 a.C.): discurso pouco desenvolvido sobre um processo de restituição de dinheiro em favor de um tal Nicias. O queixoso não tinha testemunhas a apresentar, e Isócrates se apoia na pertinência de sua argumentação.

  • Contra Calímaco (402 ó 401 a.C.): solicita uma exceção (παραγραϕή), em virtude de uma lei instaurada por Arginos.

  • Contra Logites (entre o ano 400 e o 396 a.C.).

  • Sobre o Troféu (396 ó 395 a.C.): defende o filho de Alcibíades; seu pai foi acusado, após sua tripla vitória olímpica de 416 a.C., de não devolver um dos troféus. A demanda retornou depois contra seu filho, já maior de idade.

  • Trapecítica (entre 393 e 391 a.C.): contra um banqueiro que se recusou devolver um depósito. O queixoso era originário do reino do Bósforo.

  • Eginética (390 ó 391 a.C.): processo sobre um assunto de herança fora da Ática. Transparece o renome internacional de Isócrates.



Figuram igualmente alguns elogios, entre os quais um Elogio de Helena (publicado entre 390 e 380 a.C.), e um Busiris (publicado antes de 390 a.C.), característicos do gosto sofístico pelos elogios paradoxos. Pode-se adicionar Contra os Sofistas, publicado em torno de 390 a.C., e que, certamente, era parte do ensinamento de Isócrates. O essencial está formado pelo que pode se chamar de manifestos políticos:


  • Panegírico (Πανηγυρικός), 380 a.C.
  • Arquidamos (365 a.C. / 362 a.C.)
  • Sobre a Paz (356 a.C.)
  • A Areopagítica (ca. 354 a.C.), que inspirou a obra de mesmo título do poeta inglês John Milton.
  • A Filipo (346 a.C.)
  • Panatenaica (entre 342 e 339 a.C.)


Suas outras obras são:

  • Plataico.
  • A Nicocles.
  • Nicocles.
  • Evágoras.
  • Sobre el cambio.

Se adicionam 9 cartas e alguns fragmentos.

Traduções


As obras completas de Isócrates foram traduzidas pelo helenista Antonio Ranz Romanillos no final do século XVIII (Madrid: Imprenta Real, 1789).

Frases famosas (em espanhol)



  • "No perseveréis siempre en vuestro derecho con rigor; no peleéis más que cuando os sea útil vencer."
  • "Sed ávidos de saber y llegaréis a ser sabios."

  • "Sed moderados en el castigo; que la pena esté siempre por debajo del delito."
  • "De todas nuestras posesiones, sólo la sabiduría es inmortal".

  • "Si llegáis a tener gustos despreciables, escondedlos; pero que vuestro ardor por las cosas grandes no deje nunca de mostrarse".

Pan-helenismo



O pan-helenismo é um movimento cuja meta é criar um "Grande Estado helênico" concebido como uma unidade política, ou seja, um Estado que una todas as nações que, na sua totalidade ou na sua maioria, sejam habitadas por povos de língua e etnia gregas. Esta ideia decorreu a partir do século V a.C., e não floresceu massivamente mas que foi anunciada pelos poucos pensadores que se mantiveram otimistas ante a degradação da cultura grega que inicia com as Guerras Médicas e que tem seu apogeu com a Guerra do Peloponeso.


História


Desde a Antiguidade houve figuras que apoiaram o ideal pan-helênico, numa época em que, embora houvesse certo sentimento de unidade contra os inimigos comuns, cada região dependia de polícias que muita vezes se enfrentavam em guerras mortíferas. Tais foram os casos de Isócrates, Filipo II e Alexandre, o Grande. Estas ideias também ganharam forma, parcialmente, durante o Império Romano do Oriente (Império Bizantino); mas após a sua queda, em 1453, teve que esperar até o início do século XIX para que o pan-helenismo se reconstituísse formalmente. Neste caso, se tratava de sociedades secretas [hetairas] formadas pelos gregos que eram oprimidos pelo jugo otomano. Em 1821, os gregos se armaram contra seus opressores, até que finalmente, em 1829, a Grécia foi declarada Reino soberano. Os ideais pan-helênicos se mantiveram inalterados não só durante o transcurso das lutas de libertação, mas também ao longo de toda a história do novo Reino. As pretensões pan-helênicas aumentaram novamente a partir de 1861 com a anexação da Tessália e as ilhas do Mar Jônico. Vinte anos depois, foi incorporado ao território grego, parte do Épiro. Se bem que a guerra greco-turca de 1897 resultou um duro golpe para o pan-helenismo em virtude da derrota total dos gregos, estes colheram vitórias na guerra dos Bálcãs que se desenvolveu durante o período 1912—1913. No término desta contenda, a ilha de Creta passou também a fazer parte do reino da Grécia. Após a Segunda Guerra Mundial, especialmente sob a junta militar que obteve o poder em Atenas em 1967, o pan-helenismo tornou-se sinônimo de Enosis (Enosis, em grego: Ένωσις, que significa "união". Refere-se ao movimento da população greco-cipriota para incorporar a ilha de Chipre à Grécia). Esta junta militar tentou anexar o Chipre à Grécia, com a finalidade de criar a mencionada enosis. Como consequência destas manobras, a Turquia decidiu invadir a ilha em 1974. As tropas turcas permanecem atualmente no norte de Chipre. Do ponto de vista administrativo, a ilha foi dividida em dois Estados.



Referências


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