quarta-feira, 30 de julho de 2014

Biografia de Guilherme de Ockham


Guilherme de Ockham
Guilherme de Ockham, em inglês William of Ockam (existem várias grafias para o nome deste franciscano: Ockham, Ockam, Occam, Auquam, Hotham e inclusive, Olram). Guilherme de Ockham nasceu em Ockham, Inglaterra, cerca de 1287, e, faleceu em Munique, Sacro Império Romano-Germânico, a 9 de Abril de 1347. Criador da teoria da Navalha de Ockham, foi um frade franciscano, filósofo, lógico e teólogo escolástico inglês, considerado como o representante mais eminente da escola nominalista, principal corrente oriunda do pensamento de Roscelin de Compiègne (Jean Roscelin). Guilherme de Ockham, conhecido como o “doutor invencível” (Doctor Invincibilis) e o “iniciador venerável” (Venerabilis Inceptor), nasceu na vila de Ockham, nos arredores de Londres, na Inglaterra, e dedicou seus últimos anos ao estudo e à meditação num convento de Munique, onde morreu em 9 de Abril de 1347, vítima da peste negra.



Biografia


Quando ainda na idade precoce, ingressou na Ordem Franciscana, onde estudou Filosofia. Acredita-se que ainda jovem, foi para a Universidade de Oxford ensinar ciências filosóficas e matemática, mas nunca teria concluído seu mestrado (o habitual grau de graduação naqueles tempos). Teve contato com outro franciscano, o filósofo e teólogo, John Duns Scotus, do qual se tornou discípulo. Escreveu vários ensaios sobre as Sententiarum Libri (Sentenças) do teólogo Pedro Lombardo. Um ponto drástico de sua vida ocorreu quando Ockham chegou à conclusão de que o Papa João XXII (Jacques d'Euse) estava defendendo uma heresia acerca da pobreza evangélica. Em função da controvérsia que surgiu, Ockham fugiu para Pisa, e, em seguida, acompanhou o imperador Luís da Baviera para Munique. Em Munique, continuou a atacar a figura do Papa, redigiu vários ensaios abordando a infalibilidade papal, defendendo a tese de que a autoridade do líder é limitada pelo direito natural e pela liberdade dos liderados, esta afirmada nos Evangelhos, deixando sua situação com a Igreja cada vez mais difícil. Um de seus argumentos mais fortes foi a afirmação categórica que um cristão não contraria os ensinamentos evangélicos ao se colocar ao lado do poder temporal em disputa com o poder papal.



Guilherme de Ockham e o conceito de Liberdade


Esboço de uma Summa logicae
(Manuscrito de 1341 com a inscrição:
frater Occham iste).
É um filósofo que deixa transparecer sua intensa luta pela liberdade e ao longo de anos desenvolveu uma teoria de liberdade baseada no sujeito. O indivíduo seria capaz de escolher e saber o que é certo e errado sem nenhuma intervenção exterior. O homem teria o direito de decidir o seu fim e a sociedade não deveria impor nada a ele. Para a ética, a liberdade é o assunto por excelência. A liberdade é muito importante para a ética, porque se ocupa do livre arbítrio, da finalidade de nossa vida e existência. Para Ockham, a liberdade apresenta-se como a possibilidade que se tem de escolher entre o sim ou o não, de poder escolher entre o que me convém ou não e decidir e dar conta da decisão tomada ou de simplesmente deixar acontecer. A preocupação de Guilherme de Ockham é com o fato de que o poder organizado e moralizado é contrário à natureza e à liberdade a nós concedida por Deus. Isto não é admitido como verdade por todos os filósofos, e no pensamento medieval do qual Ockham é um representante, isso era uma total desestruturação de uma cultura e sociedade vigentes. Ockham denuncia aqueles que em nome da religião, passaram a usurpar o livre arbítrio. E que tais usurpadores entendem, assim como ele, a liberdade como um dom de Deus e da natureza. Ockham situa a ação humana no indivíduo e suas escolhas reais e concretas, presentes não em verdade ou entes universais, mas nas coisas e situações particulares, individuais. Distingue faculdades humanas de faculdades animais, ou seja, o homem possui a capacidade de viver pela arte e pela razão, que no entendimento do filósofo seriam as faculdades humanas e é por elas que deve agir e não pelas faculdades animais (seus instintos). Pressupõe-se assim que é de nossa própria natureza a capacidade de escolha exercida por meio do livre arbítrio, entendida como presente de Deus e da natureza.



O princípio de Ockham


Occam escreveu sua obra cognominada “Ordinatio”, esta discorria que todo conhecimento racional tem base na lógica, de acordo com os dados proporcionados pelos sentidos. Uma vez que nós só conhecemos entidades palpáveis, concretas, os nossos conceitos não passam de meios lingüísticos para expressar uma idéia, portanto, precisam da realidade física, para as comprovações. Criou a máxima “pluralidades não devem ser postas sem necessidade” (em latim: pluralitas non est ponenda sine neccesitate), chamado de a Navalha de Ockham, no inglês, Occam's Razor.



A Navalha de Ockham


Conceito bastante revolucionário para a época, a Navalha de Ockham defende a intuição como ponto de partida para o conhecimento do universo. Ockham com destreza conseguiu demonstrar que o "Duns Scotus", princípio da economia, conhecido como a "Navalha de Ockham", estabelece que "as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário, a natureza é por si econômica e não se multiplica em vão". A Navalha de Occam ou Navalha de Ockham é um princípio lógico atribuído ao lógico e frade franciscano inglês Guilherme de Ockham (século XIV). O princípio afirma que a explicação para qualquer fenômeno deve assumir apenas as premissas estritamente necessárias à explicação do mesmo e eliminar todas as que não causariam qualquer diferença aparente nas predições da hipótese ou teoria. O princípio é frequentemente designado pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parcimônia) enunciada como: “entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem” (as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade). O princípio recomenda assim que se escolha a teoria explicativa que implique o menor número de premissas assumidas e o menor número de entidades. Originalmente um princípio da filosofia reducionista do nominalismo, é hoje tido como uma das máximas heurísticas (regra geral) que aconselham economia, parcimônia e simplicidade, especialmente nas teorias científicas. “Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenômeno, a mais simples é a melhor” - Guilherme Ockham.


Frases originais


Nos textos originais existem várias frases que definem o princípio de Ockham.

  • Pluralitas non est ponenda sine neccesitate (a pluralidade não deve ser posta sem necessidade);
  • Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (as entidades não devem ser multiplicadas além do necessário). Esta frase foi cunhada em 1639 por John Ponce de Cork.


O conceito


A Navalha de Ockham defende a intuição como ponto de partida para o conhecimento do universo. William de Ockham defende o princípio de que a natureza é por si mesma econômica, optando invariavelmente pelo caminho mais simples. A origem desta tese pode ser traçada desde John Duns Scotus (1265-1308), Robert Grosseteste (1175-1253), ou mesmo desde Aristóteles. William de Ockham, por outro lado, achava que a aplicação muito restrita desse princípio limitaria o poder de Deus (que deveria poder escolher um caminho mais complicado para alguns fenômenos se assim desejasse). No entanto, Ockham defendia que o homem, nas suas teorias, deveria sempre eliminar conceitos supérfluos. Este princípio ficou conhecido como “Navalha de Ockham” a partir do século XIX, através dos trabalhos de Sir William Hamilton. O princípio chega a nós com a obra Ordinatio. Esta postulava que todo conhecimento racional tem por base a lógica, de acordo com os dados proporcionados pelos sentidos. Uma vez que só conhecemos entidades palpáveis e concretas, nossos conceitos não passam de meios linguísticos para expressar uma ideia; portanto, precisam de comprovação através da realidade física.



Contra a Navalha de Ockham


Walter Chatton, contemporâneo de Ockham, afirmava que “se três entes não forem suficientes para verificar uma afirmação acerca de algo, então uma quarta deve ser acrescentada, e assim por diante”. Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716), Immanuel Kant (1724-1804), Karl Menger (século XX) também discordaram da Navalha de Ockham. Leibniz afirmou que “a variedade de seres não pode ser diminuída”. Menger formulou a lei contra a avareza, segundo a qual “as entidades não podem ser reduzidas até ao ponto da inadequação”, e “é inútil fazer com pouco o que requer mais”... Obviamente nenhuma destas afirmações contraria realmente o sentido da Navalha de Ockham, mas servem antes como alerta contra o excesso de zelo na aplicação do princípio. Deve-se eliminar o supérfluo, mas apenas isso.



Em Ciência


Este princípio foi adotado pelo que viria a ser conhecido como método científico. É uma ferramenta lógica que permite escolher, entre várias hipóteses a serem verificadas, aquela que contém o menor número de afirmações não demonstradas, o que facilita a verificação da teoria, constituindo assim um dos pilares do reducionismo em ciência. Ao longo da história da ciência a Navalha de Ockham foi usada de diversas formas. Uma delas consiste na escolha da teoria mais simples para explicar um fenômeno, como na escolha da teoria do eletromagnetismo de James Clerk Maxwell em lugar da teoria do éter luminoso. Como princípio matemático, a Navalha de Ockham foi aplicada pelo matemático soviético Andrei Nikolaevich Kolmogorov para definir o conceito de sequência aleatória, criando a área que ficou conhecida como Complexidade de Kolmogorov. A Navalha de Ockham é antecessora do chamado princípio *KISS, Keep It Simple, Stupid (veja: Notas no final da postagem) ou em português “simplifique, estúpido” uma vulgarização da máxima de Albert Einstein de que “tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso”, também expressa por Antoine de Saint-Exupéry como: “a perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar”.



O confronto de duas teorias


Este é um princípio filosófico que reza o seguinte: existindo diversas teorias e não havendo evidências que comprovem se é mais verdadeira alguma em relação a outras, vale a mais simples, ou se existirem dois caminhos que levem ao mesmo resultado, usa-se o mais curto, e que pode ser provado sensorialmente. Em outras palavras, não se deve aplicar a um fenômeno nenhuma causa que não seja logicamente dedutível da experiência sensorial. A regra, inspirada na economia medieval, foi usada pelo filósofo para eliminar muitas das entidades com que os pensadores escolásticos explicavam a realidade.



O erro do simplismo


O simplismo aparente da Navalha de Ockham, se mal aplicado, pode muitas vezes nos induzir a erros de avaliação em determinados momentos da lógica. Por exemplo, ao efetuarmos determinados experimentos, nem sempre a simplificação é correta, mesmo que o resultado seja muito próximo, ou até idêntico, porém é bastante útil quando o utilizamos em experimentos práticos para comprovar se teorias matemáticas num determinado campo são concordantes.



Simplicidade e perfeição


Nem sempre a simplicidade é a perfeição, mas a perfeição quase sempre é simples. Muitos autores usam a expressão de que, a simplicidade é a perfeição, quando se lida com experimentos que exigem um certo grau de complexidade. Ao utilizar soluções simplistas de análise, poder-se-á incorrer em erros que podem destruir muitas vezes um trabalho de anos. Simplicidade não é sinônimo de facilidade ou simplismo. Em geral obter uma visão ou uma explicação simples para temas complexos exige um esforço maior do que criar visões complexas, mesmo que corretas, sobre o mesmo tema. O Cálculo Diferencial e Integral, assim como grande parte das descobertas científicas da humanidade certamente passou, ao longo de sua história, por inúmeras reformulações decorrentes do aprendizado e realimentação pelas comunidades científicas (Em geral na Física e na Matemática) até chegar ao currículo básico de qualquer curso de matemática de nível superior. A simplicidade é consequência da experiência, da criatividade e da capacidade de sintetização, além de outros talentos.



Princípios de análise lógica


Um dos mais importantes é a falta de dados para comprovar se a teoria A é mais correta que a teoria B, ambas tendo o mesmo resultado, porém os cálculos e argumentos da teoria A sendo muito mais complexos que para a teoria B. A comunidade científica escolherá sempre a segunda opção, a mais simples.



Einstein e as simplificações


Provavelmente, quando escreveu que as teorias devem ser tão simples quanto possível, mas nem sempre devemos escolher as mais simples, Albert Einstein estava se referindo ao Princípio de Ockham em sua Teoria da Relatividade, pois sabia que as hipóteses testadas muitas vezes caíam em contradições, apesar do resultado ser aparentemente perfeito. Daí pode ter sido a utilização do princípio de Ockham em alguns pontos considerados contraditórios em seu postulado, pois em matemática, às vezes verdades claras à luz das deduções tornam-se contraditórias ao passar para a linguagem coloquial.



Notas:


*KISS: Keep It Simple (ou: KISS principle acrônimo em inglês de: Keep It Simple, Stupid e também um trocadilho de "princípio do beijo") é um princípio geral que valoriza a simplicidade do projeto e defende que toda a complexidade desnecessária seja descartada. Serve como fórmula útil em diversas áreas como o desenvolvimento de software, a animação, a engenharia no geral e no planejamento estratégico e táctico. Também é aplicado na Literatura, na Música e nas Artes em geral. Variações comuns são: "Keep It Sweet & Simple", "Keep it Short & Simple" e "Keep it Simple, Silly". Princípios relacionados: Este princípio provavelmente teve a sua inspiração nos princípios da Navalha de Ockham, e das máximas de Leonardo da Vinci: "Simplicidade é o último grau de sofisticação"; Mies Van Der Rohe: "Menos é mais"; Albert Einstein: "Tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso"; de Antoine de Saint-Exupéry: "A perfeição é alcançada não quando não há mais nada para adicionar, mas quando não há mais nada que se possa retirar").

Referências






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