quarta-feira, 18 de junho de 2014

Biografia de Prosper Mérimée


Prosper Mérimée
Prosper Mérimée. Nasceu em Paris, a 28 de Setembro de 1803, e, faleceu em Cannes, a 23 de Setembro de 1870. Prosper Mérimée foi um historiador, arqueólogo e escritor romântico francês, célebre pelo conto Carmen. *Tendo viajado muito em busca de conhecimentos e nova paisagens, Mérimée aproveitou tipos e ambientes para situar suas narrativas. Desses contatos extraiu um gênero literário que mal existia antes dele e que levou quase à perfeição. Escreveu: Crônica do Reinado de Carlos IX; Teatro de Clara Gazul; Carmen; Colomba; A Vênus de Bronze; A Serpente; A Tomada do Reduto; Vaso Etrusco; Jacquerie; O Abade Aubin; A Conjuração de Catilina; Almas do Purgatório; Tamango; Partida de Gamão; Os Cossacos de Outrora; Djoumane; Os Falsos Demétrios.


Biografia



Era filho único de Leonor Mérimée e Anne-Louise Mérimée na Paris de Napoleão. Seu pai era pintor e professor de desenho, o que influenciou o filho a primeiro estudar no Liceu Imperial. Deixou o Liceu para fazer Direito, formando-se em 1823. Também aprendeu latim, grego, italiano, espanhol, inglês, e russo. Foi o primeiro a traduzir obras literárias russas para o francês. Ocupou diversos cargos públicos, em todos eles destacando-se pelo bom desempenho de seus deveres. Foi nomeado (1830) Inspetor dos Monumentos Históricos, revelando-se um arqueólogo nato, combinando suas habilidades lingüísticas, uma notável avaliação histórica e sincero devotamento às artes, desenho e arquitetura. Neste mister, seus relatórios vieram muitas vezes a merecer publicação, e destaque em sua produção, ao largo da literária. A ele se deve, em boa parte, a conservação do rico legado cultural, do qual tanto se orgulha o povo francês. Neste mesmo ano conheceu e auxiliou a Condessa de Montijo, espanhola. Quando a filha dela tornou-se a Imperatriz Eugénie, da França, em 1853, Mérimée foi honrado com o cargo de senador. Prosper Mérimée morreu em Cannes, França e, ali foi sepultado no Cimetière du Grand Jas.


Romantismo e História


Mérimée gostava do misticismo, da história e das coisas incomuns. Influenciado diretamente pela ficção histórica de Walter Scott e pelo drama psicológico e cruel de Pushkin, seu estilo porém era conciso, bastante objetivo - apesar de marcadamente dramático. Muitas de suas obras fictícias retratam lugares de forma bastante exótica - dedicando-se particularmente à Espanha e à Rússia. Estreou como literato em 1825, com "O Teatro de Clara Gazul" - atribuindo satiricamente a autoria do texto a esta célebre "comediante espanhola". Antes, porém, havia escrito a peça "Cromwell" (1822) que nunca foi publicado e nenhuma cópia existe. Mérimée sentiu suas semelhanças óbvias com a política francesa contemporâneas e destruiu o manuscrito.


Citações


"Como todos os homens, ele era muito mais eloquente para pedir que para agradecer".

- Comme tous les hommes, il était beaucoup plus éloquent pour demander que pour remercier.
- Fonte: "La double méprise" (1833).



Obras

Além dos dois escritos citados, temos:


  • La Guzla (1827) - outra sátira, com vários textos de temas místicos, que teriam sido traduzidos do Ilírico original por um certo Hyacinthe Maglanowich (a Ilíria é um antigo país onde hoje é a região ocidental da Turquia).
  • La Jacquerie (1828) - drama sobre uma insurreição camponesa nos tempos feudais.
  • La Chronique du Temps de Charles IX (1829) - Novela sobre as dissidências religiosas entre protestantes (à altura conhecidos como huguenotes) e católicos, culminando em guerra civil na França do início do século XVI, cujo ponto máximo fora o conhecido massacre de S. Bartolomeu, em 1572.
  • Mateo Falcone (1829) - conto sobre a ilha da Córsega, tendo o personagem título matado o próprio filho em nome da justiça, e publicado em seguida, numa coletânea. Este conto gerou uma ópera homônima, do compositor russo César Cui.
  • Mosaïque (1833) - Reunião de contos, dentre os quais Mateo Falcone, Tamango, Federigo, Baladas, O Vaso Etrusco, etc.. Além destes, três cartas espanholas. A maioria dos contos já havia sido publicada na "Revista de Paris", entre 1829 e 1830.
  • La Vénus d'Ille (1837) - conto de horror maravilhoso onde uma estátua de bronze ganha vida.
  • Notas de Viagens (1835-40) - em que descreve suas viagens pela Grécia, Espanha, Turquia, e na própria França.
  • Colomba (1840) - esta foi sua primeira novela de sucesso. Conta a história de uma jovem moça corsa que obriga seu irmão a cometer um assassinato para se vingar.
  • Carmen (1845) - A mais famosa de suas novelas, narra a história de uma bela cigana infiel que é morta pelo amante, um oficial espanhol. Em 1875, foi transformada em ópera, por Georges Bizet (cartaz da época, ao lado), além de vários filmes.
  • Lokis (1869) - ambientado no Leste Europeu, é uma história de terror onde um homem, metade urso e metade gente, gostava de se alimentar de carne humana.
  • A Câmara Azul (1872) - uma farsa com todos os caracteres de conto sobrenatural, mas onde ao final tudo volta a ser como era antes...
  • Lettres à une Inconnue (1874) - reunião de cartas de Mérimée para Jenny Dacquin, publicadas depois de sua morte.

Mateo Falcone - Excertos e resumo


Para ilustrar o estilo deste escritor, as passagens da novela Mateo Falcone:

Na Córsega, diz o autor, um lugar em especial serve de refúgio para os criminosos:


Se matastes um homem, ide para o mato de Porto-Vecchio, e ali vivereis em segurança, com um bom fuzil, pólvora e balas; não esqueças duma capa escura com capuz, que fará as vezes de coberta e colchão. Os pastores vos darão leite, queijo e castanhas, e nada temereis da justiça ou dos parentes do morto, senão quando tiverdes de descer à cidade para renovar as munições.

(...)Mateo Falcone vivia sem precisar trabalhar, e este era seu perfil:


Imaginai um homem baixo, mas robusto, de cabelos crespos, negros como ébano, nariz aquilino, lábios delgados, olhos grandes e vivos, uma pele da cor de couro cru. Mesmo na sua terra, onde há tão bons atiradores, passava por extraordinariamente hábil no manejo da espingarda.
(...)granjeara Mateo Falcone enorme reputação. Diziam-no tão bom amigo quão perigoso inimigo; era aliás solícito, dado a fazer esmolas, e vivia em paz com todos no distrito de Porto-Vecchio.

(...)Mateo casara-se com Josefa que, após dar-lhe três filhas, finalmente tiver um herdeiro homem, a quem esperançoso em dar continuidade ao nome, batizara o pai de "Fortunato". Contava o menino com 10 anos de idade quando os pais se ausentam de casa, e pede-lhe abrigo um criminoso, Gianetto Sanpiero, ferido numa perseguição. O menino, a princípio, recusa-se, mas depois de receber um pagamento, aceita dar abrigo ao fugitivo. Quando os perseguidores chegam, dissimula.


Fortunato continuava com um riso zombeteiro.
_Meu pai é Mateo Falcone! - disse ele enfaticamente.
_Bem sabes, malandrinho, que posso levar-se pra a Corte ou para a Bastilha. Farei dormires num calabouço, em cima da palha, com ferros nos pés e mandarei guilhotinar-te se não disseres onde está Gianetto Sanpiero.
A essa ridícula ameaça o menino soltou uma gargalhada, e repetiu:
_Meu pai é Mateo Falcone!


(...)O chefe dos soldados perseguidores, Teodoro Gamba, então resolve subornar o menino com um relógio de prata, o que este acaba aceitando, delatando o esconderijo do albergado. Após a captura, quando vão saindo, o casal está de volta para casa. Amedrontado com a vista de Mateo, Gamba logo se aproxima, contando-lhe o ocorrido, e o importante papel que tivera seu filho. Em casa, vendo o garoto com o suborno, leva-o para o mato...


O menino fez um desesperado esforço para se erguer e abraçar-se aos joelhos do pai; mas não teve tempo. Mateo fez fogo, e Fortunato caiu morto.
Sem olhar para o cadáver, Mateo retomou o caminho de casa, em busca de uma enxada para enterrar o filho. Mal dera alguns passos, encontrou Josefa, que corria alarmada com o tiro.
_Que fizeste?
_Justiça.
_Onde ele está?
_Lá embaixo, no barranco. Vou enterrá-lo. Morreu como cristão, mandarei rezar uma missa para ele. Dize ao meu genro Teodoro Bianchi que venha morar conosco.


Leitura adicional


  • "The Lady and the Unicorn" de Alain Erlande-Brandenburg. ISBN 2-7118-2282-6.
  • Reign of Charles IX - Chronique du Regne de Charles IX (1829).


Referências



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