quinta-feira, 26 de junho de 2014

Biografia de Hipócrates


Hipócrates
Hipócrates. (em grego antigo: Ἱπποκράτης, transl. Ippokráti̱s; *460 a.C. em Cós; †370 a.C. em Tessália) é considerado por muitos uma das figuras mais importantes da história da saúde, frequentemente considerado "pai da medicina", apesar de ter desenvolvido tal ciência muito depois de Imhotep, do Egito antigo. *Foi contemporâneo de Demócrito de Abdera. Um dos maiores representantes da literatura jônia. Viajou muito. Separou a prática da medicina das tradições religiosas, das mágicas, das superstições etc. Afirmava que os elementos calor, frio, umidade, eram representados pelos humores ou fluidos corpóreos: sangue, fleuma, bílis amarela e bílis preta. Acreditava na recuperação do corpo e na cura espontânea de muitas doenças. Descreveu o artritismo, a parotidite, a epilepsia, a tuberculose etc. Cognominado “Pai da Medicina”, Hipócrates morreu em Larissa, na Tessália, em 377 a.C. (1). É referido como uma das grandes figuras entre Sócrates, Aristóteles durante o florescimento intelectual ateniense . Hipócrates era um asclepíade, isto é, membro de uma família que durante várias gerações praticara os cuidados em saúde. Nascido numa ilha grega, os dados sobre sua vida são incertos ou pouco confiáveis. Parece certo, contudo, que viajou pela Grécia e que esteve no Oriente Próximo. Nas obras hipocráticas há uma série de descrições clínicas pelas quais se pode diagnosticar doenças como a malária, papeira, pneumonia e tuberculose. Para o estudioso grego, muitas epidemias relacionavam-se com fatores climáticos, raciais, dietéticos e do meio onde as pessoas viviam. Muitos de seus comentários nos Aforismos são ainda hoje válidos. Seus escritos sobre anatomia contêm descrições claras tanto sobre instrumentos de dissecação quanto sobre procedimentos práticos. Foi o líder incontestável da chamada "Escola de Cós". O que resta das suas obras testemunha a rejeição da superstição e das práticas mágicas da "saúde" primitiva, direcionando os conhecimentos em saúde no caminho científico. Hipócrates fundamentou a sua prática (e a sua forma de compreender o organismo humano, incluindo a personalidade) na teoria dos quatro humores corporais (sangue, fleugma ou pituíta, bílis amarela e bílis negra) que, consoante às quantidades relativas presentes no corpo, levariam a estados de equilíbrio (eucrasia) ou de doença e dor (discrasia). Esta teoria influenciou, por exemplo, Galeno, que desenvolveu a teoria dos humores e que dominou o conhecimento até o século XVIII. Sua ética resume-se no famoso Juramento de Hipócrates. Porém, certos autores afirmam que o juramento teria sido elaborado numa época bastante posterior.


Obras


O conjunto das obras atribuídas a Hipócrates constitui o Corpus Hippocraticum (em português, Coleção Hipocrática). Setenta escritos são reconhecidos como constituintes do corpus, entre os quais os seguintes são considerados os mais importantes:


  • Aforismos
  • Da Medicina Antiga
  • Da Doença Sagrada
  • Epidemias
  • Da Cirurgia
  • Das Fraturas
  • Das Articulações
  • Dos Instrumentos de Redução
  • Dos Ferimentos na Cabeça
  • Prognósticos
  • Dos Ares, Águas e Lugares
  • Do Regime nas Doenças Agudas
  • Das Úlceras
  • Das Fístulas
  • Das Hemorróidas
  • Juramento
  • Lei


Juramento de Hipócrates



Código de deontologia médica, legado por Hipócrates aos seus discípulos, e que o indivíduo que se forma em Medicina jura cumprir. Resume as regras de ética, moral e amor ao próximo pelas quais se devem nortear todos aqueles que, pela Medicina, lutam pelo sagrado direito do homem à vida, e mais ainda: à vida saudável e feliz: “Ao abraçar a profissão da Medicina, juro solenemente dedicar minha vida ao serviço da humanidade. Respeitarei e dignificarei meus meritórios professores. Praticarei a Medicina com consciência e dignidade. A saúde e a vida de meu paciente serão minha causa primeira. Manterei em sigilo tudo o que meu paciente me confiar. Manterei as tradições honradas e nobres da profissão de Médico e meus colegas serão como meus irmãos. Não permitirei que motivos como raça, religião, nacionalidade, credos políticos ou níveis sociais, interfiram entre meu dever e meu paciente. Manterei o máximo respeito pela vida humana desde o momento da sua concepção. Mesmo sob ameaça não usarei meu conhecimento para contrariar as leis da humanidade. Faço essa promessa livremente e pela minha honra”.


- Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higia e Panacea e por todos os deuses e deusas, a quem conclamo como minhas testemunhas, juro cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, porém, só a estes.

- Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva.

- Conservarei imaculada minha vida e minha arte.

- Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam.

- Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados.

- Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto.

- Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.


Citações



  • "A vida é breve; a arte, vasta; a ocasião, instantânea; a experiência, incerta; o juízo, difícil."

-Revista Caras, Edição 664

  • "A vida é curta, a arte é longa, a oportunidade é fugaz, a experiência enganosa, o julgamento difícil."

- Hipócrates, Aforismos, I,1 Apud SOUZA, A. Tavares, Curso de História da Medicina, Lisboa: Fund.Calouste Gulbenkian, 1981, p.56


Atribuídas



  • "O vinho é uma bebida excelente para o homem, tanto sadio como doente, desde que usado adequadamente, de maneira moderada e conforme o seu temperamento".

- Hipócrates citado em Estresse Oxidativo E Antioxidantes - Página 93, Norma Posse Marroni, Editora da ULBRA, 2002, ISBN 8575280457, 9788575280454

  • "A cura está ligada ao tempo e, às vezes, também, às circunstâncias".

- citado em "Hippocratic wisdom for him who wishes to pursue properly the science of medicine: a modern appreciation of ancient scientific achievement"‎ - Página 137, William Ferdinand Petersen, Hippocrates - 1946 - 263 páginas
Healing Is a matter of time, but Is sometimes also a matter of opportunity.

  • "Os homens deveriam saber que é do cérebro, e de nenhum outro lugar, que vêm as alegrias, as delícias, o riso e as diversões, e tristezas, desânimos e lamentações."

- And men ought to know that from nothing else but thence (from the brain?) come joys, delights, laughter and sports, and sorrows, griefs, despondency, and lamentations.
- The genuine works of Hippocrates: Volume 2 - Página 854, Hippocrates - Printed for the Sydenham society, 1849

  • "Tudo acontece conforme a natureza".

- citado em Citações da Cultura Universal - Página 353, Alberto J. G. Villamarín, Editora AGE Ltda, 2002, ISBN 8574970891, 9788574970899

  • "Os homens pensam que a epilepsia é divina meramente porque não a compreendem. Se eles denominassem divina qualquer coisa que não compreendem, não haveria fim para as coisas divinas."

- Men think epilepsy is divine merely because they don't understand it, but if they called everything divine which they do not understand, why, there would be no end of divine things.
- citado em "Epilepsy" - página 11, Lichtenstein Creative Media, Lichtenstein Creative Media, ISBN 1932479155, 9781932479157

  • "Aos doentes tenha por hábito duas coisas - ajudar, ou pelo menos não produzir danos."

- As to diseases, make a habit of two things — to help, or at least to do no harm.
- citado em "Hippocrates and the corpus Hippocraticum", William Henry Samuel Jones - G. Cumberlege, 1945


Referências



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