quarta-feira, 25 de junho de 2014

Biografia de Dioscórides


Dioscórides recebe a
mandrágora da ninfa Epione.
Dioscórides. (Pedânio Dioscórides). (fl. 50-70 d.C.). Dioscórides foi um autor greco-romano, considerado o fundador da farmacognosia através da sua obra De Materia Medica, a principal fonte de informação sobre drogas medicinais desde o século I até ao século XVIII.




Biografia



Dioscórides nasceu em Anazarbo, próximo de Tarsos, na atual Turquia. Teria estudado Medicina em Tarsos e em Alexandria, acompanhou as legiões romanas, provavelmente como médico, na Ásia Menor, em Itália, Grécia, Gália e Península Ibérica, no tempo do imperador Nero. Escreveu em grego a De Materia Medica, nome pelo qual a sua obra ficou conhecida na tradução latina.
 

Obra



A De Materia Medica encontra-se dividida em cinco livros. Nela se descrevem cerca de 600 plantas, 35 fármacos de origem animal e 90 de origem mineral, dos quais só cerca de 130 já apareciam no *Corpus Hippocraticum e 100 ainda são considerados como tendo atividade farmacológica. A sua influência foi enorme até ao século XVIII, existindo inúmeras traduções do grego para um grande número de línguas. A obra de Dioscórides é essencialmente de carácter empírico, não seguindo nenhum sistema médico em particular. Apesar disso, ele procurou desenvolver um método para observar e classificar os fármacos, testando-os clinicamente. A historiografia estabeleceu que Plínio e Dioscórides desconheciam os trabalhos um do outro, sendo algumas semelhanças entre as obras dos dois autores originadas pelo facto de terem utilizado uma mesma fonte, a De Materia Medica de Sextius Niger. Durante o Renascimento, a obra de Dioscórides foi objecto de um renovado interesse e de estudos por vários autores. A versão latina da De Materia Medica foi impressa em 1478 e em 1512. A primeira edição em grego foi impressa em 1499. A partir de 1516, este autor foi objeto de um grande número de edições, traduções e comentários, de Ermolao Barbaro (1454-1493), Jean de Ruelle (1474-1537), Pier Andrea Mattioli (1501-1577) e Amato Lusitano (1511-1568). A principal edição ibérica de Dioscórides foi a de Andrés Laguna (1511-1559), feita a partir da de Jean de Ruelle, intitulada Pedacio Dioscorides... Materia Medicinal (Antuérpia, 1555). Entre as publicações relativamente recentes da obra de Dioscorides destaca-se o trabalho do botânico, e farmacêutico Pius Font i Quer (1888 - 1964) Plantas Medicinais, o Dioscórides Renovado uma das mais completas obras do gênero (constantemente re-editada) identificando as espécies utilizadas.



* - O Corpus Hippocraticum é uma coleção de cerca de sessenta textos de medicina da Antiguidade grega atribuídos a Hipócrates e semelhantes aos seus ensinamentos. No entanto, são bastante diversificados em conteúdo, data e estilo e a sua autoria precisa é desconhecida.




De Materia Medica
 
Codex Vindobonensis o Dioscórides de Viena.
De Materia Medica (Περί ὕλης ἰατρικής em grego original) é uma obra em cinco volumes escrita por Dioscórides e precursora da farmacopeia moderna. No prefácio, descreve o objetivo da obra: "sobre a preparação, propriedades e testes das drogas". O texto descreve umas 600 plantas medicinais, incluindo a mandrágora, uns 90 minerais e cerca de 30 substâncias de origem animal. A diferença de outras obras clássicas, este livro teve enorme difusão na Idade Média, tanto no seu original grego como em outras línguas, tais como o latim e o árabe. O mais antigo códice que se conserva da obra data do começo do século VI, e foi copiado para uso da patrícia romana Anicia Juliana, filha do imperador Flávio Anício Olíbrio. Este manuscrito tem um total de 491 páginas, e cerca de 400 ilustrações de página inteira. Em 1569 foi adquirido pelo imperador Maximiliano I, e se conserva na Biblioteca Nacional da Áustria. É conhecido como Codex Vindobonensis (Códice de Viena) ou, simplesmente, como o Dioscórides de árabe de De Materia Medica, séc. XIII. Viena. A obra
Cópia em árabe de De Materia Medica.
foi traduzida pela primeira vez para o árabe no século IX, na abássida de Bagdá. No século seguinte, o imperador bizantino Constantino VII Porfirogênito enviou o livro como presente ao califa cordovês Abderramão III (Abd ar-Raḥmān) um exemplar em grego, que foi traduzido para o árabe por um monge chamado Nicolás, com a ajuda do judeu Hasdai ibn Shaprut. Foi impresso pela primeira vez, em latim, em 1478, em Colle (Toscana) por Pedro Paduano. Foi traduzido para o espanhol por Andrés Laguna. De Materia Medica foi conhecida durante a Idade Média em grego, em latim e em árabe —que na época eram as três línguas utilizadas para os textos científicos—, o que originou a aparição de múltiplas cópias nas quais se agregaram trocas que corromperam o texto original. A incorporação ao mundo da imprensa do texto de Dioscórides se fez em duas etapas. Primeiro se imprimiu em 1478 a qual em alguns textos se considera como sua edição princeps, mas que na realidade é um compêndio farmacológico redigido na Escola de Salerno, conhecido como Dyoscorides, que acrescentou ao texto original alguns acréscimos de Cláudio Galeno, Isidoro e outros com comentários de Pietro d'Abano. A primeira edição do livro de Dioscórides, já parcialmente depurada de adições medievais, foi realizada pelo impressor veneziano Aldo Manuzio em 1499.

Bibliografia

  • Riddle,J.M. Dioscorides on Pharmacy and Medicine. Austin: University of Texas Press, 1985
  • Riddle,J.M. Dictionary of Scientific Biography. Vol. 4, pp. 119-123.
  • Font Quer, P. Plantas medicinales: el Dioscórides renovado. Barcelona, Lábor, 1962.

Referências

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dioscórides



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