quinta-feira, 3 de abril de 2014

Biografia de Xenofonte


Xenofonte. 
(Scan by User:Gabor).
Xenofonte. (em grego antigo: Ξενοφῶν, transliteração: Xenophō̃n; ca. 430 a.C. — 355 a.C.), filho de Grilo, originário de Erquia, uma deme de Atenas, foi soldado, mercenário e discípulo de Sócrates. É conhecido pelos seus escritos sobre a história do seu próprio tempo e pelos seus discursos de Sócrates. A data de nascimento de Xenofonte não é conhecida. Na sua Anábase, que narra acontecimentos ocorridos entre 401 e 399 a.C., é sugerido que Xenofonte seria um pouco mais novo que o seu amigo Próxeno, o qual tinha cerca de trinta anos aquando dos acontecimentos. A maioria dos estudiosos coloca portanto a sua data do seu nascimento no ano 430 a.C. ou um pouco depois. Xenofonte era originário de uma família rica e influente em Atenas. Como tal, terá participado nos recontros finais da Guerra do Peloponeso incorporado nas fileiras da aristocrática cavalaria ateniense. Estrabão conta que, após uma derrota ateniense em que Sócrates e Xenofonte haviam perdido seus cavalos, Sócrates encontrou Xenofonte caído no chão, e carregou-o por vários estádios, até que a batalha terminou. Xenofonte parece ter estado alinhado com o aristocrático governo dos Trinta Tiranos instalado por Esparta em Atenas após a derrota final desta cidade na Guerra do Peloponeso. A queda deste governo numa revolução ocorrida em 403 a.C. terá sido um importante fator motivador para que Xenofonte se juntasse à expedição de Ciro. Quando jovem, Xenofonte participou na expedição contra Artaxerxes II, liderada pelo próprio irmão caçula do imperador persa, Ciro, o Jovem, em 401 a.C. Xenofonte diz que se aconselhou com o veterano Sócrates se deveria ou não ir com Ciro, e Sócrates indicou-lhe o oráculo de Delfos. Sua pergunta ao oráculo, no entanto, não foi de aceitar ou não o convite de Ciro, mas "para qual dos deuses deveria rezar e prestar sacrifício, para que pudesse completar sua pretendida jornada e retornar em segurança, com bons resultados". O oráculo lhe disse para quais deuses. Quando Xenofonte retornou a Atenas e contou para Sócrates o conselho do oráculo, Sócrates o reprimiu por fazer a pergunta errada ao oráculo, mas disse: "Já que você fez essa pergunta, você deve fazer o que alegrará o deus." (Esse é o único relato de contato pessoal entre Sócrates e Xenofonte em todos seus escritos.) Na incursão de Ciro contra o imperador Persa, este utilizou muitos mercenários desempregados em função do fim da Guerra do Peloponeso. Ciro lutou contra Artaxerxes na Batalha de Cunaxa. Os gregos venceram, mas Ciro foi morto, e logo depois seu general, Clearco de Esparta, foi convidado a uma conferência de paz, traído e executado. Os mercenários, chamados de os Dez Mil, viram-se em um território hostil, próximo ao coração da Mesopotâmia, longe dos mares, e sem líderes. Elegeram novos líderes, incluindo o próprio Xenofonte, e combateram em direção ao norte contra persas, armênios e curdos, até a cidade de Trapezus na costa do Mar Negro, de onde navegaram para o oeste, retornando para a Grécia. Na Trácia, ajudaram Seuthes II tornar-se imperador. Os relatos de Xenofonte sobre essa expedição e a jornada para casa foi intitulado Anábase ("A Expedição" ou "A Marcha através do País"). A dissertação histórica que Xenofonte faz na obra Anábase é um dos mais antigos exemplos de análise de caráter de um líder feitas por um historiador. Esse tipo de análise tornou-se conhecido nos dias de hoje como a Teoria dos Grandes Homens. Xenofonte descreveu o caráter de Ciro, o Moço dizendo que "de todos os Persas que viveram depois de Ciro, o Grande, ele era o que mais se parecia com um rei e o mais merecedor de um império". A leitura do capítulo seis é recomendada pela descrição do caráter de cinco generais derrotados que aliaram-se ao inimigo. Clearco é citado como quem acredita que "um soldado deve temer mais seu comandante do que o inimigo". Meno, o personagem dos Diálogos de Platão, foi descrito como um homem cuja maior ambição era de se tornar rico. Agias, o Arcadiano e Sócrates, o aqueu foram lembrados por sua coragem e consideração pelos amigos. Xenofonte foi posteriormente exilado de Atenas, provavelmente por ter lutado sob o comando do rei espartano Agesilau contra Atenas em Coroneia. (Entretanto, é possível que ele já tivesse sido exilado por sua participação com Ciro.) Os espartanos deram-lhe uma propriedade em Scillus, próximo à Olímpia em Elis, onde escreveu Anábase. Seu filho Grilo comandou a cavalaria ateniense, aliada dos espartanos, na Batalha de Mantineia, enquanto Xenofonte ainda estava vivo, por isso, é possível que seu exílio tenha sido revogado. Xenofonte morreu em Corinto ou Atenas, e a data de sua morte é incerta. Sabe-se apenas que ele sobreviveu ao seu protetor Agesilau, a quem ele prestou homenagem num de seus escritos. Diógenes Laércio diz que Xenofonte foi conhecido como "Musa da Ática" pela doçura de sua dicção. Em seu tratado sobre equitação, ele propôs um método de treinamento conhecido no mundo anglo-saxão hoje em dia como "horse whispering" (literalmente: cochichar no ouvido do cavalo), um método que procura ganhar a simpatia do animal através do uso da psicologia eqüina.


Anábase

Anábase (em grego: Ἀνάβασις, transliteração: Anábasis, lit. "subida", "ascenso") é a obra mais famosa de Xenofonte. Composta em sete livros, narra a jornada épica descrita pelo historiador americano Will Durant como "uma das maiores aventuras na história humana". O termo grego Anábase refere-se a uma expedição desde a costa para o interior de um território. Na realidade, apenas o Livro I dos sete que a obra contém respeita estritamente este título. Os livros II a IV abordam a marcha desde o campo de batalha de Cunaxa até ao mar, correspondendo ao termo grego Catábase, sendo que os restantes três livros narram a marcha ao longo da costa desde Trapezunte até à zona do Helesponto (Parábase).


A narrativa


Percurso seguido por Xenofonte e os Dez Mil. 
(Imagem: The Department of History, United States Military Academy).
Xenofonte junta-se a uma força de cerca de Dez Mil mercenários gregos reunida por Ciro, o jovem, o qual deseja apoderar-se do trono Persa ocupado pelo seu irmão, Artaxerxes II. O exército de Ciro inicia a sua marcha em Sardes na Primavera de 401 a.C. e avança até Cunaxa, perto de Babilônia, onde é travada uma batalha entre os exércitos dos dois irmãos. Nesse recontro, Ciro é morto, tornando a vitória no campo de batalha obtida pelos gregos irrelevante. O exército grego fica assim isolado no meio de território hostil. Uma trégua negociada com os persas é quebrada quando o general espartano Clearco e outros comandantes gregos são capturados à traição, para posteriormente serem executados, pelo sátrapa persa Tissafernes. A Anábase narra em seguida como o exército grego recupera a sua organização, ocasião em que Xenofonte desempenha um papel importante, e como força a sua marcha para norte até o Mar Negro, enfrentando continuamente as forças persas de Tissafernes, de outros sátrapas e de tribos indígenas à medida que marcham através do Curdistão e da Armênia, realizando decisões de acordo com as circunstâncias acerca do seu comando, das suas tácticas e do seu destino final. Por fim, o exército alcança as margens do Mar Negro em Trapezunte. A narrativa contém ainda a posterior marcha do exército para regressar à Grécia, período que inclui um Inverno em que o exército esteve ao serviço do trácio Seutes, até que é incorporado na força do general espartano Tíbron para uma planeada campanha contra a Pérsia. O filme The Warriors (br: Os Selvagens da Noite), teve como base a história da Anábase; contudo, para se tornar atual (para a época do filme), o roteiro foi mudado para as gangues adolescentes de Nova Iorque. Contudo, o membro morto no inicio do filme tem o mesmo nome do personagem do livro: Cyrus (Ciro).


Ciropédia

Ciropédia (do grego Κύρου παιδεία, transliteração: Kúrou paideía; lit. "A educação de Ciro") é uma biografia parcialmente ficcionista de Ciro, o Grande, escrita por Xenofonte.

Conteúdo

No essencial, a Ciropédia é "um romance político, que descreve a educação do líder ideal, educado para reinar como um déspota benevolente sobre os seus súbditos, que o admiram". Embora seja geralmente aceite que Xenofonte "não tinha intenção de escrever a Ciropédia como se de História se tratasse", não está claro a que gênero literário esta obra pode pertencer. A sua viabilidade como uma fonte para o estudo da Pérsia Aqueménida tem sido repetidamente posta em causa, e verificou-se que numerosas descrições de eventos ou de pessoas que contem estão erradas. Foi também determinado que outros aspectos são anacronísticos ou estão enviesados. Xenofonte (c. 430 – 355 a.C.) não foi contemporâneo de Ciro (c. 580 – 530 a.C.) e é provável que pelo menos algumas das observações do historiógrafo sejam baseadas em eventos que ocorreram anos mais tarde na corte Aqueménida. É também provável que as histórias do grande Rei tenham sido transmitidas e embelezadas pelos cortesões persas e que tenham sido estas a base para o texto de Xenofonte. Embora a obra narre toda a vida de Ciro, o Grande, apenas o primeiro dos seus 8 livros é, estritamente falando, a Ciropédia. O primeiro livro é dedicado à origem e educação de Ciro e à sua estada na corte do seu avô materno, o rei Medo Astíages. Os livros 2 a 7 cobrem a vida de Ciro enquanto vassalo dos Medos. O livro 8 é um ensaio sobre o modo de Ciro governar e sobre as suas visões da monarquia.

Legado

Esta obra era considerada como um clássico na antiguidade: os antigos acreditavam que Xenofonte a tinha escrito em resposta à República de Platão, ou vice versa, e as Leis de Platão parecem referir-se à Ciropédia. Diz-se também que Cipião, o Africano trazia sempre consigo uma cópia da Ciropédia.


Simpósio

Simpósio (em grego: Συμπόσιον) é uma obra de Xenofonte que registrou a discussão de Sócrates e seus convivas num simpósio organizado por Cálias para Autólico, filho de Licão - identificado por alguns estudiosos como o Licão que posteriormente foi um dos acusadores de Sócrates durante seu julgamento.1 A obra se passa em 421 a.C.. Enquanto o Simpósio de Platão consiste de uma série de longos discursos louvando o amor, o de Xenofonte é dominado por comentários e réplicas espirituosas. Um duelo de palavras surge entre Sócrates e Cálias, e pede-se a cada um dos participantes do simpósio que descreva aquilo do qual ele mais se orgulha. Todas as respostas são bem-humoradas ou paradoxais; Sócrates, por exemplo, se orgulha por seu conhecimento da arte da cafetinagem. A história atinge seu clímax quando Sócrates louva o amor que Cálias tinha por Autólico.


Citações
  • "Interrogar é ensinar."
- Fonte: "A Retirada dos Dez Mil"
  • "O som mais doce de todos é o elogio."
- Hiero, ch. 3, trans. Richard Graves (The Whole Works of Xenophon (1832) p. 626).
  • "Cada um de vocês é o líder."
- Citado em Edith Hamilton The Greek Way ([1930] 1993) p. 134.
  • "Sócrates disse a seus alunos que nos bons sistemas de educação há um limite para além do qual ninguém deve ir. Na geometria, basta saber como medir a terra quando se quer vendê-la ou comprá-la ou dividir uma herança ou dividi-la entre trabalhadores".
- Xenofonte citado em "Pensamentos para uma vida feliz" - página 24, Leo Tolstoy, Barbara Heliodora, Editora Prestígio, ISBN 8599170252, 9788599170250, 224 páginas
  • "Sócrates não gostava de ciências muito sofisticadas, embora as conhecesse todas. Ele dizia que o conhecimento sofisticado exige um esforço extra que tira o tempo do estudante da busca humana mais básica e importante: a da perfeição moral".
- Xenofonte citado em "Pensamentos para uma vida feliz" - página 24, Leo Tolstoy, Barbara Heliodora, Editora Prestígio, ISBN 8599170252, 9788599170250, 224 páginas

Lista de obras

Os escritos de Xenofonte, especialmente a Anábase, são normalmente lidos por estudantes iniciantes de grego. Helênicas é uma das principais fontes de estudo para eventos na Grécia entre 411 e 362 a.C., e seus escritos Socráticos, são os únicos representantes restantes do gênero de sokratikoi logoi (método socrático) além dos diálogos de Platão.

Obras Históricas e Biográficas
  • Anábase
  • Educação de Ciro ou Ciropédia
  • Helênicas
  • Agesilau

Obras socráticas e diálogos
  • Memoráveis ou Ditos e feitos memoráveis de Sócrates
  • Econômico
  • Simpósio (Banquete)
  • Apologia de Sócrates

Pequenos tratados
  • Da equitação ou Sobre cavalaria
  • O comandante de cavalaria ou O general de cavalaria
  • Hieron
  • As rendas
  • Constituição dos Lacedemônios ou Constituição de Esparta

Além desses, existe também um pequeno tratado que acreditava-se ser de autoria de Xenofonte, mas o qual foi escrito provavelmente quando Xenofonte tinha em torno de cinco anos, sobre a Constituição de Atenas. Foi encontrado em manuscritos juntamente com outras pequenas obras de Xenofonte, como se ele a tivesse escrito. O autor, comumente chamado de "Velho Oligarca", detesta a democracia de Atenas e as classes mais pobres - mas argumenta que as instituições de Péricles são bem estruturadas para seus deploráveis propósito.

Referências

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