segunda-feira, 14 de abril de 2014

Biografia de Umberto Eco


Umberto Eco, Abril de 2010.
Umberto Eco. Nasceu em Alexandria, a 5 de Janeiro de 1932. Umberto Eco é um escritor, filósofo, semiólogo, linguista e bibliófilo italiano de fama internacional. É titular da cadeira de Semiótica (aposentado) e diretor da Escola Superior de ciências humanas na Universidade de Bolonha. Ensinou temporariamente em Yale, na Universidade Columbia, em Harvard, Collège de France e Universidade de Toronto. Colaborador em diversos periódicos acadêmicos, dentre eles colunista da revista semanal italiana L'Espresso, na qual escreve sobre uma infinidade de temas. Eco é, ainda, notório escritor de romances, entre os quais O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault. Junto com o escritor e roteirista Jean-Claude Carrière, lançou em 2010 "N’Espérez pas vous Débarrasser des Livres" (“Não Espere se Livrar dos Livros”, publicado em Portugal com o título "A Obsessão do Fogo" e ainda inédito no Brasil).



Biografia


Umberto Eco. (Imagem:
Università Reggio Calabria).
Umberto Eco começou a sua carreira como filósofo sob a orientação de Luigi Pareyson, na Itália. Seus primeiros trabalhos dedicaram-se ao estudo da estética medieval, sobretudo aos textos de S. Tomás de Aquino. A tese principal defendida por Eco, nesses trabalhos, diz respeito à ideia de que esse grande filósofo e teólogo medieval, que, como os demais de seu tempo, é acusado de não empreender uma reflexão estética, trata, de um modo particular, da problemática do belo. A partir da década de 1960, Eco se lança ao estudo das relações existentes entre a poética contemporânea e a pluralidade de significados. Seu principal estudo, nesse sentido, é a coletânea de ensaios intitulada Obra Aberta (1962), que fundamenta o conceito de obra aberta, segundo o qual uma obra de arte amplia o universo semântico provável, lançando mão de jogos semióticos, a fim de repercutir nos seus intérpretes uma gama indeterminável porém não infinita de interpretações. Ainda na década de 1960, Eco notabilizou-se pelos seus estudos acerca da cultura de massa, em especial os ensaios contidos no livro Apocalíticos e Integrados (1964), em que ele defende uma nova orientação nos estudos dos fenômenos da cultura de massa, criticando a postura apocalíptica daqueles que acreditam que a cultura de massa é a ruína dos "altos valores" artísticos — identificada com a Escola de Frankfurt, mas não necessariamente e totalmente devedora da Teoria Crítica —, e, também, a postura dos integrados — identificada, na maioria das vezes, com a postura de Marshall McLuhan —, para quem a cultura de massa é resultado da integração democrática das massas na sociedade. A partir da década de 1970, Eco passa a tratar quase que exclusivamente da semiótica. Eco descobriu o termo "Semiótica" nos parágrafos finais do Ensaio Sobre o Entendimento Humano (1690), de John Locke, ficando ligado à tradição anglo-saxônica da semiótica, e não à tradição da semiologia relacionada com o modelo linguístico de Ferdinand de Saussure. Pode-se dizer, inclusive, que a teoria de Eco acerca da obra aberta é dependente da noção peirceana de semiose ilimitada. Nesta concepção do "sentido", um texto será inteligível se o conjunto dos seus enunciados respeitar o saber associativo. Ao longo da década, e atravessando a década de 1980, Eco escreve importantes textos nos quais procura definir os limites da pesquisa semiótica, bem como fornecer uma nova compreensão da disciplina, segundo pressupostos buscados em filósofos como Immanuel Kant e Charles Sanders Peirce. São notáveis a coletânea de ensaios As Formas do Conteúdo (1971) e o livro de grande fôlego Tratado Geral de Semiótica (1975). Nesses textos, Eco sustenta que o código que nos serve de base para criar e interpretar as mais diversas mensagens de qualquer sub-código (a literatura, o sub-código do trânsito, as artes plásticas etc.) deve ser comparado a uma estrutura rizomática pluridimensional que dispõe os diversos sememas (ou unidades culturais) numa cadeia de liames que os mantêm unidos. Dessa forma, o Modelo Q (de M. Ross Quillian) dispõe os sememas — as unidades mínimas de sentido — segundo uma lógica organizativa que, de certo modo, depende de uma pragmática. A sua noção de signo como enciclopédia é oriunda dessa concepção. Como consequência de seu interesse pela semiótica e em decorrência do seu anterior interesse pela estética, Eco, a partir de então, orienta seus trabalhos para o tema da cooperação interpretativa dos textos por parte dos leitores. Lector in Fabula (1979) e Os Limites da Interpretação (1990) são marcos dessa produção, que tem como principal característica sustentar a ideia de que os textos são máquinas preguiçosas que necessitam a todo o momento da cooperação dos leitores. Dessa forma, Eco procura compreender quais são os aspectos mais relevantes que atuam durante a atividade interpretativa dos leitores, observando os mecanismos que engendram a cooperação interpretativa, ou seja, o "preenchimento" de sentido que o leitor faz do texto, procurando, ao mesmo tempo, definir os limites interpretativos a serem respeitados e os horizontes de expectativas gerados pelo próprio texto, em confronto com o contexto em que se insere o leitor. Além dessa carreira universitária, Eco ainda escreveu cinco romances, aclamados pela crítica e que o colocaram numa posição de destaque no cenário acadêmico e literário, uma vez que é um dos poucos autores que conciliam o trabalho teórico-crítico com produções artísticas, exercendo influência considerável nos dois âmbitos. Ver, abaixo, a relação completa de suas obras que circularam ou circulam no mercado editorial brasileiro.


O Nome da Rosa

O Nome da Rosa (em italiano: Il nome della rosa) é um romance do escritor italiano Umberto Eco, lançado em 1980 que o tornou conhecido mundialmente.

Titulo

Muita atenção tem sido dada para o mistério sobre a que o título do romance se refere. Na verdade, Eco afirmou que sua intenção era encontrar um "título que dá liberdade de interpretação ao leitor". Em uma outra versão da história, quando ele tinha acabado de escrever o romance, Eco apressadamente sugeriu dez nomes e pediu a alguns de seus amigos para escolher um, eles então escolheram O nome da Rosa. Sugeriu-se que Eco tenha se inspirado nas referências de Jorge Luis Borges, que disse: "...quem viu o Zahir pronto verá uma rosa: o Zahir é a sombra da rosa e o rasgo do Velo".
 

Sinopse

 
Eco retratou um episódio, passado durante a Idade Média, no qual o riso era considerado, pela Igreja, um pecado. O enredo de O Nome da Rosa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval. Com ares de Sherlock Holmes, o investigador, o frade franciscano Guilherme de Baskerville, assessorado pelo noviço Adso de Melk, vai a fundo em suas investigações, apesar da resistência de alguns dos religiosos do local, até que desvenda que as causas do crime estavam ligadas a manutenção de uma biblioteca que mantém em segredo obras apócrifas, obras que não seriam aceitas em consenso pela igreja cristã da Idade Média, como é a obra risona criada por Eco e atribuída romantescamente à Aristóteles. A aventura de William de Baskerville é desta forma uma aventura quase quixotesca.


O Pêndulo de Foucault (livro)


O Pêndulo de Foucault, originalmente Il pendolo di Foucault, é um romance do filósofo, escritor, semiólogo e linguista italiano Umberto Eco, publicado em 1988. Dividido em dez segmentos representados pelos dez Sefirot (são as dez emanações de Ain Soph na cabala) é cheio de referências esotéricas à Kabbalah, à alquimia e a teorias conspiratórias. O título do livro refere-se ao pêndulo projetado pelo físico francês Léon Foucault para demonstrar a rotação da terra. Na trama, sociedades secretas estão envolvidas em um suposto plano que governaria a humanidade. O texto é rico em informações e idéias, além de conter trechos de livros antigos e raros.

Enredo

O enredo do Pêndulo de Foucault envolve três amigos, Belbo, Diotallevi e Casaubon que trabalham para uma pequena editora. Tendo lido por demais manuscritos ocultistas de teorias da conspiração, eles decidem inventar sua própria teoria por diversão. Eles chamam este jogo de sátira intelectual de "O Plano." Belbo, Diotallevi e Casaubon tornam-se cada vez mais obcecados com O Plano, às vezes chegando a se esquecer que trata-se somente de um jogo. Pior ainda, quando os partidários de outras teorias da conspiração ficam sabendo sobre O Plano, eles o levam a sério. Belbo torna-se o alvo de uma sociedade secreta que acredita que ele possui a chave para tesouro perdido dos Cavaleiros Templários. O livro abre com o narrador, Casaubon (o nome refere-se ao erudito clássico Isaac Casaubon, e também evoca um estudante personagem de “Middlemarch”, de George Eliot) se escondendo no museu técnico parisiense Musée des Artes et Métiers. Ele acredita que os membros de uma sociedade secreta seqüestraram o seu amigo Jacopo Belbo e agora estão
Pêndulo de Foucault
atrás dele. A partir de então, o romance é contado em retrospectiva enquanto Causabon espera no museu. Casaubon era um estudante em 1970 em Milão, durante as atividades revolucionárias e contra-revolucionárias, tendo feito uma tese na história dos Cavaleiros Templários. Durante este período ele conhece Belbo, que trabalha em uma editora. Belbo convida Casaubon a revisar o manuscrito de um livro supostamente não-fictício sobre o Templários. Casaubon também conhece o colega de Belbo, Diotallevi, um cabalista. O livro, escrito por um Coronel Ardenti, diz que um manuscrito codificado revelou um plano secreto dos Templários para dominar o mundo. Essa suposta conspiração seria uma vingança pelas mortes dos líderes de Templários quando a ordem deles foi dissolvida pelo Rei de França. Ardenti postula que os Templários sejam os guardiães de um tesouro secreto, talvez o Santo Graal. De acordo com a teoria de Ardenti, depois que a monarquia francesa e a Igreja católica condenaram os Templários de heresia, alguns cavaleiros escaparam e estabeleceram grupos ao longo do mundo. Estes grupos têm se encontrado a intervalos regulares em lugares distintos para passar para frente as informação sobre o Graal. No final das contas, estes grupos reunir-se-ão novamente para redescobrir o local do Graal e alcançar dominação mundial. De acordo com os cálculos de Ardenti, o Templários deveriam ter assumido o mundo em 1944; evidentemente o plano esteve suspenso, provavelmente devido à eclosão da Segunda Grande Guerra. Ardenti desaparece misteriosamente depois de se encontrar com Belbo e Casaubon para discutir o livro. O Inspetor de polícia, De Angelis, entrevista ambos. Ele indica que o trabalho dele como um investigador de departamento político o leva a não só investigar os revolucionários, mas também as pessoas que parecem ser unidas ao oculto. Casaubon deixa a Itália e passa dois anos no Brasil. Enquanto vive lá aprende sobre o espiritualismo sul-americano e caribenho. Ele passa a ter um romance com uma mulher brasileira chamada Amparo e conhece também Agliè, um homem que insinua que ele é o místico Comte de Saint-Germain. Agliè tem um conhecimento aparentemente infinito sobre coisas relativas ao oculto. Enquanto no Brasil, Casaubon recebe uma carta de Belbo sobre comparecer a uma reunião de ocultistas. Na reunião Belbo foi feito lembrar da teoria de conspiração do Coronel pelas palavras de uma mulher jovem que estava aparentemente em um transe. Casaubon e Amparo também assistem a um evento oculto em Brasil, um rito de Umbanda. Durante um ritual, Amparo cai em um profundo transe e ao retornar a consciência encontra-se totalmente confusa e embaraçada. A relação dela com Casaubon se quebra, e ele volta à Itália. No retorno para Milão, Casaubon completa a sua tese. Ele começa a trabalhar como um investigador independente. Na biblioteca conheçe uma mulher chamada Lia; os dois se apaixonam e eventualmente têm uma criança junto. Enquanto isso, Casaubon é contratado pelo chefe de Belbo, Sr. Garamond (o nome recorre a publicador francês Claude Garamond), para pesquisar ilustrações para uma história de metais que a companhia está trabalhando. Casaubon aprende que assim como a respeitável editora Garamond, Sr. Garamond também possui Manuzio, uma editora que encarrega aos autores incompetentes grandes somas de dinheiro para imprimir o trabalho deles ("Manutius" na tradução inglesa, uma referência ao tipógrafo italiano do século 15 Aldus Manutius). Sr. Garamond logo tem a idéia para começar duas linhas de livros ocultos: uma publicação séria pela Garamond; e a outra, Ísis Revelada (uma referência para o texto teosófico de Blavatsky), a ser publicada pela Manuzio para atrair os autores mais de vaidade. Belbo, Diotallevi e Casaubon são rapidamente submergidos em manuscritos ocultos que puxam todos os tipos de conexões ridículas entre eventos históricos. Eles apelidam os autores de "Diabólicos", e convidaram Agliè à ajudar o projeto como um leitor especialista. Os três editores começam a desenvolver a própria teoria de conspiração, "O Plano", como sátira de parte de um jogo intelectual. A partir do "manuscrito de segredo" de Ardenti, eles desenvolvem uma teia complicada de conexões místicas. Eles também fazem uso do pequeno computador pessoal de Belbo que ele apelidou Abulafia. Belbo usa Abulafia principalmente para os relatos e textos pessoais (o romance contém muitos excertos destes, descobertos por Casaubon), mas veio equipado com um programa pequeno que pode rearranjar texto em acaso. Eles usam este programa para criar as "conexões" que inspiram O Plano deles. Eles entram em palavras fortuitamente selecionadas dos manuscritos do Diabólicos e usam Abulafia para criar o novo texto. "O Plano" evolui lentamente, com muitos de seus detalhes mudando como os progressos de história, mas a versão final envolve os Cavaleiros Templários descobrindo fluxos de energia secretos nomeados “Correntes Telúricas” durante as Cruzadas. As “Correntes Telúricas” afetam o movimento geofísico de tectônica de placas. O veio de mãe das corrente é chamado umbilicus mundi denominado, ou "umbigo do mundo". Colocando uma válvula especial no umbilicus mundi, eles poderão controlar as correntes, perturbar e interferir em qualquer lugar com vida na Terra, com possibilidades vastas de chantagear com nações inteiras. Porém, eles não podem utilizar as correntes devido à tecnologia insuficiente. A descoberta fora escondida com os Cavaleiros Templários e também foram a causa da sua própria destruição. Como na teoria original de Ardenti, cada grupo que se espalhou pelo mundo após a destruição da Ordem é parte do "Plano" dos Templários. Eles devem se encontrar periodicamente em locais diferentes para compartilhar seções do Plano. Então eles reunirão, redescobrirão o local do umbigo, e finalmente explorarão as Correntes Telúricas e assumirão o mundo. Os instrumentos cruciais para achar o local são um mapa especial e o Pêndulo de Foucault. Porém, a adoção do calendário gregoriano rompe o tempo e os grupos perdem de vista um ao outro, enquanto criando várias sociedades secretas que procuram um ao outro e os pedaços perdidos do Plano ao longo da história. Enquanto o Plano for tolice total, os editores crescentemente são envolvidos no jogo deles. Eles começam a pensar que realmente poderia haver uma conspiração secreta. Porém, quando a namorada de Casaubon pede para ver o manuscrito codificado, ela propõe uma interpretação mundana. Ela sugere que o documento seja simplesmente uma lista de entrega, e encoraja que Casaubon abandone o jogo e que o mesmo parece estar tendo um efeito negativo sobre ele. Quando Diotallevi é diagnosticado com câncer, ele atribui isto ao Plano. Ele sente que a doença é um castigo divino por se envolver em mistérios que ele deveria ter deixado de lado. Belbo se afasta para evitar problemas em sua vida pessoal. Os três tinham enviado para Agliè a cronologia de sociedades secretas no Plano, fingindo que isto não era o próprio trabalho deles, mas de um manuscrito que eles tinham sido apresentados. A lista deles também inclui organizações históricas como os Templários, Rosacrucianos, Palacianos e Sinarquistas, mas eles inventam uma sociedade secreta fictícia chamada de Tres (Templi Resurgentes Equites Synarchici, latim para os Cavaleiros de Sinarquia do Renascimento Templar). O Tres é introduzido para enganar Agliè. Ao ler a lista, ele reivindica ter ouvido falar do Tres antes. Isto é possível, como a palavra foi mencionada primeiro a Casaubon pelo policial De Angelis. De Angelis tinha perguntado para Casaubon se ele alguma vez ouviu falar do Tres. Belbo vai reservadamente para Agliè e descreve O Plano a ele como sendo o resultado de uma pesquisa séria. Ele também reivindica estar em posse de um mapa secreto dos Templários. Agliè fica frustrado com a recusa de Belbo ao seu pedido de deixar ver o (não existente) mapa. Ele molda Belbo como um suspeito terrorista para o forçar a vir para Paris. Agliè se lançou como a cabeça de uma fraternidade espiritual secreta que inclui Sr. Garamond e muitos dos autores Diabólicos. Casaubon recebe uma chamada pedindo ajuda e ele tenta obter ajuda de De Angelis, mas a fraternidade o chantageou. Casaubon decide seguir Belbo para Paris. Ele decide que Agliè e os sócios dele pretendem se encontrar no museu onde fica o Pêndulo de Foucault, como tinha dito Belbo que o mapa dos Templários teve que ser usado junto com o pêndulo. Casaubon esconde-se no museu onde ele estava quando do início do livro. À hora designada, um grupo de pessoas reúne-se ao redor do pêndulo para um ritual enigmático. Casaubon vê várias pessoas uma das quais diz ser o real Comte de Saint-Germain. Belbo é chamado para ser interrogado então. O grupo de Agliè é, ou se iludiu a ser, a sociedade de Tres no Plano. Bravos porque Belbo sabe mais sobre o Plano que eles, eles tentam força-lo a revelar os segredos que ele sabe. Recusando os satisfazer ou revelar que o Plano era uma mistura absurda, Belbo é pendurado em um arame conectado ao Pêndulo de Foucault. Casaubon foge do museu pelos esgotos de Paris. Está obscuro por este ponto o quão seguro o narrador Casaubon foi, e até que ponto ele teria inventado as teorias de conspiração. O livro termina com Casaubon que medita nos eventos narrados no livro, aparentemente resignado para o (possivelmente delusional) idéia que o Tres o capturará logo.

O Pêndulo de Foucault e Michel Foucault

Em O Pêndulo de Foucault, Umberto Eco faz um jogo de palavras com o nome do filósofo francês Michel Foucault. Este último, em seu livro intitulado As Palavras e as Coisas, trata do surgimento do homem, enquanto sujeito histórico, desenvolvendo uma arqueologia do saber. No livro de Eco, ao relacionar o mundo da magia com a ciência, o protagonista descobre, quando a esposa lhe diz estar grávida, que todos os símbolos e números sagrados, toda a magia e toda a ciência possuem um parâmetro comum: o homem. Aqui o Pêndulo de Foulcault, e a ciência desenvolvida pelos templários e outros iniciados, encontra-se com a tese de M. Foucault.

O Pêndulo de Foucault e O Código Da Vinci

Diz Umberto Eco:
Eu inventei Dan Brown. Ele é um dos personagens grotescos do meu romance que levam a sério um monte de material estúpido sobre ocultismo. O Pêndulo de Foucault projeto brinca com teorias conspiratórias e teve início com uma pesquisa entre 1.500 livros de ocultismo reunidos por seu autor. Ele [Dan Brown] usou grande parte do material.” Em 'O Pêndulo de Foucault', eu havia inserido um bom número de ingredientes esotéricos, que podem ser encontrados no Código Da Vinci. Os meus personagens, ao elaborarem os seus projetos, levam em conta a importância do Graal, por exemplo. Eu quis fazer uma representação grotesca daquilo que eu via em volta de mim, de uma tendência da qual eu previa o crescimento. Era fácil fazer uma profecia como esta. Ao pesquisar para escrever 'O Pêndulo de Foucault', eu esvaziei todas as livrarias que já se especializavam nessa "gororoba cultural". Dan Brown copia livros que podiam ser encontrados trinta anos atrás nos sebos da Rue de la Huchette, em Paris. O sucesso pode ser explicado pelo fato de que os autores desses best-sellers levam tudo isso a sério, e ainda pelo fato de que as pessoas são sedentas por mistérios. Em 'O Pêndulo de Foucault', eu cito a frase de G. K. Chesterton:
"Quando os homens não acreditam mais em Deus, isso não se deve ao fato de eles não acreditarem em mais nada, e sim ao fato de eles acreditarem em tudo".


A Ilha do Dia Anterior

A ilha do dia anterior (Brasil) / A Ilha do Dia Antes (Portugal) (Original: L'isola del Giorno Prima) é um romance do escritor italiano Umberto Eco e foi escrito em 1994.

Sinopse

O navio de um jovem piemontês da pequena nobreza de Montferrato sofre um naufrágio nos mares do sul. Agarrado numa tábua, ele chega a outro navio, completamente desabitado, mas cheio de objetos e recordações. O náufrago revive, então, em sua memória, histórias que descortinam a cultura, como o fato de uma das ilhas em questão ser a famosa (na época) ilha onde encontrava-se a linha imaginária sobre a exata mudança de tempo (fuso horário), pois acreditava-se ser plano, e não uma esfera o planeta Terra), a filosofia e a sociedade do século XVII.


Baudolino


Baudolino é um livro de Umberto Eco publicado em 2000 e é ambientado na Idade Média entre 1152 e 1204.

Enredo

Uma história de um homem que se intitula "o maior mentiroso do mundo inteiro" contando seus feitos ao historiador Nicetas Coniates, feitos de íntima relação com mitos e acontecimentos históricos, entre guerras e uma viagem ao oriente, de um mundo jamais imaginado. Narra a aventura picaresca de um jovem adotado por Frederico I, o Barba Ruiva, em uma saga que vai desde a coroação deste imperador à invasão de Constantinopla pelas cruzadas - operação financiada pelos venezianos que permitiria a o controle do Mediterrâneo. Com isso, Umberto Eco nos leva para uma época de geografia não explorada em que terras e mares misteriosos pautavam projetos de aumento territorial, religioso e comercial, desatando ambições de governos, negociantes, intelectuais e aventureiros, como Baudolino e seus amigos.


A Misteriosa Chama da Rainha Loana


A Misteriosa Chama da Rainha Loana (2004) é um livro do escritor italiano Umberto Eco.

Sinopse

Em Milão, 1991, um homem vendedor especializado de livros antigos e raros, perde a memória e começa a reconstruir a sua história. Conta com a ajuda da família e de pessoas que o conheciam. Vai se descobrindo a partir de objetos, livros juvenis e infantis, cadernos escolares, revistas de quadrinhos e outras, anúncios de publicitários antigos, etc. A edição é repleta de gravuras da época, os anos 40. Na obra se apresenta um panorama da Itália nesse período, do Fascismo, da guerra passando por muitas referências de Literatura, História, Filosofia, Religião, Política. São significativas na narrativa as lembranças de um amor de infância.


O Cemitério de Praga


O cemitério de Praga é um romance histórico de Umberto Eco, publicado em 2010 pela editora Bompiani. O nome do livro é uma alusão ao antigo Cemitério Judeu de Praga, onde, de acordo com Os Protocolos dos Sábios de Sião, judeus teriam conspirado para dominar o mundo. A história contém uma série de conspirações e falsificações, envolvendo ainda carbonários, jesuítas, maçons e satanistas.

Enredo

No cenário parisiense, em março de 1897, desenrola-se uma trama que também percorre os territórios de Turim e Palermo. Nestas paisagens circulam uma adepta do satanismo emocionalmente perturbada, um prior que já faleceu duas vezes, alguns corpos jogados no esgoto de Paris, Ippolito Nievo, um seguidor de Garibaldi, levado pelas águas do oceano perto do Stromboli, o falso documento que incriminaria o oficial francês Alfred Dreyfus como espião da embaixada alemã na Cidade Luz, a divulgação dos inverídicos Protocolos dos Sábios de Sião, fonte de inspiração de Hitler na criação dos campos de concentração. Há também intrigas que contrapõem jesuítas e maçons, a sociedade secreta dos carbonários e seguidores de Giuseppe Mazzini, filósofo e político italiano, os quais assassinavam padres estrangulando-os com suas próprias tripas, a figura de um Garibaldi com artrite nas pernas oblíquas, projetos elaborados por agentes secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, a carnificina provocada pela Comuna de Paris, quando as pessoas se alimentavam de ratazanas ou eram apunhaladas. Nesta época eram comuns as assembleias de bandidos, os quais consumiam absinto enquanto planejavam motins públicos. Desfilam igualmente pelo livro homens com barbas postiças, tabeliães de mentira, falsos testamentos, fraternidades malignas e missas negras. Somente o protagonista é fictício; a fauna que circula pela obra de Eco existiu de verdade. Mas mesmo o personagem principal pode confundir o leitor, pois pratica atos reais, mas que foram, de fato, exercitados por outras pessoas. Desta forma, o autor revela que não se deve confiar nas aparências, pois nada é o que aparenta ser.


Citações

Obras

O nome da Rosa

  • "Nada inspira mais coragem ao medroso do que o medo alheio."
  • "Pode-se pecar por excesso de loquacidade e por excesso de reticência. Eu não queria dizer que é necessário esconder as fontes da ciência. Isso me parece antes um grande mal. Queria dizer que, em se tratando de arcanos dos quais pode nascer tanto o bem como o mal, o sábio tem o direito e o dever de usar uma linguagem obscura, compreensível somente a seus pares. O caminho da ciência é difícil e é difícil distinguir nele o bem do mal. E freqüentemente os sábios dos novos tempos são apenas anões em cima dos ombros de anões. O limite entre o veneno e o remédio é bastante tênue, os gregos chamavam a ambos de Pharmacon."

 

Baudolino

  • "Porque é verdade. Mas não penses que te censuro. Se queres transformar-te num homem de letras, e, quem sabe um dia escrever Histórias, deves também mentir, e inventar histórias, pois senão a tua História ficaria monótona. Mas terás que fazê-lo com moderação. O mundo condena os mentirosos que só sabem mentir, até mesmo sobre coisas mínimas, e premia os poetas que mentem apenas sobre coisas grandiosas."
  • "E como podes ver, ainda falo demasiadamente, e isto é sinal de que não sou sábia, porque a virtude se adquire no silêncio."
  • "Atingiremos um estágio mais perfeito quando conseguirmos ficar juntos sem falar, bastará tocar-te para me entenderes da mesma forma."

 

A Misteriosa Chama da Rainha Loana

  • "Era como se acordasse de um longo sono, e no entanto estava ainda suspenso em um cinza leitoso. Era um estranho sonho, desprovido de imagens, povoado por sons. Como se não visse, mas ouvisse vozes que me contavam o que devia ver. E contavam que eu ainda não via nada, exceto um fumegar ao longo dos canais, onde a paisagem se dissolvia."
  • "Sabia tudo de Alexandre, o grande, e nada de Alessandro, o meu pequenino. Disse que me sentia fraco e precisava dormir. Saíram, eu chorava. As lágrimas são salgadas. Aqueles de antes já não eram mais meus. Quem sabe, perguntava-me, se alguma vez fui religioso: certamente, de qualquer jeito, perdera a alma."

 

Frases

  • "Essas tabuinhas nos mostram ainda que, desde aquela época, ler sempre foi interpretar, porque era necessário decidir, segundo o contexto como uma imagem deve estar relacionada no seu significado e em que direção prosseguir a leitura."
- "Sobre os espelhos e outros ensaios" - página 67, 3a. ed., Umberto Eco, tradução de Beatriz Borges, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989, 345 páginas.
  • "Nenhum romancista pode imaginar algo mais terrível que a verdade."
- Citando como exemplo do que diz a recente destruição das torres gêmeas de Nova York; como citado em Revista Veja, Edição 1 729 - 5 de dezembro de 2001
  • "Nada é mais nocivo para a criatividade do que o furor da inspiração."
- is more harmful to creativity than the passion of inspiration.
- Umberto Eco em entrevista a Gaither Stewart (2001)



Bibliografia

 

Romances

  • O Nome da Rosa (Il Nome della Rosa, 1980) (Prêmio Médicis, livro estrangeiro na França);
    • adaptação cinematográfica de Jean-Jacques Annaud, com Sean Connery e Christian Slater nos papéis principais;
  • O Pêndulo de Foucault (livro) (Il pendolo di Foucault,1988);
  • A Ilha do Dia Anterior (L'isola del giorno prima, 1994);
  • Baudolino (Baudolino, 2000);
  • A Misteriosa Chama da Rainha Loana (La misteriosa fiamma della regina Loana 2004).
  • O Cemitério de Praga (Il cimitero di Praga), 2011

 

Ensaios

Obras nas áreas de filosofia, semiótica, lingüística, estética traduzidas para a língua portuguesa:
As datas que aparecem seguidas de asterisco se referem à data da publicação da tradução. As demais seguem de acordo com a publicação original.

  • Obra Aberta (1962)
  • Diário Mínimo (1963)
  • Apocalípticos e Integrados (1964)
  • A Definição da Arte (1968)
  • A Estrutura Ausente (1968)
  • As Formas do Conteúdo (1971)
  • Mentiras que Parecem Verdades (1972) (co-autoria de Marisa Bonazzi)
  • O Super-Homem de Massa (1978)
  • Lector in Fábula (1979)
  • A semiotic Landscape. Panorama sémiotique. Proceedings of the Ist Congress of the International Association for Semiotic Studies (1979) (co-autoria de Seymour Chatman e Jean-Marie Klinkenberg).
  • Viagem na Irrealidade Cotidiana (1983)
  • O Conceito de Texto (1984)
  • Semiótica e Filosofia da Linguagem (1984)
  • Sobre o Espelho e Outros Ensaios (1985)
  • Arte e Beleza na Estética Medieval (1987)
  • Os Limites da Interpretação (1990)
  • O Signo de Três (1991*) (co-autoria de Thomas A. Sebeok)
  • Segundo Diário Mínimo (1992)
  • Interpretação e Superinterpretação (1992)
  • Seis Passeios pelos Bosques da Ficção (1994)
  • Como se Faz uma Tese (1995*)
  • Kant e o Ornitorrinco (1997)
  • Cinco Escritos Morais (1997)
  • Entre a Mentira e a Ironia (1998)
  • Em que Creem os que não Creem? (1999*) (co-autoria de Carlo Maria Martini)
  • A Busca da Língua Perfeita (2001*)
  • Sobre a Literatura (2002)
  • Quase a Mesma Coisa (2003)
  • História da Beleza (2004) (direção)
  • La Production des Signes (2005 em francês)
  • Le Signe (2005; em francês)
  • Storia della Brutezza (2007). Em Portugal, traduzido como História do Feio e , no Brasil, como História da Feiúra.
  • Dall'albero al Labirinto (2007)
  • A Vertigem das Listas (2009)
  • Não Contem com o Fim do Livro (2010*) (co-autoria de Jean-Claude Carrière)

 

Obras sobre Umberto Eco

  • FEDELI, Orlando. Nos Labirintos do Eco. São Paulo, Veritas (2007).

 

Referências



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