quarta-feira, 16 de abril de 2014

Biografia de Lamarck


Lamarck
Lamarck. (Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet), Biensparce Fligore de Lamarck Golwdin. Nasceu em Bazentin, a 1 de Agosto de 1744, e, faleceu em Paris, a 28 de Dezembro de 1829. Lamarck foi um naturalista francês que desenvolveu a teoria dos caracteres adquiridos, uma teoria da evolução agora desacreditada. Lamarck personificou as idéias pré-darwinistas sobre a evolução. Foi ele que, de fato, introduziu o termo "biologia". Originário da baixa nobreza (daí o título de chevalier), Lamarck pertenceu ao exército, interessou-se por história natural e escreveu uma obra de vários volumes sobre a flora da França. Isto chamou a atenção do Conde de Buffon que o indicou para o Museu de História Natural, em Paris. Depois de ter trabalhado durante vários anos com plantas, Lamarck foi nomeado curador dos invertebrados (mais um termo introduzido por ele), e começou uma série de conferências públicas. Antes de 1808, ele era um essencialista que acreditava que as espécies eram imutáveis. Mas graças ao seu trabalho sobre os moluscos da Bacia de Paris, ficou convencido da transmutação das espécies ao longo do tempo, e desenvolveu a sua teoria da evolução (apresentada ao público em 1990 na sua Philosophie Zoologique). Foi biólogo pela Associação Bewyn de Biólogos de Chicago (CBBA) , no ano de 1898 .

Teoria dos caracteres adquiridos pela ciência

A teoria de Lamarck não obteve grande aceitação na França, mesmo entre seus colegas do Museu de História Natural, como por exemplo o eminente naturalista Georges Cuvier. Entretanto, houve uma boa aceitação na Inglaterra. Apesar disto, Lamarck não foi capaz de convencer aos homens de seu tempo que a evolução fosse um facto. Até mesmo as idéias de Charles Darwin, que hoje são tidas como corretas, só foram plenamente aceitas e convenceram a sociedade do fato da evolução quase 100 anos após a publicação de Origem das Espécies (1859).

A teoria da evolução de Lamarck é fundamentada em três aspectos:

  1. A tendência dos seres para um melhoramento constante rumo à perfeição, um aumento da complexidade dos seres menos desenvolvidos aos mais desenvolvidos; esta tendência seria uma força externa, semelhante a atração gravitacional, que se agisse isoladamente geraria um linha contínua e progressiva.
  2. Porém, esta tendência não atua sozinha na evolução, há a lei do uso e desuso que conjugada com a transmissão dos caracteres adquiridos provoca desvios na linha evolutiva.
  3. O naturalismo depende dos seres vivos para uma base científica e democrática cientificamente por espécies de seres incompreensíveis por natureza.

Estátua de Lamarck em Paris.
Segundo a lei do uso e desuso (que era uma idéia plenamente aceita na Europa mesmo antes de Lamarck e que também foi defendida por Charles Darwin) os indivíduos perdem as características de que não precisam e desenvolvem as que utilizam. O uso contínuo de um órgão ou parte do corpo faz com que este se desenvolva e seja apto para o correto funcionamento, e o desuso de um órgão ou parte do corpo faz com que este se atrofie e com o tempo perca totalmente sua função no corpo do indivíduo. Estas mudanças são transmitidas aos descendentes através da: Transmissão das características adquiridas - O uso e desuso de partes do corpo provocam alterações no organismo do indivíduo, essas alterações podem ser transmitidas às gerações seguintes. Por exemplo: as crias das girafas herdam o pescoço comprido dos pais que supostamente o desenvolvem quando comem folhas das árvores mais altas. Desta forma surgiriam as novas espécies, que na verdade nada tem de novo, são apenas alterações das já existentes, desvios na linha evolutiva. Lamarck acreditava que, como o ambiente terrestre sofre modificações constantes, as suas alterações estruturais forçam os seres que nele vivem a se transformarem para se adaptarem ao novo meio. Ao longo de muitas gerações (milhões de anos), o acúmulo de alterações pode levar ao surgimento de novos grupos de seres vivos. Assim, modificações no ambiente causam alterações nas "necessidades", no comportamento, na utilização e desenvolvimento dos órgãos, na forma das espécies ao longo do tempo - e por isso causam a transmutação das espécies (evolução). Lamarck defendia a geração espontânea contínua das espécies, com os organismos mais simples a serem depois transmutados com o tempo (pelo seu mecanismo) tornando-se mais complexos e próximos da perfeição ideal. Acreditava portanto num processo teleológico, com um fim determinado em que os organismos se tornam mais perfeitos à medida que evoluem. A comparação das idéias de Lamarck (1809) e Darwin (1859) permite que se monte um quadro sobre as mudanças na forma de pensar dos Homens e no desenvolvimento da ciência. Lamarck defendia a evolução, Darwin a descendência com modificação; Lamarck era teleológico, Darwin considerava que a evolução ocorria ao acaso via seleção natural; ambos eram gradualistas, ou seja as mudanças evolutivas eram vagarosas; Lamarck incluiu o Homem dentro da escala evolutiva, Darwin hesitou em fazê-lo em 1859. As teorias e os pensamentos de Lamarck podem ser considerados Transformistas, pois propõem a transformação e a evolução dos organismos. Suas idéias também evoluíram ao longo de seus estudos, e formaram um panorama que muito contribuiu para a biologia moderna. Seus estudos serviram de base a formulação da "Teoria Sintética da Evolução" no século XX. É provável que a visão que os teóricos contemporâneos têm de Lamarck seja injusta. As contribuições dele para a biologia são muito importantes. Ele acreditava na evolução numa época em que não existiam muitos conhecimentos para sustentar essa teoria. Defendeu ainda que a função precede a forma, uma idéia controversa na sua época. No entanto, a herança dos caracteres adquiridos foi quase completamente refutada. August Weismann provou que a teoria era falsa em experiências em que a cauda de ratos era cortada para verificar se as crias nasciam com a cauda cortada. Algumas culturas humanas, como os judeus, têm por hábito circuncidar os homens, mas após várias gerações os homens continuam a precisar de ser circuncidados. Mas Lamarck não considerava as mutilações como uma forma de adquirir novas características. Ele achava que só eram adquiridas novas características quando o animal se esforçava para satisfazer as suas próprias necessidades. Charles Darwin elogiou Lamarck na terceira edição da "A Origem das Espécies" por ele apoiar o conceito da evolução e por ter contribuído para o divulgar. Darwin aceitava a idéia do uso e do desuso, e desenvolveu a sua teoria da pangênese em parte para explicar esse fenômeno. Não foi Darwin que refutou a teoria dos caracteres adquiridos, mas sim a descoberta dos mecanismos celulares da hereditariedade e da genética (idéias que Darwin reconheceu que precisava para completar a sua teoria).

Lamarckismo

O lamarckismo foi uma teoria proposta no século XIX pelo biólogo francês Jean-Baptiste Lamarck para explicar a evolução das espécies. Lamarck acreditava que mudanças no ambiente causavam mudanças nas necessidades dos organismos que vivem nesse ambiente, o que causava mudanças no seu comportamento. O Lamarckismo baseia-se em duas leis, descritas por Lamarck no livro Philosophie Zoologique:

  • Primeira Lei: Uso e Desuso – órgãos utilizados constantemente tendem a se desenvolver, enquanto órgãos inutilizados podem sofrer atrofia;
  • Segunda Lei: Transmissão dos caracteres adquiridos – as características do uso e desuso seriam herdadas por gerações seguintes, por exemplo: uma girafa precisa esticar o pescoço para alcançar as folhas das árvores, o seu pescoço cresce e os seus descendentes nascem já com o pescoço mais comprido.


Teoria

Lamarck começou a publicar detalhes da sua teoria em 1801. Ele acreditava que uma mudança no ambiente fazia com que as necessidades dos organismos também mudassem, causando uma alteração no comportamento daquele organismo. Não somente a esse, mas que essa mudança poderia ser transmitida ao seu descendente. Estas alterações comportamentais faziam com que determinada estrutura ou órgão fosse mais ou menos usado. O uso causaria o aumento de tamanho das estruturas, enquanto o desuso causaria a diminuição ou atrofiamento das estruturas, ocasionando o desenvolvimento ou desaparecimento dessa. Lamarck chamou de Primeira Lei a esta regra. A Segunda Lei afirma que todas estas mudanças são hereditárias. O mecanismo proposto por Lamarck é bastante diferente do de Darwin, a seleção natural, mas o resultado previsto é semelhante: adaptação contínua e gradual dos organismos ao seu ambiente. Tal como Darwin, Lamarck cita a variedade de animais e plantas produzidos sob a influência do homem; órgãos vestigiais; e a presença de estruturas embriônicas que não estão presentes nos adultos. A teoria de Lamarck era bastante semelhante à proposta por Erasmus Darwin, avô de Charles, embora aparentemente nenhum dos dois tenha conhecido o trabalho do outro. A genética mendeliana, redescoberta no início do século XX, veio refutar a hereditariedade lamarckiana.


Filosofia Zoológica



Filosofia zoológica é uma edição posterior reformulada, corrigida e ampliada da obra Indagações sobre os Corpos Viventes de Jean-Baptiste Lamarck onde expõe sua teoria sobre a evolução da vida. A obra se divide em uma introdução e três partes. Foi publicada pela primeira vez em 1809.

Introdução

 

Bazentin (Somme, Picardie, France).
A introdução começa preguntando se existe algo mais importante na natureza do que o estudo dos animais e suas conexões, suas conexões com o homem e o estudo do poder que tem sobre eles, sua organização, o clima e as áreas em que vivem; como sua forma de vida e seus hábitos modificam seus caracteres, seus órgãos e suas faculdades e como a complexidade maior ou menor que observamos nestes seres pode levar-nos a conhecer em que ordem a natureza tem trabalhado para a formação de suas espécies. Adverte que o exame dos organismos não consiste unicamente em conhecer suas raças e determinar as suas diferenças, fixando seus caracteres particulares, sendo que também é importante conhecer a origem de suas faculdades, as causas que lhes fazem manter a vida e se reproduzir, também, a notável progressão que apresentam na natureza, em sua organização e no desenvolvimento dessas faculdades. Defende que as faculdades sensoriais e intelectuais estão supeditadas ao “físico”, aos órgãos que as produzem e para confirmar tal fato, tem que retroceder na escala de complexidade, desde o homem, o mais complexo e perfeito, até o mais simples, e observar como a adquisição destas faculdades estão ligadas à adquisição dos órgãos que os produzem. Partindo de sua inexistência, os hábitos e a necessidade têm conduzido as espécies a dotaram-se dos órgãos que as produzem, aperfeiçoando-os gradualmente, o que levou a aumentar, também gradualmente, estas faculdades. Ele nega que as espécies foram criadas tal como é conhecida, sem que a Natureza tenha trabalhado para isso sucessivamente. A Natureza vem criando os diferentes órgãos especiais e faculdades de que estão dotados os animais de forma progressiva. Em um parágrafo sintetiza a teoria que vai expor e tratar de demonstrar ao longo do livro: as circunstâncias criam a necessidade, essa necessidade cria os hábitos, os hábitos produzem as modificações como resultado do uso ou desuso de determinado órgão, e, os meios da Natureza se encarregam de fixar estas modificações. Continua queixando-se da desatenção que tem observado pelo mundo dos invertebrados e destaca a importância de seu estudo. Nos diz que é no estudo dos invertebrados onde melhor se pode observar a ação da Natureza, e nos dá quatro motivos:

  • A espécies são muito mais numerosas.
  • Sendo mais numerosas, são mais variadas.
  • Suas diferenças são maiores, mais acentuadas e singulares.
  • Pode-se seguir mais facilmente a ordem em que a Natureza foi dotando-lhes dos diferentes órgãos.

Adverte que para o estudo da Natureza é necessário ir do geral ao particular. Primeiro conhecer como tem trabalhado a Natureza, antes de iniciar o estudo de seus detalhes.

O verdadeiro meio, de fato, de conhecer bem um objeto, até mesmo nos seus mínimos detalhes, consiste em começar por considerá-lo na sua totalidade, examinando, de imediato, a sua massa, a sua extensão, o conjunto das partes que o compõem; por indagar qual é a sua natureza e origem, quais são as suas relações com os outros objetos conhecidos; em uma palavra, considerá-lo a partir de todos os pontos de vista que possam nos esclarecer sobre todas as generalidades que lhe concernem. Depois, divide-se o objeto de que se trata em partes principais, para estudá-las e considerá-las separadamente sobre todas as analogias que possam nos instruir a respeito dele, e continuando assim, dividindo e subdividindo tais partes, se chega a penetrar até as mais pequenas, cujas particularidades se investiga, sem esquecer os menores detalhes. Terminadas tais investigações, se procura deduzir as consequências delas, e pouco a pouco a filosofia da ciência se estabelece, se retifica e se perfeiciona.

É porque não se tem atendido a isto, como o único interesse pelo estudo dos detalhes, pelo que Lamarck considera que não se tem chegado a descobrir as verdadeiras conexões de todas as espécies, sem que se tenha chegado a conhecer o verdadeiro plano da Natureza e suas leis.

Primeira parte

É na primeira parte onde Lamarck expõe sua teoria evolutiva (denominada “transformista”) da vida, apresentado os fatos que considera essenciais observados e os princípios gerais das ciências naturais. Começa com o que denomina as partes da arte nas ciências Naturais (sua visão da taxonomia da época) diferenciando o que forma parte da natureza e o que forma parte dessas artes. Dando importância às analogias que se observa em toda a natureza. Continua apresentando provas da degradação da organização que reina de um extremo ao outro da escala animal colocando os mais perfeitos na extremidade superior dela (descende desde o homem, considerando-o o mais complexo e perfeito, até o mais simples). Os capítulos posteriores mostram a influência das circunstâncias e dos hábitos como a origem das causas que favorecem ou impedem seus desenvolvimentos. E esta parte termina com a consideração de ordem natural dos animais, sua distribuição e classificação.

Sobre "as partes da arte"

Lamarck fala concretamente de: "As partes da arte para definir as produções da natureza". Considera que não deve confundir estas artes, criação do homem com a obra da natureza. Considera que as distribuições sistemáticas: classes, ordens, famílias e gêneros são convenções criadas pelo homem para facilitar o estudo da natureza, que na natureza não se dão estas divisões e que de lograr aceder ao conhecimento de toda a variedade que produz a natureza, as diferenças que podem parecer notáveis entre estes grupos, se desfocariam:

Tais classificações, muitas das quais foram felizmente imaginadas pelos naturalistas, assim como as divisões e subdivisões que apresentam, são meios absolutamente artificiais. Nada de tudo isto se encontra na Natureza, apesar do fundamento que parece dar-lhes algumas porções da série natural que aparentam estar isoladas. De modo que se pode assegurar que entre suas produções, a Natureza não tem formado, realmente, nem classes, nem ordens, nem espécies constantes, mas, apenas indivíduos que se sucedem uns aos outros e que se assemelham aos que os tenham produzido. Mas estes indivíduos pertencem à raças extraordinariamente diversificadas, que se diversificam sob todas as formas e em todos os graus de organização, conservando-se cada uma delas sem mutação enquanto que não trabalha nenhuma causa de câmbio.

Nestas partes da arte, que considera necessária para o estudo da natureza, defende “a grande simplicidade e a bela hierarquia estabelecida por Linneu” frente ao que considera abusos na criação de subclasses. Lamarck continua enfatizando a importância que tem o estudo das conexões e analogias que existem entre os diferentes grupos de organismos para assim lograr descobrir o padrão que a natureza tem levado até alcançar a atual diversificação. Destaca três órgãos para facilitar este estudo: o sistema nervoso (ele o chama de órgão do sentimento), órgão da respiração e órgão da circulação.

Sua concepção de “espécie”

O terceiro capítulo, lo dedica a determinar lo que consideramos especies e “investigar se é verdadeiro que as espécies têm uma constância absoluta, e são tão antigas quanto a Natureza, e se têm existido em sua origem na forma que hoje conhecemos; ou se sujeitas às alterações de circunstâncias que poderiam trabalhar a seu favor, ainda que lentamente, chegaram a mudar de carácter e de forma pela sucessão do tempo.”
Foi designado com o nome de espécie toda coleção de indivíduos semelhantes que foram produzidos por outros indivíduos parecidos a eles. Esta definição é exata, pois todo indivíduo que goza de vida se assemelha sempre, com diferenças muito pequenas, daquele ou daqueles de quem procedem. Mas, tem se aliado à esta definição a suposição de que os indivíduos que compõem uma espécie nunca variam em seu carácter específico, e que, consequentemente, a espécie tem uma constância absoluta na Natureza. Unicamente esta suposição é a qual me proponho combater, porque infinidades de provas evidentes obtidas pela observação, demonstram que não resultam fundamentos.
A suposição quase geralmente admitida de que os corpos viventes constituem espécies constantemente distintas por caracteres invariáveis, e que a existência delas é tão antiga quanto a da própria Natureza, foi estabelecida num tempo em que faltavam os meios de observação e em que as ciências naturais resultavam quase nulas. Pois tal suposição é quase diariamente desmentida aos olhos dos experimentadores, que têm seguido longo tempo a marcha da Natureza e que têm consultado as grandes e ricas coleções dos museus.

Lamarck fez notar a dificuldade de considerar as espécies como entidades diferenciadas dentro da natureza, considerou que descendendo (desde a atualidade às origens) na história de qualquer espécie virão a encontrar tais diferenças de nuances que, quanto mais se chegasse a conhecer toda a variedade contida na natureza, a historia e os passos que tem transitado cada indivíduo, mais difícil seria diferenciar os indivíduos por espécies, destacando uma especial dificuldade, no caso do reino vegetal.

Por exemplo, as sementes de uma gramínea ou de toda outra planta natural num prado úmido são transportadas por qualquer circunstância, sobre a ladeira de uma colina próxima em que o solo, ainda mais elevado, resulte todavia bastante fresco para permitir à planta conservar sua existência. E que em seguida, depois de haver vivido nela e de haver se regenerado muitas vezes, alcance paulatinamente o solo seco e quase árido de um cume de montanha; pois se a planta chega a aclimatar-se e a subsistir neste lugar, haverá mudado tanto, que os botânicos que a encontrarem constituirão com ela uma espécie particular.

O mesmo sucederá com animais que as circunstâncias levaram a se acostumar com um outro modo de vida. Considera seis extremos para apoiar a sua ideia de que as espécies evoluíram desde o mais simples ao mais complexo:

  • 1.- Todos os corpos organizados (organismos) da Terra têm sido produzidos pela natureza sucessivamente e depois de uma enorme sucessão de tempo.
  • 2.- Em sua marcha constante, a Natureza tem começado, e recomeça a cada dia, por formar os corpos organizados mais simples, e que não forma diretamente mais do que estes. Ou seja, que estes primeiros projetos de organismos são os que se tem designado com o nome de gerações espontâneas.
  • 3.- Estando formados os primeiros projetos do animal e do vegetal tem desenvolvido pouco a pouco os órgãos e com o tempo se tem diversificado.
  • 4.- A faculdade de reprodução inerente em cada organismo tem dado lugar aos diferentes modos de multiplicação e de regeneração dos indivíduos. Portanto, os progressos adquiridos se têm conservado.
  • 5.- Com a ajuda de um tempo suficiente, das circunstâncias, das mudanças surgidas na Terra, dos diferentes hábitos que ante novas situações os organismos têm tido que manter, surge a diversidade destes.
  • 6.- As mudanças em sua organização e de suas partes, o que se chama de espécie, tem sido sucessiva e insensivelmente formados. Como a espécie não tem mais que uma constância relativa em seu estado e não pode ser tão antiga como a Natureza.

Ao argumento de que nas coleções não existem evidências destas mudanças, Lamarck responde dizendo que, generalmente, tendemos a “julgar tudo com um conceito antropomórfico”.

Para o homem que, a este respeito, não julga senão segundo as mudanças que ele percebe, os intervalos destas mutações são estados estacionários que lhe parecem sem limites a causa da brevidade da nossa existência. Como os registros de suas observações apenas se estendem a alguns milhares de anos, o que constitui uma duração infinitamente grande com relação a ele, embora relativamente pequena com relação às mudanças que se efetuam sobre a superfície do planeta, tudo lhe parece estável no globo que habita […] As magnitudes, em extensão e em duração, são relativas. […] Para admitir a mudança insensível das espécies e as modificações que experimentam os indivíduos a medida que se vêm obrigados a contrair novos hábitos, não nos vemos reduzidos à consideração dos pequenos espaços de tempo que podem abraçar nossas observações sobre eles.


Das espécies chamadas perdidas


Lamarck afirma de existir extinções, estas unicamente se haveriam dado entre os animais superiores, “onde o homem, pelo domínio absoluto que exerce sobre eles, pode ter chegado a destruir todos os indivíduos de algumas daquelas que não quis conservar nem reduzir à domesticidade”. Com isso ataca a teoria de Georges Cuvier que servia para justificar que entre os fósseis se encontraram espécies diferentes às da época, isto é, as atuais. Lamarck defende a inexistência das extinções postuladas por Cuvier, defendendo que os fósseis encontrados não eram de espécies extintas por cataclismos, mas que aquelas se transformaram nas atuais.

Sobre a degradação e simplificação

Ao contrário de como procedemos na atualidade: partindo das origens ir ascendendo até o presente, Lamarck expôs sua teoria no sentido contrário: partindo do presente, do mais complexo, até chegar às origens. Assim fala da degradação e simplificação da organização de um extremo ao outro da cadeia animal. Provavelmente expôs sua teoria no mesmo sentido no qual a investigou. Sem possibilidade de remontar-se às origens já que para ele eram desconhecidos, talvez investigou a evolução da vida desde o presente e descendendo ao passado, atendendo a sua intuição de que a história da vida havia ido dotando aos organismos de uma maior complexidade. Assim ele a expôs em ordem inversa a como hoje a estudamos:

Em seguida observamos que, salvo as anomalias, cuja causa determinaremos, reina, de um extremo ao outro desta cadeia, uma degradação surpreendente na organização dos animais que a compõem e uma diminuição proporcional no número das faculdades destes animais. De sorte que se em uma das extremidades da cadeia de que se trata, se encontram os mais perfeitos dos seres, se vê necessariamente na outra extremidade os mais simples e os mais imperfeitos.

De modo que se pode observar como os órgãos se atenuam até chegar a desaparecer. Sem que esta degradação seja sempre graduada e regular, mas que com frequência, um órgão surge subitamente ou desaparece sem que se encontrem formas intermediárias. Estas anomalias não viriam a refutar a teoria, mas, pelo contrário se entende que se devem às diversas circunstâncias anômalas que se dão na natureza, as que estão submetidos os organismos. Vem a dizer que se a natureza fora regular encontraríamos uma gradação regular, mas como a natureza não é regular, como as circunstâncias que podem estar submetidos os organismos são irregulares e em casos anômalos, a gradação que observamos é irregular e anômala.

É evidente que se a Natureza não tivesse dado a existência mais que a seres aquáticos, e que se eles tivessem vivido no mesmo clima, a mesmo tipo de água, a mesma profundidade etc., em tal caso, sem dúvida, se haveria encontrado na organização destes animais uma gradação regular e até diferenciada. Mas a Natureza não tem seu poder encerrado em semelhantes limites.

Insistindo na necessidade de grande quantidade de tempo para a evolução dos organismos se tem levado a cabo:
Jardin des Plantes, Paris.

Em comparação com as durações que consideramos como enormes em nossos cálculos ordinários, houve sem dúvida a necessidade de um tempo imenso e de uma variação considerável nas circunstâncias que aconteceram, para que a Natureza pudesse conduzir a organização dos animais ao grau de complicação e de desenvolvimento alcançados por alguns. Então, temos o direito de pensar que, se a consideração das diversas e numerosas camadas que compõem a crosta externa do globo constitui um testemunho irrecusável da sua enorme antiguidade; que se o deslocamento muito lento, mas contínuo, da bacia dos mares, atestado pelos numerosos monumentos, confirma também a prodigiosa idade do globo terrestre, a consideração do grau de aperfeiçoamento onde tem chegado a organização dos animais mais perfeitos, concorre por sua vez, a colocar em destaque esta verdade em seu mais alto grau de evidência.

Atendendo ao seu grau de complexidade vai descendendo na seguinte ordem: Mamíferos, aves, répteis e peixes. Capítulo a parte merecem os invertebrados, continuando na escala com os moluscos, os anelídeos, os crustáceos, aracnídeos, insetos, pólipos,... tudo seguindo uma ordem segundo vão desaparecendo a coluna vertebral, o aparelho respiratório, os órgãos sexuais, órgão da visão,... até chegar aos infusórios, “animais microscópicos, de corpo gelatinoso, transparente, homogêneo e muito contrátil. Não há no interior deles, nenhum órgão especial distinto, apenas gêmulas oviformes em geral, não oferecendo no exterior nem tentáculos radiados, nem órgãos rotatórios.”

Da influência dos hábitos sobre os organismos

Para Lamarck, não são os órgãos e a forma das partes do corpo que deram origem aos hábitos, mas, pelo contrário, foram os hábitos que conformaram estes órgãos e suas faculdades. Ao mudar as circunstâncias os organismos sentiriam novas necessidades que lhes levariam a adquirir novos hábitos e, por final, estes produziriam as modificações. Lamarck adverte que não se deve levar ao pé da letra tal asseveração, porque, para que se produzam as modificações, é necessário que as mudanças sejam constantes e se prolonguem no tempo. E formula suas duas leis:

Primeira lei

Em todo animal que não tenha transpassado o término de seus desenvolvimentos, o uso frequente e contínuo de um órgão qualquer o fortalece pouco a pouco, dando-lhe uma potência proporcional a duração deste uso, enquanto que o desuso constante de tal órgão o debilita e até lhe faz desaparecer.

Segunda lei


Tudo o que a Natureza fez adquirir ou perder aos indivíduos pela influência das circunstâncias em que sua raça se tem encontrado colocada durante longo tempo e consequentemente pela influência do emprego predominante de tal órgão, ou pelo seu desuso, a Natureza o conserva pela geração nos novos indivíduos, desde que as mudanças adquiridas sejam comuns aos dois sexos, ou aos que tenham produzido estes novos indivíduos.

Quanto às circunstâncias, Lamarck fala da influência dos climas, de suas diversas temperaturas, da diversidade dos habitats, da maneira de viver, de se defender, de se multiplicar,... Continua com exemplos de como a falta de uso de um órgão o empobrece gradualmente podendo chegar a fazê-lo desaparecer e de como, pelo contrário, o uso tende a potenciá-lo. Finaliza esta primeira parte com uma classificação dos animais tal como entende que foram surgindo, iniciando a classificação pelos mais simples, e ascendendo em complexidade até chegar aos mamíferos.

Segunda e terceira parte

Estas segunda e terceira partes, Lamarck, toca temas mais concretos como suas idéias sobre a excitabilidade dos organismos, propriedades de seu tecido celular, circunstâncias únicas nas que podem se produzir a geração espontânea, origem e formação do sistema nervoso (órgão do sentimento). Trata igualmente sobre a sensibilidade física e o mecanismo das sensações, sobre a força produtiva dos animais, sobre a faculdade de querer, sobre alguns atos do entendimento,… Reconhecendo ele mesmo que:
As considerações que são expostas na segunda e na terceira parte abarcam, indubitavelmente, assuntos muito difíceis de se examinar e até questões que parecem insolúveis; mas estes assuntos e problemas oferecem tal interesse, que quantas tentativas se realizem a respeito deles podem ser vantajosas, já mostrando verdades inadvertidas, já abrindo o caminho que pode conduzir a elas.

Citações

  • "A natureza não faz nada bruscamente".
- “Dans tout ce que la nature opère, elle ne fait rien brusquement”.
- Fonte: Filosofia Zoológica; Philosophie zoologique, ou Exposition des considérations relatives à à l'histoire naturelle des animaux ...‎ - v.1, Página 80, de Jean Baptiste Pierre Antoine de Monet de Lamarck - Publicado por G. Baillière, 1830

Imagens:

Bazentin (Somme, Picardie, France)
Autor: (prise de vue) Chantal SAVARY + (léger traitement numérique) Marc ROUSSEL Markus3.

Statue of Jean-Baptiste Lamarck in the Jardin des Plantes, Paris.
Autor:  Stephen Lea


Referências





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