domingo, 27 de abril de 2014

Biografia de François Rabelais


François Rabelais
François Rabelais. (Françhois Rabelaiche). Nasceu em Chinon em 1494, e, faleceu em Paris, a 9 de Abril de 1553. François Rabelais foi um escritor, padre e médico francês do Renascimento, que usou, também, o pseudônimo Alcofribas Nasier (um anagrama de seu verdadeiro nome). * Nascido em Chinon de la Turaine, por decisão paterna seguiu a carreira eclesiástica: foi frade menor da Ordem dos franciscanos durante 15 anos, em Fontenay le Comte. Ordenado padre em 1511, entregava-se, apesar do espírito da sua ordem e da proibição dos seus superiores, ao estudo das ciências naturais e das línguas antigas (compreendendo o grego e o hebreu). Em 1523, teve de fugir, mas, protegido por Godofredo de Estissac, bispo de Maillezais, obteve o perdão e entrou na Ordem dos Beneditinos. Em 1532, completou um curso de medicina, ingressando como médico num hospital de Lião. Inspirando-se em antigas versões populares da Idade Média, escreveu sua primeira obra importante, As Grandes e Inestimáveis Crônicas do Grande e Enorme Gigante Gargântua, que alcançou um sucesso surpreendente. O sucesso do primeiro livro entusiasmou Rabelais, que prosseguiu no desenvolvimento do mesmo tema, dando-lhe, porém, um sentido mais objetivo, produzindo a segunda obra, a mais famosa: La Vie très Horrifique du Grand Gargantua, père de Pantagruel. Gargântua e Pantagruel é uma das obras-primas da literatura universal de todos os tempos, não só por ser poderosamente pitoresca no seu vocabulário e no seu estilo, mas também porque, na crueza da linguagem, o cepticismo e as loucas fantasias, se descortina uma crítica superior, um vivo amor pela humanidade, a paixão da justiça e o culto da verdadeira ciência”.
 

Rabelais por Gustave Doré, 1894.
Ficou para a posteridade como o autor das obras primas cômicas Pantagruel e Gargântua, que exploravam lendas populares, farsas, romances, bem como obras clássicas. O escatologismo é usado para condenação humorística. A exuberância da sua criatividade, do seu colorido e da sua variedade literária asseguram a sua popularidade. Os detalhes da vida de Rabelais, são esparsos e de muito difícil interpretação. Foi um sacerdote de fraca vocação, erudito apaixonado pelo saber, de espírito ousado e com propensão para as novidades e para as reformas. Depois de aparentemente ter estudado Direito, tornou-se franciscano e iniciou os seus contatos com o movimento humanístico, trocou correspondência com G. Budé e com Erasmo de Roterdã. Mais tarde mudou-se para o convento de Puy-Saint-Martin e a partir de 1521, ou talvez mais cedo, começou a receber ordens sacras. Depressa adquiriu fama de grande humanista junto dos seus contemporâneos, mas a sátira religiosa, o humor escatológico e as suas narrativas cómicas abriram-lhe o caminho para a perseguição. A sua vida estava dependente do poder de várias figuras públicas, nos tempos perigosos de intolerância que se viviam em França. Por ordem da Sorbonne, viu confiscados os seus livros, tendo então passado para a ordem dos beneditinos. Interessa-se pelo Direito e sobretudo pela Medicina. Médico em Lyon, aí publica uma edição dos Aforismos de Hipócrates, Pantagruel, em 1532, seguido, em 1534, por Gargântua. A proteção do cardeal J. Du Bellay salva-o da repressão da Sorbonne que lhe condenara a obra. Depois de receber a permissão para o abandono do hábito, obtém o doutoramento em Medicina. A publicação de Tiers Livre, em 1546, obriga-o a refugiar-se em Metz e a passar dois anos em Roma. Só com a protecção do cardeal J. Du Bellay lhe é assegurada uma existência mais calma. O Quart Livre, concluído em 1552 só foi publicado 11 anos após a sua morte. Rabelais serviu-se da imaginação popular que herdara do espírito medieval, da estrutura narrativa das gestas, do estilo picaresco e da riqueza vocabular para versar alguns dos problemas mais decadentes do seu tempo, como a vivência religiosa, a administração da justiça ou a guerra justa. Pretendeu libertar as pessoas da superstição e das interpretações adulteradas que a Idade Média alimentara, não indo embora contra o Evangelho nem contra o valor divino. A obra de Rabelais constitui uma das mais originais manifestações da crença do homem nas suas capacidades, simbolizadas pelo gigantismo das personagens. Inimigo da Idade Média, ataca o génio da cavalaria, a mania conquistadora, o espírito escolástico e sobretudo o sistema de educação. Rabelais renegou as tradições, a escolástica, o pedantismo monacal, a rotina dogmática da Universidade de Paris. O ensaísta russo Mikhail Mikhailovich Bakhtin analisou a obra rabelaisiana em A Cultura Popular na Idade Média: o contexto de François Rabelais; também em "O Cronotopo de Rabelais", em Questões de Literatura e de Estética.




Precedente do anarquismo




Em Gargantua e Pantagruel (1532-52), François Rabelais escreveu no Abby de Thelema (palavra grega que significa "vontade" ou "desejo"), um utopia imaginária onde seu princípio era "Faça Como Queira", lugar no qual não havia governantes ou governados. Graças a esta contribuição literária, bem como aos seus questionamentos críticos de fundo ético através da sátira aos governantes de seu tempo, Rabelais é considerado por alguns anarquistas, entre eles Voltairine de Cleyre, um importante precursor do pensamento ácrata no final do medievo.




Pantagruel




Pantagruel é o herói do primeiro romance de François Rabelais Les horribles et épouvantables faits et prouesses du très renommé Pantagruel Roi des Dipsodes, fils du Grand Géant Gargantua ("Os horríveis e apavorantes feitos e proezas do mui renomado Pantagruel, rei dos dipsodos, filho do grande gigante Gargântua"), publicado em 1532. Pantagruel é filho do gigante Gargântua e de sua mulher Badebec, que morre durante o parto. Um grande boa-vida, alegre e glutão, destaca-se desde a infância por sua força descomunal - superada apenas por seu apetite. Seu nome significa "tudo alterado" e é também o nome de um demónio do folclore bretão cuja actividade preferida era a de jogar sal na boca dos bêbados adormecidos, para lhes causar sede e fazê-los beber ainda mais. Em suas andanças, Pantagruel encontra Panurge, um clérigo arruinado que se tornará seu companheiro de aventuras e também protagonista de vários episódios do romance. Fortemente inspirada na tradição oral do medievo, nas gestas e nos romances de cavalaria, a narrativa constitui-se de episódios épicos, cómicos, eventualmente delirantes e grotescos, narrados em linguagem simples. Após o grande sucesso do seu primeiro livro, Rabelais publica o segundo romance, Gargântua, originalmente chamado La vie très horrifique du grand Gargantua, père de Pantagruel (" A vida mui horrífica do grande Gargântua, pai de Pantagruel"). Em virtude da censura da Sorbonne, Rabelais escreveu ambos os livros sob o pseudônimo Alcofrybas Nasier, um anagrama de seu próprio nome. De todo modo, Pantagruel acabou condenado pela Sorbonne, sendo incluído entre os livros obscenos e censurados. Em 1564 o Index librorum prohibitorum, promulgado pelo Papa, classificou as obras de Rabelais como heréticas.




Gargântua




Gargantua por Rabelais, 1873.
Gargântua é o primeiro volume da história dos gigantes Gargântua e Pantagruel, do francês François Rabelais. Apesar de ser o primeiro na ordem cronológica, foi o segundo a ser escrito. O livro trata da história do gigante Gargântua, pai de Pantagruel, rei dos dipsodos. Os livros ficaram famosos na França, mas foram proibidos pela Sorbonne por seu conteúdo obsceno. Em virtude da censura, Rabelais escreveu ambos os livros sob o pseudônimo Alcofrybas Nasier, um anagrama de seu próprio nome. De todo modo, Gargântua, assim como Pantagruel, acabou condenado pela universidade francesa, sendo incluído entre os livros obscenos e censurados. Em 1564, o Index librorum prohibitorum, promulgado pelo Papa, classificou as obras de Rabelais como heréticas.




Citações



  • "O bom vinho alegra o coração do homem".

- le bon vin réjouit le cœur de l'homme
- "Le Tiers livre" - Página 482; de François Rabelais, Pierre Michel - Publicado por le Livre de poche, 1966 - 542 páginas

  • "Um homem nobre nunca odeia um bom vinho: é um preceito monarcal"

- Jamais un homme noble ne hait le bon vin: c'est un précepte monacal.
- "Oeuvres complètes Gargantua Pantagruel Le tiers livre Le quart livre Le cinquième et dernier livre Lettres et oeuvres diverses Gargantua Pantagruel Le tiers livre Le quart livre Le cinquième et dernier livre Lettres et oeuvres diverses" - Página 11; de François Rabelais, Guy Demerson, Michel Renaud, Geneviève Demerson - Publicado por Editions du Seuil, 1995 - 1579 páginas

  • "O vinho tem o poder de encher a alma de toda a verdade, de todo o saber e filosofia".

- le vin possède le pouvoir de remplir l’âme de toute vérité, de tout savoir et de toute philosophie.
- Oeuvres complètes, Volume 7 de Oeuvres de François Rabelais - Página 909, François Rabelais, ‎Abel Lefranc - H. et E. Champion, 1913

  • "Tudo chega com o tempo, para quem sabe esperar."

- Tout vient à point, qui peut attendre
- "Rabelaesiana", in: "Oeuvres de F. Rabelais" - Página 648; de François Rabelais - Publicado por Ledentu, 1835 - 677 páginas

  • "O hábito não faz o monge".

- l'habit ne fait pas le moine.
- provérbio citado em "Oeuvres", volume 2, página 495; Por François Rabelais; Publicado por J.-F. Bastien, 1783, 528 páginas

  • "Pouco tenho, devo muito, o resto fica para os pobres" (em seu testamento)

- I owe much — I possess nothing — I give the rest to the poor
- "The Parterre", volume 2, página 40; Publicado por E. Wilson, 1835


 

Atribuídas




  • "Conheço muitos que não puderam quando deviam, porque não quiseram quando podiam."

- citado em "Duailibi Essencial: Minidicionário com mais de 4.500 frases essenciais" - Página 303, Roberto Duailibi, Marina Pechlivanis, Elsevier Brazil, 2006, ISBN 8535219579, 9788535219579 - 496 páginas




Referências






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