segunda-feira, 24 de março de 2014

Termas de Caracala


Termas de Caracala  
(Photo of the Baths of Caracalla in Rome, taken by David Edgar in 2003).
As Termas de Caracala foram construídas entre 212 e 217, durante o governo do imperador romano Caracala, e são um perfeito exemplo das grandes termas imperiais. Grande parte de sua estrutura ainda se encontra conservada, sem a interferência de edifícios modernos. Polêmio Sílvio, no século V, citava-as como uma das sete maravilhas de Roma, famosas pela riqueza de sua decoração e das obras que continha. O entorno das termas foi construído, após o reinado de Caracala, pelos dois últimos imperadores da dinastia dos Severos, Heliogábalo e Alexandre Severo. Vários trabalhos de restauração foram realizados nos reinados de Aureliano, Diocleciano e, após a queda do Império Romano do Ocidente, pelo rei ostrogodo Teodorico o Grande. Após a destruição dos aquedutos realizada por outro rei godo, Vitige, em 537, durante as Guerras Góticas com o imperador do Oriente Justiniano, que buscava recuperar a Itália para o Império Romano do Oriente, as termas cessaram de funcionar. As Termas de Caracala podiam acolher mais de 1.500 pessoas num edifício que media 337 por 328 metros, sendo somente a parte central de 220 por 114 metros. O recinto externo era constituído por um pórtico, do qual se conservam poucos restos. Aos fundos existia uma exedra (espaço semicircular coberto) em formato de escalina que escondia as enormes cisternas, que tinham capacidade de 80.000 litros d'água. Aos lados havia duas salas em abside que abrigavam bibliotecas. Um passeio elevado contornava internamente o recinto, sendo provavelmente em forma de pórtico. Na atualidade, as Termas de Caracala são cenário para grandes manifestações artísticas, como o concerto dos Três Tenores (Pavarotti, Domingo e Carreras) na Copa do Mundo de 1990.

(Imagem: Chris 73).

Estrutura

Vista das Termas de Caracala (Imagem: Zavijavah).
As Termas de Caracala se tornou no complexo de banhos mais luxuoso de toda Roma, e seu tamanho só foi superado pelas Termas de Diocleciano. No entanto, as suas ruínas são as maiores preservadas até hoje. O edifício foi construído em cinco anos, o que representa um conquista da engenharia romana, considerando a enormidade do complexo. As termas contavam com um grande recinto com mais de 400 metros de largura entre as absides, e uma estrutura central onde se encontravam as termas, propriamente ditas. Ao seu redor havia um amplo jardim. Para o abastecimento de água, se desviou para os banhos um ramal do aqueduto Aqua Marcia para abastecê-lo, que recebeu o nome de Aqua Antoniniana Iovia. No século III a.C., na área em que seriam edificadas as termas, havia um grande estanque conhecido como Piscina Pública. Quando no século III d.C. as termas se concluíram e foram inauguradas, substituindo a antiga piscina.


Parte Norte e Sul

(Imagem: Karelj).
Na parte Norte havia um pórtico, precedido por uma série de locais em dois níveis, nos quais, provavelmente, se localizavam várias lojas. O pórtico e as quartos serviam como suporte estrutural da Colina de Celio. No lado Sul se encontrava o medio estadio, com arquibancadas para os espectadores, que serviam para ocultar as grandes cisternas que havia detrás delas. Estas cisternas podiam conter um total de 80.000 metros cúbicos de água. Situadas simetricamente, havia mais duas grandes salas, que, com certeza, serviram como bibliotecas.

Lado Este e Oeste

Nos lados Este e Oeste foram construídas duas grandes êxedras laterais e simétricas. No espaço central havia uma abside precedida por uma coluna, com pequenos locais a cada lado, uma das quais tinha forma octogonal e estava coberta por uma cúpula.

Galeria de imagens
(Imagem: Roundtheworld).

(Imagem: Karelj).

(Imagem: Agnete).


(Imagem: Agnete).

(Imagem: Marcok - it.wikipedia.org).

(Imagem: Jean-Christophe BENOIST).

(Imagem: Harmonia Amanda).

(Imagem: by Briséis).

(Imagem: Витольд Муратов).


(Imagem: Harmonia Amanda).


(Imagem: Harmonia Amanda).

(Imagem: Joonas Lyytinen).



Área central do complexo


As salas das termas foram projetadas simetricamente em torno do eixo central dos banhos, seguindo o modelo habitual da Roma imperial. Em ambos os lados havia duas entradas que levavam aos vestuários ou apodyteria, com um corredor central que conduzia a duas salas de cada lado com abóboda de berço (abóboda cilíndrica). Como o resto do complexo, o chão era decorado com mosaicos. Desde os vestiários se podia aceder à palaestra (ginásio), para praticar exercícios físicos, no coberto ou ao ar livre. Os usuários faziam exercícios ginásticos ou praticavam a luta corpo a corpo, e mão a mão. A área era um amplo pátio sem cobertura, rodeado em três lados por pórticos, com teto abobadado e piso com mosaico em espiga. No outro lado havia um amplo semicírculo. Os mosaicos do piso, dos quais tem sobrevivido
Tina em granito negro das Termas de Caracala. 
(Imagem: sailko).
grandes fragmentos, na sua época foram excepcionalmente belos e de cores vívidas. Ao finalizar os exercícios físicos, os romanos podiam se dirigir às termas, usadas conjuntamente por ambos os sexos. O caldário (caldarium) tinha uma enorme sala circular coberta por uma cúpula, da qual se conservam vários pilares de sustentação. A sala foi projetada e situada dentro do complexo para receber a luz do sol ao longo do dia através de grandes janelas. Suas paredes eram aquecidas através de tubos ocos de terracota. Do caldário (caldarium) se passava ao tepidário (tepidarium), onde originalmente se encontravam duas grandes banheiras de ambos os lados. No centro do edifício estava localizada a basílica, coberta por três grandes abóbadas em cruzaria, suportadas por alguns imponentes pilares. A natatio (piscina de natação) era a última estância que se podia acessar. Se tratava de uma grande piscina descoberta; hoje seria considerada como uma piscina olímpica, que tinha um de seus muros frente ao da fachada exterior, decorada de nichos com estátuas.

Decoração

Hércules Farnesio. 
(Imagem: Marie-Lan Nguyen (2011)).
Tão importante como o projeto foi a decoração. Além dos ricos e vívidos mosaicos do piso, os banheiros foram decorados com valiosas obras de arte, como por exemplo o Hércules Farnesio ou o Toro Farnesio, ambos agora no Museu Arqueológico de Nápoles. Os mosaicos não tinham sempre o mesmo desenho, em algumas áreas representavam cenas, e em outras havia pisos com detalhes geométricos.


Os fornos

As Termas de Caracala era um grande complexo de banhos de água quente. O problema do abastecimento foi facilmente resolvido, mas, aquecer a água foi um problema mais complexo. A solução consistia de um forno interno e outro externo, nos quais se encontravam os escravos avivando as chamas. Dependendo do ambiente ao qual estivera destinada, as águas eram aquecidas a temperaturas diferentes. Para melhorar a difusão do calor, foi construído o sistema do hipocausto, bastante prático e eficaz.


Referências

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