sábado, 8 de março de 2014

Biografia de Vlad III, o Conde Drácula


Retrato de Vlad III, datado por volta de 1560.
Vlad III. (Príncipe da Valáquia). Nasceu em Sighișoara, c. 1431, e, faleceu em Bucareste, Dezembro de 1476. Vlad III, comumente conhecido como Vlad, o Empalador (em romeno: Vlad Țepeș, AFI: [ˈvlad ˈt͡sepeʃ]) ou Drácula, foi príncipe (voivoda) da Valáquia por três vezes, governando a região em 1448, de 1456 a 1462 e em 1476. Historicamente, Vlad é mais conhecido por sua política de independência em relação ao Império Otomano, cujo expansionismo sofreu sua resistência, e pelas punições excessivamente cruéis que impunha aos seus prisioneiros. É lembrado por toda a região como um cavaleiro cristão que lutou contra o expansionismo islâmico na Europa, e é um herói popular na Romênia e na Moldávia ainda hoje. Ao mesmo tempo em que Vlad III se tornou famoso por seu sadismo e sendo taxado de louco, era respeitado pelos seus cidadãos como guerreiro, pela sua ferocidade contra os turcos e como governante que não tolerava o crime entre os seus subordinados. Durante o seu reinado, ergueu grandes mosteiros. Fora da Romênia, o voivoda é célebre pelas atrocidades contra os seus inimigos, que teriam sido a inspiração para o Conde Drácula, vampiro de Drácula, romance de 1897 do escritor irlandês Bram Stoker. Após a invasão da Valáquia pela Hungria, em 1447 Vlad II e seu filho mais velho, Mircea, foram assassinados. Em 1456 Vlad Țepeș regressou à região e retomou o controle das terras, assumindo novamente o trono de Valáquia. Este retorno tardio de Vlad III teria confundido os moradores da região, que pensaram ser Vlad II retornando anos após a sua morte. Isso teria ajudado a criar a lenda de sua imortalidade. Em 1462, Vlad Țepeș perdeu o trono para o seu irmão Radu, aliado dos turcos. Preso na Hungria até 1474, Vlad III morreu dois anos depois, ainda tentando recuperar o trono de Valáquia. Vlad III foi exilado das suas terras por um breve período em 1448, de 1456 a 1462 e por duas semanas no ano de sua morte em 1476.

Nomes

Seu sobrenome romeno, Draculea (também grafado Drakulya), usado para designar Vlad em diversos documentos, significa "filho do dragão", uma referência a seu pai, Vlad Dracul, que recebeu este apelido de seus súditos após ter se juntado à Ordem do Dragão uma ordem religiosa criada pelo sacro imperador romano-germânico Sigismundo no ano de 1431. Dracul, que vem do latim draco ("dragão"), significa "diabo" no romeno atual. Seu apelido post-mortem de Țepeș ("Empalador") teve origem em seu hábito de matar os inimigos por meio do empalamento, uma prática popularizada por diversos panfletos medievais na Transilvânia. Em turco era conhecido como Kazıklı (AFI: [kɑzɯkˈɫɯ]), Voyvoda ou Kazıklı Bey, "Bey" ou "Príncipe Empalador".

Antigos reis de Valáquia

O trono de Valáquia (en romeno: Țara Românească) era hereditário, mas, não seguia a primogenitura. Os nobres tinham o direito de escolher entre os membros da família real quem seria o sucessor. A família real dos Basarab, fundada por Basarab, o Grande (1310-1352), dividiu-se por volta do final do século XIV. Os dois clãs resultantes, rivais entre si, foram formados pelos descendentes do Voivoda Dan e pelos descendentes do Voivoda Mircea I, também conhecido como Mircea, o Velho (avô de Vlad III), ou, como era conhecido no ocidente, Bruno Vlad Brayner III.

Sobre a vida de Vlad III

Infância e adolescência

Castelo de Bran. (Imagem: Adymark).
Vlad nasceu em 1431 na Transilvânia. Naquela época, o pai de Draculea, Vlad II, estava exilado na Transilvânia. Vlad Dracul estava tentando conseguir apoio para seu plano de destronar o príncipe regente da Valáquia, do Clã Danesti, Alexandru I. A casa onde Draculea nasceu ainda está de pé nos dias de hoje. Em 1431 estava localizada numa próspera vizinhança cercada pelas casas de mercadores saxões e magiares, e pelas casas dos nobres (Nota: essas casas geralmente eram utilizadas quando os nobres ficavam na cidade, pois, os nobres moravam no campo). Sabe-se pouco sobre os primeiros anos da vida de Draculea. É sabido que ele teve um irmão mais velho chamado Mircea e um irmão mais novo chamado Radu, o Belo. Sua educação primária foi deixada nas mãos de sua mãe, uma nobre da Transilvânia, e de sua família. Sua educação real começou quando, em 1436, seu pai conseguiu clamar para si o trono valaquiano, matando seu príncipe rival do Clã Danesti, Alexandru I. Seu treinamento foi o típico dado para os filhos da Nobreza pela Europa. Seu primeiro tutor no aprendizado para a Cavalaria foi dado por um guerreiro que lutou sob a bandeira de Enguerrand de Courcy na Batalha de Nicópolis contra os Turcos. Draculea aprendeu tudo o que era demandado a um Cavaleiro Cristão sobre guerra e paz.

Ascensão de Vlad Dracul ao trono (1436-1442)

Castelo de Bran. (Imagem: Kosson).
A situação política na Valáquia continuou instável depois de Vlad Dracul ascender ao trono em 1436. O poder dos Turcos estava crescendo rapidamente enquanto cada um dos pequenos estados dos Bálcãs se rendia ao massacre dos Otomanos. Ao mesmo tempo, o poder da Hungria estava atingindo seu apogeu e o faria durante o tempo de João Corvino (Hunyadi János), o Cavaleiro Branco da Hungria, e seu filho, o rei Matias Corvino. Qualquer príncipe da Valáquia teria que balancear suas políticas precariamente entre esses dois poderosos países vizinhos. O príncipe da Valáquia era oficialmente um subordinado ao rei da Hungria. Também Vlad Dracul era um membro da Ordem do Dragão, tendo jurado lutar contra os infiéis. Ao mesmo tempo, o poder dos Otomanos parecia não poder ser detido. Mesmo no tempo do pai de Vlad II, Mircea I, a Valáquia era forçada a pagar tributo ao Sultão. Vlad foi forçado a renovar esse tributo e de 1436 - 1442 tentou estabelecer um equilíbrio entre seus poderosos vizinhos. Em 1442 Vlad tentou permanecer neutro quando os turcos invadiram a Transilvânia. Os Turcos foram vencidos e os vingativos húngaros, sob o comando de João Corvino forçaram Dracul e sua família a fugir da Valáquia. Corvino colocou um Danesti, Basarab II, no trono valaquiano. Em 1443 Vlad II retomou o trono da Valáquia com suporte dos Turcos, desde que ele assinasse um novo tratado com o Sultão que incluiria não apenas o costumeiro tributo, além de outros favores. Em 1444, para assegurar ao sultão de sua boa fé, Vlad mandou seus dois filhos mais novos para Adrianopla como reféns. Draculea permaneceu refém em Adrianopla até 1448.

A batalha de Varna

Castelo de Bran. (Imagem: Ihorpa).
Em 1444 o rei da Hungria, Ladislau V, o Póstumo, quebrou a paz e enviou o exército de Varna sob o comando de João Corvino (Hunyadi János) num esforço para manter os turcos longe da Europa. Corvino ordenou que Vlad II cumprisse seus deveres como membro da Ordem do Dragão e súdito da Hungria e se juntasse à cruzada contra os Turcos. O Papa absolveu Dracul do compromisso Turco, mas, como político, ainda queria alguma coisa. Ao invés de se unir às forças cristãs pessoalmente ele mandou seu filho mais velho, Mircea. Talvez ele esperasse que o sultão poupasse seus filhos mais novos se ele pessoalmente não se juntasse à cruzada. Os resultados da Batalha de Varna são bem conhecidos. O exército cristão foi completamente destruído nela. João Corvino conseguiu escapar da batalha sob condições que acrescentaram pouca glória à reputação dos Cavaleiros Brancos. Muitos, aparentemente incluindo Mircea e seu pai, culparam Corvino pela covardia. Deste momento em diante João Corvino foi amargamente hostil em relação a Vlad Dracul e seu filho mais velho. Em 1447 Vlad Dracul foi assassinado juntamente com seu filho Mircea. Aparentemente Mircea foi enterrado vivo pelos burgueses e mercadores de Targoviste. Corvino colocou seu próprio candidato, um membro do clã Danesti, no trono da Valáquia.

Ascensão de Vlad Ţepeş ao trono (1448)

Castelo de Bran. 
(Imagem: Robert Sarkozi).
Em 1448 Draculea conseguiu assumir o trono valaquiano com o apoio turco. Porém, em dois meses Corvino forçou Draculea a entregar o trono e fugir para seu primo, o príncipe da Moldávia, enquanto Corvino mais uma vez colocava Vladislav II no trono valaquiano. Draculea permaneceu em exílio na Moldavia por três anos, até que o príncipe Bogdan II da Moldávia foi assassinado em 1451. O tumulto resultante na Moldávia forçou Draculea a fugir para a Transilvânia e buscar proteção com o inimigo da sua família, Corvino. O tempo era ideal; o fantoche de Corvino no trono valaquiano, Vladislov II, instituiu uma política a favor da Turquia, e Corvino precisava de um homem mais confiável na Valáquia. Consequentemente, Corvino aceitou a aliança com o filho de seu velho inimigo e colocou-o como candidato da Hungria para o trono da Valáquia. Draculea se tornou súdito de Corvino e recebeu os antigos ducados da Transilvânia de seu pai, Faragas e Almas. Draculea permaneceu na Transilvânia, sob a proteção de Corvino, até 1456 esperando por uma oportunidade de retomar Valáquia de seu rival. Em 1453 o mundo cristão se chocou com a queda final da Constantinopla para os Otomanos. O Império Romano do Leste que existiu desde o tempo de Constantino, o Grande e que por mil anos protegeu o resto dos cristãos dos muçulmanos desapareceu para sempre. Hunyiadi imediatamente planeou outro ataque contra os Turcos.

Vlad Ţepeş retorna ao trono (1456-1462)

Castelo de Bran, antiga residência de Vlad III. 
(Imagem: Pomponius).
Em 1456 Corvino invadiu a Sérvia turca enquanto Draculea simultaneamente invadiu a Valáquia. Na Batalha de Belgrado, Corvino foi morto e seu exército vencido. Enquanto isso, Draculea conseguiu sucesso em matar Vladislav II e tomando o trono da Valáquia, mas a derrota de Corvino tornou a sua proteção por parte deste questionável. Por um tempo ao menos Draculea foi forçado a apoiar os Turcos enquanto solidificava sua posição. O reinado principal de Draculea se estendeu de 1456 a 1462. Sua capital era a cidade de Tirgoviste enquanto seu castelo foi erguido a uma certa distância nas montanhas perto do rio Arges. A maior parte das atrocidades associadas ao nome de Draculea tomaram lugar durantes esses anos. Foi também durante esse tempo que ele lançou seu próprio ataque contra os Turcos. Seu ataque foi relativamente bem sucedido inicialmente. Suas habilidades como guerreiro e sua bem conhecida crueldade fizeram dele um inimigo temido. Entretanto, ele recebeu pouco apoio do seu senhor feudal, Matthius Corvinus, Rei da Hungria (filho de João Corvino) e os recursos valaquianos eram muito limitados para alcançar algum sucesso contra o conquistador da Constantinopla.

Vlad Tepes aprisionado (1462-1474)

Castelo de Bran. 
(Imagem: Robert Sarkozi).
Os Turcos finalmente foram bem sucedidos em forçar Draculea a fugir para a Transilvânia em 1462. Foi reportado que a primeira esposa de Draculea cometeu suicídio pulando das torres do castelo de Draculea para as águas do rio Arges ao invés de se render aos Turcos. Draculea fugiu pelas montanhas em direção à Transilvânia e apelou para Matthius Corvinus por ajuda. Ao invés disso, o rei prendeu Draculea e o aprisionou numa torre por 12 anos. Aparentemente seu aprisionamento não foi nem um pouco oneroso. Ele foi capaz de gradualmente ganhar as graças da monarquia húngara; tanto que ele conseguiu se casar e tornar-se um membro da família real (algumas fontes clamam que a segunda esposa de Draculea era na verdade a irmã de Matthius Corvinus). A política a favor dos Turcos do irmão de Draculea, Radu, o Belo, que foi o príncipe da Valáquia durante a maior parte do tempo que Draculea foi prisioneiro, provavelmente foi um fator importante na reabilitação de Draculea. Durante seu aprisionamento Draculea também renunciou à fé Ortodoxa e adotou o Catolicismo. É interessante notar que a narrativa russa dessas histórias, normalmente favoráveis a Draculea, indicavam que mesmo durante sua prisão Draculea não desistiu de seu passa-tempo preferido: ele costumava capturar pássaros e camundongos que ele torturava e mutilava - alguns eram decapitados, esfolados e soltos, e muitos eram empalados em pequenas lanças.

Vlad Tepes volta ao trono valaquiano, pela última vez (1476)

Castelo de Bran. 
(Imagem: yeowatzup).
O tempo exato do tempo de captura de Draculea é aberto para debates. Os panfletos russos indicam que ele foi prisioneiro de 1462 até 1474. Entretanto, durante esse tempo Draculea se casou com um membro da família real húngara e teve dois filhos que já tinham por volta de dez anos quando ele reconquistou a Valáquia em 1476. McNally e Florescu colocaram que o período de confinação de Draculea foi de 1462 a 1466. É pouco provável que um prisioneiro poderia se casar com um membro da família real. Correspondência diplomática durante o período em questão também parece apoiar a teoria de que o período real do confinamento de Draculea foi relativamente pequeno. Aparentemente nos anos entre sua libertação em 1474 quando ele começou as preparações para a reconquista da Valáquia, Draculea viveu com sua nova esposa na capital húngara. Uma anedota daquele período conta que um capitão húngaro seguiu um ladrão dentro da casa de Draculea. Quando Draculea descobriu os intrusos ele matou o capitão ao invés do ladrão. Quando Draculea foi questionado sobre suas atitudes pelo rei ele respondeu que um cavalheiro não se apresenta a um grande governante sem as corretas introduções - se o capitão tivesse seguido a etiqueta não teria sofrido a ira do príncipe. Em 1476 Dracula mais uma vez estava pronto para atacar. Draculea e o príncipe István Báthory invadiram a Valáquia com uma força mista de transilvanianos, alguns burgueses valaquianos insatisfeitos e um contingente de moldávios enviados pelo primo de Draculea, Príncipe Estêvão , o Grande da Moldávia. O irmão de Draculea, Radu, o Belo, havia morrido alguns anos antes e substituído por um candidato ao trono apoiado pelos Turcos, Basarab, o Velho, membro do clã Danesti. Enquanto o exército de Draculea se aproximava, Basarab e sua corte fugiram, alguns buscando proteção dos Turcos, outros para os abrigos das montanhas. Depois de colocarem Draculea de volta ao trono Stephan Bathory e as outras forças de Draculea voltaram à Transilvânia, deixando a posição tática de Draculea muito enfraquecida. Draculea teve muito pouco tempo para ganhar apoio antes de um grande exército turco invadisse a Valáquia determinado a devolver o trono a Basarab. Aparentemente mesmo os plebeus, cansados das depredações do empalador, abandonaram-no à sua própria sorte. Draculea foi forçado a lutar contra os Turcos com pequenas forças à sua disposição, algo em torno de menos de quatro mil homens. Draculea foi morto em batalha contra os turcos perto da pequena cidade de Bucareste em dezembro de 1476. Algumas fontes indicam que ele foi assassinado por burgueses valaquianos desleais quando ele estava prestes a varrer os Turcos do campo de batalha. Outras fontes dizem que Draculea caiu vencido rodeado pelos corpos dos leais guarda-costas (as tropas cedidas pelo Príncipe István da Moldávia permaneceram com Draculea mesmo após István Báthory ter voltado à Transilvânia). Outra versão é a de que Draculea foi morto acidentalmente por um de seus próprios homens no momento da vitória. O corpo de Draculea foi decapitado pelos Turcos e sua cabeça enviada à Constantinopla, onde o Sultão a manteve em exposição em uma estaca como prova de que o Empalador estava morto. Ele foi enterrado em Snagov, uma ilha-monastério localizada perto de Bucareste. Em 1931, quando arqueólogos escavaram o túmulo, não encontraram nada, apenas ossos de animais, o que contribuiu para o mistério.

Invasão otomana à Valáquia

A Valáquia é uma província histórica da Romênia, que por diversas vezes esteve em luta contra as forças do Império Otomano. A Romênia era formada desde a Idade Média pelos principados da Valáquia, da Moldávia e da Transilvânia. A Valáquia e a Moldávia haviam sido conquistadas pelo Império Otomano nos séculos XV e XVI, já a Transilvânia que havia caído sob o controle do Império Húngaro no século XII também foi anexada pelo Império Otomano no século XVI. Os otomanos desde o início do século XV tentaram trazer a Valáquia sob o seu controle, tentando colocar seu próprio candidato no trono. Consideravam a Valáquia como uma zona-tampão entre eles e o Reino da Hungria e por um tributo anual não se intrometiam em seus assuntos internos. Em 1462, o sultão otomano Mehmed II decidiu invadir a Valáquia enfrentando as forças de Vlad III.

Antecedentes

Castelo de Bran. 
(Imagem: yeowatzup).
Em 1460, sob o reinado de Vlad III, o Empalador, a Valáquia se tornara um país forte e sua economia havia se desenvolvido de modo a assegurar sua capacidade de resistir aos muçulmanos. Vlad havia tomado várias medidas de contenção contra os mercadores, sobretudo os mercadores saxões, que segundo ele pensava, atrapalhavam o comércio wallachiano. Anualmente, para evitar atritos com os turcos, Vlad Draculea pagava tributo ao Sultão. Sete anos após a queda de Constantinopla, a Valáquia continuava a ser uma área disputada. Na época de Vlad Dracul (pai de Vlad Draculea) ela era uma área neutra, e o próprio Dracul cuidava de fazer um jogo de apaziguamento entre os otomanos e os húngaros. No mesmo ano de 1460 os Otomanos, bastante perspicazes, começaram a assediar as fronteiras do reino de Vlad III. Aparentemente ele ignorou tais atos até 1461, quando acorreu na direção das fronteiras, após vários castelos já terem sido tomados pelos otomanos. A paciência de Draculea havia se esgotado. Maior mostra disso é o fato dele não só ter recuperado todos os castelos, por meio de incursões que evitaram as emboscadas turcas, como também avançou em território turco até a cidade de Giurgiu, onde seus soldados entraram disfarçados de turcos. O resultado disso foi a tomada da cidade e o empalamento dos sobreviventes. O próprio Vlad Draculea descreve, segundo alguns documentos da época, que matou cerca de 23.000 pessoas, sem contar os que foram mortos sem seu testemunho, ou queimando dentro de suas casas.

A decisão é tomada

Imagem de Mehmed II no século XV.
Mais tarde, em 1459, o sultão otomano Mehmed II mandou enviados para instar Vlad a pagar um tributo tardio de 10.000 ducados e 500 recrutas para as forças otomanas. Vlad se recusou e matou os enviados turcos sob o pretexto de que eles se recusaram a levantar seus "chapéus" para ele, pregando seus turbantes em suas cabeças. Em 1462, o Sultão decidiu invadir a Valáquia. As atrocidades de Draculea contra as tropas turcas haviam sido a gota d'água. Nesse momento, ele concebeu o plano de destronar Draculea e colocar seu irmão mais novo, Radu, no seu lugar. Nas vésperas da invasão, Draculea pedira reforços contra os turcos. Nenhum destes reforços prometidos pelos países cristãos que eram inimigos dos turcos, de fato, foi enviado. Draculea teria que enfrentar, com apenas 30.000 soldados, uma força de cerca de 60.000 soldados turcos.

O primeiro embate entre wallachianos e turcos

A invasão foi feita pela travessia do rio Danúbio, que dividia os territórios de ambos os adversários. Após atravessá-lo, os turcos tiveram seu primeiro contato com as tropas de Draculea. Inesperado ou não, o ataque de Draculea foi muito bem empregado, e ele aproveitou ao máximo as condições do terreno que lhe eram favoráveis. Assim que um certo contingente havia descido dos navios, a cavalaria ligeira de Draculea os atacou, na tentativa de impedi-los de estabelecer uma cabeça-de-ponte. Mesmo com todas as vantagens táticas, Draculea foi forçado a recuar para dentro do país. Isso por que no calor da batalha, o Sultão convocara sua tropa de janízaros, que, após algumas tentativas, conseguiu estabelecer um ponto de desembarque de sua artilharia. A cavalaria de Draculea não era páreo para os canhões otomanos. Draculea se retirou após infligir pesadas baixas no lado otomano.

Draculea se retira

Castelo de Bran. 
(Imagem: Pmatlock).
Vlad Draculea sabia que nunca poderia enfrentar o exército otomano em uma batalha em campo aberto. Além disso, ele sabia que não poderia arriscar outro tipo de estratégia contra os canhões turcos sem comprometer seu próprio exército, quiçá, destruí-lo. Draculea, aliás, sabia exatamente o que fazer. Nos dias posteriores seriam dias negros para as tropas otomanas recém chegadas. Draculea, com grande resolução, estava disposto a tornar o nome da Wallachia em um nome de uma terra calcinada pela sua tática mais brilhante: a tática de terra arrasada. Após se retirar para dentro da Wallachia, Draculea iniciou sua tática: queimou plantações, envenenou fontes e suprimentos de água. Isso impediria em muito o avanço dos turcos pelo território, já que as tropas medievais não recebiam apoio logístico. Os turcos sabiam que poderiam passar fome, já que a comida se tornaria escassa. A reputação de Draculea também contribuía para alimentar os temores dos turcos. Durante o dia, o clima valáquio (quente e incómodo) trazia aos turcos uma mostra de que a caminhada seria árdua. Durante a noite, o Líder Wallachiano comandava pequenas incursões às fileiras turcas, que eram geralmente bem sucedidas em seu objetivo: surpreender e matar um bom número de inimigos, antes de partir com poucas baixas, senão nenhuma. O estress gerado pela necessidade de estar alerta durante longos períodos de tempo, causava uma fadiga muito grande nas tropas. Estas táticas de guerrilha permitiram a Draculea reunir um contingente de cerca de 10.000 homens a cavalo em uma floresta nos arredores da capital, Tirgoviste. No dia 17 de Junho de 1462, as tropas turcas acamparam nas proximidades. Draculea conseguira informações importantes sobre as defesas e organização do acampamento por meio de prisioneiros que torturara. Assim, durante a noite, ele liderou pessoalmente um ataque ao acampamento do Sultão, visando sua captura (provavelmente para forçar o retrocesso das tropas). A cavalaria de Draculea irrompeu pelo acampamento otomano, e deu contra as tropas asiáticas, desbaratando-as. Os soldados se mantinham em fileiras cerradas. Draculea procurou e identificou a tenda que supostamente seria a do Sultão. Sua cavalaria se abateu sobre ela, e os seus defensores conseguiram mantê-la por certo tempo. Depois de muitos ataques, descobriu-se que a tenda do sultão era outra. Porém, já era tarde demais: os janízaros já haviam se agrupado em torno de tenda certa, e eram praticamente inexpugnáveis. Draculea recuou novamente, antes que o resto dos soldados entrasse em ação. A popularidade do Sultão Mehmet II ficou abalada desde então, pois, ele fugira do acampamento e só retornara pela manhã. Os números das baixas variam de 7.000 a 50.000, obviamente um exagero. O ataque de Vlad tinha sido mal-sucedido, porém, ele já havia preparado uma outra estratégia ainda mais perturbadora.

Os turcos retrocedem

Durante a marcha para a capital, os turcos nada imaginavam a respeito do que os esperava. Em uma faixa de terra de cerca de 3km por 1km, Draculea mandara empalar cerca de 20.000 pessoas, boa parte prisioneiros turcos. Ao avistar aquela paisagem terrível, os turcos receberam um choque que nunca iriam esquecer. A retirada foi ordenada imediatamente. A cavalaria de Draculea ainda sim não cessou seus assédios até ver os turcos passarem pela fronteira.

Radu decide ficar

Mesmo com a derrocada turca, o sultão permitiu que Radu permanecesse em território Wallachiano com um pequeno contingente. Ele pretendia mexer com a mesma arma que Draculea conhecia bem, que era o medo. Porém, desta vez, para destronar o irmão, ele recorreu à própria população Wallachiana. É fato que a população estava cansada de guerras. Os últimos vinte anos haviam se passado sob a sombra inexorável da guerra, além da figura reinante na Wallachia. Os boiardos, que eram a aristocracia wallachiana, também apoiaram Radu contra o seu irmão, isso por que haviam sido maltratados e perseguidos por ele no início de seu reinado. Houve uma guerra civil entre Radu e Draculea, de onde Draculea saiu perdedor. Um ano após o início da guerra civil, Draculea se retirava para um castelo no alto dos Montes Cárpatos. Radu perseguiu o irmão até que isso provocasse o suicídio da esposa de Draculea, por que esta preferira saltar da torre do castelo, a ser humilhada pela captura. Nos anos seguintes, Draculea forjaria novamente seus planos de retornar para a Valáquia e para o trono que acreditava ser seu por direito.

Castelo de Bran

Castelo de Bran, Romênia: vista panorâmica.
(Imagem: Huffer).
O Castelo de Bran, localizado próximo de Bran (na vizinhança da cidade de Brașov, no condado com o mesmo nome), é um monumento nacional e marco histórico da Romênia. A fortaleza situa-se na fronteira entre a Transilvânia e a Valáquia, pela estrada 73, encravado na floresta no sopé dos Cárpatos. Conhecido habitualmente como o "Castelo do Drácula", é promovido como a residência da personagem que dá título ao Drácula de Bram Stoker, obra que conduziu à persistência do mito de que este castelo terá servido, em tempos, de residência ao Príncipe Vlad Tepes, governador da Valáquia. Atualmente, o castelo alberga um museu aberto ao público, exibindo peças de arte e mobiliário colecionados pela Rainha Maria. Os turistas podem ver o interior em visitas livres ou guiadas. Ao fundo da colina situa-se um pequeno parque museu ao ar livre, o qual exibe estruturas camponesas tradicionais da Romênia, como cabanas e celeiros, representando todo o país.

História

Castelo de Bran, Romênia: vista dos muros. 
(Imagem: User:Joseolgon).
Cerca de 1212, os cavaleiros da Ordem Teutônica construíram o castelo de madeira de Dietrichstein como uma posição fortificada na região de Ţara Bârsei, à entrada do vale pelo qual os mercadores haviam viajado por mais dum milênio, embora este edifício tenha sido destruído, em 1242, durante a Invasão mongol da Europa. O primeiro documento que menciona o Castelo de Bran é um ato emitido por Luís I da Hungria, datado de 19 de Novembro de 1377, pelo qual o rei concedia aos saxões de Kronstadt (Braşov) o privilégio de construir a cidadela de pedra; a instalação de Bran começou a desenvolver-se na vizinhança. O castelo começou por ser usado na defesa contra o Império Otomano em 1378, e mais tarde tornou-se um posto aduaneiro no passo de montanha entre a Transilvânia e a Valáquia. O castelo pertenceu, por um curto período, a Mircea I da Valáquia. O príncipe Vlad Tepes, apelidado de "o Empalador", que serviu como inspiração histórica para o personagem
Castelo de Bran, Romênia: passagem secreta ligando o primeiro andar ao terceiro. (Imagem: Alessio Damato).
principal do romance Drácula, do escritor irlandês Bram Stoker, utilizou em várias ocasiões este castelo com fins militares durante o seu reinado, no século XV. Acredita-se que Vlad Ţepeş tenha passado dias fechado nas masmorras enquanto os otomanos controlavam a Transilvânia. A associação a este governante, aliada às suas torres pontiagudas e à sua localização remota, tem rendido fama ao castelo, uma vez que o local constitui um cenário perfeito para um filme de terror. A partir de 1920, o castelo tornou-se numa residência real do Reino da Romênia. Foi a residência principal da Rainha Maria da Romênia, sendo amplamente decorado com artefatos da sua época, incluindo mobiliário tradicional e tapeçarias que ela colecionou para destacar o artesanato e as habilidades romenas. À sua morte, ocorrida em 1938, o castelo foi herdado pela sua filha, a Princesa Ileana da Romênia. Em 1948, já depois do final da Segunda Guerra Mundial e da expulsão da família real da Casa de Hohenzollern-Sigmaringen, o castelo foi ocupado e nacionalizado pelo regime comunista, tendo sido transformado em museu. Em 2005, o governo romeno fez passar uma lei especial que permitia a restituição dos bens ocupados pelo governo comunista em 1948, como o Castelo de Bran, aos seus legítimos proprietários. No dia 26 de Maio de 2006, a Roménia, agora um estado membro da União Europeia, devolveu a posse do castelo ao Arquiduque Dominic da Áustria, Príncipe da Toscânia, conhecido como Dominic von Habsburg, um arquiteto a residir no Estado de Nova York e filho e herdeiro da Princesa Ileana. Conforme um acordo com o Ministério da Cultura romeno, o Castelo de Bran, o segundo edifício mais visitado pelos turistas do país, logo a seguir ao Castelo de Peles, deverá conservar as funções de museu até 2009. Em 2007, Dominic von Habsburg colocou o castelo à venda (avaliado pela revista norte-americana Forbes em cento e quarenta milhões de dólares, que o considera como o segundo imóvel mais caro do mundo à venda no mercado), pelo preço de 40 milhões de libras (78 milhões de dólares). No dia 2 de Julho de 2007, Michael Gardner, Presidente e Chefe Executivo da Baytree Capital, a firma de investimento nova-iorquina escolhida para criar um plano para o castelo e vendê-lo, previu que poderia vendê-lo por mais de 135 milhões de dólares, mas acrescentou que Dominic von Habsburg só o venderia a um comprador "que trate a propriedade e a sua história com o respeito apropriado". Em Setembro de 2007, um comité de investigação do Parlamento da Roménia declarou que a devolução do castelo a Dominic von Habsburg era ilegal, uma vez que violava o direito romeno de propriedade e sucessão. No entanto, em Outubro do mesmo ano, o Tribunal Constitucional da Roménia rejeitou a petição parlamentar na matéria. Adicionalmente, uma comissão de investigação do governo romeno emitiu uma decisão, em Dezembro, reafirmando a validade e legalidade dos procedimentos de restituição, confirmando que a devolução era feita em total conformidade com a lei.

Referências

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.