sexta-feira, 7 de março de 2014

Biografia de Paul Ehrlich

Paul Ehrlich
Paul Ehrlich. Nasceu em Strzelin, a 14 de Março de 1854, e, faleceu em Bad Homburg, 20 de Agosto de 1915. Paul Ehrlich foi um bacteriologista alemão. Recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1908. Ficou famoso pelo seu trabalho em imunologia, hematologia e quimioterapia. Considerado o pai da quimioterapia, é o autor do conceito de "bala mágica". Deu um enorme contributo para o tratamento da sífilis através da criação do salvarsan e do neosalvarsan. Também lhe é atribuída a primeira observação empírica da barreira hemato-encefálica.



Vida social

Paul Ehrlich era filho de uma influente família judia. Seus pais eram Ismar Ehrlich e Rosa Weigert. Recebeu uma variada formação em medicina, iniciando os seus estudos acadêmicos na Universidade de Wrocław (na época, chamada Universidade de Breslau), prosseguindo-os na Universidade de Estrasburgo, retornando a Wrocław (que era então parte da Prússia) e terminando em Leipzig, onde se doutorou em 1878. Casou-se em 1883, teve duas filhas e faleceu em 20 de Agosto de 1915, em Bad Homburg.


Carreira científica

Paul Ehrlich, por volta de 1900 em seu escritório, Frankfur.
Já como estudante de medicina na Universidade de Leipzig, efetuou diversas pesquisas sobre a presença de substâncias estranhas no organismo e sobre matérias corantes e sua aplicação no estudo de diferentes processos toxicológicos. A partir de 1889, concentrou-se a sua pesquisa em processos imunológicos e no estudo de algumas toxinas como a da difteria, o que resultou no estabelecimento da teoria de que os anticorpos eram desenvolvidos pelo organismo em reação contra as afecções microbianas, levando ao estudo da ação e eficácia de diversos agentes terapêuticos e produtos químicos, comprovando seu efeito letal sobre alguns protozoários patogênicos. Em Breslau, Ehrlich trabalhou no laboratório de seu primo Carl Weigert, um patologista pioneiro na utilização de corantes à base de anilina como corante biológico. Em seguida, mudou-se para Berlim para trabalhar como pesquisador assistente no Charité. Foi professor em Berlim (1890 - 1904), colaborador de Robert Koch e diretor do Instituto de Medicina Experimental em Frankfurt. Como colaborador de Koch no Instituto de Doenças Infecciosas, Ehrlich aprofundou os seus estudos sobre processos de coloração de células e tecidos e a sua classificação dos corantes químicos em ácidos, básicos e neutros - o que revolucionou os métodos de laboratório e abriu novos horizontes para o tratamento das doenças infecciosas. Considerado o criador da quimioterapia, realizou centenas de experiências com compostos químicos de alta toxicidade com o bacteriólogo japonês Sahatshiro Hata, das quais resultou em 1909 na descoberta do salvarsan (dihidroxidiaminoarsenobenzenedihidrolorido),
Túmulo de Paul Ehrlich. 
(Imagem: Dontworry).
um medicamento obtido a partir de mais de mil combinações de arsênico, utilizado no tratamento da sífilis. Este composto e o Neosalvarsan (1912) foram os produtos mais bem sucedidos da presente demanda, constituindo a maior parte dos medicamentos eficazes para o tratamento da sífilis até o aparecimento da penicilina e dos antibióticos na década de 1940. Criou, ainda, o tripanrot, medicamento utilizado no tratamento da doença do sono e desenvolveu novos processos de diagnóstico baseando-se na coloração do sangue, das células vivas e dos tecidos. Ehrlich estendeu, ainda, o seu trabalho experimental ao estudo de tumores, tendo descoberto que o sarcoma pode evoluir para carcinoma. O chamado tumor de Ehrlich foi descoberto por ele em 1886 e descrito em 1905, como um carcinoma mamário de camundongos fêmeas. A sua investigação sobre a formação de anticorpos no organismo levou-o à descoberta da imunidade de cadeia lateral, baseada na idéia de que as células sanguíneas possuem cadeias laterais (grupos químicos) que se unem a certos grupos químicos dos agentes malignos. A moderna teoria imunológica baseia-se nesta tese.


Balas mágicas


A expressão balas mágicas foi criada por Paul Ehrlich, dando origem ao conceito de "receptores específicos" em Biologia. Ehrlich constatou que apenas alguns tecidos se coravam com certos corantes porque exibiam receptores específicos para esses corantes. Nessa época, nascia a Imunologia como um ramo da Bacteriologia médica, ela própria um ramo nascente da medicina experimental, criado por Louis Pasteur e Robert Koch. Com a caracterização dos primeiros anticorpos específicos (as antitoxinas) por Emil Adolf von Behring, e sendo estes exemplos magníficos de "receptores específicos", o trabalho de Ehrlich obteve uma posição de destaque no campo da Imunologia. Posteriormente, Ehrlich dedicou-se à quimioterapia de infecções e procurou durante muitos anos substâncias que se ligassem a "receptores específicos" na superfície de germes importantes, como o tripanosoma envolvido na "doença do sono" africana, ou o treponema responsável pela sífilis. Segundo Ehrlich, essas substâncias, ligadas a tóxicos, ou sendo elas mesmas tóxicas, funcionariam como "balas mágicas" que, ao serem administradas, matariam apenas os germes aos quais se ligam, deixando intactas as células do organismo hospedeiro. If we picture an organism as infected by a certain species of bacterium, it will . . . be easy to effect a cure if substances have been discovered which have a specific affinity for these bacteria and act…on these alone. . . while they possess no affinity for the normal constituents of the body. . . such substances would then be . . . magic bullets.” (Paul Ehrlich).


Reconhecimentos


Em 1908, Paul Ehrlich, foi agraciado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina - juntamente com Ilya Ilyich Mechnikov, microbiologista e anatomista russo - devido aos seus estudos na área da imunização. Recebeu, ainda, mais de 80 condecorações e títulos honorários, incluindo a grande Medalha de Ouro de Ciência da Prússia (1903) e a Medalha Liebig (1911). Publicou seu primeiro livro científico, O Salvarsan, descrevendo o agente da sífilis (1912). A descoberta do valor terapêutico dos arsenobenzóis deu-lhe consagração internacional. Foi senador da Sociedade Kaiser Wilhelm, desde sua fundação, em 1911, até falecer, em 1915. Encontra-se sepultado em Alter Jüdischer Friedhof, Frankfurt am Main, Hesse na Alemanha.


Principais publicações

  • The collected papers of Paul Ehrlich, compil. e edit. por F. Himmelweit e Martha Marquardt, sob a dir. de Sir Henry Dale. London; New York: Pergamon Press, 1956-1960. 3 vols.
 

Salvarsan

Estrutura molecular da arsfenamina (salvarsan). A: estrutura adotada por Ehrlich, semelhante à do azobenzeno B e C: estruturas adotadas após estudos espectrais de massa publicados por Lloyd (2005), i.e. uma estrutura mista do trímero B com o pentâmero C.
A Arsfenamina foi comercializada sob a marca Salvarsan em 1910. Também é conhecida como 606, por ser a ordem do teste desse composto sintético. Foi um dos primeiros medicamentos que curou uma doença infecciosa que causava uma grande mortalidade; foi a bala mágica, do bacteriólogo alemão Paul Ehrlich. Esse médico alemão acreditava que era possível obter um composto químico que pudesse curar especificamente a sífilis sem prejudicar o paciente. Convencido que o arsênico era a chave de cura da sífilis, uma doença venérea, Ehrlich sintetizou centenas de compostos à base de arsênico. Mais tarde injetou diferentes dosagens desses compostos em coelhos previamente infectados com a bactéria da sífilis. Alguns dos 605 compostos testados mostraram certos sinais promissores, mas muitos coelhos morriam. Em 1910, fabricou e testou o composto 606, a arsfenamina, que restaurava totalmente os coelhos infectados. Este composto sintético pareceu ser eficaz, curando a doença sem ser tóxico ao paciente. Graças a esse descobrimento foi concedido a ele o Prêmio Nobel em 1908. Hoje em dia já não se utiliza mais salvarsan para tratar a sífilis, pois foi substituída por um produto bem mais efetivo, o antibiótico penicilina. Sua estrutura era a seguinte até 2005, quando os investigadores determinaram que a estrutura era um composto de um trímero cíclico e um pentâmero.





A doses altas, a arsfenamina pode ser tóxica, dado que contém arsênico.

Paul Ehrlich


Referências

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