quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Biografia de Alexis Carrel


Alexis Carrel
Alexis Carrel. Nasceu em Lyon, a 28 de Junho de 1873, e, faleceu em Paris, a 5 de Novembro de 1944. Alexis Carrel foi um biologista francês. Estudou medicina na Universidade de Lyon e graduou-se em 1900. Depois emigrou para os Estados Unidos. Como não existiam anticoagulantes nas transfusões de sangue na época, as mesmas só eram possíveis mediante a ligação dos vasos do receptor aos do doador. Por essa técnica, que permitiu as transfusões sanguíneas, Alexis Carrel recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1912.



Biografia

Carrel sempre mostrou interesse pela possibilidade de reconstruir artérias, trabalho que começou a desenvolver em animais. Fascinado pelas experiências do cirurgião norte-americano Rudolph Matas sobre o tratamento de aneurismas, emigrou para os Estados Unidos em 1904. Os seus trabalhos tiveram continuidade na Universidade de Chicago e no Rockefeller Institute de Nova Iorque, onde permaneceu até 1938, data em que regressou à Europa. As investigações de Carrel diziam respeito fundamentalmente à cirurgia experimental e ao transplante de tecidos e órgãos intactos. Até esse momento as estruturas vasculares suturavam-se e utilizavam-se cânulas de osso ou de metais preciosos. Alexis Carrel idealizou um novo sistema de sutura que evitava unir diretamente as bordas vasculares. Para isso realizava cortes nos extremos dos vasos e dava-lhes a volta. Depois utilizava material parafinado na sutura. Com este método conseguia evitar as hemorragias pós-operatórias e a formação de coágulos sanguíneos. Com a sutura dos extremos para fora ou revertidos, conseguia que no interior não ficassem fios soltos que favorecessem a formação posterior de coágulos. Em 1910 descreveu num artigo todos os seus avanços realizados com este novo sistema de sutura vascular. Com a sua técnica, Carrel conseguiu unir vasos sanguíneos de apenas um milímetro de diâmetro. Alentado por seus achados, dedicou a investigação aos transplantes vasculares, tomando uma porção de um vaso e conseguiu utilizá-lo em qualquer outro lugar do próprio paciente. Entre as contribuições de Carrel para a cirurgia encontram-se os auto-enxertos em animais, onde obteve numerosos êxitos, embora se produzissem falhanços nos homo-enxertos (órgãos de indivíduos distintos da mesma espécie). Destacam-se ainda os transplantes de orelhas, tiróide, rim e baço, assim como a conservação dos vasos sanguíneos para transplantar que evita a espera de um possível doador (para tal utilizou a câmara fria ou cold storage). Além disso, criou um anti-séptico para desinfectar feridas, a solução Carrel-Dakin, de grande utilidade durante a Primeira Guerra Mundial, e uma espécie de coração artificial. Recebeu o Nobel de Fisiologia ou Medicina pelos seus trabalhos sobre sutura vascular e transplante de vasos sanguíneos e órgãos.



Informações complementares

  • Inicialmente ateu, converteu-se ao Catolicismo após uma viagem a Lourdes em que testemunhou uma cura milagrosa. Foi membro da Pontifícia Academia das Ciências.
  • Em 1935, publicou O Homem, Esse Desconhecido, que foi traduzido e reeditado transformando-se num grande êxito mundial até à década de 1950. Na obra, o leitor moderno encontra traços de eugenismo, incluindo a defesa da eutanásia de criminosos incuráveis e perigosos. Alguns trechos misóginos ou místicos podem igualmente chocar o leitor moderno desprevenido do contexto da época.
  • Sob o regime da França de Vichy criou a Fondation Française pour l’Etude des Problèmes Humains.
  • A cratera Carrel, no Mar da Tranquilidade da Lua, homenageia-o.


Obras


  • L'Homme, cet Inconnu, Plon, 1935
  • La Prière, 1944
  • Réflexions sur la Conduite de la Vie (1950, póstumo)
  • Voyage à Lourdes, Plon (1959, póstumo)


Referências

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