sábado, 13 de julho de 2013

Teofrasto: O Pai da Botânica


Teofrasto (imagem: tato grasso).
Teofrasto. (em grego: Θεόφραστος; Eresos, 372 a.C. — 287 a.C.) Foi um filósofo da Grécia Antiga, sucessor de Aristóteles na escola peripatética. Era oriundo de Eressos, em Lesbos, seu nome original era Tirtamo, mas ficou conhecido pela alcunha de Teofrasto, que lhe foi dada por Aristóteles, segundo se diz, para indicar as qualidades de orador. Depois de ter recebido uma primeira introdução à filosofia em Lesbos, de parte de um Leucipo ou Alcipo, foi para Atenas e conseguiu integrar-se como membro do círculo platônico. Depois da morte de Platão, ligou-se a Aristóteles e provavelmente acompanhou-o a Estagira: a amizade íntima de Teofrasto com Calistenes, o aluno e companheiro de Alexandre Magno, a menção no testamento a uma quinta em Estagira e os repetidos apontamentos sobre a cidade e os museus na História das Plantas são fatos que levam a esta conclusão. Aristóteles, no testamento, nomeou-o como tutor dos filhos, legando-lhe a biblioteca e os originais dos trabalhos e designando-o como sucessor no Liceu, quando se mudou para Calcis. Eudemo de Rodes também alude a esta situação e diz-se que Aristóxeno ficou ressentido com esta decisão de Aristóteles.

Liceu

 

Teofrasto presidiu à escola peripatética durante trinta e cinco anos e morreu em
Estátua no Parc de Versailles (França).
(imagem: Coyau).
287 a.C.. Sob a direção, a escola floresceu admiravelmente — chegando a ter em torno de 2000 estudantes — e quando Aristóteles morreu, Teofrasto adquiriu um jardim próprio, com a ajuda de seu amigo íntimo Demétrio de Faleros. Menandro, o poeta cômico, foi um dos alunos. A popularidade manifestou-se no respeito que lhe tinham Filipe II da Macedônia, Cassandro e Ptolomeu I e pela improcedência de uma acusação de irreligiosidade que fora interposta contra ele. Foi honrado com um funeral público, e "a totalidade da população de Atenas honrou-o grandemente, seguindo o cortejo até à sepultura", segundo relata Diógenes Laércio. Pelas listas dos antigos se conclui que as atividades se estenderam a todos os campos do conhecimento contemporâneo. Os escritos diferem provavelmente pouco do tratamento aristotélico dos mesmos temas, embora com detalhes suplementares. Influenciou o tempo como um grande divulgador da ciência. Os escritos mais importantes são dois volumosos tratados botânicos: Historia Plantarum (História das Plantas), em nove livros (originalmente dez); De Causis Plantarum (Sobre as Causas das Plantas), em seis livros (originalmente oito). Estes tratados constituem a mais importante contribuição à ciência botânica de toda a antiguidade até ao Renascimento. Também nos chegaram fragmentos de outra parte da obra, como uma História da Física, um tratado Sobre as Pedras, um trabalho Sobre as Sensações (De Sensibus)e um sobre Metafísica Airoptai, que provavelmente era parte de um tratado sistemático. Alguns fragmentos científicos menores foram compilados nas edições de J. G. Schneider (1818-21) e F. Wimmer (1842-62) e na edição de bolso Analecta Theophrastea. A obra O Carácter merece uma menção à parte. O trabalho consiste num panorama breve, vigoroso e mordaz dos tipos morais, que contém uma valiosa descrição da vida da época. Trata-se, definitivamente, da primeira tentativa de escrever uma sistematização dos escritos de uma sistemática do carácter. O livro foi considerado por alguns especialistas como um trabalho independente; outros inclinam-se para o ponto de vista de que Teofrasto só terá escrito um rascunho, que foi recompilado e editado depois da morte; outros são da opinião que O Carácter fazia parte de um trabalho sistemático mais amplo; mas o estilo do livro contradiz esta opinião. Teofrasto teve muitos imitadores nesta maneira de escrever, notavelmente Hall (1608), Sir Thomas Overbury (1614-16), o bispo John Earle (1628) e Jean de La Bruyère (1688), que chegou a traduzir O Carácter. Diógenes Laércio cita entre as frases de Teofrasto esta: "Se és ignorante, comportas-te prudentemente, mas se tens educação, comporta-te estultamente". Também cita que aos discípulos, que lhe perguntaram qual era a sua última mensagem, respondeu antes de morrer: "Nada tenho a declarar em particular, a não ser que, como a vida demonstra, muitos prazeres são mera aparência. Com efeito, mal começamos a viver e logo morremos. Nada é mais nocivo que a ambição desmedida. Desejo-vos boa sorte, e renunciai à minha doutrina, que custa muitas fadigas, ou dedicai-vos a ela denodadamente, porquanto a glória é grande. A vida proporciona mais decepções que vantagens. Mas, agora que já não é possível deliberarmos sobre a conduta reta, escolheis vós mesmos o que deveis fazer".


Referência aos judeus

Em um dos fragmentos da obra de Teofrasto, De Pietate (Perì Eusebeías), encontramos a seguinte referência aos judeus, que ele entende constituírem uma parte do povo sírio: "Os sírios, de quem os judeus constituem uma parte, até hoje sacrificam vítimas vivas, segundo o seu antigo modo de sacrificar; se alguém nos mandasse sacrificar do mesmo modo, nós nos recusaríamos. Pois eles não comem as vítimas, mas queimam-nas totalmente de noite e, derramando sobre elas mel e vinho, eles rapidamente destroem a oferenda, para que o sol que tudo vê não possa olhar para a coisa terrível. E eles fazem isto jejuando em dias intercalados. Durante todo o tempo, sendo filósofos por raça, eles conversam entre si sobre a divindade e à noite eles observam as estrelas, contemplando-as e rezando para Deus. Eles foram os primeiros a instituir sacrifícios de seres vivos e de si mesmos; mas eles fazem isso por necessidade e não porque gostam". Plantas, animais e mesmo seres humanos eram oferecidos à divindade, sendo completamente queimados durante o holocausto (i.e."cremação"), sacrifício ritualístico praticado no Templo de IHVH, em Jerusalém.


Teofrasto e a origem da ciência Botânica

A Atenas do século VI a.C. era um centro movimentado de comércio, na confluência das culturas egípcia, mesopotâmica e minoica, numa altura da
Aristóteles, Teofrasto e Estratão de Lâmpsaco
colonização grega do Mediterrâneo. O pensamento filosófico deste período abarcava livremente diversos assuntos. Empédocles pressagiou a teoria evolutiva de Darwin, numa formulação grosseira da mutabilidade das espécies e da selecção natural. O médico Hipócrates (460 a.C. - 370 a.C.) colocou de parte a superstição dominante na sua época e fez uma aproximação aos métodos de cura através da observação e de testes da experiência. Nesta época, uma genuína curiosidade não-antropocêntrica sobre as plantas emergiu. As principais obras escritas sobre as plantas iam para além da descrição dos usos medicinais, descrevendo já tópicos sobre fitogeografia, morfologia, fisiologia, nutrição, crescimento e reprodução. Em lugar de destaque entre os estudiosos de botânica encontrava-se Teofrasto de Eresos (grego: Θεόφραστος; c. 371 a.C. - 287 a.C.), que é frequentemente designado como o "Pai da Botânica". Ele era um estudante e amigo chegado de Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.), tendo-lhe sucedido como líder do Liceu (um estabelecimento educacional tal como uma universidade moderna) em Atenas, com a sua tradição de filosofia peripatética. O tratado particular de Aristóteles sobre as plantas (θεωρία περὶ φυτῶν) ficou perdido, apesar de possuir muitas observações botânicas espalhadas pelas suas outras obras (foram compiladas por Christian Wimmer em Phytologiae Aristotelicae Fragmenta, 1836), mas elas dão pouco discernimento sobre o seu pensamento botânico. O Liceu orgulhava-se da sua tradição de observação sistemática de conexões causais, experimentação com espírito crítico e teorização racional. Teofrasto defrontou a supersticiosa medicina desenvolvida pelos médicos do seu tempo, denominados rhizotomi, e também o controle exercido pela autoridade e tradição sacerdotal. Juntamente com Aristóteles, tutoraram Alexandre, o Grande, que desenvolvia as conquistas militares aparelhado com todos os recursos científicos da época. O jardim do Liceu de Atenas provavelmente tinha em sua posse muitos dos troféus botânicos colecionados durante as suas campanhas assim como de outras explorações em terras distantes. Foi neste jardim que Teofrasto terá obtido grande parte do eu conhecimento botânico. As obras principais de Teofrasto foram De Historia Plantarum (‘História das plantas’) e De Causis Plantarum (Sobre as causas das plantas), que eram notas das palestras dadas por ele no Liceu. A frase inicial de De historia plantarumapresenta-se como um manifesto botânico: "Devemos considerar os caracteres distintivos e a natureza geral das plantas, do ponto de vista da sua morfologia, o seu comportamento sob condições externas, o seu modo de geração e todo o curso da sua vida". Esta é uma obra com 9 livros, sobre botânica aplicada, que lida com as formas e a classificação biológica das plantas e a botânica econômica, examinando as técnicas da agricultura (relação das colheitas com o solo, clima, água e habitat) e da horticultura. Teofrasto descreveu por volta de 500 plantas em detalhe, muitas vezes incluindo descrições de habitat e distribuição geográfica, reconhecendo também alguns grupos de plantas que atualmente são família botânicas. Alguns termos que utilizou, como Crataegus , Daucus e Asparagus persistiram até à atualidade. A sua segunda obra, De Causis Plantarum, versa sobre o crescimento e reprodução das plantas (semelhante à fisiologia moderna). Tal como Aristóteles, ele agrupou as plantas em "árvores", "subarbustos", "arbustos" e "ervas", mas também fez outras várias importantes distinções e observações botânicas. Ele notou que as plantas poderiam ser anuais, perenes e bienais, que eram ou monocotiledôneas ou dicotiledôneas, notou também a diferença entre indeterminado e determinado, e aspectos da estrutura floral, incluindo o grau de fusão das pétalas, a posição do ovário entre outros. Estas notas das palestras de Teofrasto compreendem a primeira exposição clara dos rudimentos de anatomia, fisiologia, morfologia e ecologia vegetais, apresentados de uma forma que não seria reproduzida nos 18 séculos seguintes. Entretanto, o estudo das plantas medicinais não tinha sido negligenciado e uma síntese completa da farmacologia da Grécia Antiga foi compilada em Materia Medica, por volta de 60 a.C., por Dioscórides (c. 40 - 90), um médico grego no exército romano. Esta obra provou ser o texto definitivo sobre ervas medicinais, no mundo oriental e ocidental, por cerca de 15 séculos, até ao despontar do Renascimento europeu, tendo sido copiado servilmente vezes sem conta através desse período. Apesar de possui extensa informação médica, com descrições de 600 ervas medicinais, o conteúdo botânico era extremamente limitado.

Uma citação de Teofrasto

"Um orador sem critério é como um cavalo sem freio".

Obras

Segundo Diógenes Laércio, algumas de suas obras foram:
  • Primeiros Analíticos, em três livros;
  • Analíticos Posteriores, em sete livros;
  • Da Análise dos Silogismos, em um livro;
  • Epítome dos Analíticos, em um livro;
  • Deduções Lógicas, em dois livros;
  • Discussões sobre a Teoria dos Argumentos Erísticos;
  • Da sensação, em um livro;
  • Dos escritos de Anaxágoras, em um livro;
  • Dos escritos de Anaxímenes, em um livro;
  • Dos escritos de Arquelaos, em um livro;
  • Do Sal, do Salitre e do Alume, em um livro;
  • Da Petrificação, em dois livros;
  • Das Linhas Indivisíveis, em um livro;
  • Lições, em dois livros;
  • Dos Ventos, em um livro;
  • Diferenças das Formas de Excelência, em um livro;
  • Da Realeza, em um livro;
  • Da Educação dos Reis, em um livro;
  • Dos Modos de Vida, em três livros;
  • Da Velhice, em um livro;
  • Da Astronomia de Demócrito, em um livro;
  • Meteorologia, em um livro;
  • Das Imagens Visuais, em um livro;
  • Dos Sabores, das Cores e das Carnes, em um livro;
  • Da Ordem Cósmica, em um livro;
  • Dos Homens, em um livro;
  • Coleção das Sentenças de Diógenes, em um livro;
  • Definições, em três livros;
  • Do Amor, em um livro;
  • Da Felicidade. em um livro;
  • Das Espécies ou Formas, em dois livros;
  • Da Epilepsia, em um livro;
  • Do Entusiasmo, em um livro;
  • Sobre Empédocles, em um livro;
  • Argumentações Dialéticas, em dezoito livros;
  • Objeções, em três livros;
  • Do Voluntário, em um livro;
  • Epítome da República de Platão, em dois livros;
  • Da Diversidade dos Sons Emitidos por Animais da mesma Espécie, em um livro;
  • Do que Aparece em Massa Compacta, em um livro;
  • Dos Animais que Mordem ou Chifram, em um livro;
  • Dos Animais considerados Invejosos, em um livro;
  • Dos Animais que Permanecem em Terra Seca, em um livro;
  • Dos Animais que Mudam de Cor, em um livro;
  • Dos Animais que Vivem em Esconderijos, em um livro;
  • Dos Animais, em sete livros;
  • Do Prazer segundo Aristóteles, em um livro;
  • Do Prazer, em um livro;
  • Teses, em vinte e quatro livros;
  • Do Calor e do Frio, em um livro;
  • Da Vertigem e do Desmaio, em um livro;
  • Dos Suores, em um livro;
  • Da Afirmação e da Negação, em um livro;
  • Calistenes ou Do Pranto, em um livro;
  • Das Fadigas, em um livro;
  • Do Movimento, em três livros;
  • Das Pedras, em um livro;
  • Das Pestilências, em um livro;
  • Do Desfalecimento, em um livro;
  • Megárico, em um livro;
  • Da Melancolia, em um livro;
  • Das Minas, em dois livros;
  • Do Mel, em um livro;
  • Compêndio das Doutrinas de Metrodoro, em um livro;
  • Dos Fenômenos Atmosféricos, em dois livros;
  • Da Embriaguez, em um livro;
  • Leis, em Ordem Alfabética, em vinte e dois livros;
  • Epítome das Leis, em dez livros;
  • Das Definições, em um livro;
  • Dos Odores, em um livro;
  • Do Vinho e do Azeite, em um livro;
  • As Primeiras Premissas, em dezoito livros;
  • Dos Legisladores, em três livros;
  • Da Política, em seis livros;
  • Da Política Adaptada às Circunstâncias, em quatro livros;
  • Dos Costumes Políticos, em quatro livros;
  • Da Melhor Constituição, em um livro;
  • Coleção de Problemas, em cinco livros;
  • Dos Provérbios, em um livro;
  • Da Coagulação e da Liquefação, em um livro;
  • Do Fogo, em dois livros;
  • Dos Ventos, em um livro;
  • Da Paralisia, em um livro;
  • Da Asfixia, em um livro;
  • Das Desordens Mentais, em um livro;
  • Das Paixões, em um livro;
  • Dos Sintomas, em um livro;
  • Sofismas, em dois livros;
  • Soluções de Silogismos, em um livro;
  • Tópicos, em dois livros;
  • Da Punição, em dois livros;
  • Dos Cabelos, em um livro;
  • Da Tirania, em dois livros;
  • Da Água, em três livros;
  • Do Sono e dos Sonhos, em um livro;
  • Da Amizade, em três livros;
  • Da Ambição, em três livros;
  • Da Natureza, em três livros;
  • Física, em dezoito livros;
  • Epítome da Física, em dois livros;
  • Contra os Filósofos Naturalistas, em um livro;
  • Pesquisas Botânicas, em dez livros;
  • Das Causas das Plantas, em oito livros;
  • Dos Sucos, em cinco livros;
  • Do falso Prazer, em um livro;
  • Da Alma, uma tese;
  • Das Provas Não-Científicas, em um livro;
  • Teoria da Harmonia, em um livro;
  • Da Excelência, em um livro;
  • Aversões ou Contradições, em um livro;
  • Da Negação, em um livro;
  • Da Inteligência, em um livro;
  • Do Ridículo, em um livro;
  • Conversas Vespertinas, em dois livros;
  • Divisões, em dois livros;
  • Das Diferenças, em um livro;
  • Dos Crimes, em um livro;
  • Da Calúnia, em um livro;
  • Do Louvor, em um livro;
  • Da Experiência, em um livro;
  • Cartas, em três livros;
  • Dos Animais Gerados Espontaneamente, em um livro;
  • Da Secreção, em um livro;
  • Panegíricos aos Deuses, em um livro;
  • Das Festas, em um livro;
  • Da Boa Sorte, em um livro;
  • Dos Entimemas, em um livro;
  • Das Descobertas, em dois livros;
  • Lições de Ética, em um livro;
  • Caracteres Éticos, em um livro;
  • Do Tumulto, em um livro;
  • Da Pesquisa Histórica, em um livro;
  • Da Apreciação dos Silogismos, em um livro;
  • Da Adulação, em um livro;
  • Do Mar, em um livro;
  • A Cassandros, sobre a Realeza, em um livro;
  • Da Comédia, em um livro;
  • Do Estilo, em um livro;
  • Coleção de Preposições, em um livro;
  • Soluções, em um livro;
  • Da Música, em três livros;
  • Dos Metros, em um livro;
  • Megaclés, em um livro;
  • Das Leis, em um livro;
  • Da Ilegalidade, em um livro;
  • Compêndio da Doutrina de Xenocrates, em um livro;
  • Da Conversação, em um livro;
  • Do Juramento, em um livro;
  • Preceitos Retóricos, em um livro;
  • Da Riqueza, em um livro;
  • Da Arte Poética, em um livro;
  • Contra os Acadêmicos, em um livro;
  • Exortação à Filosofia, em um livro;
  • Da Erupção Vulcânica na Sicília, em um livro;
  • Do Sofisma 'O Mentiroso', em três livros;
  • Sobre Ésquilo, em um livro;
  • Dos Discursos Forenses, em um livro.


Referências:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Teofrasto
http://pt.wikipedia.org/wiki/História_da_botânica
http://pt.wikiquote.org/wiki/Teofrasto

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