domingo, 7 de julho de 2013

Origem das Histórias em Quadrinhos

Max und Moritz, de 1865
A Origem das Histórias em Quadrinhos - As tentativas de representar através de desenhos remontam aos primórdios da civilização. Já no fim do período neolítico, o homem primitivo utilizava o desenho para narrar cenas de caçada. Hieróglifos egípcios, estandartes chineses, tapeçarias medievais, vitrais góticos, livros ilustrados de diversas épocas têm em comum a redução da narrativa a elemento gráficos estilizados e a uma figuração destacada e nítida.

Século XIX
Em 1865, Max und Moritz, de Wilhelm Busch, narra as traquinagens de dois meninos insuportáveis através de desenhos e quadrinhos (a tradução para o português foi feita por Olavo Bilac). Em 1895, Christophe (pseudônimo de Marie-Louis-Georges Colomb) publica La Famille Fénouillard, história das viagens burlescas de uma típica família burguesa do II Império, através de desenhos e textos curtos. A 16 de Fevereiro de 1896, no suplemento dominical do New York World, Richard Fenton Outcault lança The Yellow Kid, menino de traços orientais vestido de amarelo (a cor foi escolhida por oferecer menos problemas de secagem). Em 1897, inspirando-se em Busch, Rudolph Dirks cria os Katzenjammer Kids (no Brasil, Os Sobrinhos do Capitão), que são alemães e falam um inglês estropiado; Dirks inaugura o uso de “balões” para o diálogo.

The Yellow Kid

Katzenjammer Kids - o início do uso de balões para os diálogos


Século XX
Em 1902, Richard Fenton Outcault cria Buster Brown e seu cachorro Tige (no Brasil, Chiquinho e Jagunço). Em 1905, Winsor McCay, influenciado pela art nouveau, mistura, em Little Nemo, realidade e sonho dentro de um clima pré-surrealista. Em 1907, com Mutt and Jeff, de Bud Fisher, e Jiggs (Pafúncio), de George McManus, a tira de quadrinhos diária ganha novo impulso. Em 1908, na França, aparece a revista L'Épatant, que publica as aventuras da Bande Les Pieds Nickelés, de Louis Forton, e na Itália surge o Corriere dei Piccoli. Em 1911, George Herriman inicia, com Krazy Kat, as aventuras de um rato neurótico, um cachorro policial de bons sentimentos e um gato andrógino. Em 1925, inspirando-se nele, mas sem a mesma agressividade, Pat Sullivan cria o Gato Félix. Em 1928, dentro da mesma influência, Walt Disney faz as primeiras historinhas de Mickey Mouse. Em 1929, Popeye, de Elzie Crisler Segar, é o primeiro super-herói; esse ano vê surgir também Tarzan, baseado nos romances de Edgar Rice Burroughs e desenhado por Hal Foster (e depois por Burne Hogarth, um dos maiores ilustradores do gênero) e Buck Rogers, cujas histórias de antecipação científica, concebidas por John Dille, são escritas por Philip Francis Nowlan, desenhadas por Dick Calkins, e têm o assessoramento técnico do professor Selby Maxwell.


Buster is Coming

história completa de Little Nemo in Slumberland

Mutt & Jeff - 1943

Jiggs 1941 - reimpressão de 1936-38

Les Pieds Nickeles - 1908

Corriere dei Piccoli - 1911

Krazy Kat - 1917

Gato Félix - criado em 1919 por Pat Sullivan e Otto Messmer

Mickey Mouse - criado em 1928 por Walt Disney e Ub Iwerks

Popeye (cover-1959) - criado em 1919 por Elzie C. Segar

Tarzan - criado em 1912 por Edgar R. Burroughs

Walt Disney em 1938


Década de 30
Em 1931, Dick Tracy, de Chester Gould, é o fruto típico da fase da Lei Seca e do gangsterismo. Henry, (Pinduca) de Carl Thomas Anderson, em 1932, estava destinado a ser um dos personagens infantis mais populares. Inspirando-se em Buck Rogers, Alexander Gillespie Raymond lança Flash Gordon, uma das mais belas obras para quadrinhos em todos os tempos, pelo traço do desenhista, capaz de encontrar sempre a angulação mais dramática, e também pelo rigor de suas previsões científicas. São do mesmo ano, e, do mesmo autor, Agente Secreto X-9 e Jim das Selvas (Jungle Jim). Depois da guerra, Gillespie Raymond criaria Rip Kirby (no Brasil, Nick Holmes), um detetive culto e sofisticado. Lee Falk (Leon Harrison Gross - 1911-1999) que faz com cartunista Phil Davis, em 1934, o Mandrake, que usa a magia para combater o crime, colabora em 1936 com Ray Moore na criação do Fantasma, que joga com o exotismo africano. Em Agosto de 1934, surge Li'l Abner (Ferdinando), de Al Capp (Alfred Gerald Caplin - 1909-1979), uma sátira a todos os valores impostos pelo sistema capitalista. Hal Foster, em 1937, lança O Príncipe Valente, aventuras medievais com quadros de desenho meticuloso e sem uso de “balões”. Em 1938, Jerome Siegel (1914-1996) e Joe Shuster idealizam o Super-Homem (único sobrevivente da destruição do planeta Krypton, que se esconde sob a identidade do tímido jornalista Clark Kent), que, aparecendo no Action Comics Magazine, conta, daí a dois anos, com a circulação total de 20 milhões de exemplares (Mircea Eliade: “O mito do Super-Homem repousa em sua dupla identidade: todo homem desejaria, um dia, tirar a roupa normal e revelar-se invulnerável”). 1938 é também o ano das primeira histórias de Donald Duck (Pato Donald). Em 1939, ano do lançamento do Superman Quarterly Magazine, surgem Batman (que a partir do ano seguinte teria a companhia de Robin), de Bob Kane – cujo mundo visual é muito influenciado pelo expressionismo alemão – , e o Capitão Marvel, de C. C. Beck (Charles Clarence Beck - 1910-1989), que humaniza o mito do Super-Homem. Desse fim de década são também o Homem Borracha (Plastic Man), de Jack Cole, o Homem-Enguia e Namor, o Príncipe Submarino, de Bill Everett, em que o realismo fantástico é a dominante.


Dick Tracy - criado em 1931 por Chester Gould

Henry (Pinduca no Brasil) criado em 1932 por Carl Anderson

Flash Gordon - criado em 1934 por Alex Raymond

Jim das Selvas - criado em 1934 por Alex Raymond

Mandrake - criado em 1934 por Lee Falk

Mandrake - criado em 1934 por Lee Falk

Super-Homem (1ª revista) - criado em 1938 por Jerry Siegel e Joe Shuster

Pato Donald - criado em 1934 por Walt Disney

Batman - criado em 1939 por Bob Kane e Bill Finger

Capitão Marvel - criado em 1939 por C. C. Beck e Bill Parker

Homem Borracha - criado em 1941 por Jack Cole

Namor - criado em 1939 por Bill Everett


Década de 40
O Capitão América, escrito por Joe Simon (e depois por Stan Lee) e desenhado por Jack Kirby, é lançado em Março de 1940: sua luta contra o Caveira é típica da propaganda de época de guerra contra o nazismo (de resto, extinto ao final da guerra, ele vai reaparecer, como enaltecimento de certos valores militares norte-americanos, na época da Guerra do Vietnã). Ainda em 1940, Will Eisner, utilizando uma linguagem influenciada pelo cinema, alcança, em Spirit, perfeita integração entre texto e imagem; com o pseudônimo de Will Rensie, ele fará ainda Yarko, Uncle Sam, K-5 e Black Condor; surgem personagens como Steve Canyon e Little Lulu (Luluzinha) criada por Marjorie Henderson Buell. No pós-guerra, a indústria de quadrinhos nos Estados Unidos sofre uma série de dificuldades: proibição de importação em vários países, como forma direta de valorizar o produto nacional e indireta de contestar a influência ideológica norte-americana; campanha pedagógica acusando-a de interferir no hábito de leitura e de prejudicar a formação do raciocínio abstrato; censura do período macartista; e crise de valores – os quadros de criadores não se renovam em virtude dos problemas anteriores; essa fase de estagnação da escola norte-americana permite o incremento da escola européia, com a renovação das revistas Vaillant (francesa), Tin Tin e Spirou (belgas); Hergé, cujo desenho é mais próximo da tradição pictórica do que da influência cinematográfica, e cujo colorido tem tons pastel muito característicos, cria, na série de Tin Tin, toda uma galeria de personagens: o capitão Haddock, o professor Tournesol (Girassol), a soprano Bianca Castafiore, os detetives Dupont e Dupond e o cachorro Milou.


Capitão América (1ª revista) - criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby

Caveira - criado em 1941 por Joe Simon e Jack Kirby

Spirit - criado em 1940 por Will Eisner

Luluzinha - criada em 1930 por Marjorie H. Buell

Tin Tin e Milou - criado em 1929 por Hergé

Capitão Haddock - criado em 1941 por Hergé

Professor Tournesol - criando em 1944 por Hergé

Bianca Castafiore - Hergé

Dupont e Dumond - criado em 1934 por Hergé





Década de 50
Pogo, de Walter Kelly, as historietas de Jules Feiffer, Mort Walker e Johnny Hart caracterizam o início da década. Em 1950, Charles Schulz publica seus primeiros Peanuts (Minduim): em Charlie Brow e seus companheiros Lucy, Linus, Schroeder e o cachorro Snoopy, ele sintetiza todos os anseios, frustrações e inseguranças do homem contemporâneo. A revista Mad, de Harvey Kurtzman, publicada em 1952, vai influenciar, com seu humor mordaz, toda uma geração de humoristas. Reginald Smythe, em 1957, cria Andy Capp (Zé do Boné); em 1958, Johnny Hart, lança BC, com irreverentes críticas dos costumes contemporâneos através de personagens da Idade da Pedra; em 1959, na revista francesa Pilote, aparecem Asterix, de René Goscinny e Albert Uderzo, que mistura história romana e alusões contemporâneas, e Lucky Luke, de Morris e Goscinny, que faz a paródia do faroeste norte-americano.


Pogo - criado em 1948 por Walt Kelly

Charlie Brown - criado em 1947 por Charles M. Schulz

Lucy - criada em 1952 por Charles M. Schulz

Linus - criado em 1952 por Charles M. Schulz

Schroeder - criado em 1951 por Charles M. Schulz

Snoopy - criado em 1950 por Charles M. Schulz

Revista Mad (nº1) - criada em 1952 por Harvey Kurtzman

Asterix - criado em 1959 por René Goscinny e Albert Uderzo

Lucky-Luke





Década de 60 e 70
Nos primeiros anos da década, o roteirista Stan Lee, que já havia adaptado O Incrível Hulk para quadrinhos em 1959, cria vários personagens novos (Homem-Aranha, Homem de Ferro, Thor) e relança outros (Capitão América, Príncipe Submarino), tendo como parceiros os ilustradores Jack Kirby, Jim Steranko e John Buscemma. Em 1962, ano do aparecimento de Barbarella, de Jean-Claude Forest, que inaugura o gênero das aventuras eróticas e fantásticas, é fundado o Club des Bandes Dessinées, depois transformado no Centre d'Études des Littératures d'Expression Graphique; o gênero começa a ser pesquisado a nível universitário, e através de seminários, exposições etc. A partir de 1963, principalmente com Roy Lichtenstein, a pop art começa a incorporar à pinturas técnicas de cartoon. Em 1965, o Museu do Louvre, em Paris, inaugura a mostra Dix Millions d'Images, uma retrospectiva histórica; nesse mesmo ano, Robert Gigi lança Scarlet Dream. Inspirada em Barbarella, a Editora Eric Losfeld publica Jodelle (1966), de Guy Peellaert e Pierre Bartier, Pravdala Survireuse (1967), de Pellaert, e Saga de Xam (1968), de Nicolas Devil; influenciado por elas, o italiano Guido Crepax cria Valentina (1967), com histórias sem enredo, de clima onírico, que freqüentemente abolem o texto e cujo desenho apresenta um corte cinematográfico. Na Espanha aparecem os trabalhos arrojados de Esteban Maroto (Cinco por Infinitus) e Enric Sió, combinando vários recursos gráficos. Nos Estados Unidos, como manifestações da contracultura dita underground, Robert Crumb faz, nos Zap Comicx (1968), críticas agressivas e muitas vezes obscenas às neuroses da grande cidade; outros expoentes do underground são Gilbert Shelton (o criador dos Freak Brothers), Art Spiegelman, Willie Murhy, Jay Lynch e Spain Rodríguez. Na Argentina, desde 1962, Quino (Joaquín Salvador Lavado Tejón), que tomou seu ponto de partida em Schulz, vinha desenhando a série de Mafalda uma revoltada espectadora do mundo absurdo que os adultos não sabem organizar. Em 1970, a dupla francesa Georges Pichard e Georges Wolinski cria Paulette, seguindo a linha das heroínas sensuais. Ainda na França surgem revistas que acentuam a irreverência, mas igualmente preocupadas em inovar a linguagem e o desenho: Hara-Kiri, Charlie, L'Echo des Savanes, Fluide Glacial e Metal Hurlant são os principais títulos, reunindo nomes como Reiser, Gotlib, Mandryk, Claire Brétecher, Gérard Lauzier, Philippe Druillete e Moebius. Nos Estados Unidos é lançada a Heavy Metal, versão americana de Metal Hurlant, onde se destaca a grande expressividade de Richard Corben. Neal Adams, colaborando em revistas tradicionais como Batman, Thore outras, também ganha rápida notoriedade. Na Itália, são lançadas Linus e Alterlinus, que contam com a colaboração de Crepax, Sapia e de artistas de vários países, inclusive o brasileiro Miguel Paiva.


Hulk (1ª revista) - criado em 1962 por Stan Lee e Jack Kirby

Homem-Aranha (15ª revista) - criado em 1962 por Stan Lee e Steve Ditko

Homem de Ferro (1ª revista) - criado em 1963 por Stan Lee, Larry Lieber, Don Heck, Jack Kirby)

Thor (edição 126) - criado em 1962 por Stan Lee, Larry Lieber, Jack Kirby)

Pravda La Survireuse - criada em 1968 por Guy Peellaert

Zap Comix (1ª revista) - criado em 1968 por Robert Crumb

Freak Brothers - criado por Gilbert Shelton

Mafalda - criada em 1964 por Quino

Paulette - criada por Georges Pichard e Georges Wolinski




  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.