sexta-feira, 19 de julho de 2013

Misticismo: a conexão com o Absoluto


O "Olho que tudo vê" ou Olho da Providência que aparece na torre da Catedral de Aachen.
Misticismo. Doutrina filosófica e religiosa, segundo a qual a perfeição consiste numa espécie de contemplação, que vai até o êxtase e une o homem à divindade. A palavra se origina do verbo grego “myo”, que se traduz por “fechar a boca”. Desta raiz vem igualmente o vocábulo “mistério”, significando em ambos os casos, algo que se percebe íntima e profundamente, mas de que não se pode falar. Edouard Jérôme Récéjac, no seu livro Essai sur les Fondements de la Connaissance Mystique (Ensaios Sobre os Fundamentos do Conhecimento Místico), assim o define: é a tendência que
Henri Bergson: autor de Ensaios Sobre os Dados Imediatos da Consciência
orienta o pensamento para a busca de um Absoluto, com o qual pretende a pessoa se unir moralmente por meios simbólicos. O misticismo nasce do esforço que faz o indivíduo para alcançar, numa visão única, a realidade absoluta ou divina que está em íntima conexão com as coisas. Envolve um conjunto de disposições afetivas, intelectuais e morais, cuja meta final é a comunhão com o Todo-Poderoso. Nesta atitude, há um esforço especulativo para obter uma visão compreensiva de tudo em Deus, ao mesmo tempo em que um forte sentimento de comunhão ou íntima união. Portanto, a busca do Um ou do

Pascal
Ente-Unidade, supremo, absorvente, no qual todas as coisas são uma só, domina intelectual e emocionalmente o místico. Por esse motivo, Deus deixa de ser para ele um objeto e se torna uma experiência. O espírito místico se opõe ao “espírito geométrico” de que fala Blaise Pascal. Enquanto este aspira pela clareza, pela pura evidência, pela demonstração cabal (espírito geométrico), aquele (misticismo) se move num terreno onde a penumbra, a profundidade e o incompreensível são dominantes. Assemelha-se ao “instinto”dos animais. Como este, é forte, penetrante, obstinado e, no seu mecanismo íntimo, pouco compreensível. Daí o recurso às analogias, às comparações e imagens poéticas, porque
Victor Cousin: filósofo espiritualista e reconhecedor da inteligência feminina.
fora da realidade concreta o homem só pode agir por meio de símbolos e analogias. A corrente psicanalista considera o misticismo como um mecanismo de repressão da consciência superior que busca a segurança da primeira infância ou da idade pré-natal. Para Henri Bergson e outros vitalistas, nasce de um élan vital superior que aspira a uma visão una e universal de tudo. Victor Cousin afirma que muitos dos sistemas filosóficos e políticos tiveram origem no sentimento místico de seus fundadores. As outras fontes inspiradoras dos mesmos seriam: sensualismo – a inspiração viria da parte sensível da vida; idealismo – a inspiração seria mais mental e abstrata; e ceticismo – seria criada pelo jogo das contradições dos sistemas e da vida política anteriores. William James, no seu livro The Varieties of Religious Experience (Variedades da Experiência Religiosa), publicado em 1902, foi o iniciador do estudo científico-psicológico do fenômeno místico. Considerava-o como uma forma especial de percepção (consciousness). Chamou a atenção para o papel do subconsciente nesse tipo de conhecimento obscuro e penetrante. Distinguiu do místico as outras formas de comportamento psíquico anômalo, tais como o êxtase ou a alienação dos sentidos e certas manifestações de origem hipnótica, comuns na vida de alguns místicos. Intimamente ligados à análise desse sentimento se encontram os estudos referentes ao profetismo e à explicação do nascimento das religiões. Depois de James, o interesse por este tema ampliou-se, e os resultados de suas pesquisas constituem, hoje, o que se pode chamar de
William James: um dos fundadores da psicologia moderna e importante filósofo ligado ao Pragmatismo.
Meta-psicologia. Além da colheita de dados em laboratório, faz-se a análise das obras e das atitudes dos místicos mais representativos das diversas épocas históricas. As religiões, em geral, procuram intensificar e excitar o impulso místico. As práticas do silêncio e recolhimento, do jejum e abstinência, da castidade total ou periódica, visam a levar o crente àquilo que se pode chamar de “experiência mística” ou do “divino”, que poderá ser real ou fictícia objetivamente, mas que psicológica ou subjetivamente têm suas características sintomáticas. Uma delas é uma espécie de depressão e um como que aniquilamento das imagens sensíveis ou das noções e idéias nítidas do pensamento discursivo, ao mesmo tempo que a consciência percebe o contato imediato de uma realidade que sente estar dentro de si ou na qual julga estar imerso. Embora muitas vezes sofra uma diminuição efetiva na esfera do conhecimento, o místico tem a impressão do contrário: julga ter alcançado amplos conhecimentos e luzes [A.X.T.].

Visão geral

A palavra "místico" foi empregada pela primeira vez no Mundo Ocidental nos escritos
A Aparição do Espírito Santo Perante Santa Teresa de Ávila, de Peter Paul Rubens.
atribuídos a Dionysius, o Aeropagite, que apareceu no final do século V. Dionysius empregou a palavra para expressar um tipo de "Teologia", mais do que uma experiência. Para ele e para muitos intérpretes, desde então, o misticismo tem se baseado em uma teoria ou sistema religioso que concebe Deus como absolutamente transcendente, além da Razão, do pensamento, do intelecto e de todos os processos mentais. A palavra, desde então, tem sido usada para os tipos de "conhecimento" esotérico e teosófico, não suscetíveis de verificação. A essência do misticismo é a experiência da comunicação direta com Deus. A palavra "misticismo" tem origem no termo grego μυστικός = "iniciado" (nos Mistérios de Elêusis, μυστήρια = "mistérios", referindo-se as "Iniciações" ) é a busca para alcançar comunhão ou identidade consigo mesmo, lucidez ou consciência da realidade última, do divino, Verdade espiritual, ou Deus através da experiência direta, intuição ou insight; e a crença que tal experiência é uma fonte importante de conhecimento, entendimento e sabedoria. As tradições podem incluir a crença na existência literal de realidades empíricas, além da percepção, ou a crença que uma "verdadeira" percepção humana do mundo trancende o raciocínio lógico ou a compreensão intelectual. O termo "misticismo" é, frequentemente, usado para se referir a crenças que são externas a uma religião ou corrente principal, mas relacionado ou baseado numa doutrina religiosa da corrente principal. Por exemplo, Kabala é a seita mística dominante do judaísmo, sufismo é a seita mística do Islã e gnosticismo refere geralmente a várias seitas místicas que surgiram como alternativas ao cristianismo. Enquanto religiões do Oriente tendem a achar o conceito de misticismo redundante, e o conhecimento tradicional e ritual são considerados como esotéricos: por exemplo, vajrayana e budismo. 

Definição 

Uma definição de misticismo não poderia ser ao mesmo tempo significativa e de abrangência suficiente para incluir todos os tipos de experiências que têm sido descritas como "místicas". Por definição natural, misticismo é a prática, estudo e aplicação das leis que unem o homem à Natureza e a Deus. Desta forma, a mística se distingue da religião por referir-se à experiência direta e pessoal, com a divindade, com o transcendente, sem a necessidade de intermediários, dogmas ou de uma teologia. 

Na teologia 
Conjunto de práticas religiosas que levam à contemplação dos atributos divinos. Estado natural ou disposição para as coisas místicas, religiosas; religiosidade.

Citações no livro "O Mundo de Sofia"

Citando o livro "O Mundo de Sofia", quando fala sobre misticismo: "Uma experiência mística significa experimentar a sensação de fundir sua alma com Deus. É que o "eu" que conhecemos não é nosso "eu" verdadeiro e os místicos procuravam conhecer um "eu" maior que pode possuir várias denominações: Deus, espírito cósmico, universo, etc. No entanto, para chegar a esse estado de plenitude, é preciso passar por um caminho de purificação e iluminação através de uma vida simples. Encontram-se tendências místicas na maioria das religiões do mundo. Na mística ocidental (judaísmo ,cristianismo e islamismo), o místico diz que seu encontro é com um Deus pessoal. Na oriental (hinduísmo, budismo e religiões tradicionais chinesas), o que se afirma é que há uma fusão total com Deus, que é o espírito cósmico. É importante notar que essas correntes místicas já existiam muito antes de Platão e que pessoas de nossa época têm relatado experiências místicas como uma forma de experimentar o mundo sob a perspectiva da eternidade." (O Mundo de Sofia). As correntes místicas pregam a experiência direta do divino, comumente chamada de "experiência mística", e muitas vezes descrita como "iluminação". A experiência mística é um estado de consciência em que o místico tem um vislumbre daquilo que está além deste plano físico, e muitas vezes é descrito como união com o Todo. Isto só pode ser alcançado, segundo os místicos, por uma disciplina espiritual que visa a distanciar-se das coisas mundanas. Muitas vezes, a experiência mística é descrita por aqueles que a sentem como uma "visão ou percepção direta de Deus". Tais fenômenos estão presentes tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento da Bíblia e na cultura oriental (budismo, hinduísmo, yoga etc.). O místico procura na prática espiritual e no estudo das coisas divinas, mais que na racionalidade, as bases para suas concepções de vida, embora muitas vezes o misticismo esteja envolvido com intrincados sistemas que o fundamentam. Este é o caso da Cabala, a tradição esotérica dos judeus. A experiência mística é o modo como o místico entra em contato com o Divino.

Citações no livro "O livro das religiões"

Citando o livro "O livro das religiões", que fala sobre as características do estado místico: É como se ele [o místico] fosse tomado por uma força externa. Essa condição se caracteriza pela intemporalidade. O místico se sente arrancado para fora da existência normal de quadro dimensões. Essa compreensão é inexprimível, não pode ser comunicada a outros. Como a experiência é paradoxal em si mesma, o místico vai usar paradoxos ao tentar descrever o estado que experimentou.

Correntes Místicas

São doutrinas ou correntes de pensamento que podem ser consideradas vertentes do misticismo:
  • Alta Magia Prática de Franz Bardon
  • Budismo
  • Cabala
  • Cristianismo místico
  • Gnosticismo
  • Grande Fraternidade Branca
  • Martinismo
  • Rosacrucianismo
  • Santo Daime
  • Sufismo
  • Taoísmo
  • Xamanismo
  • Yoga
  • Essênios

Místicos Orientais

  • Buda
  • Confúcio
  • Lao Tsé
  • Mahatma Gandhi
  • Swami Sivananda
  • Zoroastro
  • Ramana Maharshi
  • Bhagwan Shree Rajneesh - Osho

Referências

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