quarta-feira, 10 de julho de 2013

Biografia de Benedito Calixto



Benedito Calixto (auto-retrato-1923)
Benedito Calixto de Jesus. Nasceu em Itanhaém, a 14 de Outubro de 1853, e, faleceu em São Paulo, a 31 de Maio de 1927. Filho de João Pedro de Jesus e Ana Gertrudes Soares. Calixto foi um pintor, desenhista, professor, historiador e astrônomo amador brasileiro. Considerado como um dos maiores expoentes da pintura brasileira do início do século XX, Benedito Calixto de Jesus nasceu em 14 de Outubro de 1853, no município de Itanhaém, litoral sul de São Paulo. Calixto é o que se pode chamar de um talento nato. Autodidata, começa seus primeiros esboços ainda criança, aos 8 anos. Aos 16 anos muda-se para Santos onde tem um começo de vida difícil, chegando a pintar muros e placas de propaganda para sobreviver. No final de século XIX e início do século XX, quatro gigantes das artes plásticas se destacaram no cenário paulista: Almeida Júnior, Pedro Alexandrino, Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto.

Vida e obra

Em Brotas (São Paulo)

Entre os 17 e 18 anos de idade, a convite do irmão mais velho, muda-se para Brotas, interior do Estado de São Paulo, na época, próspera por sua produção de café. Vai morar na casa do irmão João Pedro, situada na esquina de uma praça, hoje denominada "Benedito Calixto". Como o irmão era o responsável pela conservação da igreja e das imagens ali existentes, Calixto, que já tinha habilidades nesse oficio, o ajudava nessa missão, mas logo acaba ficando com a incumbência. Tendo material à sua disposição, nas horas vagas pintava telas com vistas do local, que oferecia aos amigos. Entre os primeiros quadros feitos no município estão o Casamento dos Bugres e A Saída do Ninho, hoje em mãos de colecionadores em Brotas. Na época decorou também a sala de jantar da casa do capitão Joaquim Dias de Almeida com motivos da fauna e flora brasileiras. Seu gênio alegre e comunicativo lhe trouxe grandes amizades no município. Um desses amigos, era o coronel Cherubim Vieira de Albuquerque, abastado cafeicultor da região, que veio a lhe encomendar diversos quadros. Entre estes, vistas de suas fazendas Paraíso e Monte Alegre em 1873. Retratou também nessa época o próprio coronel e sua filha Da. Maria Eugênia de Albuquerque Pinheiro, quadros que ainda hoje se encontram no município.
Galeria de artes - 1

A chegada do Frei Pedro Palácios (1926)

Gruta de Frei Palácios (1927)

As Perobeiras  (1906)

Itanhaém  (1908)

Mesa com Frutas e Vinho  (1901)

Frutas  (1904)

Casa do Trem e Capela de Santa Catarina (data desconhecida)

A Velha Cadeia e a Rua Septentrional  (Santos de Outrora) (data desconhecida)

Os Falquejadores (1905)

Moagem de Cana na Fazenda Cacheira, em Campinas (data desconhecida)

Recanto de Jardim I - (1906)

Estudo de Academia - Nu Masculino (1883)

Braz Cubas Lê o Foral de Vila (Fundação de Santos) - (1922)

Estácio de Sá em São Vicente, 1565 (Partida de Estácio de Sá) (data desconhecida)

Evangelho nas Selvas (data desconhecida)

De volta a Itanhaém

Em 1877 retorna a Itanhaém para casar-se com sua prima de segundo grau, Antônia Leopoldina de Araújo. De volta a Brotas, continua pintando paisagens das fazendas locais e retratos de grandes cafeicultores. Em 1881, deixa Brotas e volta a Itanhaém, onde nasce sua primeira filha, Fantina Anália Calixto de Jesus. No final desse mesmo ano muda-se com a família para Santos, onde passa a pintar paisagens nos tetos e paredes das mansões dos prósperos comerciantes daquela cidade litorânea.
Galeria de artes - 2

Retrato de Dom Pedro I (1902)

Retrato de Padre Bartolomeu de Gusmão (data desconhecida)

Retrato de Domingos Jorge Velho (1903)

Retrato de Martin Afonso de Souza (1900)

Retrato de José Bonifácio de Andrada e Silva (data desconhecida)

Retrato de Maria Luiza de Almeira Moraes (1894)

Retrato de José Bonifácio de Andrada e Silva (1902)

Padre Chico e Monsenhor Benedito Alves de Souza (data desconhecida)

Retrato de Francisco Mariano Corrêa de Moraes (1894)







A Primeira Exposição

Fez sua primeira exposição em 1881 no salão do jornal Correio Paulistano, em São Paulo, não tendo conseguido vender nenhum trabalho, mas obteve apreciação favorável da crítica. Em 1882, a sorte bate em sua porta. É convidado a realizar trabalhos de entalhe e pintura na parte interna do Teatro Guarany, em Santos, o que lhe rendeu homenagens e uma bolsa de estudos em 1883, custeada por Nicolau de Campos Vergueiro, o Visconde de Vergueiro, para se aprimorar em Paris, onde fica por quase um ano e freqüenta o ateliê do mestre Jean-François Rafaëlli  (1850 - 1924) e a Academia Julian; lá, convive com os pintores Gustave Boulanger (1824 - 1888), Tony Robert-Fleury (1837 - 1911) e William-Adolphe Bouguereau (1825 - 1905), entre outros. Na Europa, realizou várias exposições de sucesso. Em 1884, de volta à Santos, trouxe, na bagagem, um equipamento fotográfico e tornou-se pioneiro, no Brasil, em pintar a partir de fotografias. Nos anos de 1886 e 1987, respectivamente, nascem seus filhos Sizenando Calixto e Pedrina Calixto de Jesus. Em 1890, muda-se para São Paulo. Sete anos depois volta para o litoral e vai morar em uma casa construída por ele mesmo, em São Vicente. Produz obras importantes para vários museus, entre eles o do Ipiranga, em São Paulo, para inúmeras igrejas em todo o país, para associações, fundações, instituições, a exemplo da "Bolsa Oficial do Café", em Santos, onde uma de suas principais obras "A Fundação de Santos" ocupa uma parede inteira do salão principal, além de outras duas que também têm como tema o município de Santos e o vitral do teto com alegoria para os Bandeirantes. Durante toda a sua trajetória produziu aproximadamente 700 obras, das quais 500 estão catalogadas. Pintou marinhas, retratos, paisagens rurais, urbanas e obras religiosas. Estas últimas lhe renderam a comenda de São Silvestre, outorgada pelo papa Pio XI, em 1924.Além da pintura se revelou como historiador, escritor e fotógrafo.
Galeria de artes - 3

Os Quatro Cantos (data desconhecida)
O Descanso do Guerreiro (data desconhecida - após 1927)

Igreja do Carmo e Pelourinho (data desconhecida)

Igreja do Convento de Santo Antonio do Valongo (data desconhecida)

Goiabas (data desconhecida)

Patos (desconhecido)

Rancho Grande (dos Tropeiros) (data desconhecida)

Visitação de Nossa Senhora à Santa Isabel (1925)

Porto do Bispo em 1886 (1886)







Em Bocaina

Uma obra do acaso trouxeram as telas de Calixto para Bocaina, município do centro do Estado de São Paulo, hoje com 11 mil habitantes. A história registra que ele deveria pintar os seus quadros na Igreja Matriz de Jaú. Não houve acordo quanto ao preço e ele foi embora. Em Bocaina, na época, estava o padre José Maria Alberto Soares. Ele gostaria de ter as telas do pintor em sua igreja e começou a escrever a Calixto, falando dessa vontade. Conseguiu sensibilizar o artista que veio a Bocaina e pintou as telas por um preço bem menor daquele que pedira em Jaú. As obras podem ser consideradas o melhor da arte sacra pintada por Calixto, que por ter nascido e vivido em cidades litorâneas, pintou muitas marinhas. O próprio pintor considerava as telas Salomé recebe a cabeça de João Batista e Transfiguração, como os seus melhores trabalhos sacros. Elas estão em Bocaina. A 10 de Dezembro de 1923 começava seu último grande trabalho, a pintura dos quadros para a igreja Matriz de São João Batista de Bocaina. Dominado pela idéia da morte próxima, dizia que nessa igreja seria o lugar onde se perpetuaria a sua derradeira arte.
Galeria de artes - 4


Matriz de Santos (data desconhecida)

Serás o Defensor da Igreja de Cristo  (1917)

Tobias e o Anjo  (1909)

Banca de Peixes e Mercado das Canoas (1887)

Forte do Itapema e Outeirinhos  (data desconhecida)

Revoada de Maio  (1890)

Vila dos Pescadores (1887)

Santos em 1882 (1922)

Verdadeira Efígie de São Carlos Borromeu (1910)







Em São Carlos exposição permanente

  • Há uma exposição permanente "Benedito Calixto na Terra do Pinhal", com amplo panorama da vida e obra do célebre pintor brasileiro e trabalhos originais realizados por ele para o antigo Palácio Episcopal de São Carlos e que hoje pertencem ao acervo da municipalidade são-carlense, os quais são 8 afrescos que também estão na exposição.
  • A exposição é no Museu da "Estação Cultura" na Estação de São Carlos em São Carlos, de terça a sexta das 8h às 18h, e aos sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. A entrada é franca. O agendamento de grupos e escolas pode ser feito por telefone.
A Fundação Pinacoteca Benedito Calixto, entidade sem fins lucrativos, localizada em um antigo casarão em estilo eclético e interior em Art Noveau à Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos, São Paulo, tem uma exposição permanente de obras de Calixto. Seu acervo é de cerca de 50 obras do pintor - marinhas, paisagens, retratos e nus [desenhados na Academia Julian, Paris]. O local está aberto para visitação de terça a domingo das 14h00 às 19h00. Grupos ou escolas, que quiserem monitoria, podem ser agendados. A Pinacoteca conta também com uma biblioteca, com acervo de livros de arte, e um Centro de Documentação sobre Calixto e sua obra.
Galeria de artes - 5


Natureza-morta (1903)


Naufrágio de Sírio (1907)

Cachorros e Capivara (data desconhecida)


Boi no Pasto (data desconhecida)

Porto do Consulado e Serra do Mar (1886)


Praia e Rampa do Consulado  (1882)

José Menino e Ilha Urubuqueçaba em 1919 (1919)


Paisagem (da série Mata) (data: de 1910 a 1920)





Falecimento
Túmulo de Calixto
Faleceu de infarto, no dia 31 de maio de 1927, em São Paulo, na casa de seu filho Sizenando, para onde tinha ido com a intenção de comprar material para terminar duas telas para a Catedral de Santos. Foi enterrado no cemitério do Paquetá, em jazida perpétua doado pela Prefeitura Municipal de Santos. Suas duas últimas obras são intituladas "Noé" e "Melchisedech". Foi homenageado na cidade de São Paulo com a Praça Benedito Calixto.
Galeria de artes - 6





Casa do Conselho ou Câmara e Cadeia (data desconhecida)


Paço Municipal, Fórum e Cadeia de São Paulo, em 1862 (data desconhecida)

Largo e Matriz do Brás, em 1862 (data desconhecida)


Recolhimento de Nossa Senhora da Luz em São Paulo - 1860 (Mosteiro da Luz) (data desconhecida)

Ponte Pênsil (1914)


Porto de Santos com Trem Cargueiro (1888)





Referências

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