sexta-feira, 28 de junho de 2013

Biografia de Christopher Latham Sholes


Latham Sholes
Christopher Latham Sholes. Nasceu no Condado de Montour, a 14 de Fevereiro de 1819, e, faleceu em Milwaukee, a 17 de Fevereiro de 1890. Foi um inventor americano que desenvolveu a primeira máquina de escrever prática e o layout de teclado QWERTY, ainda hoje em uso. Ele também foi um editor de jornal e político de Wisconsin.

Juventude e carreira política

Nascido em Mooresburg, Pennsylvania, Sholes mudou-se para perto de Danville, Pensilvânia, e lá trabalhou como aprendiz de impressor. Depois de completar o seu aprendizado, Sholes mudou-se para Milwaukee, Wisconsin, em 1837. Ele se tornou um editor de jornal e político, servindo no senado do Estado de Wisconsin em 1848 a 1849, e, 1856 a 1857, e a Wisconsin State Assembly em 1852 a 1853. Ele foi fundamental no movimento de sucesso para abolir a pena de morte em Wisconsin: seu jornal, The Kenosha Telegraph, informou sobre o julgamento de John McCaffary em 1851, e, em seguida, em 1853, ele liderou a campanha na Assembléia do Estado de Wisconsin. Ele era o irmão mais novo de Charles Sholes (1816–1867), que era diretor de jornal e político que atuou em ambas as casas do Legislativo do Estado de Wisconsin e como prefeito de Kenosha, Wisconsin.

As placas (chapas) Voree

Em 1845, Sholes estava trabalhando como editor do Southport Telegraph, um pequeno jornal em Kenosha, Wisconsin. Durante este tempo ele ouviu falar sobre a suposta descoberta das placas Voree, um conjunto de três placas de latão minúsculas descobertas por James Jesse Strang, um candidato a sucessor do assassinado profeta do Movimento dos Santos dos Últimos Dias Joseph Smith Jr. Strang afirmou que estava provado que ele era um verdadeiro profeta de Deus, e ele convidou o público a invocá-lo e ver as placas por si mesmos. Sholes, portanto, visitou Strang, examinou o "Record Voree" (placas Voree), e escreveu um artigo sobre o encontro. Ele assinalou que, embora ele não pudesse aceitar as placas de Strang ou as suas afirmações proféticas, Strang aparentava ser “honesto e sério”, e os seus discípulos estavam "entre os homens mais honestos e inteligentes do bairro". Quanto ao "record" em si, Sholes mencionou que estava satisfeito em não ter uma opinião sobre isso.

Inventando a Máquina de Escrever

A máquina de escrever já tinha sido inventada em 1714 por Henry Mill, e, reinventada de várias formas ao longo do ano de 1800. Era para ser Sholes, no entanto, quem inventou a primeira máquina a ser comercialmente bem-sucedida. Sholes se mudou para Milwaukee e tornou-se o editor de um jornal. Depois de uma greve dos tipógrafos em sua imprensa, ele tentou construir uma máquina de composição tipográfica, mas isso foi um fracasso e ele rapidamente abandonou a idéia. Ele chegou à máquina de escrever através de uma rota diferente. Seu objetivo inicial era criar uma máquina para numerar páginas de um livro, bilhetes e assim por diante. Ele começou a trabalhar nisso na oficina mecânica Kleinsteubers, em Milwaukee, juntamente com um colega impressor, Samuel W. Soule, e eles patentearam uma máquina de numeração em 13 de Novembro de 1866. Sholes e Soule mostraram sua máquina para Carlos Glidden, um advogado e inventor amador na loja de máquina trabalhando em um arado mecânico, que perguntou se a máquina não poderia ser feita para produzir letras e palavras também. Ainda mais inspiração surgiu em Julho de 1867, quando Sholes se deparou com uma pequena nota na revista Scientific American descrevendo a “Pterotype” um protótipo de uma máquina de escrever que tinha sido inventada por John Pratt. Pela descrição, Sholes decidiu que a “Pterotype” também era muito complexa, e se preparou para fazer a sua própria máquina, cujo nome ele obteve do artigo: Thetypewriting machine (a máquina de datilografia), ou typewriter (máquina de escrever). Soule foi novamente angariado, e Glidden se juntou a eles como um terceiro parceiro que fornecia os fundos para este projeto. O artigo da Scientific American (não ilustrado) tinha usado no sentido figurado a frase "piano literária"; o primeiro modelo que o trio (Sholes, Soule e Glidden) construiu, tinha o teclado, literalmente, semelhante a um piano. Suas teclas eram pretas e brancas, dispostas em duas linhas; também não tinha as teclas numerais 0 e 1, pois as letras 'O' e 'L' foram consideradas suficientes:
 
3 5 7 9 N O P Q R S T U V W X Y Z
2 4 6 8 . A B C D E F G H I J K L M

Com a primeira linha de marfim e a segunda de ébano, e o resto da estrutura sendo de madeira. Foi desta forma que foram concedidas a Sholes, Glidden e Soule as patentes de sua invenção em 23 de Junho de 1868 e 14 de Julho de 1868. O primeiro documento a ser produzido em uma máquina de escrever foi um contrato que Sholes tinha escrito, na sua qualidade de fiscal de contas públicas na cidade de Milwaukee. Máquinas semelhantes a de Sholes tinha sido usadas anteriormente por cegos para gravação, mas ao tempo de Sholes a fita com tinta tinha sido inventada, o que tornou a datilografia em sua forma atual possível. Nesta fase, a máquina de escrever Shole-Soule-Glidden era apenas uma entre as dezenas de invenções semelhantes. Eles escreviam centenas de cartas em sua máquinas para várias pessoas, um dos quais era James Densmore de Meadville, Pensilvânia. Densmore previu que a máquina de escrever seria altamente rentável, e se ofereceu para comprar uma parte da patente, mesmo sem ter posto os olhos na máquina. O trio imediatamente vendeu um quarto da patente em troca do pagamento de todas as suas despesas até então. Quando Densmore, finalmente, examinou a máquina em Março de 1867, ele afirmou que ela não servia para nada na sua forma atual, e, insistiu para eles começarem a melhorá-la. Desanimados, Soule e Glidden abandonaram o projeto, deixando Sholes e Densmore na posse exclusiva da patente. Percebendo que os estenógrafos estariam entre os primeiros e mais importantes usuários da máquina, e, portanto, em uma posição melhor para julgar a sua adequação, eles enviaram versões experimentais para alguns estenógrafos. O mais importante deles foi James O. Clephane, de Washington D.C., que testou os instrumentos como ninguém os tinha testado, submetendo-os a tais testes impiedosos que destruiu eles, um após o outro, tão rápido quanto eles poderiam ser feitos e enviados para ele. Seus julgamentos foram igualmente cáustico, fazendo com que Sholes perdesse a paciência e o humor. Mas Densmore insistiu que isso era exatamente o que precisava: “Esta sincera detecção de falhas é justamente o que nós precisamos. É melhor tê-la agora do que depois que começarmos a fabricação. Onde Clephane aponta uma alavanca ou haste fraca, vamos torná-la forte. Onde um espaçador ou um arte-finalista (inker) trabalha rigidamente, vamos fazê-los funcionarem sem problemas. Então, dependemos de Clephane para todo o louvor que nós merecemos”. Sholes aceitou o conselho e começou a melhorar a máquina em cada iteração, até estarem satisfeitos que Clephane lhes havia ensinado tudo o que podia. Nessa altura, eles tinham fabricado 50 máquinas mais ou menos, a um custo médio de $250. Eles decidiram que a máquina deveria ser examinada por um mecânico especializado, que lhes indicou a E. Remington and Sons (que posteriormente se tornou a Remington Arms Company), fabricantes de armas de fogo, máquinas de costura e ferramentas agrícolas. No início de 1873, eles se aproximaram de Remington, que decidiu comprar a patente deles. Sholes vendeu sua metade por $12.000, enquanto que Densmore, ainda um forte entusiasta da máquina, insistiu nos direitos da patente, o que acabaria por trazer-lhe $1,5 milhão. Sholes retornou a Milwaukee e continuou a trabalhar em novas melhorias para a máquina de escrever durante toda a década de 1870, que incluía o layout de teclado QWERTY (1873). James Densmore sugeriu dividir combinações de letras comumente usadas, a fim de resolver um problema de bloqueio causado pelo método lento de recuperação de um pressionamento de tecla: pesos, não molas, retornariam todas as peças para a posição de repouso. Este conceito foi posteriormente refinado por Sholes e resultando no layout QWERTY, que é ainda hoje usado em máquinas de escrever e teclados de computador de língua inglesa, ainda que o problema de bloqueio não existe mais. Sholes faleceu em 17 de Fevereiro de 1890, após lutar contra a tuberculose durante nove anos, e está sepultado no Forest Home Cemetery em Milwaukee.

Layout QWERTY

Layout QWERTY.
QWERTY é o nome dado ao teclado que Sholes inventou (e ainda hoje em uso) por causa do arranjo em que as primeiras letras se encontram. Havia um modelo chamado Caligraph que continha todas as letras duas vezes. Uma maiúscula e outra minúscula. Só mais tarde é que sairiam os modelos com a tecla SHIFT para alternar entre uma e outra. As primeiras máquinas digitavam apenas em maiúsculas. Uma lenda sobre o teclado QWERTY e, que ainda hoje, causa "confusão" sobre se é verdade ou não, é que Sholes desenvolveu a seqüência de letras como é hoje conhecida, para que se escrevesse mais devagar, já que escrevendo com velocidade, da maneira que as teclas eram organizadas anteriormente, os braços com as letras se enganchavam muitas vezes. Ninguém tem certeza se ele fez isso mesmo para reduzir a velocidade de digitação. Mas com a organização anterior das letras, de fato, os braços da máquina de escrever se enganchavam bastante. Na verdade, a grande revolução que a máquina de escrever proporcionou - além, é claro, de se poder escrever mais rapidamente que à mão - foi que as mulheres ganharam seu primeiro trabalho valorizado. O número de mulheres empregadas subiu espantosamente e isso produziu uma demanda incrível por especialização em digitação.

Imagens
https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Sholes & Glidden typewriters 

Referências:

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