sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Origem da palavra Tarado (pervertido)

Tarado. Por que se dá o nome de tarado ao indivíduo que perdeu o equilíbrio mental? É comum ouvir alguém dizer: "A tara do fulano", "Criminoso tarado". Diariamente, aí estão nas páginas dos jornais, em letras graúdas: 'Preso o tarado' - "Mais duas vítimas da tara do estrangulador". Não há dúvida de que a curiosidade popular tem origem no sensacionalismo da imprensa, notadamente no tocante à exploração de crimes  sexuais em que ressalta a perversão do sadismo. Encarrega-se a imprensa de popularizar as expressões tara e tarado, na acepção figurada, cujo registro já é coisa velha nos dicionários. Tara vem do árabe tahara, tarha ou taraha, que quer dizer: pôr de lado; afastar. No sentido material em que se emprega a palavra, tara é "o desconto do peso de mercadorias, atendendo-se ao vaso ou envoltório em que vão metidas; substância em pequenos fragmentos usada em duplas pesagens; recipiente que contém ou pode conter determinado gênero"; tara é ainda uma antiga moeda de prata, na Índia, e, como brasileirismo, é nome de uma ave da família dos ibidídeos. Tarado, por exemplo, diz-se de um caixote de frutas em que se determinam o peso da mercadoria e o do envoltório; chama-se tara a diferença entre o peso líquido e o peso bruto. Estudemos agora o aspecto curioso da questão. Indaga-se insistentemente do sentido figurado em que se empregam o substantivo tara e o adjetivo tarado (nota-se, segundo Morais, Dic. da Líng. Port., 2ª ed.., é particípio do verbo tarar; para a maioria absoluta dos estudiosos, tarado é adjetivo). Não é modismo próprio da linguagem dos brasileiros, nem gíria, como parece para muitos. Figuradamente, tara e tarado empregam-se no sentido moral: falta, defeito, quebra, anomalia, mácula etc. E não se diga que é inovação. Já em 1813, Morais (Dic. da Líng. Port., 2ª ed.) registrava: tara e tarado, em sentido moral. O Dr. Fr. Domingos Vieira, em 1874 (Grande Dic. Port. ou Tesouro da Líng. Port.), não consignou tarado, mas tara, na acepção de mácula; defeito moral. Caldas Aulete (Dic. Contemporâneo da Líng. Port.) nos dá exemplos, ao registrar as duas expressões no sentido figurado: "tara, defeito - As taras da natureza humana; desequilíbrio mental, falha intelectual; tarado: Criatura profundamente tarada com pesada herança dos estrumosos de Medicina Sidoma, irmã dum tuberculoso (Júlio Dantas, Outros Tempos, pág. 95, 3ª ed.)". Cândido de Figueiredo (Novo Dic. da Líng. Port., 4ª ed.) consigna tara e tarado, no mesmo sentido moral: "que tem falha ou defeito; desequilibrado". O Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa registra, na acepção da anomalia física e moral. Indagam os curiosos: Por que se chamou tarado àquele que perdeu o senso, e tara ao seu defeito, à sua anomalia mental? Talvez por anomalia com a significação não figurada, pois que tara indica falha, quebra, e tarado, que tem marcado o peso da tara. Entre os sentidos em que são empregadas as palavras há um ponto de semelhança. Os termos são em regra aplicados a indivíduos anômalos, que se caracterizam por falha moral, quebra de espírito ou defeito de raciocínio. Os tarados, sob a influência da própria tara (seria o desconto no peso moral do indivíduo, atendendo-se ao seu equilíbrio mental), vão ao extremo de prática libidinosas, movidos pelos apetites sensuais. São loucos inferiores de aparência normal. Segundo a Enciclopédia e Dicionário Internacional (W. M. Jackson), os antigos chamavam tarado ao produto que já foi corrupto do ventre da mãe.


Aqui está uma narrativa duvidosa

- Conta-se que numa aldeia certo jovem celebrizou-se na matança de três lindas mulheres para satisfação de seu instinto sexual. O crime, pela hediondez com que foi perpetrado, levou seu autor à pena de morte por enforcamento. Ao dar cumprimento à sentença, verificou o carrasco que o delinquente, por ser um homem excessivamente franzino, não tinha peso suficiente para um suplício rápido na forca. Movido por sentimento de compaixão, teve o algoz a idéia de amarrar ao busto da vítima uma barra pesada de ferro, a fim de abreviar-lhe a morte. O fato despertou a curiosidade dos que assistiam à execução do condenado. Cumprida a sentença, por iniciativa de alguns, apurou-se o peso do morto, em que se descontou o peso da barra de ferro, contrapeso que serviu como tara; tarado foi o criminoso. O acontecimento deu motivo a que os habitantes da aldeia tomassem o modismo; daí por diante, em memória do autor daquele terrível crime, chamou-se tarado ao indivíduo anômalo, que perdeu o equilíbrio mental, e tara à sua fúria sanguinária. (Há incerteza sobre a realidade dessa história).
 

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