quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Biografia do Imperador Nero



Nero
Nero. (Nero Cláudio César Augusto Germânico). (em latim Nero Claudius Cæsar Augustus Germanicus. Nasceu em Anzio, a 15 de Dezembro de 37 d.C., e, faleceu em Roma, a 9 de Junho de 68). Foi imperador de Roma durante 14 anos (54 a 68 da Era Cristã). Filho de Domício Ahenobardo e de Agripina, Nero foi sabiamente educado pelo filósofo Sêneca. A princípio reinou com brandura, mas não tardou em se revelar um monstro de crueldade. Mandou matar a sua própria mãe. Assassinou, pessoalmente, as suas duas esposas, Otávia e Popeia, esta última com um violento pontapé no ventre. Segundo a História, Nero fez morrer no Coliseu mais de 100.000 cristãos, pelo prazer de divertir o povo romano. Outros, untados de óleo, serviram de archote para iluminar os jardins de seu suntuoso palácio. Vários historiadores afirmam ter sido Nero o autor do incêndio de Roma no ano 64. Enquanto a cidade ardia, ele era visto, de lira na mão, com a fisionomia risonha, entoando um hino. Em virtude da revolta de Vindex e de Galba. Nero foi preso. Prestes a ser entregue à justiça popular, fez-se matar por um liberto chamado Epafródito. Foram as suas ultimas palavras, ao ser apunhalado: “Que artista o mundo vai perder!”. O historiador Farrar estima em 10.000 vidas por mês, o preço dos emocionantes espetáculos do Coliseu romano, na época dos Césares. "Nero, que foi um dos 12 Césares, mandou abrir o ventre de sua mãe Agripina, para ver onde estivera antes de nascer".

Biografia

Fragmento do retrato de Nero
Nero era descendente de uma das principais famílias romanas, pelo pai Cneu Domício Enobarbo e da família imperial júlio-claudiana através da mãe Agripina, a Jovem, filha de Germânico e neta de César Augusto. Ascendeu ao trono após a morte do seu tio Cláudio, que o nomeara o seu sucessor. Durante o seu governo, focou-se principalmente na diplomacia e no comércio, e tentou aumentar o capital cultural do império. Ordenou a construção de diversos teatros e promoveu os jogos e provas atléticas. Diplomática e militarmente, o seu reinado caracterizou-se pelo sucesso contra o Império Parta, a repressão da revolta dos britânicos (60–61) e uma melhora das relações com Grécia. Em 68 ocorreu um golpe de estado de vários governadores, após o qual, aparentemente, foi forçado a suicidar-se. O reinado de Nero é associado habitualmente à tirania e à extravagância. É recordado por uma série de execuções sistemáticas, incluindo a da sua própria mãe e o seu meio-irmão Britânico, e sobretudo pela crença generalizada de que, enquanto Roma ardia, ele estaria compondo com a sua lira, além de ser um implacável perseguidor dos cristãos. Estas opiniões são baseadas primariamente nos escritos dos historiadores Tácito, Suetônio e Dião Cássio. Poucas das fontes antigas que sobreviveram o descrevem dum modo favorável, embora haja algumas que relatam a sua enorme popularidade entre o povo romano, sobretudo no Oriente. A fiabilidade das fontes que relatam os tirânicos atos de Nero é atualmente controversa. Separar a realidade da ficção, em relação às fontes antigas, pode resultar impossível.

Juventude

Família

Busto do jovem Nero
Nero nasceu a 15 de Dezembro de 37 com o nome de Lúcio Domício Enobarbo em Antium (atual Anzio), perto de Roma. Era o único filho de Cneu Domício Enobarbo e Agripinila, irmã do imperador Calígula. O seu pai era neto de Cneu Domício Enobarbo e Emília Lépida através do seu filho Lúcio Domício Enobarbo. Cneu era neto de Marco Antônio e Octávia a Menor através da sua filha Antônia a Maior. Por Octávia era portanto sobrinho de Augusto. O pai servira como pretor e como membro da guarda pessoal de Calígula durante a viagem do futuro imperador para Oriente. Segundo Suetônio, o pai de Nero era um assassino e o imperador Tibério acusou-o de traição, adultério e incesto. Somente a morte do próprio Tibério fez com que se livrasse daquelas acusações. Cneu faleceu de um edema em, quando Nero contava apenas dois anos de idade. A sua mãe, Agripinila (também conhecida como Agripina Minor), era bisneta de Augusto e da sua esposa Escribônia através da sua filha Júlia Augusta e do seu marido Marco Vipsânio Agripa. O pai de Agripinila, Germânico, era neto da esposa de Augusto, Lívia Drusa por um lado e de Marco Antônio e Octávia por outro. Germânico era ademais filho adotivo de Tibério. Uma série de antigos historiadores acusam a mãe de Nero de assassinar o seu próprio marido, o imperador Cláudio.

Ascensão ao poder

Moeda com a efígie de Nero.
As possibilidades de que Nero ascendesse ao trono eram muito escassas, pois o seu tio materno, Calígula, começou o seu reinado com a idade de 24 anos, tempo mais que suficiente para ter e nomear os seus próprios herdeiros. Além disso, a sua mãe perdeu o favor de Calígula e após a morte do seu esposo em 39 esteve no exílio. Calígula administrou a herança de Nero e enviou-a à sua tia Domícia Lépida. Antes que Calígula começasse sequer os preparativos para a sua sucessão, foi assassinado junto com sua esposa Milônia Cesônia e a sua filha Júlia Drusilla em 41. O assassinato de Calígula elevou ao trono o tio do finado imperador, Cláudio quem, uma vez no poder, permitiu Agripinila regressar do desterro. Cláudio estivera casado em duas ocasiões antes de contrair matrimônio com Messalina. Fruto deste matrimônio nasceram Cláudio Druso (morto durante a adolescência) e uma filha. Com Messalina teve dois filhos, Cláudia Octávia e Britânico. Cláudio, no entanto, teve de assassinar Messalina após o complô que esta urdiu para derrocá-lo. Em 49, Cláudio casou-se por quarta vez com Agripinila. Para apoiar-se politicamente num herdeiro, Cláudio adotou Nero em 50, passando este a chamar-se Cláudio Nero César Druso. Ao ser mais velho que o seu meio-irmão Britânico, Nero tornou-se herdeiro do trono. Nero foi proclamado adulto com a idade de 14 anos. Foi nomeado procônsul e entrou pela primeira vez no senado, além de dissertar frente à Câmara. Realizou as suas primeiras aparições públicas junto a Cláudio, e apareceu nas moedas emitidas durante o governo do seu tio como o seu sucessor. Casou-se com a sua meia-irmã Cláudia Octávia.

Imperador

Primeira etapa

Moeda com Nero e Agripinila.
Quando Cláudio faleceu em 54, Nero ascendeu ao trono como o seu imediato sucessor. Embora existam discrepâncias entre os antigos relatos sobre a morte de Cláudio, muitos destes apontam para Agripina como a assassina, alegando que a mãe de Nero o envenenara. Contudo, não existem provas contundentes de tal acusação. Nero tornou-se imperador aos 16 anos de idade, sendo portanto muito jovem ainda. Segundo diversas fontes antigas, foi fortemente influenciado pela sua mãe durante a primeira etapa do seu reinado, pelo seu tutor Sêneca e pelo Prefeito do pretório, Sexto Afrânio Burro. Os primeiros anos do seu reinado são conhecidos como exemplo de boa administração nos quais os assuntos do Império foram tratados de maneira efetiva e o Senado gozou de influência e poder nos assuntos do Estado. Contudo, rapidamente surgiram problemas devido à competição entre a influência da sua mãe e a dos seus assessores, Sêneca e Burro. Em 54, Agripinila tratou de se sentar junto ao seu filho enquanto este parlamentava com um delegado armênio, mas Sêneca deteve-a para evitar uma cena escandalosa. O círculo de amigos de Nero começou a pôr o imperador contra a sua mãe e advertiram-no sobre a sua "conduta suspeita". Nero, enquanto isso, insatisfeito com o seu matrimônio com Octávia, iniciou um romance com Cláudia Acte, uma liberta. Quando Agripinila teve notícias da infidelidade do seu filho, tratou de intervir em favor de Octávia e exigiu-lhe que despedisse Acte. Nero, apoiado por Sêneca, resistiu a que a sua mãe interviesse na sua vida privada. Quando Britânico, filho do finado imperador Cláudio chegou à idade de 14 anos, Nero considerou-o como uma ameaça para o seu poder. Segundo Tácito, Agripinila aguardava que, com o seu apoio, Britânico se tornasse herdeiro ao trono acima de Nero. Contudo, o jovem faleceu repentina e suspeitosamente a 12 de Fevereiro de 55, o dia anterior à sua proclamação como adulto. Segundo Nero, Britânico faleceu de um ataque epiléptico, mas todos os historiadores antigos acusam Nero de envenená-lo com o vinho. Após a morte de Britânico, Octávia e Nero expulsaram Agripinila da residência imperial.

Matricídio e consolidação de poder

Nero e Popeia Sabina.
Com o tempo, Nero foi-se tornando cada vez mais poderoso, liberando-se dos seus assessores e eliminando os seus rivais ao trono. Em 55, depôs Marco Antônio Palas, um aliado de Agripinila do seu posto no Tesouro. Palas, junto a Afrânio Burro foi acusado de conspirar para o derrubar e colocar Fausto Cornélio Sula Felix no trono. Pela sua vez, Sêneca foi acusado de manter relações com Agripinila e de malversação de fundos. Contudo, todos eles foram absolvidos. A partir desse momento, Sêneca e Burro reduziram o seu papel político a tentar moderar o modelo de governo de Nero. Em 58, iniciou uma relação amorosa com Popeia Sabina, a esposa do seu amigo e futuro imperador, Marco Sálvio Otão. Aparentemente, não podia casar-se com Popeia enquanto a sua mãe estivesse viva, pois esta se oporia; assim ordenou o seu assassinato em 59, se bem que Nero não se casaria com Popeia até 62 e, segundo Suetônio, Nero e Popeia somente se casaram quando esta começou a pressioná-lo. Os historiadores modernos acreditam que o verdadeiro motivo para assassinar a sua mãe seria que esta conspirara contra ele visando colocar Caio Rubélio Plauto no trono. Em 62, Burro, um dos seus assessores mais importantes, faleceu e
Os Remorsos de Nero após matar sua mãe.
Sêneca, por sua vez, teve de enfrentar de novo acusações de malversação, o que o obrigou a retirar-se da vida pública. Nero divorciou-se de Octávia e desterrou-a, mas vendo os airados protestos que esta ação suscitara entre o povo romano, viu-se obrigado a chamá-la do exílio. Apesar desta aparente boa ação, Octávia foi executada pouco depois de regressar. As tensões entre o
senado e Nero começaram a partir de 62. Nero acusou Antístio, um pretor, de traição quando este falou mal dele numa festa. Posteriormente, Nero exilou Fabrício Veiento ao caluniar o Senado num escrito. Segundo Tácito, a conspiração de Caio Calpúrnio Pisão começou a forjar-se nesse mesmo ano. Com o objetivo de consolidar o seu poder, Nero executou uma série de rivais seus entre 62 e 63, incluindo Palas, Rubélio Plauto e Fausto Sula. A consolidação do seu poder incluía também usurpar progressivamente as prerrogativas do senado. Quando iniciou o seu reinado em 54, Nero prometera ao senado devolver-lhe os poderes que ostentava durante a época republicana. Em 65, os senadores queixaram-se de que Nero não cumprira a sua promessa, o que motivou a conspiração de Pisão.

Outros relacionamentos

Quando sua esposa Popeia Sabina morreu em 65, Nero entrou num profundo luto. Seu corpo não foi cremado, mas foi preenchido com especiarias, embalsamado e colocado no Mausoléu de Augusto. Foi-lhe dada um funeral de Estado, onde Nero fez-lhe o elogio fúnebre e deu-lhe honras divinas. Diz-se que Nero "queimou dez anos de produção de incenso árabe em seu funeral". No começo de 66, ele casou-se com Estatília Messalina. Ela já era casada quando tornou-se a concubina de Nero em 65, e seu esposo foi forçado a cometer suicídio em 66, para que Nero pudesse desposá-la. Ela foi um dos poucos cortesões de Nero que sobreviveram à queda de seu reino. Em 67, Nero ordenou que um jovem liberto, Sporus, fosse castrado e casou-se com ele. De acordo com Dião Cássio, Sporus tinha uma semelhança física muito grande com Sabina, e Nero o teria chamado pelo nome de sua esposa morta.

Guerra e paz com a Pártia

Império Parta.
Pouco depois da sua ascensão ao trono em 55, o reino vassalo de Armênia derrocou o seu príncipe Radamisto e substituiu-o pelo príncipe parto Tiridates I. Os romanos consideraram isto como uma invasão parta de território romano e temeram como agiria o então novo imperador frente da situação. Nero reagiu depressa enviando um exército à região sob as ordens de Cneu Domício Corbulo. Os partos fugiram e cederam temporalmente o controlo da Armênia a Roma. A paz não durou muito e a guerra em grande escala começou em 58. O rei parto Vologases Irecusou retirar o seu irmão Tiridates da Armênia, e iniciou uma invasão do território armênio; Corbulo respondeu satisfatoriamente rejeitando-os esse mesmo ano. Tiridates viu-se portanto obrigado a ceder de novo o controlo da Armênia a Roma. Nero foi aclamado em público quando as notícias desta vitória chegaram a Roma. O imperador colocou Tigranes VI, um nobre capadócio, no trono da Armênia e Corbulo, pela sua vez, foi designado governador da Síria como recompensa pela sua boa atuação no leste . Em 62, Tigranes invadiu a cidade parta de Adiabene. Uma vez mais, Roma e Pártia encontravam-se em guerra, situação que continuou até 63. Pártia, pela sua vez, alentou o estabelecimento de distúrbios por território sírio. Corbulo tratou de convencer Nero para que continuasse com a guerra, mas Nero optou por tentar chegar a um acordo de paz enquanto em Roma crescia o enrarecimento da plebe devido ao vulnerável fornecimento de grão e ao déficit orçamentário. O resultado das negociações foi que Tiritades se proclamasse Rei da Armênia, sendo coroado em Roma pelo próprio Nero. No futuro, portanto, o rei da Armênia devia ser um príncipe parto, mas devia ser nomeado pelo imperador romano. Tiritades viu-se assim obrigado a viajar para Roma para ser coroado por Nero e o povo, pela sua vez, mostrou-se contente pelas vidas que se salvaram graças a este acordo de paz. O tratado foi uma grande vitória política que propiciou que o imperador se tornasse uma personagem muito popular nas províncias orientais, bem como entre os partos. A paz entre Roma e Pártia manteve-se até 114, quando o imperador Trajano invadiu a Armênia.

Política administrativa

Durante o transcurso do seu reinado, tentou com frequência comprazer as
Busto de Nero
classes baixas, embora também fosse criticado pela sua obsessão por ser popular. Ao começo do seu mandato, em 54, prometeu ao senado mais autonomia, para o qual durante o seu primeiro ano no poder proibiu fazer referência a ele nos decretos públicos, o que foi bem acolhido entre os senadores. Durante esta época, era conhecido em Roma por esbanjar o dinheiro e por frequentar prostíbulos e tabernas. Em 55, começou a desempenhar um papel mais ativo como administrador. Foi
cônsul em quatro ocasiões entre 55 e 60. Durante esta etapa, os historiadores falam bastante bem da sua administração, em contraste com os posteriores relatos. Nero pôs restrições ao preço das fianças e as multas e limitou os honorários dos advogados. Houve um debate no senado acerca de se os antigos donos dos libertos tinham direito a lhes revogarem a liberdade se estes mostrarem uma má conduta frente de eles na que Nero apoiou os libertos e, quando o senado tratou de aprovar uma lei referente à sua liberdade, Nero vetou-a. As suas ações eram encaminhadas a melhorar a situação econômica dos pobres. Quando estes clamaram que eram endividados demais, Nero tratou de derrogar todos os impostos indiretos. Contudo, o Senado convenceu-o de que esta medida seria extrema demais e, como solução intermédia, Nero estipulou que os impostos fossem reduzidos de 4,5% a 2,5%. Além disso, os registros tributários passaram a ser do domínio público e, com o objetivo de reduzir o custo dos alimentos, estabeleceu que os barcos mercantes ficassem isentos de pagar impostos. Como amante das artes e do prazer, construiu uma série de ginásios e teatros nos quais eram celebradas atuações ao estilo grego. Também se celebraram muitos combates de gladiadores. O imperador estabeleceu os Quinquenales Neronia, uns esplêndidos jogos nos quais se celebravam como novidade interpretações de poesia e teatro. Contudo, o teatro não era bem visto em Roma, pois era considerado imoral e característico das classes baixas e começou-se ademais a questionar a carga que suporia para o erário público a celebração destes jogos. Em 63, chegaram as primeiras crises econômicas. A guerra contra Pártia e a dificuldade do transporte de grão ameaçaram com aumentar o preço do mesmo. Para fazer face às dificuldades econômicas, Nero fez uma doação ao tesouro e destinou uma parte do mesmo para pagar o grão. Posteriormente decidiu assinar a paz com os seus inimigos partos. Em 64, um novo desastre assolou o Império quando a própria cidade de Roma se viu envolvida em chamas. Após o devastador incêndio, Nero destinou todo o dinheiro possível à reconstrução da cidade e para isso teve de incrementar fortemente os impostos aos ricos cidadãos das províncias. Durante o seu reinado, uma série de importantes projetos de construção foram efetuados. Para previr o paludismo, Nero recolheu os entulhos do incêndio. Além disso, também erigiu a Domus Aurea e tratou de escavar um canal navegável através do Istmo de Corinto. Todos estes e outros projetos esvaziaram praticamente o Tesouro.

Rebeliões

Em comparação com os seus sucessores, Roma ficara relativamente pacífica sob
Busto de Nero, Museu Pushkin
o reinado de Nero. A guerra contra a
Pártia foi a única grande guerra acontecida, e ao seu término foi elogiada como vitória tanto política como militar. Contudo, e assim como muitos imperadores, Nero teve de enfrentar uma série de rebeliões internas e lutas pelo poder durante o seu reinado. Nero foi um dos poucos imperadores que pôde dispor o fechamento das portas do Templo de Jano. Jano era o deus do princípio e do final, e tinha um templo no Fórum Romano, ao qual era devido fechar as portas em época de paz. Mas como os exércitos romanos sempre se encontravam combatendo em alguma afastada província, as portas do templo permaneciam abertas. Apenas três imperadores romanos puderam manter as portas do templo fechadas por um tempo: Augusto, Vespasiano e Nero.

Rebelião britânica

Em 60, enquanto o governador da província da Britânia, Caio Suetônio Paulino estava ocupado tomando a ilha de Mona, as tribos do sudeste, encabeçadas por Boadiceia rebelaram-se contra Roma. Boudica e as suas tropas destruíram três cidades antes que o exército de Suetônio Paulino pudesse regressar e sufocar a rebelião na Batalha de Watling Street acontecida em 61. Temendo que Suetônio Paulínuo incitasse ainda mais à revolta, Nero substituiu o vitorioso governador pelo mais conciliador Públio Petrônio Turpiliano.

Conspiração de Pisão

Em 65, Caio Calpúrnio Pisão, um senador romano, organizou uma conspiração para derrocar Nero com a ajuda de Súbrio Flávio, um tribuno pretoriano e Sulpício Ásper, um centurião. Segundo Tácito, a intenção dos conspiradores era "libertar o Estado" do tirânico governo de Nero e restaurar a República. O liberto Milico descobriu o complô e informou o secretário do imperador, Epafrodito. Como consequência disto, a conspiração fracassou e os seus componentes foram executados, incluindo Marco Aneu Lucano, poeta e amigo do imperador, além de sobrinho de Sêneca. Sêneca suicidou-se após reconhecer falar do complô com os conspiradores.

Revolta judaica

Em 66 estourou uma revolta na Judéia derivada da crescente tensão religiosa entre gregos e judeus. Em 67, Nero enviou Vespasiano a sufocar a rebelião, coisa que fez satisfatoriamente em 70, dois anos depois da morte do próprio Nero. Durante o conflito, os romanos destruíram a cidade de Jerusalém e destroçaram o seu Templo.

A rebelião de Víndice

No fim de 67 ou princípios de 68, Caio Júlio Víndice, governador da Gallia Lugdunensis, rebelou-se contra a política fiscal de Nero. O imperador enviou Lúcio Vergínio Rufo, governador de Germânia Superior a sufocar a revolta. Víndice, com o objetivo de solicitar aliados, solicitou apoio a Galba, governador da Hispânia Tarraconense mas Vergínio Rufo terminou derrotando Víndice e este suicidou-se. Galba pela sua vez fora declarado inimigo público.

A ascensão de Galba

Busto de Galba
Nero recuperara o controle militar do Império, questão que foi utilizada na sua contra pelos seus inimigos em Roma. Em Junho de 68, o senado votou que Galba fosse proclamado imperador e declarou inimigo público a Nero. A guarda pretorianafora subornada e o seu prefeito Ninfídio Sabino, visava tornar-se imperador pelo qual capturou Nero e obrigou-o a suicidar-se. A morte de Nero sem deixar herdeiros, em vez de trazer estabilidade ao Império, desencadeou um ciclo de guerras civis conhecido como o ano dos quatro imperadores. Os sucessores de Nero combateram entre si pelo poder e foram sucedendo-se até Vespasiano ser proclamado imperador, começando a que seria a dinastia Flávia.

O grande incêndio de Roma

Durante a noite de 31 de Julho de 64, ocorreu em Roma um incêndio que
Nero canta enquanto Roma queima.
devastou a cidade. O fogo começou a sudeste do
Circo Máximo, onde se localizavam uns postos que vendiam produtos inflamáveis. Segundo Tácito, o fogo estendeu-se depressa e durou cinco dias. Foram destruídos por completo quatro dos quatorze distritos da cidade e outros sete ficaram muito danificados. O único historiador que viveu durante essa época e que descreveu o incêndio foi Plínio o Velho, enquanto os demais historiadores da época Flávio Josefo, Dião Crisóstomo, Plutarco e Epiteto, não mencionem o acontecimento nas suas obras. Não está claro qual foi a causa do incêndio, quer um acidente, quer premeditado. Suetônio e Dião Cássio defendem a teoria de que foi o próprio Nero que o causou com o objetivo de reconstruir a cidade ao seu gosto. Tácito menciona que os cristãos foram declarados culpáveis do delito, embora não se saiba se esta confissão teria sido induzida sob tortura. Contudo, os incêndios acidentais foram comuns na Roma Antiga. Sob os reinados de Vitélio (69) e de Tito Flávio Sabino Vespasiano (80), estouraram outros dois mais. Segundo Suetônio e Dião Cássio, enquanto Roma ardia, Nero estava cantando o Iliupersis. Contudo, segundo Tácito, Nero estava em Anzio durante o incêndio e, ao ter notícias do mesmo, viajou depressa para Roma para se encarregar do desastre, utilizando o seu próprio tesouro para entregar ajuda
O antigo Fórum Romano.
material. Após a catástrofe, abriu as portas do seu palácio às pessoas que perderam o seu lar e abriu um fundo para pagar alimentos que seriam entregues entre os sobreviventes. A partir do incêndio, Nero desenvolveu um novo plano urbanístico dentro do qual projetou a construção de um novo palácio, conhecido como a
Domus Aurea, em uns terrenos que o fogo despejara. Para conseguir os fundos necessários para a construção do suntuoso complexo, Nero aumentou os impostos das províncias imperiais. Tácito relata que, depois do incêndio, a população buscou um bode expiatório e começaram a circular rumores de que Nero era o responsável. Para afastar as culpas, Nero acusou os cristãos e ordenou que alguns fossem jogados aos cães, enquanto outros fossem queimados vivos e crucificados. Tácito descreve-o assim: “Contudo, nem por indústria humana, nem por larguezas do imperador, nem por sacrifícios aos deuses, foi conseguido afastar a má fama de que o incêndio tinha sido mandado. Assim pois, com o fim de extirpar o rumor, Nero inventou uns culpáveis, e executou com refinadíssimos tormentos os que, aborrecidos pelas suas infâmias, chamava o vulgo cristãos. O autor deste nome, Cristo, foi mandado executar com o último suplício pelo procurador Pôncio Pilatos durante o Império de Tibério e, reprimida a perniciosa superstição, irrompeu de novo não somente por Judeia, origem deste mal, senão pela urbe própria, aonde conflui e se celebra quanto de atroz e vergonhoso houver por onde quer. Assim, começou-se por deter os que confessavam a sua fé; depois pelas indicações que estes deram, toda uma ingente multidão (multitudo ingens) ficaram convictos, não tanto do crime de incêndio, quanto de ódio ao gênero humano. A sua execução foi acompanhada por escárnios, e assim uns, cobertos de peles de animais, eram rasgados pelos dentes dos cães; outros, cravados em cruzes eram queimados ao cair o dia como se fossem luminárias noturnas. Para este espetáculo, Nero cedera os seus próprios jardins e celebrou uns jogos no circo, misturado em vestimenta de auriga entre a plebe ou guiando ele próprio o seu carro. Daí que, ainda castigando os culpáveis e merecedores dos últimos suplícios, tinham-lhes lástima, pois acreditavam que o castigo não era por utilidade pública, mas para satisfazer a crueldade dele próprio”.

Nero e o incêndio de Roma

Existem várias versões sobre a causa do incêndio. A versão mais contada é a de que os moradores que habitavam as construções de madeira, usavam do fogo para se aquecer e se alimentar. E por algum acidente, o fogo se alastrou. Para piorar a situação, ventos fortes arrastavam o fogo pela cidade. Outra versão famosa, porém desmentida pelos historiadores, é de que o imperador Nero teria ordenado o incêndio com o propósito de reconstruir a cidade de acordo com um projeto arquitetônico que a tornaria ainda mais majestosos. Há ainda a versão (também insustentável), concebida por romancistas cristãos pósteros que, atribuindo ao imperador a condição de demente, pretende que ele provocou o incêndio para inspirar-se, poeticamente, e poder produzir um poema, como Homero ao descrever o incêndio de Tróia. Segundo algumas fontes, enquanto o fogo consumia a cidade, Nero contemplava o cenário, tocando com sua lira. Esta cena é retratada no romance "Quo Vadis". Na verdade, no momento do incêndio, Nero estava em outra cidade e, ao saber do ocorrido, retornou a Roma, esforçando-se para socorrer os desabrigados, inclusive mandando abrir os jardins de seu palácio para acolhê-los. Todavia, o fato de, posteriormente, ter usado seus agentes para adquirir, a preço vil, terrenos nas imediações de seu palácio, com a provável intenção de ampliá-lo, tornou-o suspeito, junto ao povo, de ter responsabilidade no sinistro. Para Massimo Fini, Nero teria sido caluniado, por historiadores romanos e cristãos, nesse episódio do grande incêndio de Roma.

Os cristãos e o incêndio de Roma

Não se sabe exatamente o momento e as razões que levaram os cristãos a serem acusados de responsáveis pelo incêndio. Historiadores cristãos e também romanos (como Tácito e Suetônio, cujas obras denotam acentuada antipatia pelo imperador) sustentam que se tratou de uma manobra de Nero, para desviar as suspeitas de sua pessoa. Uma vez que a tese de "incêndio criminoso" se disseminara, era necessário encontrar os culpados, e os cristãos podem ter-se tornado "bodes expiatórios" ideais, pelo fato de serem mal vistos em Roma. De fato, Suetônio relata que as crenças cristãs eram tidas, na época, como "superstição nova e maléfica" enquanto Tácito, embora acusando Nero de ter injustamente culpado os Cristãos, declara-se convencido de que eles mereciam as mais severas punições porque cometiam "infâmias" e eram "inimigos do gênero humano". É até possível que alguns cristãos fanáticos, imbuídos de conceitos apocalípticos, tenham proclamado, publicamente, que o incêndio era um castigo divino pelos "pecados" dos romanos, e que prenunciava o novo advento do Cristo, o que teria tornado todos os cristãos suspeitos de implicação naquela calamidade. Hoje a Igreja Católica celebra a memória desses "Santos Protomártires" todos anos no dia 30 de Junho. E entre os mais ilustres estavam São Pedro que foi crucificado no circo de Nero, atual Basílica de São Pedro, e São Paulo que foi decapitado junto da estrada de Roma para Óstia.

Aparições públicas

Nero e a Ara Pacis.
Nero era aficionado à condução de carros, à arpa e à poesia. O imperador compôs canções que se interpretaram por todo o Império, embora a princípio só as tocasse em audiências privadas. Em 64, Nero começou a cantar em público na cidade de Nápoles, visando aumentar a sua popularidade. Cantou também no Quinquenal Neronia em 65. Alguns historiadores relatam que foram o Senado, o seu círculo de amigos e o povo os que animaram Nero a cantar em público. Contudo, os historiadores antigos criticam as ações do imperador considerando-o denegrecente para alguém da sua posição. Nero participou nos Jogos Olímpicos de 67, a fim de melhorar as relações com Grécia e de mostrar o domínio romano ao povo helênico e ao urbe em geral. Como competidor, Nero conduziu um carro de dez cavalos e quase faleceu ao sofrer uma queda. Também participou como ator e cantante e, apesar de não ser o melhor dos participantes, ganhou todas as coroas de erva e as trouxe a Roma onde as expôs num desfile. As vitórias de Nero são atribuídas sem dúvida à sua condição de imperador e ao suborno dos juízes.

Morte

No fim de 67 ou princípios de 68, Caio Júlio Víndice, governador da Gállia Lugdunensis, rebelou-se contra a política fiscal de Nero. O imperador enviou Lúcio Vergínio Rufo, governador da Germânia Superior, a sufocar a revolta e
Busto de Nero - Oslo
Víndex, com o objetivo de solicitar aliados, pediu apoio a
Galba, governador da Hispânia Tarraconense. Vergínio Rufo, porém, derrotou Víndice e este suicidou-se, enquanto Galba, pela sua vez, acabou sendo declarado inimigo público. Nero recuperara o controle militar do império, mas isto foi utilizado na sua contra pelos seus inimigos em Roma. Em Junho de 68, o senado votou que Galba fosse proclamado como imperador e declarou Nero inimigo público. utilizando para isso a Guarda Pretoriana, que fora subornada, e ao seu prefeito Ninfídio Sabino, que ambicionava tornar-se imperador. Segundo Suetônio, Nero fugiu de Roma através da Via Salária. Contudo, apesar de ter fugido, Nero preparou-se para se suicidar com ajuda do seu secretário Epafrodito, que o apunhalou quando um soldado romano se aproximava. Segundo Dião Cássio, as últimas palavras de Nero demonstraram o seu amor pelas artes. Que artista falece comigo!. Com a sua morte desapareceu a dinastia júlio-claudiana e o império submergiu-se numa série de guerras civis conhecidas como o ano dos quatro imperadores.

Após a morte

Galba, sucessor de Nero.
Segundo Suetônio e Dião Cássio, o povo de Roma celebrou a morte de Nero. Tácito, porém, fala nos seus escritos de um panorama político muito mais complicado, segundo o qual a morte de Nero foi bem recebida entre os senadores, a nobreza e a classe alta mas que, pelo contrário, a classe baixa, os escravos e os assíduos do teatro, que foram os beneficiários dos excessos do imperador, receberam a notícia com pesar. O exército, enquanto isso, estava na encruzilhada entre o dever obediência a Nero como o seu imperador e os subornos oferecidos para o derrocar. Filóstrato e Apolônio de Tiana mencionam a morte de Nero como um duro golpe para o povo em geral, que a chorou com amargura devido a que "restabeleceu e respeitou as liberdades com uma sabedoria e moderação das quais o seu caráter carecia". Os historiadores modernos defendem a teoria de que, enquanto o senado e a classe alta receberam com regozijo a notícia, o povo "foi fiel até o final". Assim, tanto Otão quanto Vitélio apelaram para a sua nostalgia a fim de consolidar a sua posição no poder. O nome de Nero foi eliminado de alguns monumentos. Muitos relatos de Nero foram reelaborados para representar outras figuras, das quais, segundo Eric R. Varner sobreviveram cinqüenta. O câmbio destas imagens é interpretado como um Damnatio memoriae a Domiciano, portanto poderia-se explicar o que ocorreu com Nero como uma aplicação deste édito a menor escala. Champlin duvida que esta prática fosse necessariamente negativa, pois muitos artistas continuaram pintando retratos de Nero muito depois da sua morte. Todos os historiadores antigos descrevem a guerra civil derivada da morte de Nero, conhecida como o Ano dos quatro imperadores como um instável e turbulento período. Segundo Tácito, esta instabilidade era baseada na percepção de que já não se podia confíar na legitimidade dinástica imperial. Galba iniciou o seu curto reinado com a execução de vários dos antigos aliados de Nero e, portanto, possíveis inimigos potenciais. Um dos mais importantes foi Ninfídio Sabino, suposto filho do imperador Calígula. Quando Otão derrocou Galba, solicitou o apoio de grande parte do exército devido ao seu parecido com o finado imperador. Aparentemente o povo dirigia-se a Otão como o fazia com o próprio Nero e até o próprio Otão utilizou Nerocomo o seu sobrenome e voltou a erigir muitas das estátuas do imperador. Quando Vitélio venceu Otão e usurpou o poder, começou o seu reinado com um grande funeral na sua honra, no qual foram interpretadas canções escritas pelo próprio Nero. Após o suicídio de Nero em 68, nas províncias orientais foi estabelecida a crença de que, na realidade, não estava morto e que em qualquer momento poderia voltar. Esta crença estendeu-se ata tornar-se autêntica lenda popular. Ao menos três impostores surgiram após a morte de Nero: O primeiro surgiu em 69, durante o reinado de Vitélio e parecia-se fisicamente, cantava e tocava a lira. Após a captação de vários acólitos foi capturado e executado. Durante o reinado de Tito Flávio Sabino Vespasiano (79 - 81) surgiu outro impostor que foi também executado. Vinte anos depois do suicídio de Nero surgiu, durante o cruel reinado de Domiciano, outro usurpador. Este terceiro pretendente foi apoiado pelos partos e o assunto tornou-se tão tenso que quase estouraram as hostilidades entre as duas nações. A lenda de Nero sobreviveu durante muitos anos, tanto que Agostinho de Hipona a nomeia como uma importante crença popular (422).

Historiografia

Plínio o Velho
A veracidade das histórias sobreviventes sobre o reinado de Nero é duvidosa, pois não sobreviveram fontes bibliográficas contemporâneas ao imperador. As primeiras histórias existentes mostram-se críticas demais ou são uma série de louvores. Além disso, a credibilidade dos relatos fica também embaraçada pela presença de acontecimentos fantásticos e inverossímeis, sendo muitas as contradições que podemos encontrar entre os diferentes autores. Porém, estas fontes perdidas serviram de base para próximas gerações de historiadores. Alguns historiadores conhecidos, como Fábio Rústico, Clúvio Rufo e Plínio o Velho, escreveram condenando o reinado de Nero em relatos que se perderam. Também foram escritas histórias sobre ele, de datas anteriores à sua ascensão ao trono, embora se desconheça o seu conteúdo. A maior parte do conhecido sobre Nero foi escrito por Tácito, Suetônio e Dião Cássio, todos da classe senatorial ou aristocrática. Tácito e Suetônio escreveram as suas obras mais de cinquenta anos depois da sua morte, enquanto Dião Cássio o fez 150 anos depois. Estes historiadores contradizem-se numa série de eventos da vida do imperador, como a morte de Cláudio, a morte de Agripinila e o Grande Incêndio de Roma de 64, embora emitam uma condenação comum ao imperador. Por outro lado, fontes diferentes às citadas acrescentam uma visão limitada e variada sobre o imperador, embora poucas sejam favoráveis. Alguns de eles, porém, retratam-no como um imperador competente e popular entre o povo romano, especialmente no Oriente. Com a chegada ao poder do imperador Constantino I no século IV e o seu édito de Milão, a influência cristã cresceu em Roma, o que finalmente contribuiu para reforçar a visão negativa de Nero como perseguidor dos cristãos.

Dião Cássio

Dião Cássio (155 - 229) foi filho de Cássio Aproniano, senador romano. Passou a maior parte da sua vida sob o serviço público. Foi senador durante o reinado de Cômodo e governador de Esmirna após a morte de Septímio Severo. Serviu como cônsul suffecto e como governador proconsular da África e Panônia. Os Livros LJI-LJIII da sua obra, a História Romana, descrevem o reinado de Nero. Apenas sobreviveram uns poucos fragmentos destes livros, e os que sobreviveram foram abreviados e alterados por João Xifilino, um monge bizantino do século XI.

Dião Crisóstomo

Dião Crisóstomo (40 - 120), historiador e filósofo grego, relata na sua obra que o povo romano era feliz com o governo de Nero, e que consideravam que teria de reinar indefinidamente. A plebe ansiou a sua volta quando faleceu e perseguiu os impostores do imperador que buscavam usurpar o trono.

Epiteto

Epiteto (55 - 135) foi o escravo do escrivão de Nero, Epafrodito. Realiza um par de comentários negativos sobre o caráter de Nero na sua obra, embora não analise o seu governo. Descreve Nero como um mimado, um iracundo e um infeliz.

Flávio Josefo

Flávio Josefo
O historiador Flávio Josefo (37 - 100), apesar de descrever Nero como um tirano, também recolhe a existência de parcialidade nos relatos sobre o imperador. Josefo indica, sobre outros historiadores: “Omitirei uma série de discursos que relataram a vida Nero; alguns deles devido a que, pelos seus favores pessoais, tergiversaram a verdade ao seu favor, e os de outros que, por vingança e por ódio, mentiram”.

Marco Aneu Lucano

Embora mais poeta do que historiador, Lucano (39 - 65) é um dos historiadores cujos relatos se mostram mais favoráveis com Nero. Descreve a paz e a prosperidade que experimentou o Império sob o reinado de Nero, em contraste com as anteriores guerras e conflitos. Ironicamente, Lucano (também sobrinho de Sêneca, o antigo preceptor de Nero) participou na conspiração de Pisão e foi consequentemente executado.

Filóstrato o Velho

Filóstrato o Ateniense (172 - 250) fala da vida de Nero em Apolônio de Tiana (Livros IV-V). Ainda que em geral fale mal de Nero, reconhece a sua popularidade no leste .

Plínio, o Velho

A história de Nero por Plínio, o Velho (24 - 79) não sobreviveu. Contudo, existem várias referências na sua grande obra Naturalis Historiæ, na que descreve o imperador como "inimigo da humanidade". Plínio é, portanto, um dos historiadores que pior opinião dá sobre Nero.

Plínio, o Jovem

Plínio, o Jovem (62 - 113), assim como o seu tio Plínio o Velho, tem uma visão totalmente negativa de Nero: “Viu alguém mais abjeto e covarde que Marco Régulo depois da morte de Domiciano, em cujo reinado cometera infâmias não menores que as realizadas sob Nero, embora menos conhecidas?”

Plutarco

O historiador Plutarco (46 - 127) menciona indiretamente a Nero nos seus relatos sobre as vidas de Galba e Otão. Embora o descreva como um tirano, não tem uma opinião muito mais favorável dos seus sucessores.

Sêneca, o Jovem

Não é de estranhar que Sêneca, o Jovem (4 - 65), na sua condição de tutor e assessor do imperador, descreva Nero como um bom imperador.

Suetônio

Suetônio (69 - 130) foi um historiador romano e membro do ordo equester, desempenhou os cargos de superintendente das bibliotecas públicas e responsável pelos arquivos. Quando foi despedido em 121 por Adriano, começou a escrever biografias de imperadores, recreando-se nos aspectos anedóticos e sensacionalistas. As partes da sua biografia sobre Nero que sobreviveram são abertamente hostis, e embora o governo de Nero possa racionalizar tal hostilidade, alguns historiadores modernos questionam a exatidão da sua obra. Por exemplo, a seguinte citação, que se tomou tradicionalmente como um sinal da loucura do imperador, poderia ser simplesmente propaganda. “Castrou o jovem Esporo e tratou de fazer dele uma mulher, de fato casou-se com ele com todas as cerimônias habituais, incluindo um dote e um véu nupcial, levou-o para a sua casa e tratou-o como a sua esposa. Esporo arranjava-se como as melhores imperatrizes, passeava pela cidade em liteira e beijava Nero em público”. O povo romano chegou a dizer certa vez, que teriam melhor sorte se a esposa de Domício Ahenobarbo fosse assim.

Tácito

Os Annales de Públio Cornélio Tácito (56 - 117) oferecem-nos o relato mais abrangente e detalhado do governo de Nero, apesar de estar incompleto após 66 d.C., Tácito mostra-se crítico com Nero, porque, ao contrário do restante dos historiadores, não se fundamenta em rumores sensacionalistas ou pura propaganda. O historiador descreve o governo da dinastia júlio-claudiana como medíocre em geral. Apesar de tudo, considera que os escritos sobre o imperador são subjetivos. “As biografias de Augusto, Tibério, Calígula e Nero foram falsificadas por meio do terror durante o seu reinado, e após a sua morte, foram escritas sob o ressentimento da tirania”.

Cronologia de Nero

  • 15 de Dezembro de 37 d.C. - Nascimento de Nero em Anzio.
  • 49 d.C. - Agripina a mãe de Nero, casa-se com o seu tio, o imperador Cláudio.
  • 53 d.C. - Nero casa-se com a filha de Cláudio, Cláudia Octávia, sendo nomeado como sucessor junto com Britânico.
  • 13 de Outubro de 54 d.C. - Morte de Cláudio, possivelmente envenenado por Agripina Minor.
  • 13 de Outubro de 54 d.C. - Nero é nomeado Imperador.
  • (ano de 55 d.C.) - Britânico, o filho de Cláudio, é assassinado por Nero.
  • (ano de 59 d.C.) - Nero manda assassinar a sua mãe Agripina a Menor.
  • 9 de Junho de 62d.C. - Nero manda assassinar a sua prima e primeira esposa Cláudia Octávia, casando-se pouco depois com Popeia Sabina
  • 64 d.C. - Grande incêndio de Roma.
  • 65 d.C. - Nero, em estado de embriaguez, dá um pontapé em Popeia Sabina, que estava grávida, falecendo por esta causa.
  • 66 d.C - Nero casa-se com Estatília Messalina, após ordenar a morte de seu marido Marcus Julius Vestinus Atticus.
  • 66 d.C. - Ordenou a persecução dos cristãos (acusados de responsáveis pelo incêndio).
  • 66 d.C. - Primeira guerra judaico-romana.
  • 9 de Junho de 68 d.C. - Nero suicida-se.
     

Bibliografia

Fontes secundárias

  • Champlin, Edward. Nero (em inglês). [S.l.]: Harvard University Press, 2005.346 p. ISBN 9780674018228
  • Fenandeza Uriel, Pilar e Palop, Luis, Nero: A imagem deformada, (2000), Aldebarão Ediciones, Madrid, ISBN 978-84-95414-01-4.
  • Kleiner, Fred S., The Arch of Nero in Rome: a study of the Roman honorary arch before and under Nero , (1985), Giorgio Bretschneider, Rome.
  • Griffin, Miriam T. Nero: The End of a Dynasty . New Heavem, CT; Londom: Yale University Press, 1985 (hardcover, ISBN 0-300-03285-4); Londom; New York: Routledge, 1987, ISBN 0-7134-4465-7.
  • Warmington, Briam Herbert. Nero: Reality and Legend (Ancient Culture and Society) , Londom, Chatto & Windus, 1969 (hardcover, ISBN 0-7011-1438-X); New York: W.W Norton & Company, 1970 (paperback, ISBN 0-393-00542-9); New York: Vintage, 1981 (paperback, ISBN 0-7011-1454-1).
     

Narrativa histórica

  • Cláudio O Deus de Robert Graves. Segunda parte da biografia do imperador Cláudio. Na obra contam-se espisódios da vida do novo futuro imperador.
  • Nero de Philip Vandenberg. Biografia muito completa do imperador Nero.
  • SPQR: O Senador de Roma de Mika Waltari (Editorial Edhasa, Barcelona, 2007, ISBN 978-84-350-0631-6). Trata da vida de um senador romano à época de Nero.
  • Quo Vadis de Henryk Sienkiewicz. O argumento desenvolve-se em pleno reinado de Nero.

Referências


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.