quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Biografia de Gerhard Henrik Armauer Hansen


Gerhard Hansen
Gerhard Henrik Armauer Hansen. (1841-1912), médico e botânico norueguês, descobridor do bacilo causador da hanseníase. Lepra ou hanseníase: infecção crônica, contagiosa, que produz lesões na pele, mucosas e nervos periféricos, e que se deve a uma micobactéria (Mycobacterium leprae) descrita, em 1871 por Hansen. Em entrevista a Vera Lúcia Rodrigues, para o jornal O Estado de São Paulo, disse o Dr. Abrahão Rotberg, professor docente de dermatologia da USP: “O que muita gente não sabe é que a hanseníase dificilmente é transmissível, com baixo grau de contágio. É tratável, principalmente nas fases iniciais, quando é possível impedir que o doente sofra mutilações e agravamento da doença, eliminando o risco da transmissão”. Segundo os especialistas, a moléstia só se transmite em casos de contactos íntimos e prolongados e se o indivíduo não possuir resistência. Rotberg diz que as pesquisas confirmam que de 80 a 85% da população brasileira possuem resistência natural ao bacilo de Hansen e mesmo quem permanecer junto ao doente a vida toda não se contamina. Para Rotberg, é necessária uma campanha de esclarecimento público sobre a doença, alertando para o controle e não para a repulsa. Muitos ainda se comportam, segundo o professor, como se a hanseníase fosse mal divino, apregoado pela Bíblia como castigo de Deus. “Na verdade – acrescenta – esse era o comportamento adotado na primeira fase de controle da doença. Hoje, no Brasil, já estamos na terceira fase e não se concebe mais esse tipo de mentalidade sob pena de, cada vez mais, vermos o
Hansen
mal espalhado e sem condições de controle. E a razão mais séria para acreditar que a doença não oferece grandes riscos de contaminação são os números: dos 37.500 doentes registrados em São Paulo, apenas 2.500 estão internados em hospitais, os outros 35.000 são tratados em ambulatórios”. Rotberg divide o controle da hanseníase no Brasil e no mundo em três fases: “A primeira foi o isolamento compulsório dos doentes, porque se pensava que isso resolveria o problema. Não resolveu e piorou, porque, mesmo com o aparecimento das sulfonas, os doentes continuaram evitando a medicação. Esse foi o pior erro da História da Medicina, porque impediu e ainda impede que o portador se apresente. A segunda fase está em andamento em praticamente todo o mundo. Os hansenianos são tratados em centros de saúde e nos ambulatórios das escolas médicas como qualquer doente. São medicados com sulfonas e os seus conviventes são examinados periodicamente. Essa fase também fracassou porque os portadores são receosos e continuam se escondendo”. A terceira fase começou no Brasil, em 1967, quando Rotberg era diretor do Departamento de Profilaxia da Lepra no Estado. Quando assumiu, mudou o nome para Departamento de Dermatologia Sanitária e proibiu-se o termo pejorativo usando-se apenas o nome de hanseníase. “Nessa época – argumenta – percebemos que o problema principal não era a moléstia em si, mas o sensacionalismo em torno dela e do problema social que trazia para o doente – um problema internacional. Essa fase, que se estende até hoje e em 1975 foi transformada em Plano Nacional de Combate à Hanseníase, pelo Ministério da Saúde, prevê a solução do aspecto psico-social através de uma terminologia científica e educativa, esclarecimento do público e desestigmatização geral, para manter a doença sob controle’.
Em 1847, Daniel Danielsen Cornélio (1815-1894) fez uma extensa descrição da hanseníase. Em 1868 Armauer Hansen utiliza este trabalho como base para seus estudos de hanseníase, que em 1874 levaram à descoberta do bacilo da hanseníase. Naquela época, ele estava certo que a lepra não foi realmente provocada por esse microrganismo. Não foi possível infectar animais de laboratório com a doença, ou cultivar as bactérias. Por esta razão ele implantou em outras pessoas, incluindo nos enfermeiros e pacientes, mas sem ter sucesso em dar origem a um processo patológico. Um dos pacientes interpôs uma ação contra Armauer Hansen sobre as razões destas experiências, e Armauer Hansen foi removido, por decisão do tribunal, a sua posição no leprosário, onde os experimentos tiveram sua origem. Ele reteve, no entanto, a sua posição como Chefe de Ofício Medico para a Hanseníase. Em uma tentativa de lançar luz sobre determinados aspectos da ocorrência da doença, Armauer Hansen fez uma viagem para os EUA, para examinar leprótica, imigrantes e de verificar se espalhar a doença tinha-as a partir de outras pessoas nos EUA. Detectou-se, contudo, ser extremamente difícil de detectar pacientes em seu novo país, e não podiam ser tiradas conclusões definitivas. Com o passar do tempo, Armauer Hansen ganhou reconhecimento internacional. Uma das ocasiões em que esta expressão foi encontrada,foi o Segundo Congresso Internacional de Lepra, em Bergen, em 1909. Nos jardins botânicos da Universidade de Bergen, um busto de Armauer Hansen, eriguido pelos cientistas de toda a Europa e divulgou em seu 60° aniversário, em 1901. A urna de Armauer Hansen foi colocada sob o busto.


Lepra (ou Hanseníase)

Um indivíduo do sexo masculino com
24 anos de idade que padecia de lepra.
Lepra, hanseníase, morfeia, mal de Hansen ou mal de Lázaro é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae (também conhecida como bacilo-de-hansen) que afeta os nervos e a pele e que provoca danos severos. O nome hanseníase é devido ao descobridor do microrganismo causador da doença Gerhard Hansen. O termo Hanseníase foi introduzido no Brasil pelo Professor Titular da Universidade Federal de São Paulo, Abrahão Rotberg. É chamada de "a doença mais antiga do mundo", afetando a humanidade há pelo menos 4000 anos e sendo os primeiros registros escritos conhecidos encontrados no Egito, datando de 1350 a.C. Ela é endêmica (específica de uma região) em certos países tropicais, em particular na Ásia. O Brasil inclui-se entre os países de média endemicidade de lepra no mundo. Isto significa que apresenta um coeficiente de prevalência médio superior a um caso por mil habitantes (dado desatualizado) (MS, 1989). Os doentes são chamados leprosos, apesar de que este termo tenda a desaparecer com a diminuição do número de casos e dada a conotação pejorativa a ele associada. A lepra é uma doença contagiosa, que passa de uma pessoa doente, que não esteja em tratamento, para outra. Demora de 2 a 5 anos, em geral, para aparecerem os primeiros sintomas. O portador de hanseníase apresenta sinais e sintomas dermatológicos e neurológicos que facilitam o diagnóstico. Pode atingir crianças, adultos e idosos de todas as classes sociais, desde que tenham um contato intenso e prolongado com bacilo. Pode causar incapacidade ou deformidades, quando não tratada ou tratada tardiamente, mas tem cura. O tratamento geralmente é fornecido por sistemas públicos de saúde (como o brasileiro Sistema Único de Saúde).

História
Hipócrates utilizou pela primeira vez a denominação léprêã quando descreveu manchas brancas na pele e nos cabelos. Entretanto, em nenhum momento informou sobre manifestações neuronais; provavelmente estivesse se referindo ao vitiligo. A denominação léprêã é utilizada na Bíblia hebraica como tsaraáth tendo o significado de desonra, vergonha, desgraça. No Egito Antigo, há referências a essa doença há mais de 3000 anos, em hieróglifos de 1350 a.C. A Bíblia contém passagens fazendo referência ao nome léprêã, mas este termo foi utilizado para designar diversas doenças dermatológicas de origem e gravidade variáveis. A antiga lei israelita obrigava os sacerdotes a saberem reconhecer a doença. As descrições mais precisas da lepra, porém, datam de 600 anos a.C. (Tratado Médico Indiano de Sushrata Samhita denomina-a kushta) onde ja eram descritos dois grupos principais: Vat Rakta, que apresentava manifestações predominantemente neurais; e Aurun Kushta onde eram observadas características virchowianas. A lepra foi durante muito tempo incurável e muito
O uso de sino era obrigatório para os leprosos na Idade Média. (Photo taken by Cnyborg).
mutiladora, forçando o isolamento dos pacientes em gafarias, leprosarias ou leprosários, principalmente na Europa na Idade Média, onde eram obrigados a carregar sinos para anunciar a sua presença. A doença deu, nessa altura, origem a medidas de segregação, algumas vezes hereditárias, como no caso dos Cagots no sudoeste da França. No Brasil existiram leis para que os portadores de lepra fossem "capturados" e obrigados a viver em leprosários, a exemplo do Sanatório Aimorés (em Bauru, SP), o Hospital do Pirapitingui (Hospital Dr. Francisco Ribeiro Arantes) e o Hospital Curupaiti em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A lei "compulsória" foi revogada em 1962, porém o retorno dos pacientes ao seu convívio social era extremamente dificultoso em razão da pobreza e isolamento social e familiar a que eles estavam submetidos.


Epidemiologia

Além do homem, outros animais de que se tem notícia de serem susceptíveis à lepra são algumas espécies de macacos, coelhos, ratos e o tatu. Este último pode servir de reservatório e há casos comprovados no sul dos Estados Unidos de transmissão por ele. Contudo a maioria dos casos é de transmissão entre seres humanos. A lepra ataca hoje em dia ainda mais de 12 milhões de pessoas em todo o mundo. Há 700.000 casos novos por ano no mundo. No entanto em países desenvolvidos é quase inexistente, por exemplo a França conta com apenas 250 casos declarados. Em 2000, 738.284 novos casos foram identificados (contra 640.000 em 1999). A OMS ( Organização Mundial de Saúde) referência 91 países afetados: a Índia, a Birmânia, o Nepal totalizam 70% dos casos em 2000. Em 2002, 763.917 novos casos foram detectados: o Brasil, Madagascar, Moçambique, a Tanzânia e o Nepal representam então 90% dos casos de lepra. Estima-se a 2 milhões o número de pessoas severamente mutiladas pela lepra em todo o mundo.

Transmissão

A lepra é transmitida por gotículas de saliva. O bacilo Mycobacterium leprae é eliminado pelo aparelho respiratório da pessoa doente na forma de aerossol durante o ato de falar, espirrar, tossir ou beijar. Quase sempre ocorre entre contatos domiciliares, geralmente indivíduos que dormem num mesmo quarto. A contaminação se faz por via respiratória, pelas secreções nasais ou pela saliva, mas é muito pouco provável a cada contato. A incubação, excepcionalmente longa (vários anos), explica por que a doença se desenvolve mais comumente em indivíduos adultos, apesar de que crianças também podem ser contaminadas (a alta prevalência de lepra em crianças é indicativo de um alto índice da doença em uma região). Noventa por cento (90%) da população tem resistência ao bacilo de Hansen (M. leprae), causador da lepra, e conseguem controlar a infecção. As formas contagiantes são a virchowiana e a dimorfa. Nem toda pessoa exposta ao bacilo desenvolve a doença, apenas 5%. Acredita-se que isto se deva a múltiplos fatores, incluindo a genética individual. Indivíduos após 15 dias de tratamento ou já curados não transmitem mais a lepra.

 

Progressão e sintomas

Mão de indivíduo infectado com a doença

O tempo de incubação após a infecção é longo, de 2 a 7 anos. Um dos primeiros efeitos da lepra, devido ao acometimento dos nervos, é a supressão da sensação térmica, ou seja, a incapacidade de diferenciar entre o frio e o quente no local afetado. Mais tardiamente pode evoluir para diminuição da sensação de dor no local. A lepra indeterminada é a forma inicial da doença, e consiste na maioria dos casos em manchas de coloração mais clara que a pele ao redor, podendo ser discretamente avermelhada, com alteração de sensibilidade à temperatura, e, eventualmente, diminuição da
Perna com lesões de lepra
sudorese sobre a mancha (anidrose). A partir do estado inicial, a lepra pode então permanecer estável (o que acontece na maior parte dos casos) ou pode evoluir para lepra tuberculóide ou lepromatosa, dependendo da predisposição genética particular de cada paciente. A lepra pode adotar também vários cursos intermediários entre estes dois tipos de lepra, sendo então denominada lepra dimorfa.


Lepra tuberculóide

Esta forma de lepra ocorre em pacientes que têm boa resposta imunitária ao bacilo de Hansen. O sistema imune consegue conter a disseminação do bacilo através da formação de agrupamentos de macrófagos, agrupamentos estes denominados "granulomas". Neste tipo de lepra, as manchas são bem delimitadas e assimétricas, e geralmente são encontradas apenas poucas lesões no corpo. É a segunda fase da doença e afeta a quem tem mais resistência ao bacilo.

Lepra lepromatosa (ou lepra virchowiana)

É a forma mais insidiosa e lenta da doença, e ocorre nos casos em que os pacientes têm pouca defesa imunitária contra o bacilo.
  • As lesões cutâneas são lepromas ou hansenomas (nódulos infiltrados), numerosas, afetando todo o corpo, particularmente o rosto, com o nariz apresentando coriza e congestão nasal.

     

Tratamento

No mundo existem muitos leprosários para o abrigo e a cura dos doentes de Hanseníase. A Igreja administra no mundo 547 leprosários, segundo dados do último Anuário Estatístico da Igreja. Eles são assim divididos: na África 198, na América 56 (total), na Ásia 285, na Europa 5 e na Oceania 3. As nações com o maior número de leprosários são: na África: República Democrática do Congo (32), Madagascar (29), África do Sul (23); na América do Norte: Estados Unidos (1); na América central: México (8); na América central-Antilhas: República Dominicana (3); na América do Sul: Brasil (17), Peru (6), Equador e Colômbia (4); na Ásia: Índia (220), Coreia (15); na Oceania: Papua Nova-Guiné (3). (Agência Fides 26/01/2013). Hoje em dia, a lepra é tratada com antibióticos, e esforços de Saúde Pública são dirigidos ao diagnóstico precoce e tratamento dos doentes, à ajuda com próteses aos pacientes curados e que sofreram mutilações e à prevenção voltada principalmente para evitar a disseminação. O tratamento é eminentemente ambulatorial. Apesar de não mortal, a lepra pode acarretar invalidez severa e/ou permanente se não for tratada a tempo. O tratamento comporta diversos antibióticos, a fim de evitar selecionar as bactérias resistentes do germe. A OMS recomenda desde 1981 uma poliquimioterapia (PQT) composta de três medicamentos: a dapsona, a rifampicina e a clofazimina. Essa associação destrói o agente patogênico e cura o paciente. O tempo de tratamento oscila entre 6 e 24 meses, de acordo com a gravidade da doença. Quando as lesões já estão constituídas, o tratamento se baseia, além da poliquimioterapia, em próteses, em intervenções ortopédicas, em calçados especiais, etc. Além disso, uma grande contribuição à prevenção e ao tratamento das incapacidades causadas pela lepra é a fisioterapia.

Talidomida

Malformações congênitas devido ao uso de Talidomida pelas mães no período gestacional resultavam em crianças nascidas com membros atrofiados - focomelia, especialmente os membros superiores. Muitas dessas malformações foram correlacionadas ao uso do medicamento Talidomida durante a gravidez para controle de enjoos. Atualmente, o medicamento é usado no tratamento da lepra, lúpus sistêmico e AIDS. Para conseguir é necessário de documentação comprovando e com controle rigoroso do receituário, sendo proibido a venda em farmácias, só encontrando em farmácias regionais das secretarias estaduais de saúde, com liberação para casos muito restritos.

No Brasil

No Brasil, a ONG MORHAN realiza um trabalho contra o preconceito e ajuda aos portadores da doença.

Indenização às vítimas no Brasil

De acordo com o decreto federal 6.168, de 24 de julho de 2007, os pacientes internados compulsoriamente e isolados em hospitais colônias de todo o país, até o ano de 1986, terão direito à pensão vitalícia mensal no valor de 750 reais. Para receber o benefício, os pacientes precisam apresentar documentos que comprovem a internação compulsória e preencher um requerimento de pensão especial.

Em Portugal

Os leprosos na Idade Média, nunca foram tidos em Portugal com grande horror. Não eram em geral obrigados a usar marcas de identificação especiais nem a servir-se de guizos ou com campainhas quando deambulavam. Na Idade Média, Portugal também não foi muito afetado por essa doença, talvez ao menor número de contatos com os Cruzados. O número de gafarias/Leprosarias nunca conheceu a amplitude que atingiu noutros países da Europa. O número de gafarias nunca excedeu as 60, o que correspondia à relação de uma para cada 15 000 habitantes, percentagem mínima, comparada com as de França ou de Inglaterra. Na atualidade, o número de casos é muito diminuto e reside quase exclusivamente em casos importados. A incidência da lepra em Portugal, com 11novos casos registados em 2008, está sobretudo associada às migrações, nomeadamente de África e do Brasil, sendo este o segundo país do Mundo com mais casos. Em Portugal, os doentes são tratados com antibióticos "em ambulatório", ao contrário do que sucedia nas décadas de 1940 e 1950, quando eram sujeitos a internamento compulsivo e a isolamento. O atual Centro de Medicina de Reabilitação da Região Centro, em Tocha, concelho de Cantanhede é o herdeiro do antigo Hospital Rovisco Pais que era uma leprosaria que albergava leprosos. Depois de transformado em centro de medicina em 1996, este centro mantém 18 ex-leprosos que foram excluídos da sociedade.

Referências
 

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