sábado, 18 de agosto de 2012

Biografia de François Blanchard


François Blanchard
François Blanchard. (Jean-Pierre François Blanchard). Aeronauta francês nascido em Paris em 18 de Outubro de 1753 e morto em 1809. Inventou o pára-quedas. Dedicou-se por muitos anos à Aeronáutica, realizando importantes investigações. Sabe-se que o pára-quedas foi descrito, em 1497, pelo italiano Leonardo da Vinci; entretanto, só 286 anos depois é que o conhecido aparelho, destinado a diminuir a queda, foi usado pela primeira vez por Sebastian Lenormand. Data de 1783 a memorável experiência desse alemão. Há quem afirme que o inventor do pára-quedas é o aeronauta francês Blanchard. Em 1785, Blanchard e Jeffries cruzam o canal da Mancha em um balão. Para alguns autores, o pára-quedas só foi utilizado em 1797 por Gornerin.



Jean-Pierre François Blanchard foi desde a infância obcecado pela ideia do voo. Quando jovem, ele fez um salto com uma sombrinha no lugar de um paraquedas. Ele construiu, mais tarde, máquinas hidráulicas, depois um veículo mecânico que levou Benjamin Franklin de Paris a Versalhes e Maria Antonieta a Trianon. Em 1783 a invenção dos balões é amplamente noticiada pelos jornais. Uma curiosa carta escrita por Blanchard, conservada na biblioteca de Andelys, exprime uma primeira dúvida a respeito da nova maravilha; mas logo conquistado, Blanchard prestava homenagens publicamente aos irmãos
Joseph Michel Montgolfier
Montgolfier e declarava destinar no futuro seus talentos mecânicos para tentar dirigir os balões. Antes de se tornar o melhor aeronauta de seu tempo e o maior propagador da navegação aérea no mundo, resta-lhe a glória de ter sido o primeiro a adaptar os métodos de condução a um balão. A personalidade de François Blanchard foi frequentemente discutida, mas seus possíveis defeitos de caráter não devem fazer com que sejam esquecidas a sua coragem e nem suas grandes habilidades, e nem sobretudo a obra realizada ao longo das sessenta subidas que ele fez, mantendo nesta longa carreira um entusiasmo profundo pela navegação aérea. Desde o final de 1783, ele construía em Paris um belo balão de seda envernizado ao qual acrescen
tou uma parte de um aparelho de aviação no qual trabalhava desde 1781, chamado por ele de “embarcação voadora”, nome que foi mantido para o aeróstato. O habitáculo desse balão é, de fato, a parte inferior do tal aeródino, e esta preciosa peça, anterior à descoberta de Montgolfier, existe ainda, perfeitamente conservada. Blanchard equipou este habitáculo com um pequeno leme e dois pares de asas articuladas com movimentos alternados. Um para-queda,
Jacques Étienne Montgolfier
fixado ao aro entre o balão e o habitáculo podia servir para suavizar a descida. Em 2 de Março de 1784, uma imensa multidão estava reunida no Campo de Marte ao redor do balão de Blanchard. No momento da partida, um aluno da Escola Militar, Dupont du Chambon, se precipitou em direção ao habitáculo, querendo subir à força. Houve uma luta entre o aeronauta, alguns espectadores e o ardente militar que, sacando sua espada, feriu Blanchard no pulso e quebrou o para-quedas e as pás. Blanchard tentou partir com seu passageiro, um monge, Dom Pech, mas teve que desistir. Sozinho com o seu balão desprovido dos aparelhos de manobra quebrados, Blanchard se elevou a uma grande altura e constatou a existência de correntes divergentes. Após uma hora e quinze minutos de viagem, ele aterrissou habilmente na margem do Sena, em Billancourt. Ele tinha muita ambição e sonhava apenas com glória e fortuna; ele pensava em consegui-las graças às suas proezas aerostáticas; mas Paris já estava indiferente e o interior, onde ele se apresentava em inúmeras cidades, não lhe proporcionava as satisfações esperadas. Mudou-se para a Inglaterra, onde criou elos de amizade com
Vincenzo Lunardi, adido à Embaixada da Itália na Grã-Bretanha, que tinha abandonado a carreira diplomática para se dedicar à aerostação. Blanchard e Lunardi que voavam juntos adquiriram rapidamente uma grande reputação na Inglaterra. Durante os voos na Inglaterra, em 1784, Blanchard foi o primeiro que equipou seu aeróstato com uma hélice propulsora. Apesar da improdutividade dos resultados obtidos com esse engenho movido pela força humana sob um balão esférico, é um novo título à honra do grande aeronauta francês.

Travessia do Canal da Mancha em um balão

Em 7 de Janeiro de 1785, Blanchard e seu amigo e mecenas americano John Jeffries atravessara o Canal da Mancha de Dover para Guines em 2 horas e 25 minutos, a bordo de um balão a hidrogênio. No curso desta travessia, Blanchard e seu companheiro tinham percorrido cerca de um terço do trajeto, quando a aeronave começou a descer. Após os dois balonistas atirarem ao mar tudo o que tinham, o balão retomou a altitude até dois terços do caminho, quando recomeçou a descer. Blanchard e Jeffries, dessa vez, jogaram não somente a âncora e a cordoalha, mas também deitaram ao mar boa parte de suas roupas. A retomada da altitude do balão evitou que eles se valessem do último recurso, que seria cortar a nacela. Quando eles se aproximaram da costa o balão subiu, descrevendo um magnífico arco acima da terra antes de ir pousar na floresta de Guines. Luis XV recompensou realmente o aeronauta que a glória acabava de atingir e que foi em seguida o primeiro a realizar uma ascensão na Alemanha, Holanda, Bélgica, Suíça, Polônia, Tchecoslováquia e também na América, em 1793, diante de George Washington.

Morte

Em 20 de Fevereiro de 1808, durante a sua sexagésima subida, sofreu uma apoplexia em pleno voo. Ocupado em alimentar o fogo do braseiro do balão, acabou caindo de 20m de altura. Depois de haver recebido de Luís Bonaparte, rei da Holanda, todo o socorro possível, foi transportado para a França, onde morreu um ano depois, provavelmente como resultado dos ferimentos sofridos na queda. Blanchard estava consciente da insuficiência da força humana e, em uma carta, declarou que a condução poderia ser obtida utilizando-se como motor a “bomba a fogo”, isto é, a máquina a vapor.


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