sábado, 11 de agosto de 2012

Biografia de Clément Ader

Clément Ader
Clément Ader. Nasceu em Muret, a 02 de Abril de 1841, e, faleceu em Toulouse a 05 de Março de 1925. Foi um engenheiro francês. Construiu um papagaio capaz de conduzir um homem e, em 1870, um balão. Realizou ainda outros vários inventos no campo da eletricidade, para fazer finalmente funcionar um “mais pesado que o ar”, que chamou “Éolo” (09/10/1890), e, no ano seguinte construiu o “Éolo II”, que se elevou do solo e percorreu 200m no campo de Satory. Deu o nome de “avião” a uma máquina voadora (1897), por ele mesmo construída. Seu uso generalizou-se a partir de 1930; antes se chamavam aeroplanos as máquinas de navegação aérea, equipadas com motor. (E.E.-III-1981).


Biografia

Foi um engenheiro francês, representante da Bell na França e instalou os primeiros telefones de Paris em 1879. Em 1881 Clément Ader apresentou um sistema estéreo na exibição de equipamentos elétricos em Paris, transmitindo uma ópera da capital francesa por meio de um tipo de telefone, o teatrófono, que produzia uma sensação de som espacial para os ouvintes. Baseado nos estudos sobre o voo dos pássaros de Louis Pierre Mouillard, construiu os primeiros aeroplanos com motor. Entre 1890 e 1897 construiu três aparelhos: Eole (Avion I), Zéphyr (Avion II) e Aquilon (Avion III). Fez fortuna graças a invenções no campo da eletricidade (microfone, teatrofone). Na sua invenção, a que chamou Avion, e que tinha o sobrenome de Éolo, rei dos ventos da mitologia, percorreu, no dia 9 de Outubro de 1890, cerca de 50 metros à uma altura de 20 cm. Seguidamente, com o apoio do Estado-Maior francês, e do próprio ministro da Guerra, trabalhou no aperfeiçoamento do seu invento durante 7 anos, no mais completo segredo. Depois de pronto, o mesmo passaria a pertencer ao Estado. Em Outubro de 1897 a prova definitiva no Avion III, agora provido de dois motores de 20cv, redundaria num fracasso quase completo.

O velocípede

Veio à Paris para a Exposição de 1867, e, lá ele conheceu o velocípede (bicicleta) de Ernest Michaux e imaginou a substituição da roda de ferro pela roda de borracha. Em 1868, ele deu início na fabricação de bicicletas, denominadas de  "véloces caoutchouc" (céleres de borracha). Outra inovação de Ader, ele usou uma estrutura tubular quadrada, feita de chapa metálica, o que proporcionava um certo peso para o velocípede. A guerra franco-prussiana interrompeu esta sua atividade.

O trilho interminável

Ader começou a trabalhar na Companhia Ferroviária Midi. Ele imaginou em 1875, uma máquina para a colocação de trilhos, a qual foi utilizada durante décadas.
Telefone de Ader (1880).

O telefone


Em Paris, Ader precisou de dinheiro para sustentar sua família e também para concretizar o seu projeto de uma máquina voadora mais pesada do que o ar. Interessado pelo então "nascente" telefone, ele comercializou o sistema de Graham Bell e o aparelho inventado por Cyrille Duquet. Ader inventou o Théâtrophone, uma rede telefônica conectada à Ópera de Paris, pela qual permitia se ouvir a ópera sem sair de casa.



O Théâtrophone


Clément Ader participou da criação da primeira rede de telefonia (até então privada) em Paris, com Louis Breguet, Cornélius Roosevelt, François Roode dentro da Companhia Telefônica Gower, do engenheiro norte-americano Frédéric Allen Gower. Tornou-se a Sociedade Geral de telefones em 1880, a empresa lançou em 1881, o Théâtrophone de uma idéia de Ader. Os microfones eram instalados de cada lado do palco da Ópera Garnier e podia se ouvir a ópera sem sair de casa. O sistema seria em breve estendido à outras salas de espetáculos. A novela A Cidade e as Serras (1901) de Eça de Queiroz, mencionava o dispositivo como um dos muitos produtos tecnológicos disponíveis para a distração das altas classes.


O Éolo (avião I)

Esquemas do Éolo.
O Éolo era equipado com um motor a vapor de 20cv, a máquina era uma asa complexa, inspirada na forma de um morcego. Sua geometria era alterada em voo por seis manivelas. Podia, portanto, variar a superfície, girar as asas dianteiras para trás, alterar a curvatura e flexionar as extremidades das asas para cima ou para baixo. Havia também um mecanismo de controle por pedais da direção no solo. Entretanto, não havia leme durante o voo. A primeira tentativa de controlar o Éolo foi realizada a 9 de Outubro de 1890, no castelo de Gretz-Armainvilliers, ao sudeste de Paris. As marcas deixadas pelas rodas no solo mostravam o lugar onde elas eram menores e desapareciam completamente dentro de vinte ou cinquenta metros... sua máquina teria deixado o solo. Ader pode, portanto, naquele dia, ser o primeiro a decolar uma máquina mais pesada que o ar. Não houve outras testemunhas do feito, além dos funcionários de Ader. Interessado no projeto, o Exército contactou Ader, que realizou um segundo voo a bordo do Éolo, em Setembro de 1891. O aparelho impressionou positivamente os militares que o encomendaram um segundo aparelho mais potente.


Zéphyr (avião II)


Motor à vapor 30cv do Zéphyr
Ader inicia a construção de um segundo aparelho, evolução do primeiro, mas com as semelhanças do Éolo: o aparelho era um monomotor bicilíndrico à vapor ultra-leve de 20cv e 35kg. Este modelo não foi concluído; serviu de base para o Aquilon (avião III), que é um bimotor para reduzir os problemas de instabilidade do Éolo e, pode embarcar nele, além do piloto, um passageiro, a pedido do Exército.


Aquilon (avião III)


Os seguintes testes foram realizados por Ader no acampamento militar de Satory, no qual foi
Aquilon - avião III
estabelecido uma área circular de 450m de diâmetro, para uma demonstração oficial. A 12 de Outubro de 1897, Ader realiza sua primeira volta no circuito a bordo de seu avião III. Ele sentiu várias vezes o aparelho decolar, e tocar novamente o solo. Dois dias depois, quando o vento estava forte, lança sua máquina diante de dois oficiais do Ministério de Guerra que declararam ao final da exibição: "Foi fácil observar, no entanto, que após o despertar das rodas, a aeronave levantava freqüentemente a traseira, e a roda traseira que forma o leme, não tocava constantemente o solo". Os dois membros da comissão viram de repente o aparelho sair para fora da pista, fazendo uma meia conversão, inclinando-se para o lado e, finalmente, parando (parece que, as rodas não aderiram suficientemente pelo fato da sustentação, o piloto perdeu o controle da direção da máquina, que foi, então, lançada para fora da pista e, em seguida revirada pelo vento. A questão: […] o aparelho tem (ou teria) a tendência de subir ao executar uma certa velocidade? A resposta é: […] “a demonstração não foi feita nos dois experimentos feitos em campo”. Podemos concluir que, em 14 de Outubro de 1897, o francês Clément Ader, pode ter efetuado uma decolagem motorizada - mas não controlada – de um aparelho mais pesado que o ar. O Ministério de Guerra parou de financiar Ader, que foi forçado a parar a construção do seu protótipo (o Éolo custou 200 mil francos na época, quase 8 milhões de euros).


Falecimento

Ader terminou sua vida perto de Toulouse, em Beaumont sur Lèze (Château de Ribonnet) nas suas vinhas. De tempos em tempos, a Panhard & Levassor pedia-lhe para testar seus modelos mais recentes. Faleceu em 3 de Março de 1925, aos 83 anos de idade, em Toulouse, após o reconhecimento nacional tardio. Apenas um avião III (Aquilon) chegou aos nossos dias, e, está exposto em Paris no Musée des arts et métiers, e o motor à vapor. Devemos ao grande fotógrafo Félix Nadar das belas fotos da oficina de Ader, onde o apreciador pode ver, além do Éolo, os elementos do planador Zéphyr.

Curioso: o primeiro veículo a circular em Portugal  foi um Panhard-Levassor importado de Paris pelo 4º Conde de Avilez, em 1895, tendo ficado célebre a primeira viagem deste veículo, desde a alfândega de Lisboa até Santiago do Cacém, localidade onde residia aquele titular, na companhia do seu amigo e conterrâneo José Benedito Hidalgo de Vilhena e dum mecânico.

Referências:
http://fr.wikipedia.org/wiki/Théâtrophone

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