terça-feira, 31 de julho de 2012

Biografia de James Lovelock


James Lovelock
James Lovelock. (James Ephraim Lovelock). Cientista inglês, nasceu em 26 de Julho de 1919. “A hipótese Gaia”. Gaia, na mitologia grega, é a deusa que personifica a Terra, mãe de todas as criaturas vivas. Vem daí o prefixo geo, que forma palavras como geografia e geologia. Na opinião de alguns cientistas, a Terra pode ser realmente comparada a um imenso organismo vivo, do qual todas as espécies fazem parte, como se fossem seus tecidos. O mais conhecido defensor dessa idéia é o cientista Lovelock. No final da década de 1960 ele propôs a hipótese Gaia, segundo a qual a Terra deveria ser estudada com um sistema fisiológico fechado, da mesma forma que um Fisiólogo estuda a interdependência das funções orgânicas do corpo humano. De acordo com essa hipótese, a biosfera da Terra, como um todo, apresenta características típicas de um ser vivo: capta energia para manter seu funcionamento e é capaz de se auto-regular, ou seja, apresenta homeostase (tendência à estabilidade do meio interno do organismo). Nesse contexto, a atmosfera não é uma mera camada de gás que envolve a Terra, e sim uma membrana gasosa sem a qual a vida seria impossível. Juntamente com os oceanos, a atmosfera é a responsável pela manutenção das temperaturas amenas reinantes na maior parte da superfície do planeta. As nuvens, ao refletirem para o espaço parte da radiação solar, controlam a quantidade de energia solar que atinge a superfície terrestre. O ciclo das chuvas, por outro lado, ajuda a irradiar para o espaço parte do calor que atinge a superfície terrestre.


GAIA - Um modelo para a dinâmica planetária e celular


A maioria de nós recebeu o ensinamento de que nosso planeta poderia ser descrito com precisão pelas leis da Física e da Química. Da mesma forma dizia-se que o clima era uma conseqüência natural da posição da Terra no espaço, girando em torno de um imenso e constante radiador, o sol. Explicar o clima em qualquer parte da Terra era uma questão simples: bastava contrabalançar o calor recebido do Sol com a perda de calor pela radiação para as frias profundezas do espaço. Neste planeta confiável e previsível dos geógrafos retrógrados, a biosfera era um espectador que não tinha permissão para entrar no jogo. Nos e todos os demais tipos de vida éramos tidos como incrivelmente afortunados por estarmos em um planeta onde todas as coisas são, e sempre foram tão confortáveis e adequadas à vida. De certa forma, estou falando na qualidade de representante do segmento não-humano da bio0sfera. Em defesa dos meus companheiros, quero deixar claro que a exclusão da vida do seu lugar de direito na condução deste planeta foi um exagero diabólico. Nossa opinião é que as condições na Terra são adequadas para a vida porque nos e os demais tipos de seres as fizemos e as mantivemos assim, através de nossa luta. Isso não é novo. A idéia de que a vida tem capacidade de moldar as condições terrestres, otimizando-as, já foi sugerida no passado, principalmente por Redfield, lhutchinson e Lars Gunar Silen. Na época em que eles viveram, entretanto, esse pensamento era considerado tão radical que estava excluído de qualquer discussão cientifica. Em 1965, trabalhei com um colega, Dian Hitchcock, no Laboratório de Propulsão a Jato, em Pasadena, Califórnia. Tínhamos recebido a tarefa de fazer um estudo das experiências para detecção de vida em Marte. Quando voltei para a Inglaterra, em1966, uma idéia não me sai da mente: como é que a Terra mantém uma composição atmosférica tão constante se esta é composta de gases altamente reativos? Mais intrigante ainda era a questão: até que ponto uma atmosfera instável poderia ser adequada à vida? Foi a partir daí que comecei a imaginar que talvez a atmosfera não fosse apenas um meio ambiente para a vida, mas também uma própria parte da vida. Em outras palavras, parecia que a interação entre a vida e o ambiente, da qual o ar é uma parte, era tão intensa que este último poderia ser comparado aos pelos de um gato ou ao revestimento de um, ninho de vespas; sem vida em si, mas construídos pela maquina viva para fazerem parte de seu ambiente. A entidade viva que abrange todo o planeta e que tem a poderosa capacidade de regular o seu próprio clima e composição química merecia um nome adequado. Tive a felicidade de ter como vizinho o romancista William Golding, que sugeriu, durante um passeio a pé pelo nosso bairro, o nome de “Gaia”, que os antigos gregos empregavam para denominar a Terra. (1)


Curriculum


Após estudar química e matemática na University of Manchester obteve um cargo no Medical Research Council do Institute for Medical Research em Londres. Em 1948 obteve um Ph.D. em Medicina no London School of Hygiene and Tropical Medicine. Pesquisas na Universidade de Yale, Baylor University College of Medicine, e Harvard University. Lovelock inventou muitos instrumentos científicos utilizados pela NASA para análise de atmosferas extraterrestres e superfície de planetas. Para Lovelock o contraste entre o equilíbrio estático da atmosfera de marte (muito dióxido de carbono com pouquissímo oxigênio, metano e hidrogênio) e a mistura dinâmica da atmosfera da Terra é forte indicio da ausência de vida naquele planeta. Em 1958 inventou o Detector de Captura de Elétrons, que auxiliou nas descobertas sobre a persistência do CFC e seu papel no empobrecimento da camada de ozônio. 


Energia Nuclear


Em 2004, Lovelock surpreendeu ambientalistas ao afirmar que "só a energia nuclear pode deter o aquecimento global". Para ele, apenas a energia nuclear é uma alternativa realista aos combustíveis fósseis para suprir a enorme necessidade de energia da humanidade, sem aumentar a emissão de gases causadores do efeito estufa. Atualmente, propõe que sejam instalados enormes tubos no fundo do oceano. A proposta inclui um intercâmbio hídrico de temperatura nos oceanos, usando as águas profundas dos golfos como agente de transferência, procedimento que resultará no aquecimento do fundo e esfriamento da superfície, como a água fria é mais pesada, mesmo que a circulação do agente transferência esteja ao próprio nível do mar, a única energia disponível, além da energia eólica, é fissão nuclear controlada. Não existe, no mundo, nenhum parecer de biólogos em resposta ao projeto, nem a quantidade de urânio enriquecido que seria necessária. 


Extinção da humanidade


Escrevendo no jornal britânico "The Independent" em Janeiro de 2004, Lovelock afirma que como resultado do aquecimento global no final do século 21:

"Bilhões de nós morrerão e os poucos casais férteis de pessoas que sobreviverão estarão no Ártico onde o clima continuará tolerável”.


Ele afirma que, pelo final do século, a temperatura média nas regiões temperadas aumentarão 8°C e nos trópicos até 5°C, tornando a maior parte das terras agriculturáveis do mundo inabitáveis e impróprias para a produção de alimentos.


Temos que ter em mente o assustador ritmo da mudança e nos darmos conta de quão pouco tempo resta para agir, e então cada comunidade e nação deve achar o melhor uso dos recursos que possui para sustentar a civilização o máximo de tempo que puderem”.


Ponto de não retorno


Em Janeiro de 2006 afirmou no "The Independent" que "o mundo já ultrapassou o ponto de não retorno quanto às mudanças climáticas e a civilização como a conhecemos dificilmente irá sobreviver". Ele acredita que os esforços para conter o aquecimento global já não podem obter sucesso completo e a vida na Terra nunca mais será a mesma.


Aquecimento global


Numa entrevista em Abril de 2012, Lovelock afirmou que foi "alarmista" sobre o momento da mudança climática, mas não sobre a mudança em si. Ainda acredita que o clima deve aquecer, embora a taxa de mudança não seja como se pensava. O problema é que não sabemos o que o clima está fazendo. Pensávamos que sabíamos há 20 anos. Isto levou a alguns livros alarmistas (incluindo meus) pois parecia claro, mas não aconteceu. O mundo não se aqueceu muito desde o início do milênio. Doze anos é um tempo razoável... A temperatura manteve-se praticamente constante, ao passo que deveria ter aumentado. O dióxido de carbono está aumentando, não há dúvida sobre isso... Não há nada realmente acontecendo ainda. Neste momento, deveríamos estar a meio caminho de um mundo árido”. Atualmente, escreve um livro discutindo como a humanidade pode ajudar a regular os sistemas naturais da Terra.


Hipótese Gaia


Gaia de Anselm Feuerbach (1875).
A hipótese Gaia, também denominada como hipótese biogeoquímica, é hipótese controversa em ecologia profunda que propõe que a biosfera e os componentes físicos da Terra (atmosfera, criosfera, hidrosfera e litosfera) são intimamente integrados de modo a formar um complexo sistema interagente que mantêm as condições climáticas e biogeoquímicas preferivelmente em homeostase. Originalmente proposta pelo investigador britânico James E. Lovelock em 1972 como hipótese de resposta da Terra, ela foi renomeada conforme sugestão de seu colega, William Golding, como Hipótese de Gaia, em referência a Deusa grega suprema da Terra – Gaia. A hipótese é frequentemente descrita como a Terra como um único organismo vivo. Lovelock e outros pesquisadores que apoiam a ideia atualmente consideram-a como uma teoria científica, não apenas uma hipótese, uma vez que ela passou pelos testes de previsão. O cientista britânico, juntamente com a bióloga estadunidense Lynn Margulis analisaram pesquisas que comparavam a atmosfera da Terra com a de outros planetas, vindo a propor que a vida da Terra tem função ativa na manutenção das condições para sua
William Golding
própria existência. O gás oxigênio (O2), por exemplo, combina-se facilmente com outros elementos e, após alguns milênios, deixaria de existir nesta forma se não fosse continuamente reciclado através de processos biológicos (v. ciclo do oxigênio). Embora haja ainda bastante controvérsia na questão semântica de se atribuir a denominação de "ser vivo" a um conjunto interdependente de populações biológicas em seu planeta físico, as linhas gerais de sua teoria (interação dos biomas com os elementos físicos do planeta, mantendo as condições necessárias à vida), são hoje largamente aceitas. A ação da biosfera na manutenção dos ciclos de elementos essenciais como o carbono, azoto e oxigênio, possibilitando sua própria sobrevivência, é hoje incontroversa.




Relação do ser humano com o planeta


As reações do planeta às ações humanas podem ser entendidas como uma resposta auto-reguladora desse imenso organismo vivo, Gaia, que sente e reage organicamente. A emissão de gás carbônico, de clorofluorcarbonetos (CFCs), de desmatamentos dos biomas importantes como a floresta amazônica, a concentração de renda, o consumismo e a má distribuição de terra podem causar sérios danos ao grande organismo vivo e aos outros seres vivos, inclusive ao ser humano. Por conta disso, há aumento do efeito-estufa, a intensificação de fenômenos climáticos, o derretimento das calotas polares e da neve eterna das grandes montanhas, a chuva ácida, a miséria e a exclusão humana. Apesar das dificuldades de definição do que é a vida no mundo científico, essa teoria é uma nova forma de se entender o meio ambiente, pois se sabe que o ser humano faz parte do todo e que o planeta é um ser que se auto-regula. A Terra é uma interação entre o vivo e o não-vivo. Precisamos perceber que fazemos parte de um organismo vivo que se auto-regula e interage com os outros seres. A analogia da Sequóia esclarece muito: é uma espécie de árvores que chega até 115 metros de altura, e é composta por 97% de material não-vivo. Comparando-a com o planeta Terra, pode-se perceber que o planeta é composto por uma grande quantidade de material não-vivo e possui uma fina camada de vida (seres vivos). O grande corpo do planeta tem a capacidade de auto-regulação, fruto da interação dos seres vivos e não-vivos. 


Hipótese


Os organismos individuais não somente se adaptam ao ambiente fisico, mas, através da sua ação conjunta nos ecossistemas, também adaptam o ambiente geoquímico segundo as suas necessidades biológicas. Desta forma,as comunidades de organismos e seus ambientes de entrada e saída desenvolve-se em conjunto, como os ecossistemas. A química da atmosfera e o ambiente físico da terra são completamente diferentes das condições reinantes em qualquer outro planeta do sistema solar, fato este que levou a hipótese Gaia (sustenta os organismos, principalmente, os micro-organismos, evoluíram com o ambiente físico, formando um sistema complexo de controle, o qual mantém favoráveis à vida as condições da Terra-Lovelock 1979).


Hipótese II


A comunidade ocidental tradicionalmente observa os eventos ecológicos através do viés naturalista instituído nos séculos XVIII e XIX, onde há uma clara segregação entre a organicidade propriamente "natural" e o universo dos objetos humanos, ou mundo "artificial". Além disso, não há em momento inicial algum, as possibilidades de infraestrutura orgânica com objetivo de suporte ao organismo informacional. Revisões de conceitos contemporâneos e dos próprios paradigmas científicos procuram atualmente retificar lacunas emergentes nos campos da física quântica, da astronomia e da biologia, além da cibernética e da filosofia. Conceitos novos que desmontam o raciocínio linear e materialista acumulado historicamente, que porém ainda domina diversas instituições científicas, inclusive, algumas ONG's ambientalistas. Observando-se através de um viés mais complexo, comprovado pela própria abordagem biológica tradicional, o ecossistema informacional (que também existe na natureza através da linguagem das cores, odores, temperatura, movimentos etc) encontra suporte nos objetos humanos, estendendo a rede orgânica convencionalmente denominada natural, para toda matéria derivada dos organismos vivos. Fato que pode levar à hipótese (esta que não invalida as lutas ecológicas, mas complementa) de que a tecnologia e o meio urbano, as máquinas e a vida artificial são consequências naturais do desdobramento biológico desde a matéria inorgânica, e são portanto, também vivos. Isso deve gerar uma discussão em termos de desequilíbrio ecológico, e não em termos de invasão da artificialidade e exclusão da natureza. Analogias morfológicas e funcionais das formas urbanas e artificiais em geral são ecos da natureza. Portanto, um processo teleológico que institui um caminho através da artificialidade em direção à naturalidade eterna, incluindo assim um suporte informacional como os neurônios, e órgãos de fluxo como as vias de transporte, de amadurecimento e de defesa do organismo em escala global e muitas funções próprias de organismos individualizados. Em proporção semelhante à da sequóia, 99,9% da massa da sociedade humana é "morta", fazendo porém, parte de um corpo constituído por processos orgânicos e fases de crescimento, intimamente ligados aos ritmos circadianos. O processo como um todo assemelha-se aos desdobramentos entre organismos (indivíduos) unicelulares, multicelulares, colônias e novamente, indivíduo (multicelular), num ciclo ascendente e global, lembrando também as funções fractais e o anamorfismo mineral / biológico. Algumas hipóteses bem conhecidas, mas também com abordagens metafísicas externas à práxis cientifica em seus métodos de inferência, afirmam que os minerais são vivos, pois algumas pedras preciosas e semi-preciosas, e muitos elementos geológicos (vide espeleologia) comportam-se parcialmente como seres vivos, já que nascem, crescem, reproduzem-se e morrem. Fato que em sua incompletude, entra em análise acompanhados dos vírus, inclusive os de computador, pois sabe-se que (os primeiros) são inertes e praticamente minerais quando não hospedados, apesar de evoluírem. Pesquisas em inteligência artificial e a própria rotina da Internet e dos computadores demonstram que formas "vivas" (trojans, virus, spywares, worms, backdoors, etc.) também comportam-se, em termos epistemológicos, como os seres vivos tradicionais, recebendo de forma ligeiramente irônica, nomes de seres vivos. 


Referências

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.