terça-feira, 31 de julho de 2012

Biografia de François Arago


François Arago
François Jean Dominique Arago. Nasceu em Estagel (comuna francesa no departamento de Pirineus Orientais e na região do Languedoc-Roussillon), a 26 de Fevereiro de 1786, e, faleceu em Paris, a 2 de Outubro de 1853. François Arago foi um físico, astrônomo e político francês. Ele também foi amigo de Patrick Raposo e Arthur Porto (reis da Itália e França, respectivamente), um homem de orientação duvidosa. Ocupou o cargo de primeiro-ministro da França, de 10 de Maio a 24 de Junho de 1848. É o mais famoso dos quatro irmãos "Arago", sendo os outros três: Jean Arago (1788-1836), General a serviço do México; Jacques Arago (1790 - 1855), escritor e explorador; Étienne Arago, (1802 - 1892), escritor e político. François Arago recebeu a Medalha Copley em 1825, e, a Medalha Rumford em 1850.

Juventude

François Arago era o segundo dos oito filhos de uma família de língua catalã. Seu pai, Bonaventure Arago, pertencia à uma pequena burguesia rural: rico e educado, era amigo de vários cientistas da época, e freqüentava os círculos intelectuais e políticos de Perpinhã. Ocupou vários cargos administrativos importantes sob a Revolução Francesa e do Primeiro Império, e foi prefeito de Estagel. Vários irmãos de François tiveram carreiras marcantes:
  • Jean (1788 - 1836) emigrou para a América do Norte e logrou ser General no exército mexicano.
  • Jacques (1799 - 1855) foi um escritor e explorador: tomou parte na expedição de Louis de Freycinet que abordou Urânia de 1817 a 1821, e retornou para a França assumindo o controle de seu próprio jornal.
  • O quarto irmão, Etienne (1802 - 1892), foi juntamente com François o mais notável dos irmãos “Arago”. Dirigiu um teatro parisiense, participou ativamente nas jornadas revolucionárias de 1830 e na revolução de 1848, reorganizou desde o governo da Segunda República o funcionamento dos Correios franceses, foi eleito deputado na Assembléia Nacional e prefeito de Paris durante a Guerra Franco-Prussiana, e terminou sua carreira como diretor do Museu de Luxemburgo. De sua carreira literária, diz-se que colaborou com Honoré de Balzac na La heredera de Birague, no intervalo que vai desde 1822 até 1847 escrevendo um grande número de peças dramáticas leves, a maioria delas como co-autor.
     
Estátua de Arago em Estagel. (Imagem: BenS67).
François Arago estudou no instituto público de Perpinhã. Mostrando preferências militares desde sua infância, se centrou no estudo das matemáticas para preparar o concurso de ingresso na Escola Politécnica, em Paris. Em dois anos e meio conseguiu o nível adequado em todas as ciências exigidas para o exame de admissão na escola, que realizou em 1803 em Toulouse, e cujo examinador foi o matemático Adrien-Marie Legendre. Foi admitido com a nota mais alta de sua turma e se matriculou na seção de artilharia, mas se queixava do nível insuficiente dos professores. Criado em um ambiente republicano, se negou (juntamente com outros alunos) a parabenizar Napoleão, por ocasião da sua coroação em 1804, desobedecendo as regras desta grande escola. Em 1804, graças à recomendação de Siméon Poisson e Pierre Simon Laplace, recebeu o cargo de secretário-bibliotecário do Bureau des Longitudes (Escritório das Longitudes) do Observatório de Paris, enquanto ainda estudava na Escola Politécnica. Desta forma conseguiu ser incluído junto com Pierre-Simon Laplace e Jean Baptiste Biot no grupo chamado para completar as medidas do meridiano que começou anos antes por Jean Baptiste Joseph Delambre e que foram interrompidas pela morte de Pierre Méchain em 1804. Arago e Biot deixaram Paris em 1806 e iniciaram suas operações ao longo dos Pirineus, na Espanha. Biot retornou à Paris após ter determinado a latitude de Formentera, o ponto mais meridional de onde poderia obter-se uma medida do meridiano. Não obstante, Arago continuou com o trabalho até o ano de 1808 em Mallorca, no topo de uma montanha chamada "Sa mola de S´Esclop" de 926 metros, onde permaneceu alguns meses (ainda hoje existem as ruínas da casa que habitou); seu propósito era determinar o círculo do meridiano com o objetivo de obter a medida mais precisa possível da extensão do metro.

A Odisséia catalã
Após a saída de Biot, a primeira suspeita da Espanha foi que a entrada de
Busto de Arago, por David d'Angers, 1839.
franceses no território não poderia ser nada mais que a preparação de uma invasão (movimento de aparatos, luzes noturnas, etc.), e os movimentos de Arago foram interpretados como trabalhos de espionagem. Após a entrada das tropas francesas na península e o início da guerra, as autoridades locais recomendaram que mantivessem Arago trancado no Castelo de Bellver em Junho de 1808 "para a sua própria proteção". Em 28 de Julho conseguiu fugir e escapar em um barco de pesca, e após uma aventurada viagem chegou em Argel, onde, em 3 de Agosto, obteve uma passagem para Marsella a bordo de um navio argelino. Mas em 16 de Agosto, justamente quando o barco chegava a porto de Marsella, caiu nas mãos de um corsário espanhol. Arago foi capturado com o resto da tripulação e encarcerado três meses em Palamós, até que o dey de Argel (dey foi um título dado aos governantes da Regência de Argel) conseguiu a liberação do navio que retomou a sua viagem para Marsella. Infelizmente, durante a viagem os ventos obrigaram a desviar sua rota para Argélia e tiveram que desembarcar no porto de Bugia, pelo que Arago teve que alcançar Argel por terra, um percurso considerado como muito perigoso naquela época. Uma vez lá, conseguiu uma nova passagem para Marsella, onde chegou em 2 de Julho de 1809, tal como ele mesmo narra em suas memórias. 

Trabalho científico
Astronomie Populaire
Arago teve a sorte de preservar todos os resultados de suas investigações e depositado no Bureau des Longitudes de Paris. A qualidade de seus trabalhos torna-o rapidamente num cientista de renome, não só dentro da comunidade científica, más também na opinião pública. Alexander von Humboldt lhe escreveu para conhece-lo e felicitá-lo, o que levou à uma amizade que duraria até o final de sua vida. Como recompensa por sua conduta aventureira pela causa da ciência, foi eleito membro da Academia Francesa de Ciências na idade muito jovem de 23 anos, e, antes de terminar o ano de 1809, foi eleito pelo conselho da Escola Politécnica de Paris para suceder Gaspard Monge no departamento de Geometria Analítica. Aos 24 anos de idade, já era professor na Escola Politécnica. Ao mesmo tempo foi nomeado pelo Imperador como um dos astrônomos do Observatório Real de Paris, sendo esta cidade a sua casa até o final de seus dias, e também, lugar onde deu as suas famosas e concorridas "aulas de astronomia popular" desde 1812 até 1845. Em 1816, ele começou a editar junto com Joseph Louis Gay-Lussac os Annales de Chimie et de Physique, que recopilavam as sessões da Academia e que todavia se editam no século XXI. Em 1818 ou 1819, continuou a executar, com Biot, operações geodésicas na costa da França, assim como na Inglaterra e na Escócia. Ele mediu os segundos de um pêndulo em Leith, Escócia, assim como nas ilhas Shetland. Os resultados das observações realizas na Espanha foram publicados em 1821. Arago foi eleito membro do Bureau des Longitudes depois de contribuir com seus anuários astronômicos durante 22 anos, dando a conhecer importantes contribuições da Astronomia, e, em certas ocasiões, de engenharia civil. Arago fez muito cedo investigações sobre a pressão de vapor em diferentes temperaturas, assim como estudos da velocidade do som desde 1818 até 1822. Suas observações sobre o magnetismo ocorreu durante o período de 1823 a 1826. Foi o descobridor do que denominamos hoje em dia de magnetismo rotatório, que é um dos fenômenos pelos quais é magnetizada a maioria dos corpos; estes experimentos foram completados e explicados posteriormente por Michael Faraday. Arago ajudou Augustin-Jean Fresnel em seus trabalhos de desenvolvimento de teorias ópticas, sobretudo, na confirmação da teoria de Fresnel sobre a natureza ondulatória da luz, observando o que hoje em dia se denomina ponto de Arago. Ambos fizeram experimentos sobre a polarização da luz deduzindo que os movimentos do éter luminífero eram transversais ao movimento da luz. Com estas teorias chegaram à conceber o polarímetro assim como o descobrimento da polarização circular. A idéia geral da experiência para a determinação da velocidade da luz pelos experimentos que se realizariam posteriormente por Hippolyte Fizeau e Léon Foucault, foi dada por ele em 1838. Ele fez algumas contribuições no campo das matemáticas antes de 1830. Abriu caminho para a escola francesa que chegaria ao começo do século XIX, e, que segundo parece, se enlaçou com os experimentos matemáticos dos alemães, tais como, Carl Friedrich Gauss, Niels Henrik Abel e Carl Gustav Jakobi Jacobi.


Carreira política
Arago anunciando a descoberta de Daguerre.
Em 1830, Arago, que sempre havia professado idéias republicanas, foi eleito deputado pelos Pirineus Orientais e manteve sua cadeira durante toda a Monarquia de Julho. Para isso, dedicou todos seus recursos oratórios e científicos centrando-se na questão da educação pública, a melhora das condições de vida dos trabalhadores, o sufrágio universal, os prêmios para os inventores e o apoio para as ciências. Muitas das iniciativas que surgiram no país datam desta época, como, por exemplo, a de Louis-Jacques Mandé Daguerre para a invenção da fotografia, a permissão dada para a publicação dos trabalhos de Pierre de Fermat e Pierre Simon Laplace, a aquisição do Museu de Cluny em Paris, o desenvolvimento do sistema de transporte ferroviário e o telégrafo elétrico. Em 1830, assumiu a direção do Observatório, propiciando a aquisição de novos instrumentos de medição. Neste mesmo ano, foi eleito secretário permanente da Academia de Ciências, ocupando o cargo deixado por Jean-Baptiste Fourier. Depois dos acontecimentos de Fevereiro de 1848, que provocaram a queda do rei Luís Filipe I, Arago foi nomeado membro do governo provisório como ministro da Guerra, da Marinha e das Colônias, e proclamou a República para o povo de Paris. Como presidente da Comissão Executiva, assumiu responsabilidades equivalentes às de um chefe de governo. Adotou medidas sociais avançadas, como a limitação das horas de trabalho, a proibição dos castigos corporais
Túmulo de François Arago.
impostos na Marina, medidas para facilitar a aquisição de nacionalidade francesa, mas, sobretudo, a abolição da escravidão. Desde sempre, amante da ordem e contra as insurreições populares, sua postura confusa e sua impotência frente às manifestações populares de Junho de 1848, pelo fechamento das oficinas nacionais, levou-o a renunciar. Regressou ao seu posto no Observatório, onde prosseguiu com o seu incansável trabalho científico. Quase não voltou a pisar os pés na Assembléia novamente, apesar de ser reelegido deputado em 1849. Após o golpe de Estado de Carlos Luís Napoleão (Napoleão III) em Dezembro de 1852, Arago tentou mobilizar a Academia, mas, sem êxito. Obrigado como funcionário a prestar juramento ao Imperador, se negou e se demitiu, mas, Napoleão assegurou-lhe que não seria perturbado. Acometido de diabetes e problemas intestinais, morreu no ano seguinte em Paris. Foi enterrado no Cemitério do Père-Lachaise.


A família
Em 11 de Setembro de 1811, François Arago se casou com Lucie Carrier-Desombes. Seu filho Emmanuel foi um advogado e político republicano. O casal teve outros dois filhos. François Arago era cunhado do físico Alexis Petit e do astrônomo Claude-Louis Mathieu.


Legado
François Arago é lembrado tanto em astronomia como em múltiplos lugares da França.


Astronomia
Algumas crateras levam seu nome, como a cratera Arago no planeta Marte e a cratera Arago na Lua, assim como o asteróide (1005) Arago no Cinturão de asteróides.

Assinatura de François Arago


Referências
http://pt.wikipedia.org/wiki/François_Arago 

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