terça-feira, 31 de julho de 2012

A História do Café

Café (coffea arabica).
Café:  A história do café perde-se na escuridão dos tempos. Conta-se que há 3.000 anos antes de Cristo, em Kaffa, cidade africana, um pastor, certo dia, teve sua atenção voltada para a excitação de suas ovelhas. Observando o fato, notou que os animais denotavam grande agitação quando pastavam num bosque próximo onde era abundante um pequeno fruto avermelhado. Colhendo alguns desses frutos, levou-os ao monge superior do convento da cidade. No mosteiro havia revezamento noturno entre os monges para a prática de penitências, às quais vários deles faltavam por não poderem controlar o sono. Crentes na historia do pastor, os superiores do convento resolveram aproveitar as qualidades estimulantes desse fruto, para que os monges não faltassem às obrigações noturnas. Foram surpreendentes os resultados. Os monges eram dominados por estranha insônia, o que lhes permitia cumprir fielmente a missão noturna. Mais tarde, na Arábia, na cidade de Moca, a planta encontrou clima ideal. Aí floresceu tanto que, pelo mundo afora,quando se falava em café,lembra-se a cidade de Moca. Daí a denominação popular de “moca”, segundo alguns estudiosos. O naturalista sueco Karl Lineu, por imaginar que o café provinha da Arábia, deu-lhe o nome de “coffea arábica”. Deve-se a esse famoso botânico a classificação das plantas em 24 famílias diversas. Provado está que o berço do café é a Abissínia. Afirma o brilhante professor
Estrutura do fruto e do grão de um café: 1: corte central 2: grão de café (endosperma) 3: pele prateada (tegumento) 4: pergaminho (endocarpo) 5: camada de pectina 6: polpa (mesocarpo) 7: pele exterior (epicarpo).
Acquarone, em seu excelente livro Historia do Café (Editora O Campo): “O café nasceu mesmo na Abissínia. Dizem alguns autores que a rubiácea, antes de ser conhecida na Arábia, já o era na Pérsia. Foi o xeque Gamaleddin Dhabhain quem introduziu o uso do café na Arábia. Alguns estudiosos, que estudaram a historia desse produto, afirmaram que o xeque vulgarizou o consumo da famosa rubiácea após uma viagem à Pérsia. De uma ou outra parte, o que importa é que Gamaleddin trouxe para Aden o uso do café, cultivando-o logo com o devido carinho. Desta cidade, passou a rubiácea, no fim do século IX da Héjira, isto é, do calendário árabe, para Meca, Medina e em seguida para toda a Arábia. Gamaleddin tornou-se um verdadeiro fã da nova bebida, maravilhando-se das propriedades que descobriu nela. No século XV, os maiores propagadores da bebida foram os maometanos, que acreditavam na salvação do espírito de todos os consumidores do café. Em 1511, em Meca, Clair Bey, novo prefeito, proibiu o uso do café por ser bebida excitante. Reuniu uma junta de sacerdotes, a fim de que o café fosse julgado. A sentença foi contra o café. Espalhou-se, então, a crença de que os bebedores de café, após a morte, apareciam negros diante de Alá. A bebida foi condenada, inclusive na América. Era castigado o infrator, e o castigo consistia em montar o condenado num burro, às avessas, de frente para o rabo do animal. O Sultão do Cairo revogou a lei de Clair Bey. Reuniu nova junta, e a sentença foi favorável ao café. Da Arábia foi o café para o Egito, no século XVI. Aí
Flores do café.
teve grande divulgação. O povo gostou da rubiácea. Os clérigos islamitas proibiram os fiéis de beberem o café. Grande movimento surgiu no Egito, em 1534. Teólogos e juízes entraram em luta para decidir sobre a nocividade do café. Venceu a rubiácea. Mais de 2000 casas vendiam infusão de café no Cairo. Corria o ano de 1554. O café invadiu, com reações, a Turquia, enriquecendo comerciantes, com a fundação de cafés-concerto. Os combates contra o café duraram cêrca de 150 anos. A luta foi mais áspera contra os islamitas. Foi o produto mais combatido, pelas suas propriedades excitantes. O café da Ásia pula para a Europa, em 1574. Em 1583, Leonardo Ranwolz, naturalista alemão, de regresso do Oriente, publicou uma obra em que falava muito da boa bebida que os turcos usavam largamente. E tecia-lhe grandes elogios. Sucedeu o mesmo com outro viajante, o veneziano Próspero Alpino, professor de botânica em Pádua. Viajando pelo Oriente, conheceu o arbusto do café, no jardim de um potentado turco, no vale do Nilo. Em seu regresso, publicou uma obra, editada em Veneza, no ano de 1591, na qual relatou a sua viagem e os conhecimentos adquiridos no Levante, durante a excursão que fizera. Os europeus, até então, conheciam o café por informações. No século XVII, a rubiácea conseguiu penetrar na Europa. Dizem uns que foi em Roma; outros, porém, (e constituem a maioria), acreditam que tenha sido em Veneza. O certo é que Pietro Dell Valle, (romano ou veneziano?) viajando pelo Oriente escreveu a um amigo, em 1615, anunciando-lhe uma surpresa, assim que ele voltasse à Pátria. Tal surpresa consistia apenas em apresentar ao amigo uma nova bebida. Do regresso trouxe de fato como prometeu grande quantidade de grãos de café, empenhando-se, desde então, em tornar conhecida a nova infusão, entre os seus compatriotas. E conseguiu popularizá-la. Em 1645, fundou-se em Veneza, o primeiro estabelecimento público para a venda do café. Roma, porém, na afirmação de alguns pesquisadores, já o bebia desde 1605. Da Alemanha, passou o café para a Suécia e
Grãos de café torrados
Dinamarca. Mas isso só se verificou no começo do século XVIII. Também nesses países a campanha foi tremenda. Havia os dois famosos grupos: um pró, outro contra. Um que defendia o chá, outro que se batia pelo café. E ambas as facções quase se engalfinhavam por causa dos dois produtos. Para uns o café era veneno terrível; para outros o chá é que matava violentamente. Passou-se, então, um caso interessante e pitoresco. A fim de decidir a questão, e tirar dela uma prova real, o rei Gustavo III, da Suécia, ordenou que suspendessem a execução de dois condenados à morte. Mandou, em seguida, encarcerá-los, determinando que um deles bebesse muito café durante o dia e o outro tomasse chá até morrer. E esperou pacientemente, para verificar qual deles seria fulminado mais depressa pelo veneno que tomava. Dois médicos acompanhavam os efeitos tóxicos nos organismos dos condenados. Pois bem: correram os dias, os meses, os anos... Morreram os facultativos, o rei foi assassinado e os dois “envenenados” ficaram firmes e viveram ainda durante muito tempo, bebendo chá e café, à vontade. Finalmente um deles, o bebedor de chá, entregou a alma a Deus, na idade avançada de 83 anos! 


Ps.: Elizabeth Durieux, de Sabóia, atingiu a idade de 114 anos, tomando 40 xícaras de café por dia. Fontenelle morreu com 80 anos tomando café seis vezes por dia.

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